«A meio da tarde, o barco, com novo silvo infantil, atracou em Bedrachein. Dali nos dirigimos para Mênfis, cujos remotos túmulos a minha curiosidade esquadrinhou e, depois, fatigados da andança, buscámos sombra sob as tamareiras que debruam a antiga capital do Egipto.» A Tempestade (1940)
Thursday, May 21, 2026
Saturday, May 16, 2026
Friday, May 15, 2026
Thursday, May 14, 2026
errâncias
«Mais ainda do que os Dardanelos, ele separa duas civilizações completamente diferentes. Duma das suas ribas -- e ambas se vêem a olho limpo de auxílio -- os europeus espreitam os árabes da África e, da outra, os árabes espreitam os europeus. Esta vizinhança está, porém, cheia de lonjura; tão perto geograficamente, eles encontram-se mui distantes uns dos outros, por mentalidade, costumes e religiões.» A Volta ao Mundo (1940-44)
«Em frente, abre-se grande vale, todo verdejante após as chuvas dos últimos dias; um ramal de estrada nova, que se vê ao longe, como esses que se dirigem para os santuários das montanhas, vai-o ladeando e subindo; e na placa da confluência, que reproduz um bisão conhecido no Mundo inteiro, fêmea de grande úbere, deitada e dobrada sobre si mesma, como se padecesse de fortes dores, lemos com emoção -- "Altamira -- 2 quilómetros".» As Maravilhas Artísticas do Mundo (1959-63)
«O Sr. Not, tão pobre de gestos e expressões como de letras é o seu nome, aponta, na soleira da porta, um cão ladrando furiosamente para o céu, onde os relâmpagos traçam curvas alucinantes e os trovões fazem ouvir a sua voz pavorosa.» Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937-38) - «Andorra» [1929]
Tuesday, May 05, 2026
dos romances
«Meteu-se na cama, procurando não tocar o corpo da mulher. O calor dela, grato nas outras noites, tornava-se-lhe, nesse momento, mais nojoso do que febre de tísico. Sentia tumultos no cérebro e assomos de ira.» A Tempestade (1940)
« -- Como eu ia a dizer, o quartel de artilharia anti-aérea prantava-se mesmo à beira do mar. Viam-se passar os navios, que iam para Lisboa. Às vezes, era cada um, tão grandalhão, que dentro dele ninguém podia ter medo de afundar-se. Ali perto ficava o Estoril. Tu já ouviste falar no Estoril?» A Lã e a Neve (1947)
Thursday, April 30, 2026
um artigo sobre Assis Esperança
Ricardo António Alves, «Terra e opressão em "Ruínas", uma novela de Assis Esperança», in Ana Cristina Carvalho, Sílvia Quinteiro e Natália Constâncio, Algarve(s) -- Imagens do Ambiente natural e Humano na Literatura de Ficção, Lisboa, By the Book, 2025.
Wednesday, April 29, 2026
correspondências
Roberto Nobre a Ferreira de Castro (1925) «Olhão, 30 de Março de 1925 // Meu caro Ferreira de Castro // Antes de tudo o grande abraço das grandes ausências. / Pergunta V. se renuncio? Eu? / Renunciar a uma luta quase antes de a ter começado? / O interesse que V. acaba de mostrar por mim não me espanta nem o agradeço. V. não é para ser agradecido. No entanto deixe-me que lhe louve a sua atenção.» .../... Correspondência (1922-1969) (1994)
Mário Lyster-Franco a Ferreira de Castro (1928) .../... «A deste seu magnífico volume, comoveu-me. V. bem sabe que me comoveu! Estimaria infinitamente mais -- estimaria-o por si -- que ela me dissesse ser eu dos muitos que ainda lhe não levou desilusões. Pelo contrário ela afirma-me como dos poucos com que tal não se tenha dado.» .../... 100 Cartas a Ferreira de Castro (1992/2007)
Jaime Brasil a Ferreira de Castro (1929): .../... «Nestas condições, não posso responsabilizar-me pela novela do Ferrarin, antes da primeira semana de Outubro. Se assim lhe fizer desarranjo, diga-me com toda a franqueza, que eu renunciarei a fazer essa tradução, embora me penalize fundamente faltar, ainda que por motivo justificado, a um trabalho que o Castro fizera o favor de confiar-me. Peço-lhe, pois, que me fale c/ franqueza. Am.º grato, o Brasil.» Cartas a Ferreira de Castro (2006)
Tuesday, April 28, 2026
«Caminhos de Ferreira de Castro»
Monday, April 27, 2026
outras palavras
«Mas, logo que chegaram, meteram-se na sua toca. Só o Arturinho passeou ao fim da tare, na estrada, em frente da venda, o sobretudo novo. / A esta hora, cada um pensa especialmente nos seus. Quase todos pobres, não têm remorsos de comer mais do que os outros.» «O Natal em Ossela» (1932/1974)
«A terra nativa parecia-me defeituosa por não ter as correntes de vento necessárias para elevar a "estrela" multicolor. Contudo, eu mentia, afirmando que já um dia um "papagaio" meu subira tão alto que eu chegara a não o distinguir no espaço. Repetia muito essa minha fantasia, mas, ao recordar-me da verdade, sentia um vácuo na alma.» «Memórias», Ferreira de Castro e a Sua Obra (1931)
«O seu convívio valia mais do que um curso de Bondade. / Era homem e, como homem, tinha, naturalmente, as suas preferências ideológicas. Mas a sua alma branca tudo absolvia, a todos procurava compreender e justificar.» «Delfim Guimarães» (1934)














































































