«O calor dela, grato nas outras noites, tornava-se-lhe, nesse momento, mais nojoso do que febre de tísico.»
A Tempestade (1940)
um blogue para ir estando com o autor de A SELVA e os seus amigos de sempre: Assis Esperança, Jaime Brasil e Roberto Nobre (desde 30 de Abril de 2006)
«O calor dela, grato nas outras noites, tornava-se-lhe, nesse momento, mais nojoso do que febre de tísico.»
A Tempestade (1940)
«Atrás de mim, alargava-se o Atlântico, cujo rumorejar dir-se-ia um riso surdo, irónico, com uma baba de desprezo pela minha ambição a refazer-se constantemente, espumosa e branca, sobre a crista das suas ondas; em frente, o outro mar, o mar, um mar verde, que se estendia por milhares de quilómetros, desde ali, até às longínquas fronteiras do Peru e da Bolívia, severo, misterioso e imóvel.»
«Pequena história de "A Selva"» (1955)
1Ricardo António Alves, Anarquismo e Neo-Realismo – Ferreira de Castro nas Encruzilhadas do Século, Lisboa, Âncora Editora, 2002, p. 51.
Do livro a publicar, Sobre e à volta de Ferreira de Castro
«Eu pensava e penso que sem a Literatura – não a minha, evidentemente, mas a Literatura em geral – que foi sempre, no seu conjunto, espelho fiel, como nenhum outro, dos sentimentos e inquietações duma época, não se pode oferecer ao futuro um panorama exacto do nosso tempo.»
Do «Pórtico» de A Tempestade (1940)
«Fora preciso que Helena morresse, que a vida o atraiçoasse, matando-a prematuramente, para que ele sentisse a inutilidade de todo o esforço e se comovesse perante o labor que os outros realizavam, mesmo os que não possuíam crença alguma.»
Eternidade (1933)
(Carlos Drummond de Andrade)
Pensar n’A Selva trouxe-nos à ideia um verso do grande poeta Carlos Drummond de Andrade, do livro A Rosa do Povo (1945): «É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.»1 A Selva, de Ferreira de Castro, é um grande e belo livro sobre a fealdade, um «livro bárbaro» como lhe chamou o seu autor, escrito com as entranhas, fruto de um sofrimento excruciante.
1Carlos Drummond de Andrade, «», 65 Anos de Poesia, ed. Arnaldo saraiva, 2.ª ed., Lisboa, o jornal,
Do livro a publicar, Sobre e à volta de Ferreira de Castro
«É toda a Assíria cruel e guerreira, que cultivava, em vez da agricultura, os assaltos, o sangue e a morte, que está sintetizada nestas remotas pedras pelo génio de alguns dos seus artistas.»
Do «Pórtico» de As Maravilhas Artísticas do Mundo (1959-63)
Não há, na literatura portuguesa, outro romance como A Selva. Não há, pelo que encerra enquanto narrativa, nenhum outro que captasse a Natureza desta forma, ou obtivesse uma tão rápida difusão internacional.
Do libro a publicar: Sobre e à volta de Ferreira de Castro
«Pareceu-lhe, porém, que Januária farejava na alma dele, pois ao topar os seus olhos vira-os com uma expressão incerta, vagamente pesquisadora, que não lhe conhecia.»
A Lã e a Neve (1947)
cada vez mais azul onde o azul clarece em azul
(João Miguel Fernandes Jorge)
1. Significado de Emigrantes, de Ferreira de Castro. A emigração, enquanto fenómeno social, é um tópico caracterizador da vida do país, acentuado com a independência do Brasil e estimulada pelo fim da escravatura (1888), a procura de mão-de-obra para as culturas do algodão e do café, a que se junta, especialmente no Norte, um crescimento populacional em face da melhoria das condições de vida, que, no entanto, a economia não lograva absorver. Joel Serrão foi definitivo, sustentando tratar-se de «feição estrutural da sociedade portuguesa, moldada por séculos de história»1. No ano em que Ferreira de Castro nasce (1898), Sampaio Bruno, em O Brasil Mental alertava para o «tremendo quadro […] do êxodo colectivo»2; e Vitorino Magalhães Godinho utiliza palavras como sangria, debandada e fuga, referindo-se à saída de portugueses em busca de futuro como uma «torrente caudalosa».3
1Joel Serrão, «A emigração para o Brasil na segunda metade do século XIX – Esboço de problematização», Temas Oitocentistas – I, Lisboa, Livros Horizonte, 1980, p. 164.
