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Monday, June 22, 2015

C de «Canções da Córsega» (para um Dicionário de Ferreira de Castro)

Conferência proferida na Universidada Popular Portuguesa, em 16 de Dezembro de 1934, a convite de Ema Santos Fonseca da Câmara Reis, e integrada nos ciclos de Divulgação Musical, que organizava.
O texto elabora sobre aspectos do canto popular corso (Ferreira de Castro esteve na Córsega nesse ano) e a idiossincrasia daquele peculiar povo insular -- temas que abordaria em capítulo próprio de Pequenos Mundos e Velhas Civilizações.

(a desenvolver)

Bibliigrafia: 100 Cartas a Ferreira de Castro; Ema Santos Fonseca da Câmara Reys, Divulgação Musical III, Lisboa, 1936.

Monday, June 21, 2010

A Unidade Fragmentada. Dispersos de Ferreira de Castro (3)

Em Ferreira de Castro, a publicação de um texto obedece, mesmo quando solicitado -- ou apesar de quase sempre solicitado --, a um imperativo de intervenção cívica. Esta não se esgota apenas na intervenção cívica imediata, mas tem normalmente um fundo político que lhe subjaz. Mesmo a pretexto de uma simples curiosidade jornalística -- p. ex., «O último quarto de hora da minha vida» (1964) --, o escritor permite-se sempre aduzir a sua mensagem ideológica.
Vária Escrita, #3, Sintra, Câmara Municipal, 1996.

Sunday, February 21, 2010

outras palavras - O SEGREDO DAS NOSSAS DERROTAS (1928)

Sempre que eu regressava da escola, davam-me em minha casa O Comércio do Porto, e diziam-me:
-- Vê lá! Vê lá se já sabes ler!
Ferreira de Castro, «O segrêdo das nossas derrotas -- Como eu fui preso no... Limoeiro», Uma Hora de Jornalismo, Lisboa, Caixa de Previdência do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa, 1928, p. 85.

Friday, January 29, 2010

Ferrer

O último número de A Batalha (237, Nov.-Dez. 2009), jornal editado pelo CEL - Centro de Estudos Libertários, evoca Francesc Ferrer i Guàrdia (1859-1909), a propósito do colóquio realizado no Museu da República e Resistência, comemorando o sesquicentenário do nascimento e assinalando o centenário do seu fuzilamento.
Entre outro material, republica o texto de Ferreira de Castro, «A morte dos apóstolos -- e o triunfo das suas ideias», saído no «Suplemento Semanal Ilustrado» n.º 46, em 23 de Outubro de 1924, exactamente 25 anos depois da morte trágica do pedagogo da Escola Moderna.

Sunday, January 03, 2010

Situação da Arte (1968)

Eduarda Dionísio, Almeida Faria e Luís Salgado de Matos, Situação da Arte -- Inquérito Junto de Artistas e Intelectuais Portugueses, Mem Martins, Publicações Europa-América, 1968.


Respostas de: Álvaro Lapa, Álvaro Salema, António Coimbra Martins, António Gedeão, António Pedro de Vasconcelos, António Ramos Rosa, Armando Silva Carvalho, Armando Ventura Ferreira, Augusto Abelaira, Bernardo Santareno, Carlos Botelho, César Pratas, Costa Ferreira, Dórdio Gomes, Eduardo Batarda Fernandes, Eduardo Lourenço, Eduardo Nery, Eduardo Prado Coelho, Ernesto de Sousa, Espiga Pinto, Eugénio de Andrade, Eunice Muñoz, Faria de Almeida, Faure da Rosa, Fernanda Botelho, Fernando Lopes, Fernando Lopes-Graça, Fernando Namora, Ferreira de Castro, Francine Benoit, Francisco Keil do Amaral, Hein Semke, Humberto Lebroto, Ilse Losa, Jacinto do Prado Coelho, João César Monteiro, João de Freitas Branco, João José Cochofel, João Rui de Sousa, Joel Serrão, Jorge Barradas, Jorge Peixinho, Jorge de Sena, José-Augusto França, José Escada, José Gomes Ferreira, José Palla e Carmo, José Régio, Júlio Resende, Luiz Francisco Rebello, Luzia Maria Martins, Manuel Faria de Almeida, Manoel de Oliveira, Maria Aliete Galhoz, Maria Barroso, Maria Keil, Maria Teresa Horta, Mário Dias Ramos, Mário Dionísio, Martins Correia, Natália Nunes, Nelson de Matos, Nikias Skapinakis, Orlando da Costa, Pedro Vieira de Almeida, Rogério de Freitas, Sophia de Mello Breyner Andresen, Urbano Tavares Rodrigues, Vasco Miranda, Vergílio Ferreira, Yvette Kace Centeno

