«Horácio levantou os olhos e adivinhou, mais do que viu, a caratula da velha Luciana à sua janela acabada de abrir.»
A Lã e a Neve (1947)
um blogue para ir estando com o autor de A SELVA e os seus amigos de sempre: Assis Esperança, Jaime Brasil e Roberto Nobre (desde 30 de Abril de 2006)
«Horácio levantou os olhos e adivinhou, mais do que viu, a caratula da velha Luciana à sua janela acabada de abrir.»
A Lã e a Neve (1947)
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| Campos Lima fonte |
Se um liberal é aquele que cultiva a liberdade, é
preciso clarificar a noção e a palavra anarquismo. Como escreveu há um
século Campos Lima[1], a palavra anarquia
degradou-se (já no tempo do próprio Eça...) e o que deveria ser a ideia de uma
comunidade de – e agora atentemos às palavras – livre cooperação mútua,
involuiu para uma percepção de balbúrdia violenta de onde ninguém escapa ileso.
Ou seja: tudo, menos anarquia. Daí que surgisse a palavra alternativa libertário, sinónimo de anarquista.
[1]Campos Lima, A Teoria Libertária ou o Anarquismo, Lisboa, Edições Spartacus, 1926, p. 6.
Do livro a publicar, Sobre e à volta de Ferreira de Castro
«Só os carimbos das cartas que eu recebia me traziam a certeza de que não fora apenas sonho a minha vida até esse momento – de que o berço existia, florido, atraente, para além da selva, para lá do Atlântico.»
do «Pórtico» de A Selva (1930)
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| Eça de Queirós, por Roberto Nobre |
[1],, p.
111.Edward W. Said, Orientalismo – O Oriente como Invenção do Ocidente [1978],
tradução de Tomás Rosa Bueno, São Paulo, Companhia das Letras, 1990.
Do livro a publicar, Sobre e à volta de Ferreira de Castro
«Ele com a garganta tão fechada como se lhe tivessem posto solda, ele com vontade de estoirar os miolos, sabendo que Julieta estava por pouco – e ele a comer, porque a luz ia já esmorecendo nos olhos dela e queria comprazê-la no momento da agonia.»
A Tempestade (1940)
| fonte |
porque a liberdade
é a lei mais importante da criação
(Ana Hatherly)
Quando Ferreira de Castro assumiu a direcção do semanário O Diabo, em Setembro de 1935, era um ainda jovem, mas já retirado, jornalista, que passara por todos os patamares da profissão e, simultaneamente, um romancista de importância confirmada. Neste texto, veremos brevemente o percurso literário e jornalístico de Ferreira de Castro até então, o significado da sua escolha para dirigir aquele semanário de crítica literária e artística e a marca pessoal que o escritor lhe imprimiu nos dois rápidos meses em que desempenhou essa função.
(Do livro a publicar Sobre e à volta de Ferreira de Castro)
«A meio do mais lindo e radioso dia, forma-se uma tempestade, ziguezagueia um relâmpago, explode um trovão e cai uma chuvada.»
Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937-38)
A revista Renovação é um desenvolvimento natural do projecto de A Batalha, cujo brilhante Suplemento Semanal Ilustrado se distinguiu pela qualidade das colaborações e grafismo dinâmico.
Convém recordar que se trata de um quinzenário publicado por uma central sindical, destinado a trabalhadores. A realidade social obriga à pedagogia, pelo que são objecto de tratamento questões como as da dignidade do trabalho, convenções sociais contestáveis, a condição da mulher, o colonialismo, modos vários de alienação. Ao mesmo tempo, pretende-se formar e enriquecer intelectualmente os leitores, com perfis de revolucionários, nas ideias e nas artes, além da colaboração literária, com a dupla função de contribuir para a fruição estética e a emancipação dos trabalhadores.
Todos os autores da Renovação, com a excepção notória de Ferreira de Castro, caíram no limbo. A sua obra, a partir de Emigrantes (1928), que renovou decisivamente o romance português na primeira metade do século XX, é tributária do fervilhar de ideias que aí ocorreu. Como obra de conjunto de uma geração, de par com A Batalha, de onde promanou, ficará como importante testemunho para a história da cultura libertária.
do livro a publicar, Sobre e à Volta de Ferreira de Castro
«Um vaporzito, com graciosidade de gaivota e calentura de forno, largou de ao pé da Kars-en-Nil e, apitando aqui e ali, que o tráfego fluvial era grande em frente da cidade, começou a subir o rio sagrado.»
Do «Pórtico de A Tempestade» (1940)
1. Ferreira de Castro e Roberto Nobre, Correspondência (1922-1969), edição de Ricardo António Alves, Lisboa, Editorial Notícias e Câmara Municipal de Sintra, 1994, p. 55.
Do livro a publicar: Sobre e à Volta de Ferreira de Castro
«Parecia-lhe que o tempo era uma coisa sensível, com peso e personalidade, que estava no ar, nos seus pensamentos e nas suas próprias vísceras, tudo alterando.»
A Tempestade (1940)