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Wednesday, July 22, 2020

na morte de Luís Garcia e Silva

Uma grande figura do anarquismo em Portugal, nas últimas décadas, esteio, com a sua companheira Elisa Areias, do jornal A Batalha, antigo órgão da CGT, publicado pelo Centro de Estudos Libertários, e também da medicina portuguesa, na sua área de especialidade a Dermatologia, cujos serviços chefiou no Hospital de Santa Maria, tendo ainda obra publicada sobre o tema. Tão grande foi a sua importância na preservação da chama da ideia libertária em tempos recentes, quão discreto, afável e ponderado era nas atitudes e relacionamento pessoal.
Sobre Ferreira de Castro, reuniu e anotou a coluna que este manteve em A Batalha, intitulada «Ecos da Semana -- A Arte, a Vida e a Sociedade», mas também, de Jaime Brasil, Sobre Jornalismo, igualmente com Elisa Areias, A Voz que Clama no Deserto ou ainda o colectivo Contra as Touradas. Deve-se-lhe ainda o resgate de um texto longínquo de Camus sobre A Selva, de 1938, publicado na Castriana #4, em 2009.
Ver aqui e aqui.



Wednesday, April 03, 2019

uma placa comemorativa do centenário de A BATALHA


Leio no último número d'A Batalha a notícia sobre a proposta do deputado independente à Assembleia Municipal de Lisboa, Rui Costa, evocativa dos 100 anos do jornal, a iniciativa da colocação duma placa comemorativa com esta frase de Ferreira de Castro. Aprovado por maioria, com a abstenção do CDS e do MPT.
O texto da proposta pode ser lido aqui.

Wednesday, April 04, 2018

Wednesday, September 07, 2016

FERREIRA DE CASTRO E A SUA OBRA LITERÁRIA (Nogueira de Brito)

por Baltazar
«Ferreira de Castro, a quem acaba de ser prestada homenagem de admiração pelo seu talento* é, na moderna geração literária, um dos valores mais curiosos pela orientação mental que tem inspirado à sua obra de reconstrução moral e psíquica. O escritor que deu ultimamente às letras portuguesas um formoso livro, «Emigrantes», é, antes de tudo, um emotivo severo, pautado, sem arremedos de sentimentalismos pueris, nem devaneios lânguidos de compreensão de sentimento ou de ternura. O que caracteriza a literatura de Ferreira de Castro é a incidência do bom gosto estético na observação filosófica dos factos e dos índivíduos, levada a um grau de conclusão e apuro exactos, que faltam à maioria dos escritores que trilharam o caminho por onde ele segue, sem um desvio, sem uma tergiversação, sem uma «falha».
Os tipos, que a sua obra incarna, são exemplos da vida, e não há um gesto, um vinco de fisionismo que não atinjam uma verdade irrefutável, um sentido de exactidão a que não está acondicionado o género novela, tão escassamente conseguido. Carácter e individualidade, moral e temperamento, tendências e atavismos, andam na obra de Ferreira de Castro como coisa existente, a valer, sem deformação, sem tintas esmorecidas, antes com um vinco de beleza moral e uma característica de perfeição honrosa que impressionam. Em Ferreira de Castro não há elevação "estudada" do sentir afeiçoado à exigência da efabulação, a rebuscada irradiação de emotismo coado pela oportunidade mais ou menos feliz; há, sim, a espontaneidade que nasce da cena real da existência, sem qualquer assomo de artifício, sem clangores de retumbâncias festivas, nem estilizações frívolas de colorismos doentios e insinceros. É uma obra feita de justeza, de equilíbrio, de calma e objectivação e dela fica a semente a lançar à terra em futuras colheitas de análise sentimental, em próximas depurações de psiquismos e de vibracionismo íntimo.
Prestar, pois, homenagem a Ferreira de Castro, é encarecer, alentar uma corrente literária que, estando dentro dos moldes contemporâneos, como estética e realização espiritual, prepara um ambiente moral de que irão aproveitando os que lêem a sua interessante produção.»

