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Wednesday, November 28, 2012

Recordar Rocha Martins (4)

Politicamente um monárquico liberal, não se eximiu a colaborar no jornal anarco-sindicalista A Batalha, como -- após um inicial bom acolhimento à Ditadura Militar -- a juntar-se às hostes da Oposição, essencialmente republicana, após verificar a natureza autoritária do Estado Novo, contrária ao seu liberalismo de princípio. Ficou para a posteridade o pregão dos ardinas lisboetas, anunciando o República, cada vez que incluía prosa sua: «Fala o Rocha! [O Salazar está à brocha*]».

*falta no original

Wednesday, January 05, 2011

Recordar Rocha Martins (3)

Cronista do fim da monarquia e dos primeiros anos da república, os seus livros sobre D. Carlos, D. Manuel II, João franco, Pimenta de Castro ou Sidónio Pais participam dessa condição de jornalista, de observador privilegiado e muitas vezes participante do devir histórico, acabando por alçar-se à condição de testemunhos de um  tempo.


Texto publicado no desdobrável da exposição bibliográfica e documental «Rocha Martins -- 50 Anos Depois (1952-2002)», realizada no Museu Ferreira de Castro, em Maio-Junho de 2002.

Saturday, October 31, 2009

Recordar Rocha Martins (2)

Autodidacta, Rocha Martins foi um historiador atípico. Essencialmente divulgador, tendo do passado uma visão eminentemente relacionada com os sucessos biográficos dos «grandes homens», atraído irresistivelmente pelo que de romanesco existe no percurso de uma vida -- daí a propensão para o romance histórico -- nem por isso deixava de bater as fontes, com desenvoltura e particular argúcia, em arquivos públicos e particulares, não dispensando também os contactos com descendentes daqueles que eram objecto da sua atenção.

Texto publicado no desdobrável da exposição bibliográfica e documental «Rocha Martins -- 50 Anos Depois (1952-2002)», realizada no Museu Ferreira de Castro, em Maio-Junho de 2002.

Friday, February 20, 2009

Recordar Rocha Martins (1)

Texto publicado em desdobrável da exposição bibliográfica e documental «Rocha Martins -- 50 Anos Depois (1952-2002)», realizada no Museu Ferreira de Castro, em Maio-Junho de 2002
Jornalista, historiógrafo, cronista e ficcionista, Francisco José Rocha Martins (Belém, 30.3.1879 -- Sintra, 23.5.1952) foi um dos nomes mais marcantes da imprensa nacional. Ligado aos jornais desde muito novo, devemos destacar a Ilustração Portuguesa, ABC -- revistas que fizeram história no periodismo português -- e o Arquivo Nacional, publicação que se ocupava de uma das suas grandes paixões: a História.
(continua)

Thursday, December 25, 2008

Ferreira de Castro e Reinaldo Ferreira -- Nota sobre a viagem do Repórter X à Rússia (1)


Publicado em Vária Escrita, n.º 5, Sintra, Câmara Municipal, 1998

Está por fazer o estudo sistemático da actividade jornalística de Ferreira de Castro (1898-1974), iniciada no Brasil em 1915, no Jornal dos Novos, de Belém do Pará, retomada em Lisboa, quando fundou O Luso (1920), e terminada n'O Século em 1934, com um remate final como director de O Diabo, entre 8 de Setembro e 10 de Novembro do ano seguinte. Pelo meio, entre as dezenas de títulos em que colaborou, deve registar-se a importante experiência do semanário Portugal (1917-1919), destinado à comunidade portuguesa de Belém, de que foi co-director; A Batalha, órgão sindicalista da Confederação Geral do Trabalho, dirigido por Alexandre Vieira (1884-1973) e o quinzenário Renovação, também da C.G.T., com Pinto Quartim (1887-1970) na direcção; as revistas ABC, de Rocha Martins (1879-1952), e Civilização, que com Campos Monteiro (1876-1934) lançou e dirigiu entre 1928 e 1930.

Saturday, July 21, 2007

Testemunhos - Rocha Martins (5)

Traduzida para espanhol a sua novela O Êxito Fácil, teve a facilidade de êxito de todas as belas composições; colaborando no ABC em quase todos os seus números, desde há um ano, tem recebido os maiores aplausos, trabalhando sempre na mais leal das camaradagens, escrevendo noite e dia, sacrificando-se como um campónio a cavar na sua horta para obter o seu alimento, é também como um jardineiro artista a cultivar noutros alegretes as suas flores deliciosas: a obra da sua alma, a do seu amor, a da sua sensibilidade, que são as páginas desenhadas carinhosamente como as das novelas a publicar em breve Sendas de Lirismo e de Amor e A Morte Redimida.
Lutador de sempre, imaginação fértil, pensador honesto e brilhante, revolucionário de ideais e de processos, Ferreira de Castro -- o autor da Peregrina do Mundo Novo -- que ABC vai começar a publicar na próxima semana, tem já vencido dificuldades enormes e conseguiu um lugar de detaque, afirmou-se e chegará aos mais altos postos da literatura nacional. Será isto maior consolo para a sua alma de idealista do que a posse da gadanha aguçada, própria para cortar os frutos altos dos bens materiais, que raramente deixam jorrar o seu sumo sobre os que batem a sua moeda na bigorna da imaginação, do talento, da arte e é pródiga para os das maleáveis e vis curvaturas ante os que a fortuna já acariciou.
Rocha MARTINS, «O auctor da novela "A Peregrina do Mundo Novo"», ABC, n.º 263, Lisboa, 30 de Julho de 1925.
Capa tirada aqui.

