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Tuesday, July 03, 2012

A NARRATIVA NO MOVIMENTO NEO-REALISTA -- AS VOZES SOCIAIS E OS UNIVERSOS DA FICÇÃO, de Vítor Viçoso (22)

A Espanha, aqui ao lado, despertou as consciências de muitos destes jovens escritores, e o marxismo-leninismo aparecia aureolado do prestígio de uma doutrina humanista que pretendia a superação da sociedade classista, iníqua, fautora de um mundo de desigualdades e opressão, além do sedutor apelo da heroicidade resistente à barbárie irracional e retrógrada que se levantava no teatro de operações do país vizinho. (E não devemos também esquecer que a propaganda soviética sustentava que o nazi-fascismo e sistemas demo-liberais eram, no fundo, as duas faces da mesma moeda da dominação do sistema capitalista.) Impõe-se, por isso esta pergunta: quem, com a generosidade da juventude, sensível às injustiças com que era confrontada ao pé da porta, no país e no mundo, (quem)  não se deixaria seduzir pelo apelo internacionalista e libertador do movimento comunista internacional?


(texto lido na apresentação do livro no Café Saudade, Sintra, em 21 de Outubro de 2011

Monday, June 04, 2012

A NARRATIVA NO MOVIMENTO NEO-REALISTA -- AS VOZES SOCIAIS E OS UNIVERSOS DA FICÇÃO, de Vítor Viçoso (20)


Estamos, pois, num tempo de crise das democracias liberais, postas numa tenaz entre os totalitarismos nazi e fascista de brutalidade sem máscara, de regimes autoritários de direita, e o totalitarismo soviético. E essa crise terá a sua máxima evidência precisamente na Guerra Civil de Espanha, com a participação no terreno, directa ou indirectamente, dos dois blocos políticos, sem que a França e a Inglaterra, principais mentores de um inoperante Comité de Não-Intervenção em Londres, lograssem sequer um mínimo de entendimento quanto às atitudes a tomar.

(texto lido na apresentação do livro no Café Saudade, Sintra, em 21 de Outubro de 2011)

Tuesday, May 22, 2012

Vítor Viçoso, A NARRATIVA NO MOVIMENTO NEO-REALISTA -- AS VOZES SOCIAIS E OS UNIVERSOS DA FICÇÃO (19)

Costuma dizer-se que a história é escrita pelos vencedores – e no turbilhão do século XX os anarquistas foram duplamente derrotados nos países onde tinham mais influência. Dizimados por Trotsky na União Soviética (em especial as forças de Nestor Makhno, na Ucrânia), estiveram, em Espanha sob o fogo cruzado do militarismo de extrema-direita de Francisco Franco e da duplicidade traiçoeira de José Estaline. E foram derrotados também pela sua própria natureza libertária, incapaz de sujeição às organizações de ferro em que se sustentavam os seus inimigos, o que lhes custaria décadas de rarefacção organizacional.

(texto lido na apresentação do livro no Café Saudade, Sintra, em 21 de Outubro de 2011)

Thursday, April 02, 2009

Ferreira de Castro e a II República Espanhola (1)

Incluído em Círculo Joaquina Dorado e Liberto Sarrau (3.º Ciclo), Lisboa, Centro de Estudos Libertários, 2007
Esta intervenção deveria intitular-se «Ferreira de Castro no dealbar da II República espanhola», uma vez que o que de substancial escreveu sobre a Espanha republicana, como romancista e como jornalista, se circunscreve aos três primeiros anos do novo regime. Sobre o período da Guerra Civil, por exemplo, para além de referências esparsas, de substancial só conheço uma brevíssima carta dirigida a Roberto Nobre, em 17 de Fevereiro de 1936, um dia depois da vitória da Frente Popular, em que o autor de Emigrantes diz apenas isto: «Estou radiante com as eleições espanholas.» (1) -- além do significativo epílogo de O Intervalo, de que se falará no final.
(1) Ferreira de CASTRO e Roberto NOBRE, Correspondência (1922-1969), edição de Ricardo António Alves, Lisboa, Editorial Notícias e Câmara Municipal de Sintra, 1994, p. 55.
(continua)