2 Sampaio Bruno, O Brasil Mental [1898], Porto, Lello Editores, 1997, p. 287.o, O Brasil Mental [1898], Porto, Lello Editores, 1997, p. 287.
3Vitorino Magalhães Godinho, Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa, 4,ª ed., Lisboa, Editora Arcádia, 1980, p. 47.
Do livro a publicar: Sobre e à Volta de Ferreira de Castro.
«O Bagatelle havia compreendido que aquela pergunta se alargava para fora da curiosidade corrente, pois alguma coisa a mais viera embrulhada com as palavras; e, pousando a lata sobre o telhado, aguardou, respeitoso.»
A Missão (1954)
Pus o meu sonho num navio
(Cecília Meireles)
1. Romance fundamental de Ferreira de Castro, Emigrantes, publicado em 1928, inicia uma nova fase do seu percurso – como já foi notado por diversos autores –, sendo os títulos publicados anteriormente (1916-1927) eliminados da tábua bibliográfica do escritor. Representa, também, na história da literatura, uma viragem dentro do romance social português, evoluindo do realismo naturalista ou regionalista para um realismo social, que será assumido pela geração seguinte, chamada neo-realista, com contornos políticos e ideológicos mais rígidos e definidos, não deixando de inovar também formalmente, nomeadamente na técnica narrativa, como notado por Carlos J. F. Jorge, por ocasião do I Centenário do nascimento de Ferreira de Castro, num colóquio organizado na Sociedade da Língua Portuguesa, por Isabel Roboredo Seara, em 14 de Maio de 1998.11Carlos J. F. Jorge, «Lugares do idílio e espaços do exílio nos primeiros romances de Ferreira de Castro», Língua a Cultura, II série - #7/8, Lisboa, Sociedade da Língua Portuguesa, Jan.-Jun. 1998, pp. 83-95; incluído em Ferreira de Castro: A Violência da Natureza e dos Confrontos Sociais, Ossela, CEFC-Centro de Estudos Ferreira de Castro, 2025.
(Do livro a publicar Sobre e à volta de Ferreira de Castro)
Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937-38)
«Na Idade Média, a Europa desconhecia a bebida negra e estimulante, boa companheira, inimiga dos nervos frouxos e das noites de chumbo; e, mesmo que a conhecesse, nunca os aristocratas de Santilhana sairiam dos seus palácios, tão adornados de panóplias como de preconceitos de castas, para irem amesendar-se na sala democrática dum Café, onde se compra a igualdade humana por alguns níqueis apenas.»
As Maravilhas Artísticas do Mundo (1959-63)
Finalmente, a pergunta: está Ferreira de Castro entre os vencedores de todo o século XX?
Só há escritores vivos com leitores e procura pelos seus livros. A maioria desaparece, tragada pelo tempo. Se olharmos para o século XIX, a partir do romantismo, quem são os vencedores desse século, claramente? Almeida Garrett, que escreve como se fosse ontem; assim como Júlio Dinis; Eça de Queirós acabou de escrever agora mesmo, tal como Cesário Verde; Camilo ainda nos faz pasmar e rir; António Nobre continua a emocionar e embalar; Herculano e Antero, grandes, brônzeos, inescapáveis enquanto houver língua e literatura em português. Há outros? Claro que há, a começar por Oliveira Martins, mas estão desaparecidos das livrarias, é como se não existissem.
