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Thursday, October 18, 2018

CAFÉ em Vila Franca de Xira -- «Candido Portinari em, Portugal»


Depois de exposto pela primeira vez no pavilhão do Brasil na Exposição do Mundo Português, em 1\940, Café, de Candido Portinari, tela de 1935, volta a ser exposta entre nós, no Museu do Neo-Realismo: «Candido Portinari em Portugal», entre 20 de Outubro e e 3 de Março, pelas mãos de Raquel Henriques da Silva e Luísa Duarte Santos.
Portinari, talvez o maior génio da pintura brasileira do século XX, que teve grande influência nos jovens pintores neo-realistas portugueses; Portinari, que ilustrou A Selva em 1955, na edição comemorativa dos 25 anos da publicação do romance, interrompendo para o efeito o trabalho nos grandes murais da sua autoria -- «Guerra» e «Paz» -- no edifício da ONU em Nova Iorque, facto que o catálogo desta exposição documentará.

Friday, March 28, 2014

Um acontecimento editorial: A EXPERIÊNCIA


Durante sessenta anos (desde 1954, data da primeira edição), A Experiência ficou escondida, no mesmo livro, entre a novela A Missão e o conto O Senhor dos Navegantes. A primeira, objecto também de edições à parte -- foi um dos volumes inaugurais da histórica colecção "Livros de Bolso Europa-América", e da própria editora original, a Guimarães, quando escolhido como um dos livros de leitura curriculares do então ensino unificado, na década de 1970. O Senhor dos Navegantes, em tempos gravado e dito por Ferreira de Castro, num disco editado pela Orfeu, em 1998, através da direcção avisada e culta de Vasco Graça Moura e António Mega Ferreira, foi também objecto de uma edição em separado, na colecção da Expo "'98 Mares".
E A Experiência, no meio da boa fortuna das outras duas narrativas, o único romance que integrava o volume A Missão?; essa história incrível de duas crianças de asilo, Januário e Clarinda, evoluindo para a marginalidade como se uma nuvem negra que sobre eles pairasse não lhes oferecesse outra saída?; essa narrativa modelar, moderna na sua estrutura, com vários planos espácio-temporais, mostrando que, como qualquer grande escritor, Ferreira de Castro não queria dormir à sombra dos louros conquistados, procurando superar-se de livro para livro?...
Foi preciso um editor culto, percebendo que tinha em mãos um romance notável, de grande mestria (um dos meus preferidos), para que A Experiência pudesse  sair da obscuridade a que não tinha direito. Sai, infelizmente, num tempo em que o detrito literário domina os escaparates, e o lixo quotidiano nos empesta a vida. Mas, ao contrário do que queria Ferreira de Castro, a grande literatura, aquela que experimenta e questiona, sempre esteve ao alcance de poucos. Podia ser outra coisa? Podia. Mas então Portugal não seria Portugal, mas outra coisa, menos rústica, menos suburbana.
A edição é cuidada, com referências bibliográficas diversificadas. Deixo duas, de conspícuos ensaístas e críticos, ideologicamente nos antípodas (Ferreira de Castro tem esse atributo dos grandes: seja qual for a nossa mundividência, encontramos sempre nos seus livros algo que nos emociona e faz sentido):

Óscar Lopes: «Ferreira de Castro foi o primeiro grande romancista português deste século [XX] que se determinou por problemas objectivos e não apenas por impulsos íntimos.»
e
Pinharanda Gomes: «Todas as situações são pontos limite, agonísticos, neste romance onde as personagens [...] bebem o cálice até à inverosímil agrura e, todavia, tudo é verosímil e, cotejado com a vida, é crível.»

Uma última palavra para Susana Villar, autora das capas dos livros de Ferreira de Castro na Cavalo de Ferro. Num autor que foi visitado pelos maiores capistas, de Stuart Carvalhais a Bernardo Marques, e até pelos maiores pintores, nas edições ilustradas de Portinari a Pomar, o óptimo trabalho de Susana Villar tem feito jus a também a esse legado.



Saturday, January 05, 2013

Para além das ortodoxias: Ferreira de Castro e Francisco Costa (4)

Portinari,
painel da Igreja de são Francisco de Assis
Belo Horizonte
daqui
«Cristão que se ignora», dirá, muitos anos depois, Francisco Costa de Ferreira de Castro (9), não por acaso o romancista de A Lã e a Neve será convidado a participar num volume comemorativo do 7.º Centenário da Morte de Santa Clara de Assis a editar pelos franciscanos portugueses) (10) ; e lembremos ainda a tese de Bernard Emery, que aborda a obra de Castro como a de um autor «luso-tropical» -- segundo os conceitos do maravilhoso Gilberto Freyre -- , na qual o «escritor ateu, mas impregnado de cristianismo» participa dessa «fraternidade dos pobres» instaurada por São Francisco de Assis. (11)

(9) Entrevista a O Primeiro de Janeiro, Porto, 24 de Junho de 1979.
(10) Carta de Frei Armindo Augusto a Ferreira de Castro, em 23 de Maio de 1953, apud Ricardo António Alves, Anarquismo e Neo-Realismo -- Ferreira de Castro nas Encruzilhadas do Século, Lisboa, Âncora Editora, 2002, pp. 189-190.
(11) Bernard EMERY, «A noção de luso-tropicalismo: realidade cultural ou utopia sócio-política?», Miscelãnea Sobre José Maria Ferreira de Castro, Grenoble, Centre de Recherche et d'Études Luso-Tropicales, , 1994, pp. 111-127.

Vária Escrita #10,  Sintra, Câmara municipal, 2003.

Thursday, January 12, 2012

100 CARTAS A FERREIRA DE CASTRO (3)

São passados em revista os tempos heróicos , de escrita fulgurante, do jornalismo dos anos vinte e das primeiras tentativas literárias de um escritor fazendo-se a si próprio, procurando o beneplácito de figuras então consagradas, muitas hoje esquecidas, ignoradas quase todas; a primeira consagração, com Emigrantes, em 1928; a atribuição do Prémio Ricardo Malheiros a Terra Fria, em 1934; as inúmeras traduções e o reconhecimento internacional; uma cuidada edição das Obras Completas, como até então não se vira em nenhum outro escritor português; a leitura  que Portinari fez da Selva para a edição comemorativa de 1955; a presidência da Sociedade Portuguesa de Escritores, entre 1962 e 1964; a candidatura, com Jorge Amado, ao Nobel da Literatura, em 1968, e o Prémio Águia de Ouro, em 1970; finalmente, o escritor tornado modelo, mestre, referência para os mais novos colegas de ofício, mesmo quando as preocupações estéticas não coincidiam.

Sintra, Câmara Municipal / Museu Ferreira de Castro, 1992, p. 5.