«Aos nove anos fiz o meu primeiro exame, ficando, de todos os examinandos, apenas eu e o filho do professor a estudar para o segundo. É que os pais dos meus condiscípulos entendiam que estes, para a vida, necessitavam apenas de "saber fazer as quatro operações e ler e escrever uma carta para o Brasil..."» «[Memórias]», Ferreira de Castro e a Sua Obra (1931)
Thursday, May 28, 2026
Wednesday, May 27, 2026
'Vencedores' de meio Século XX: Ferreira de Castro e Vitorino Nemésio em voo de pássaro (2)
Da mesma geração (três anos de diferença – 1898/1901), ambos haviam publicado o primeiro livro em 1916: o primeiro, como sabemos, o romancete Criminoso por Ambição, escrito por volta dos 14; o segundo, um livro de poesia, Canto Matinal, composto sensivelmente com a mesma idade, os dois eliminados da respectivas bibliografias, como é normal.
Castro e Nemésio coincidiram em Lisboa, nos jornais e nos cafés, no início da década de 1920. Ter-se-ão conhecido nas redacções, ambos participaram de uma longa greve de jornalistas e tipógrafos, entre Janeiro e Maio de 1921.
Tuesday, May 26, 2026
nas palavras dos outros
Jacinto do Prado Coelho: «Ferreira de Castro só confia no Homem, mas com um firme optimismo, uma fé inteira. A missão do Homem é arrancar à Natureza aqueles que por ela vivem subjugados. O homem civilizado é mais feliz; como diz Nimuendajú, "só quem for cego pode admitir que a vida primitiva e a ignorância trazem a felicidade aos homens (p. 103)".» «"O Instinto Supremo": quando a ética se torna humanitária» In Memoriam de Ferreira de Castro (1976)
Monday, May 25, 2026
'Vencedores' de meio Século XX: Ferreira de Castro e Vitorino Nemésio em voo de pássaro (1)
1. O que me leva a falar de Vitorino Nemésio prende-se com a resposta a um inquérito promovido pelo Diário Popular, no final de 1950, através de José Osório de Oliveira (1900-1964) – um ex-amigo de Ferreira de Castro, conhecedor e divulgador das literaturas brasileira e das então colónias africanas. Foi ele quem alguns jovens escritores brasileiros (José Lins do Rego, Jorge Amado) com Ferreira de Castro, como estaria, sem o saber na origem do conhecimento de A Selva pelo Blaise Cendrars.
Sempre gostei muito do aspecto lúdico inerente a listas e escalas, pelo que me pareceu um tema ao mesmo tempo suficientemente interessante e ligeiro para estes Encontros*, que são sempre uma celebração de Ferreira de Castro e dos seus livros pelos seus leitores.
*Versão do texto lido nos XII Encontros Ferreira de Castro, que este ano decorreram em Ossela e Vale de Cambra, no magnífico café-concerto de centro cultural da cidade.
Thursday, May 21, 2026
dos «Pórticos»
«A meio da tarde, o barco, com novo silvo infantil, atracou em Bedrachein. Dali nos dirigimos para Mênfis, cujos remotos túmulos a minha curiosidade esquadrinhou e, depois, fatigados da andança, buscámos sombra sob as tamareiras que debruam a antiga capital do Egipto.» A Tempestade (1940)
Saturday, May 16, 2026
Friday, May 15, 2026
Thursday, May 14, 2026
errâncias
«Mais ainda do que os Dardanelos, ele separa duas civilizações completamente diferentes. Duma das suas ribas -- e ambas se vêem a olho limpo de auxílio -- os europeus espreitam os árabes da África e, da outra, os árabes espreitam os europeus. Esta vizinhança está, porém, cheia de lonjura; tão perto geograficamente, eles encontram-se mui distantes uns dos outros, por mentalidade, costumes e religiões.» A Volta ao Mundo (1940-44)
«Em frente, abre-se grande vale, todo verdejante após as chuvas dos últimos dias; um ramal de estrada nova, que se vê ao longe, como esses que se dirigem para os santuários das montanhas, vai-o ladeando e subindo; e na placa da confluência, que reproduz um bisão conhecido no Mundo inteiro, fêmea de grande úbere, deitada e dobrada sobre si mesma, como se padecesse de fortes dores, lemos com emoção -- "Altamira -- 2 quilómetros".» As Maravilhas Artísticas do Mundo (1959-63)
«O Sr. Not, tão pobre de gestos e expressões como de letras é o seu nome, aponta, na soleira da porta, um cão ladrando furiosamente para o céu, onde os relâmpagos traçam curvas alucinantes e os trovões fazem ouvir a sua voz pavorosa.» Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937-38) - «Andorra» [1929]
Tuesday, May 05, 2026
dos romances
«Meteu-se na cama, procurando não tocar o corpo da mulher. O calor dela, grato nas outras noites, tornava-se-lhe, nesse momento, mais nojoso do que febre de tísico. Sentia tumultos no cérebro e assomos de ira.» A Tempestade (1940)
« -- Como eu ia a dizer, o quartel de artilharia anti-aérea prantava-se mesmo à beira do mar. Viam-se passar os navios, que iam para Lisboa. Às vezes, era cada um, tão grandalhão, que dentro dele ninguém podia ter medo de afundar-se. Ali perto ficava o Estoril. Tu já ouviste falar no Estoril?» A Lã e a Neve (1947)
Thursday, April 30, 2026
um artigo sobre Assis Esperança
Ricardo António Alves, «Terra e opressão em "Ruínas", uma novela de Assis Esperança», in Ana Cristina Carvalho, Sílvia Quinteiro e Natália Constâncio, Algarve(s) -- Imagens do Ambiente natural e Humano na Literatura de Ficção, Lisboa, By the Book, 2025.













































