A minha resposta é então sim, claro -- basta ver as sucessivas reedições de toda a obra desde 1974. Tem leitores, tem procura, existe, sem precisar de apoios (mais ou menos desastrados) do Estado para fingir que nos preocupamos, mesmo quando os livros, infelizmente, teimem em não deixar os armazéns.
O facto de nós estarmos aqui, hoje [XII Encontros Ferreira de Castro, Vale de Cambra, 24-V-2026], é prova disso. Mas é o Século XXI que agora interessa, saber se se revê no que Ferreira de Castro escreveu e como o escreveu
«Continuava a vê-la sentada ao sol, os pés sem tocar no chão, as pernas a badalar, a irem e virem sob o banco, como se estivessem num trapézio.»
A Missão (1954)
A terceira observação é sobre o próprio Nemésio (1901-1978). Então com a mesma idade de Régio (49 anos), não só não se podia mencionar a si mesmo, como, para o fazer, teria de provocar mais uma entorse ao esquema que montara. Do que não tenho grandes dúvidas é de que tal como o Brandão que não aparece, também ele pode e deve ser tido como um dos mais representativos escritores portugueses de todo o Século XX, para usar a terminologia de partida.
«Há indivíduos que têm necessidade de ser admirados: – como porcos têm necessidade da lama.»
Mas... (1921)
A segunda nota vai para a surpreendente ausência de uma mínima referência a Raul Brandão (1867-1930) -- escritor a que Nemésio não foi absolutamente indiferente –, até porque se ele já então seria um vencedor do meio século, hoje, quase cem anos após a sua morte percebemos que ele não é apenas um dos vencedores do século inteiro, como é um dos que disputa o pódio.
«Ela não respondia, sempre lesta no seu passo curto, zape-zape ladeira abaixo.»
A Lã e a Neve (1947)
Três observações, para terminar: A primeira constata e vai ao encontro da minha avaliação, que vê em Aquilino Ribeiro e Ferreira de Castro os maiores romancistas portugueses da primeira metade do século; Régio foi também um importante romancista – e Castro salientava sempre essa condição do autor do Jogo da Cabra-Cega --, mas foi igualmente poeta, ensaísta, dramaturgo, contista, crítico e mais; Régio nunca poderá ser considerado só um determinado tipo de escritor, uma vez que foi grande em todas as áreas da literatura; já Torga, que também romancista foi (tenho de fazer um esforço para o lembrar), é indubitavelmente um dos maiores poetas portugueses do século XX e também um dos seus mais importantes contistas.
do «Pórtico» de A Volta ao Mundo (1940-44)
Visto a 76 anos de distância, olhando para trás, não me parece que Nemésio se tenha enganado: se quiséssemos falar só do romance, escritores mais novos, mas já com uma obra apreciável,– lembremos Alves Redol (1911-1969) ou Vergílio Ferreira (1916-1996), respectivamente com 39 e 34 anos -- tinham ainda muito para dar ; e o mesmo poderia dizer-se de Castro (1898-1974), com 52 anos; Régio (1901-1969), com 49 e Torga (1907-1995), com 43, embora não estivessem de modo nenhum acabados – longe disso! –, já tinham garantido, então como hoje esse lugar de escritores fundamentais da primeira metade do século XX.
O Intervalo (1936; n'Os Fragmentos, 1974)
Finalmente – e de forma mais sucinta --, a prosa de ficção. Escreve Nemésio que «fica afirmado e principesco, o nome de Aquilino Ribeiro.» -- natural e pacificamente escolhido, pois também este encaixava nas exigências determinadas pelo romancista de Mau Tempo no Canal, nomeadamente quanto à idade, consistência e coerência da obra, bem como «à intensidade e à densidade da expressão».
