Thursday, December 31, 2009

10 livros que não mudaram a minha vida

Do Catharsis chega este desafio. pois aqui vai: 10 livros que não mudaram a minha vida.

1- A selva e a neve, de Ferreira de Castro;
2- A velha casa, mas divorcia-se logo a seguir, de José Régio;
3- É amor, foda-se!..., de Camilo Castelo Branco;
4- Folha murcha, de Almeida Garrett;
5- O barão de Castro Guimarães, de Branquinho da Fonseca;
6- Para o infinito e mais além, de Vergílio Ferreira;
7- Ravina dos tapados, de Alves Redol;
8- Sozinho e muito infeliz, de António Nobre;
9- Tabacaria, valores selados, brindes, de Álvaro de Campos;
10- Tusa, de Marmelo e Silva.

Wednesday, December 30, 2009

Uma dedicatória de Ferreira de Castro num exemplar de Emigrantes, em 1931, no blogue Caligrafias.

Monday, December 28, 2009

Viajar com Ferreira de Castro (2)

Assim se explica que, lançado na torrente migratória, de cá para lá, fosse lá, mais propriamente na Amazónia, onde rareavam os livros, que Castro escreveu uma noveleta intitulada Criminoso por Ambição, vindo a editá-la em fascículos em 1916, em Belém. Foi na biblioteca pública dessa cidade que aproveitou os intervalos dos biscates incertos para se educar a si próprio, lendo, lendo muito, autores portugueses, brasileiros, traduções de Balzac, Hugo ou Zola e um sem-número de livros de filosofia, política, sociologia.
Viajar com Ferreira de Castro, Porto, Edições Caixotim e Delegação Regional da Cultura do Norte, s.d., p. 1.

Monday, December 21, 2009

a aldrabice destas sondagens

Pensava que as sondagens que colocávamos aqui fossem minimamente fiáveis. Algo que não sucedeu com esta que apresentei no último ano, «Qual o livro de Ferreira de Castro que prefere?». Quando os votos alcançavam determinado patamar, aí por volta dos cinquenta, inexplicavelmente ocorria uma razia de vinte ou trinta votos, recomeçando-se a partir daí. Isto verificou-se pelo menos duas vezes; depois deixei de ligar. É pena, porque, enquanto a coisa funcionou sem sobressalto, tinha piada ver sempre muito a par «A Selva» e «A Lã e a Neve»; e no pelotão da frente, «Emigrantes» e «A Missão».
Provavelmente estas consultas não estão concebidas para um período tão dilatado. Se fizer outra, será breve.
Obrigado a todos quantos votaram.

Friday, December 18, 2009

castrianas #25 - Mário Dionísio

Do que Ferreira de Castro dá provas com a publicação de A Curva da Estrada não é apenas da sua possibilidade de escrever um grande romance ou da sua fidelidade aos assuntos que profundamente interessam o destino do homem dos nossos dias, mas de uma capacidade de renovação que é, em grande parte, a condição própria do escritor. Pode-se dizer que um escritor começa a sua obra quando encontra um estilo próprio de revelar a sua visão do mundo. Mas, na verdade, ele só consegue a realização completa quando chega a saber desdobrar esse estilo próprio nos mil aspectos que a concretização de tal visão implica. Há talvez um equívoco irremediável naqueles que encontraram um dia um modo determinado, e logo cristalizado, de planear o romance, de dividi-lo em capítulos, de abri-lo, de desenvolvê-lo, de fechá-lo, e passam o resto dos seus dias a remoê-lo partindo de assuntos diferentes -- de pretextos diferentes. A admiração por um escritor, o entusiasmo por um escritor, e, portanto, a vida e a existência de um escritor, provêm em grande parte desse íntimo movimento de surpresa que ele sabe despertar no público e que não é mais no fundo, que a novidade que cada seu novo assunto exige.

Mário Dionísio, «A CURVA DA ESTRADA -- Romance por Ferreira de Castro. Edição de Guimarães & C.ª, Lisboa, 1950», Vértice, n.º 89, Coimbra, Janeiro de 1951, pp. 454-457.

Wednesday, December 09, 2009

de passagem - Jaime Brasil, SOBRE JORNALISMO (1925 / 2005)

A insuficiência de trabalhos relativos à história da imprensa periódica*

Todas as instituições humanas, desde a religião à prostituição, têm os seus tratadistas e historiógrafos. Só o jornalismo não encontrou ainda quem lhe traçasse a crónica, com saber e método.

* A Batalha -- Suplemento Semanal Ilustrado, n.º 96, Lisboa, 28 de Setembro de 1925.

Jaime Brasil, Sobre Jornalismo, edição de Luís Garcia e Silva, Lisboa, Cadernos d'A Batalha, 2005, p. 7.