Outro aspecto interessante no texto de Brasil é a caracterização física e psicológica de Ferreira de Castro. A fisionomia invulgar é descrita como «traços de uma ancestralidade eslava» (p. 7); inteligente, bondoso (p. 24), hipersensível por vezes (p. 32), era impulsivo no entusiasmo da suas causas, turvação que rapidamente se apaziguava, substituindo-se por uma atitude reservada e de ensimesmamento (p. 28). Castro muitas vezes se auto-caracterizou como um tímido, e muitos testemunhos seus contemporâneos dão nota dessa emotividade exacerbada até às lágrimas, em situações de perda ou confronto quando, por exemplo, era testemunha abonatória de presos políticos durante o Estado Novo (lembro-me, de repente, do testemunho de Alexandre Babo nas Recordações de um Caminheiro) e, principalmente, quando vinha ao de cima algo que evocasse o sofrimento por que passou nos anos da Amazónia.
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Tuesday, April 10, 2012
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