Friday, November 20, 2009

outras palavras - A NOITE DOS MISERÁVEIS -- COMO SE DORME NO ALBERGUE NOCTURNO (1923)

Àquela hora, na rua deserta, a fachada do Albergue Nocturno de Lisboa tinha uma estranha austeridade e, se não fosse a tabuleta que abrange toda a frontaria arcaica do prédio, dir-se-ia que este era um amplo palácio onde se refugiavam do mundo vários fidalgos perseguidos pelo tédio.

[publicado n'O Século, Lisboa, 21 de Janeiro de 1923], in Jacinto Baptista e António Valdemar, Repórteres e Reportagens de Primeira Página -- II 1910-1926, Lisboa, Assembleia da República, s.d., p. 276.

Saturday, June 27, 2009

A Unidade Fragmentada. Dispersos de Ferreira de Castro (2)

Terá sido exactamente a condição de profissional das letras que impediu uma produção esparsa prolífica, guardando a sua mensagem essencial para uma sólida obra romanesca. Também a sua epistolografia se ressentiu dessa situação, como já tivemos oportunidade de escrever.(1) O «ódio à caneta» (2), a «repugnância pelo trabalho agravada pela obrigação de trabalhar» (3) reflectiram-se no apuro formal da correspondência trocada com os amigos mais chegados e, outrossim, na dimensão da sua obra mais circunstancial.
(1)Ver a nossa introdução a Ferreira de Castro / Roberto Nobre, Correspondência (1922-1969), Lisboa, Editorial Notícias e Câmara Municipal de Sintra, 1994.
(2) Carta de Castro a Nobre, de 6 de Julho de 1939, ibidem, p. 77.
(3) Carta de Castro a Nobre, de 12 de Agosto de 1960, ibid., p. 183.
Vária Escrita, n.º 3, Sintra, Câmara Municipal, 1996, pp. 137-138.
(continua)

Thursday, June 25, 2009

memória - PREFÁCIO a «Pedras Falsas», de Diana de Liz (1931)

Devo, talvez, a este livro o estar ainda vivo. Se não fora o desejo de o publicar, eu teria seguido, possivelmente, a sua autora, quando a morte ma roubou. Era bem frágil a razão para o meu desespero, para a minha dor de viver, mas eu não tinha outra. Um livro é uma obra humana e tudo quanto era humano me parecia, nesses dias de inenarrável angústia, totalmente inútil para os problemas que me torturaram e digno apenas de fraternal piedade. Parecia-me e -- pobre de mim! -- continua a parecer, muitas vezes ainda. Ela própria me demonstrou, já à beirinha da morte, quanto são frágeis, perante o Enigma, as nossas humanas coisas. Disse-lhe eu que os seus livros, quaisquer que fossem os esforços a fazer, seriam publicados e as minhas palavras não constituíram para Ela consolo algum. Preocupava-a apenas o meu destino, que Ela adivinhava que iria ser, para sempre, de sofrimento, e a referência que eu fizera à sua obra pareceu-lhe até -- li-o nos seus olhos, vi-o na expressão do seu rosto -- motivo pueril para as horas trágicas que se iam esvaindo. Ela fora sempre assim.