Tuesday, July 17, 2007

Testemunhos - Rocha Martins (4)





Aquelas duas novelas chamaram as atenções para os trabalhos do artista que se abalançou a planos maiores escrevendo, com Eduardo Frias -- outro lutador de sacrifício -- a Boca da Esfinge, recebida pela crítica com louvores.


São ensaios que valem por obras definitivas alguns dos trechos assinados por Ferreira de Castro, cujas grandes qualidades são clareza de exposição, intensidade dramática, prosa viva, por vezes ardente, vibrante, sem desvio do assunto para largas retóricas ou para s torcidas frases tão singulares dalguns dos escritores da sua geração.
Rocha MARTINS, «O Auctor da novela " A Peregrina do Mundo Novo"», ABC, n.º 263, Lisboa, 30 de julho de 1925.
[continua]







Wednesday, July 11, 2007

Testemunhos - Rocha Martins (3)

Não há dúvida, é alguém. É alguém, muito novo ainda, mas temperado pelas agitações duma infância de trabalho, longe dos seus, no Amazonas, na selva, entregue a si próprio, aprendendo a grande luta e a enorme resignação. O segredo do seu triunfo que é o segredo da sua resistência.
Viver da pena em Portugal, sem praticar traficâncias, é tão difícil e duro como a existência no sertão acrescentado-se-lhe ainda o custo das gravatas nas florestas.
Ferreira de Castro da sua pena vive como um cavaleiro doutrora dedicado à defesa dum ideal e jungindo-se com ele a todas as dores, trazendo espinhos sob a armadura reluzente.
Rocha MARTINS, «O auctor da novela "A Peregrina do Mundo Novo"», ABC, n.º 263, Lisboa, 30 de Julho de 1925.
[continua]

Friday, July 06, 2007

Testemunhos #2 - Rocha Martins (2)



Por vezes chega-se à alucinação e fica-se pelo caminho enquanto os outros, com facilidades editoriais, à própria custa, surgem e são falados. É enorme, é quase legião o número de ricos editados em luxuosos papéis, ao passo que num canto de oficina ou de redacção, poetas de talento maior que o deles murmuram os seus versos e só têm o desafogo de os dizer à mesa dos cafés. A imprensa geralmente festeja e acaudilha os moços de veia rimadora, os prosadores preciosos, os escritores daquela espécie e nem sempre exalta os que se lançam nesta carreira das letras armados apenas da sua coragem, do seu talento e do seu sonho.
Pertence a esta categoria o jovem novelista do Mas... que Coelho Neto sintetizou assim: «obra de análise, por vezes aspérrima mas sempre brilhante. O ferro que corta é de boa têmpera e reluz».
Estas palavras do ilustre romancista brasileiro são definidoras.


A estreia de Ferrreira de Castro foi saudada daquela maneira por um escritor consagrado. Raul Brandão disse-lhe, acerca do Sangue Negro, outra novela de recorte e de acção: «o senhor escreve sem se deter em pormenores inúteis e escolhe sempre para assunto, ao contrário do que fazem para aí todos os fúteis problemas cheios de grandeza e humanidade. É alguém».

Rocha Martins, «O auctor da novela "A Peregrina do Mundo Novo"», ABC, n.º 263, Lisboa, 30 de Julho de 1925.
[continua]

Tuesday, July 03, 2007

Testemunhos #2 - Rocha Martins (1)


Na moderna geração dos prosadores portugueses Ferreira de Castro talhou o seu caminho. Como todos os dominados por uma paixão sacrificou à literatura todas as outras sensações porque ela, só por si, como um dom divino, lhe encheu a alma.
Assim como há mulheres que sofrem para ser belas, também há artistas que a todos os sofrimentos se condenam pela sua arte. É o caso deste rapaz que, com uma paciência heróica e uma hercúlea vontade, veio plantar o seu pendão na ala moderna da literatura nacional, com brio e dignidade, conseguindo ser notado ao cabo dalguns anos de labor.
Ferreira de Castro é um escritor pobre. Daí merecer maior admiração que os instalados na existência, atrás dos reposteiros da existência ou nos palácios dos papás financeiros ou grandes proprietários. Estes só sentem o tormento de criar; nos pobres vive esse tormento transformado em horror porque têm de ganhar o seu pão diariamente em tarefas inferiores, que não desonram, mas são roubadas ao sonho.
Rocha MARTINS, «O auctor da novela "A Peregrina do Mundo Novo"», ABC, n.º 263, Lisboa, 30 de Julho de 1925.
[continua]