* Este banquete de homenagem, realizado em Janeiro de 1929, de que há registo fotográfico, foi uma manifestação de desagravo pela campanha dos sectores nativistas brasileiros contra Emigrantes,  romance pretensamente 'anti-brasileiro' na visão estreita daqueles.

Ferreira de Castro e a Sua Obra, edição de Jaime Brasil, Porto, Livraria Civilização, 1931.

Nota - Francisco Nogueira de Brito (Lisboa, 1883-1946). Crítico, historiador de arte e olisipógrafo, musicólogo, é um dos intelectuais libertários que assegura colaboração de grande qualidade no Suplemento de A Batalha e no início d'O Diabo.

Friday, July 17, 2015

E de «Ecos da Semana» - para um Dicionário de Ferreira de Castro

Designação de uma coluna que Ferreira de Castro publicava no suplemento cultura de A Batalha, entre 1924 e 1926, textos que em boa hora foram reunidos em livro pelo Centro de Estudos Libertários, pela mão de Luís Garcia e Silva, em 2004. Castro a comentar o momento. Essencial.

(a desenvolver)

bibliografia: a minha recensão na Castriana #3 (um cheirinho aqui)

Saturday, January 03, 2015

Francesc Ferrer i Guardia

O boletim libertário açoriano Vida Nova  republica um texto de Ferreira de Castro n'A Batalha, evocando a execução do pedagogo anarquista catalão Francesc Ferrer i Guàrdia.
(lido aqui)


Monday, July 07, 2014

EMIGRANTES n'A BATALHA

Primeira parte de um artigo meu sobre Emigrantes, no último número d'A Batalha (#268)

Saturday, August 03, 2013

Recensão a ECOS DA SEMANA -- A ARTE, A VIDA E A SOCIEDADE» (3)

O livro que agora se nos apresenta respeita ao período de 1924-1926, anos em que Castro era um jornalista free-lancer, e colige apenas a sua coluna regular de «Ecos da Semana -- A arte, a vida e a Sociedade». De fora ficou, infelizmente, um outro potencial volume, pelo menos de dimensão semelhante, de textos, ensaio e crítica. Recordemos que foi também aqui que Castro e Nobre publicaram, em 1925, A Epopeia do Trabalho, escritos e desenhos reunidos em livro no ano seguinte. Esta circunstância de independência em relação a entidades patronais que Castro manteve até 1927, ano em que ingressou nos quadros de O Século, se, por um lado, poderia induzir os mais cínicos a verem nestes textos qualquer espécie de lisonja ao público-alvo de A Batalha, a sua obra, coeva e posterior, desmente-o, de tal forma está impregnada dos valores libertários expressos no jornal, e bem assim o seu trajecto cívico e político até ao 25 de Abril de 1974. Em Fevereiro de 1926, de resto, Castro deixaria claro, numa nota oportunamente transcrita por L. Garcia e Silva na contracapa deste livro: «Eu escrevo em muitos jornais -- e em todos eles com independência. Mas há um apenas em que eu me sinto verdadeiramente livre, um apenas em que eu julgo não serem efémeras as minhas ideias, os meus períodos, as minhas palavras -- é neste. É n'A Batalha.

(continua)

Castriana #3, Ossela, Centro de Estudos Ferreira de Castro, 2007

Sunday, May 05, 2013

Chegar a Jaime Brasil através de Ferreira de Castro (3)

Mas foi através de Ferreira de Castro que cheguei verdadeiramente a Jaime Brasil. Com o magnífico romancista de A Selva, partilhou ele várias afinidades. Desde logo, profissionais. Oficial do exército na reserva até à sua expulsão na década de 40, entrara para a redacção de O Século em 1921. No mundo dos jornais se encontrou com Castro: nas páginas do diário anarco-sindicalista A Batalha, na direcção do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa, presidido por aquele e dissolvido pouco depois do golpe militar de 28 de Maio de 1926, e n'O Século, quando o futuro autor de Emigrantes abandona a frágil condição de freelancer. Brasil será despedido, por razões políticas, em 1936; Castro havia já abandonado o diário dois anos antes, passando a viver dos livros, das traduções e colaborações para jornais brasileiros, pois recusara-se a voltar a escrever na imprensa portuguesa enquanto a Censura vigorasse.