Monday, April 13, 2009

Recensão a ECOS DA SEMANA - A ARTE, A VIDA E A SOCIEDADE (2004)

Publicado em Castriana, n.º 3, Ossela, Centro de Estudos Ferreira de Castro, 2007

Ferreira de Castro, Ecos da Semana - A Arte, a Vida e a Sociedade, introdução e notas de Luís Gacia e Silva, Lisboa, Centro de Estudos Libertários / Cadernos d'A Batalha, 2004, 95 pp.

A recolha e edição de uma parte da colaboração de Ferreira de Castro no Suplemento Literário Ilustrado do diário A Batalha é um dos grandes acontecimentos castrianos dos últimos anos. Acontecimento de importância inversamente proporcional à discrição com que nos veio parar às mãos, por iniciativa do seu responsável, Luís Garcia e Silva, e, certamente, ao quase silêncio que sobre ele se fará.

(continua)

Saturday, September 20, 2008

A Unidade Fragmentada - Dispersos de Ferreira de Castro (1)


Apresentação da colectânea de dispersos, publicada em Vária Escrita, n.º 3, Sintra, Câmara Municipal, 1996.
«Creio que é difícil ser-se honesto. Quanto a pretender dizer a verdade...
é impossível! Talvez por essa razão optei por tonar-me romancista. Não
obedeço a qualquer dogma, exploro o género humano.»
William Golding
1. As circunstâncias de escrita
Não são abundantes os textos dispersos de Ferreira de Castro, se considerarmos apenas o período posterior a 1934, ano em que abandona o jornalismo, centrando-se exclusivamente na sua produção literária.
(c0ntinua)

Sunday, April 08, 2007

Outras palavras #3 - Alexandra Kollontai

A sua acção revolucionaria, as suas conferencias iconoclastas, as suas doutrinas de rebelde, que a levavam a uma vida forçadamente errante, só eram conhecidas dos povos do norte da Europa. Companheira de de Kautsky, de Rosa Luxemburgo, de Clara Zetkin, esta mulher culta inteligente, gastou a sua mocidade a pregar a emancipação humana, o progresso das ideias, a integração da especie dentro duma vida mais justa, mais elevada, menos iniqua do que a actual. Sofreu, por isso, todas as perseguições [...]. Mas, com a vitória da revolução de 1917, quasi tudo isso terminou. Alexandra Kolontay constituiu mesmo uma das muitas surpresas que esse movimento trouxe ao mundo. [...]
Homens e mulheres teem sofrido, atravez de longos seculos, os mais grosseiros vetos, os mais incompreensiveis obstaculos, porque as religiões e a mentira social crearam, para a vida do sexo, origem da vida universal da especie, os anatemas e os preconceitos mais ofensivos da nossa própria inteligencia. E tão grande é o prejuizo milenario, que nem os cerebros mais rebeldes puderam fugir de todo à sua influencia, sendo, ainda hoje, frequentissimo vermos espiritos superiores sorrirem, ironicamente, das questões sexuais, como se elas constituissem, apenas, volupia de alcova, pecado desculpavel ao individuo que o pratica e não razão suprema da colectividade.
[...]
As mulheres [...] foram sempre as mais sacrificadas. Acumulavam com o papel de simples objectos de prazer masculino, o papel de escravas. Acumulavam e, de certa maneira, acumulam ainda, se não em todos os paises, pelo menos numa grande extensão do planeta.
[...]
O novo tipo feminino, emancipado, consciente, a nova mulher que quer viver para compaheira do homem e não para sua escrava, essa mulher que veio da literatura para a vida e que Kolontai apresenta e estuda com fraternal carinho, podia constituir, só por si, o segrêdo do êxito deste livro. [...]
Êste livro corresponde à nova moral em formação, em que homens e mulheres não tenham, economicamente, de ser escravos de alguns dos seus semelhantes e, sexualmente, de cairem na devassidão ou de se protituirem, porque do amor, razão suprema da vida, fizeram uma obscenidade ou um objecto de comercio. [...]
Prefácio ao livro de Alexandra Kollontai, A Mulher Moderna e a Moral Sexual, tradução de Ester do Monte e Freitas, Lisboa, Livraria Minerva, 1933, pp. 5-14.