E, aparentemente o de mais ninguém – o que irá forçar Nemésio a violar as próprias regras, ao destacar, como o próprio escreve, quarentões e cinquentões, para que a prosa de ficção não fique agonicamente desfalcada; e assim adiante que àquela altura do campeonato – meio século de balanço da literatura portuguesa – já se podia «esboçar o apuramento da grandeza pelo balanço do realizado. Ferreira de Castro, José Régio e Miguel Torga, creio conciliarem com justiça e sem grande discrepância uma elegibilidade manifesta.»
As Maravilhas Artísticas do Mundo (1959-63)
«Pouco a pouco, entre ele e a paisagem foram-se interpondo novas visões: o baú de folha fechando-se sobre camisas e ceroulas; um comboio, rapa-terra, rapa-terra, até Lisboa; depois o navio e o mar -- e o mar...»
«Ele vinha a rememorar a influência maléfica que uns quadris femininos podem ter, pelo facto de parecerem maiores do que efectivamente são quando o corpo está sentado, e perguntara aquilo distraidamente, muito mais por hábito de cortesia do que por força de curiosidade.»
Estranho foi o vate açoriano ter colocado os dois poetas que menciona em conjunto com os ensaístas, assim com quem não quer a coisa – Afonso Lopes Vieira (1878-1946), já falecido, portanto inelegível, e António Correia de Oliveira (1879-1960), então com 71 anos. Lopes Vieira, que bebe na História de Portugal a substância da sua poética, Correia de Oliveira virado para a tradição e a ortodoxia católica. Estranho, pois não os juntar ao elenco prévio, pondo-os aqui, como se tivesse querido nomeá-los à força, sem lhes dar, contudo, o destaque que quis dar a Pascoais, Pessoa, Sá-Carneiro e Afonso Duarte, sendo certo que Cortesão e Sardinha foram também bons poetas, mas não foi com a poesia que principalmente se inscreveram na história literária portuguesa.
«Padornelos, de sorte igual à de outras aldeolas barrosãs, parecia, no Inverno, uma grande pocilga.»
Terra Fria (1934)
«Era uma rua estreitíssima, que cheirava a burros, a porcos e a fumo de ramos verdes.»
A Lã e a Neve (1947)
Adiante!
Antes de passarmos à prosa de ficção, lemos um curioso parágrafo, que revela o quão espinhosa esta tarefa poderia ser -- pois leva Nemésio a estranhas associações –- e que é o que segue:
«Arredados com António Correia de Oliveira e Afonso Lopes Vieira, alguns escritores cuja pluralidade de géneros ou confinamento no ensaio (penso nos nomes de Raul Proença, António Sérgio, Jaime Cortesão, e, também diversamente solicitado, António Sardinha) tornam os seus vultos menos firmes numa tábua de valores que tenda sobretudo à intensidade e à densidade da expressão, […]»
É natural que Nemésio tenha querido deixar referência a essa grande geração intelectual da Seara Nova: além de Aquilino – Proença (1884-1941), Sérgio (1883-1869) e Cortesão (1884-1960), só para mencionar os gigantes –; e não deixa de ser curioso que tenha incluído o mais notório dos publicistas do Integralismo Lusitano, António Sardinha (1887-1925), também ele poeta, da mesma geração dos anteriores, mas diametralmente oposto na base ideológica.
«Ao atravessar Soldeu, vindo de Paris, pareceu-me que se abrira um alçapão nos boulevards do nosso século e que eu caíra, por efeito mágico, em plena Idade Média.»
Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937-38)
«Em Andorra entra-se livremente, como se devia entrar no paraíso...»
Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937-38)
O pintor e documentarista brasileiro João Evangelista de Souza, radicado no Paraná, executará uma pintura ao vivo, no átrio do Museu Ferreira de Castro, acção inspirada no romance A Selva (1930), no próximo dia 30 de Julho, quinta-feira, a partir das 10,30h.
