Finalmente, a pergunta: está Ferreira de Castro entre os vencedores de todo o século XX? Só há escritores vivos com leitores e procura pelos seus livros. A maioria desaparece, tragada pelo tempo. Se olharmos para o século XIX, a partir do romantismo, quem são os vencedores desse século, claramente? Almeida Garrett, que escreve como se fosse ontem; assim como Júlio Dinis; Eça de Queirós acabou de escrever agora mesmo, tal como Cesário Verde; Camilo ainda nos faz pasmar e rir; António Nobre continua a emocionar e embalar; Herculano e Antero, grandes, brônzeos, inescapáveis enquanto houver língua e literatura em português. Há outros? Claro que há, a começar por Oliveira Martins, mas estão desaparecidos das livrarias, é como se não existissem.
A minha resposta é então sim, claro -- basta ver as sucessivas reedições de toda a obra desde 1974. Tem leitores, tem procura, existe, sem precisar de apoios (mais ou menos desastrados) do Estado para fingir que nos preocupamos, mesmo quando os livros, infelizmente, teimem em não deixar os armazéns.
O facto de nós estarmos aqui, hoje [XII Encontros Ferreira de Castro, Vale de Cambra, 24-V-2026], é prova disso. Mas é o Século XXI que agora interessa, saber se se revê no que Ferreira de Castro escreveu e como o escreveu