O Primeiro de Janeiro, «Das Artes e das Letras», Porto, 19 de Novembro de 2007.

Saturday, April 13, 2013

Ferreira de Castro e a II República Espanhola (2)

O jornalismo é uma actividade que Ferreira de Castro inicia ainda no Brasil, para onde emigrara muito jovem, em 1911, com doze anos e meio. Quando regressa, em 1919, retoma-a com grandes dificuldades, uma vez que era totalmente desconhecido no meio. A imprensa foi para ele a «profisão socorro» (2) que lhe permitiu dedicar-se à sua vocação literária. Até 1927. ele é um free lancer, escrevendo abundantemente para jornais do continente, ilhas e colónias, como meio de subsistência. Nesse ano -- que coincide com uma nova etapa da sua vida pessoal, o encontro copm Diana de Liz, e também com o encerramento de A Batalha,após o golpe do 28 de maio --, o jovem escritor entra para os quadros de O Século, onde permanecerá até 1934, abandonando então a vida dos jornais como profissional, saturado pelos constrangimentos impostos pela Censura do Estado novo. 

(2) Ferreira de Castro, «Origem de "O Intervalo"», Os Fragmentos, 2.ª ed., Lisboa, Guimarães & C.ª [1974}, p. 65.

in Círculo Joaquina Dorado e Liberto Sarrau -- 3.º Ciclo, Lisboa, Centro de Estudos Libertários, 2007.

Wednesday, November 28, 2012

Recordar Rocha Martins (4)

Politicamente um monárquico liberal, não se eximiu a colaborar no jornal anarco-sindicalista A Batalha, como -- após um inicial bom acolhimento à Ditadura Militar -- a juntar-se às hostes da Oposição, essencialmente republicana, após verificar a natureza autoritária do Estado Novo, contrária ao seu liberalismo de princípio. Ficou para a posteridade o pregão dos ardinas lisboetas, anunciando o República, cada vez que incluía prosa sua: «Fala o Rocha! [O Salazar está à brocha*]».

*falta no original

Thursday, June 21, 2012

A NARRATIVA NO MOVIMENTO NEO-REALISTA -- AS VOZES SOCIAIS E OS UNIVERSOS DA FICÇÃO, de Vítor Viçoso (21)

 Em Portugal, o Estado Novo está consolidado desde 1933, a tropa domesticada e as oposições cada uma para seu lado – divisão que a caracterizou nos 48 anos de ditadura, exceptuando o período de 19145-49, marcadas pela acção do MUD e do apoio à candidatura de Norton de Matos. Os republicanos de várias proveniências, grande parte desprestigiada pelo falhanço clamoroso da I República, haviam sido neutralizados – pela prisão, pelo exílio mas também pela cooptação por parte do novo poder; os anarquistas, a grande força organizada do trabalho durante esses dezasseis anos, principalmente através da central anarco-sindicalista CGT, detentora do influente jornal diário A Batalha, não resistira à repressão e à clandestinidade. A Revolta da Marinha Grande – articulada já com o PCP, não sem graves dissensões entre ambas as forças – seria o canto do cisne da corrente libertária enquanto movimento de massas; o PCP, finalmente, fundado em 1921, seria o principal veículo de resistência, graças a uma organização rigorosamente centralizada e a uma rede internacional de assistência e informação sediada em Moscovo.

(texto lido na apresentação do livro no Café Saudade, Sintra, em 21 de Outubro de 2011)

(imagem)

Wednesday, February 29, 2012

Abd El-Krim e a História

A propósito da sangrenta Guerra do Rife, que opôs os insurrectos marroquinos, liderados por Abd El-Krim, contra os exércitos espanhol e francês, escreveu Ferreira de Castro, n'A Batalha:
«[...] a figura de Abd-el-Krim- chega a atingir um sentido epopeico e só não merece as páginas da História porque a História desde há muito está desonrada, porque a História é indigna dele.» (14 de Setembro de 1925).
Ecos da Semana -- A Arte, a Vida e a Sociedade, Lisboa, Centro de Estudos Libertários, 2004, p.67.

