Em memória de Maria Isabel Costa
Qual a relação possível entre dois escritores da mesma geração, Ferreira de Castro (n. 1898) e Francisco Costa (n. 1900), ideologicamente posicionados em dois extremos do pensamento político-social contemporâneo – libertário, um, activamente internacionalista, revolucionário, antimilitarista, oposicionista e ateu; conservador, o outro, monárquico, próximo do Estado Novo, católico praticante? O diálogo entre os autores de A Selva e Cárcere Invisível foi já abordado por Bigotte Chorão, com a profundidade e elegância que caracterizam os seus textos.[1] Para além do amor a Sintra que os irmanava, a circunstância de divergirem ideologicamente, seria, no entender do autor, um factor de aproximação: «Não há, muitas vezes, pior companhia que a dos chamados correligionários e irmãos na fé...»[2] Existindo realmente as diferenças de mundividência, homens de pensamento e convicções, ambos romancistas atentos à dignidade essencial de cada indivíduo, souberam estabelecer pontes que valorizavam o muito que os aproximava.











































































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