Artista
atento às questões sociais contemporâneas, esta ação insere-se num projecto
mais vasto, intitulado “Amazônia – Sangue na Floresta”, e constituirá uma
homenagem do artista a Ferreira de Castro e ao seu notável romance.
João
Evangelista de Souza realizou a primeira exposição individual em 2003, em Belo
Horizonte, sob os auspícios dos pintores Carlos Scliar, Carlos Bracher, Inimá de Paula e Siron Franco, tem o seu trabalho disperso por acervos públicos e
privados, entre os quais a prestigiadíssima coleção do embaixador Gilberto
Chateaubriand (1925-2022), detentor do maior acervo privado de pintura
brasileira, cedido em comodato ao Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Enquanto
documentarista, João Evangelista de Souza é autor, entre outros, do filme
“Portinari: o menino de Brodósqui” (1997), sobre o grande pintor brasileiro que
ilustrou A Selva, em 1955.
«Essa sufocação que dá a terra sem continuidade, como se o aro líquido que a estrangula se viesse fechar também em volta da nossa garganta, desperta constantes rebeldias e constantes impotências, acorda mil sentimentos ignorados, remexe, tortura, cava fundo na alma até o momento de esta se submeter por falta de mais energias.»
do «Pórtico» de Terra Fria (1934)
Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937-38)
«A sede de justiça deve ser clamada inúmeras vezes, clamada até que a justiça venha e apague a sede, pois um só grito na noite pode despertar quem dorme, criando breves momentos de expectativa e de incerteza, mas, se outros gritos não lhe sucederem, acaba-se por voltar ao sono.»
Não fui verificar a pergunta original, no entanto, discordo pessoalmente desta forma restrita de representatividade, diria até que quanto menos conforme a “sensibilidade vigente” mais representativo poderá ser o autor, mais se destacando da espuma dos dias….
De Garrett a Ruy Belo, passando por Antero, Cesário, Nobre, Régio ou mesmo Florbela, parece-me que uma das razões da perenidade da sua poesia foi a de estarem contra a sensibilidade vigente, tal como os grandes poetas a que Nemésio se refere.
Afonso Duarte continuaria a ser um dos maiores poetas portugueses vivos? Não vejo porque não; a poesia é a mesma; mudámos nós, mas isso é tão conjuntural, que na verdade pouco ou nada importa.
«Vestiam os seus trinta e quatro anos feitos e vividos sempre ali, entre a agressividade dos elementos, um casaco e colete velhos, enodoados, a camisa sem gravata.»
Terra Fria (1934)
«Nós vamos ver, agora, o planeta que eles devassaram em todas as direcções há quase cinco séculos, e, para se iniciar a volta ao Mundo, bom é o porto de onde largaram aqueles que o Mundo andaram a descobrir.»
A Volta ao Mundo (1940-44)
Nemésio refere-se, como não podia deixar de ser, a Fernando Pessoa (1888-1935) e a Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), equiparando Pascoais a estes em grandeza, mas também a Afonso Duarte (1884-1958), então com 66 anos, vindo da Renascença Portuguesa, do mesmo Pascoais, colaborador da presença desde a primeira hora, igualmente muito considerado pelos poetas neo-realistas, e que acabara de publicar Sibila, livro expressamente referido por este perene seleccionador nacional.
À luz do seu critério, Nemésio distinguiu Pascoais também por tratar-se de um autor «de longo fôlego poemático», com uma poética orientada para «temas metafísicos e […] psicológicos que entranharam na nossa espiritualidade», entroncando-o com Bernardim Ribeiro, Luís de Camões e Frei Agostinho da Cruz.
«Nesse tempo, eu habitava o primeiro andar duma casita da Rua Tenente Espanca, quase isolada num bairro em construção, cheio de poeira no Estio, de covas e lama no Inverno, com montões de pedras, de tijolos, de tábuas dificultando-me os passos e esse aspecto das coisas caóticas, arestosas e provisórias que sempre feriram a minha sensibilidade.»