Para Ferreira de Castro, a desonra da História -- ou da historiografia, melhor diríamos -- tem que ver com a noção, consagrada na década seguinte pela revista Annales, de Marc Bloch e Lucien Febvre, que o registo do passado nunca poderia limitar-se à inventariação das dinastias, das batalhas, das grandes figuras, meras conjunturas das estruturas económica, social e das mentalidades de que aquelas emanavam. E é essa concepção da História que presidirá ao projecto gorado da «Biografia do Século XX» -- de que só se salvará o póstumo O Intervalo (incluído n'Os Fragmentos) ou n'As Maravilhas Artísticas do Mundo, apresentada como «A prodigiosa aventura do Homem através da Arte».
(também aqui)

Tuesday, February 28, 2012

Carlos Malheiro Dias, o romancista, melhor que Carlos Malheiro Dias, o panfletário

Malheiro Dias foi, durante alguns anos, um escritor muito apreciável, que pôde fazer, à margem da sua obra política, uma obra literária de grande brilho.
«A [sic] paixão de Maria do Céu», se não é um dos melhores romances da literatura portuguesa dos últimos anos, é, pelo menos, um dos mais interessantes. [...]
Ultimamente, porém, Malheiro Dias [...] deu-se ao necrófilo prazer de acariciar múmias, de afagar espectros -- e tornou-se, com Antero de Figueiredo, em paladino de D. Sebastião e de outras sombras pretéritas. [...]
[...] Malheiro Dias exorta a mocidade luso-brasileira a trilhar os negros caminhos do reaccionarismo; exorta-a a adorar a Deus, a pátria e seus heróis de antanho, é dizer, a adorar a escravidão e os escravizadores.*

* Carlos Malheiro Dias, Exortação à Mocidade, Lisboa, 1924.
(A Batalha, 9 de Março de 1925)

Ferreira de Castro, Ecos da Semana -- A Arte, a Vida e a Sociedade, Lisboa, Centro de Estudos Libertários, 2004, p. 30. 
(também aqui)

Gama, o pirata

Dizer que Vasco da Gama foi um arrojado pirata, é ofender os patriotas, mas é restabelecer a verdade. E a ter que escolher entre os patriotas que formam uma casta transitória de obcecados, e a verdade, que é eterna, nós optamos pela última. (A Batalha, 2 de Fevereiro de 1925)
Ferreira de Castro, Ecos da Semana -- A Arte, a Vida e a Sociedade, Lisboa, Centro de Estudos Libertários, 2004, p. 18.

(também aqui)

Charles Maurras

Charles Maurras, um maître à penser de Salazar, é escolhido por pares como o sucessor de Anatole France, «príncipe dos escritores»:
«Eu reconheço, fora de todas as divergências de ideias, que o famigerado reaccionário de "L'Action Française» é um espírito culto e um crítico, por vezes, muito penetrante. Mas daí a considerá-lo como o príncipe das letras francesas... Não, isso é querer afrontar o próprio ridículo. É afrontar a memória de Anatole, que usou aquele título -- é afrontar os escritores que futuramente o virão a usar, merecidamente.»
A Batalha, 19 de Janeiro de 1925

Ecos da Semana -- A Arte, a Vida e a Sociedade, Lisboa, Centro de Estudos Libertários, 2004, p. 14.

(também aqui)

Monday, February 27, 2012

aproximava-se o 1.º Centenário de Camilo Castelo Branco

O que se tem feito com Camilo! O cadáver deste homem tem dado para alimentar legiões de medíocres, que nunca teriam nome, nem editor, nem leitores, se não se acolhessem à sombra trágica do romancista. (A Batalha, 22 de Dezembro de 1924)

Ecos da Semana -- A Arte, a Vida e a Sociedade, Lisboa, Centro de Estudos Libertários, 2004, p. 6.

desenho de Tòssan
(também aqui)