Showing posts with label Afonso Duarte. Show all posts
Showing posts with label Afonso Duarte. Show all posts

Sunday, August 02, 2026

Vencedores de meio Século XX: Ferreira de Castro e Vitorino Nemésio em voo de pássaro (14)

Estranho foi o vate açoriano ter colocado os dois poetas que menciona em conjunto com os ensaístas, assim com quem não quer a coisa – Afonso Lopes Vieira (1878-1946), já falecido, portanto inelegível, e António Correia de Oliveira (1879-1960), então com 71 anos. Lopes Vieira, que bebe na História de Portugal a substância da sua poética, Correia de Oliveira virado para a tradição e  a ortodoxia católica. Estranho, pois não os juntar ao elenco prévio, pondo-os aqui, como se tivesse querido nomeá-los à força, sem lhes dar, contudo, o destaque que quis dar a Pascoais, Pessoa, Sá-Carneiro e Afonso Duarte, sendo certo que Cortesão e Sardinha foram também bons poetas, mas não foi com a poesia que principalmente se inscreveram na história literária portuguesa.

Friday, July 24, 2026

Vencedores de meio Século XX: Ferreira de Castro e Vitorino Nemésio em voo de pássaro (12)


Embora a escolha afinal resultasse fácil, dentro das condicionantes autoimpostas, Nemésio não deixa de interrogar[-se]: «Pascoais, o mais ilustre poeta português vivo dos últimos cinquenta anos? Creio que ninguém põe dúvidas. Um dos maiores, com Fernando Pessoa, Afonso Duarte, Mário de Sá-Carneiro e algum mais? Também. Mas representativo, isto é consoante com a sensibilidade e a mentalidade vigentes? Quem o pode afirmar?»

Não fui verificar a pergunta original, no entanto, discordo pessoalmente desta forma restrita de representatividade, diria até que quanto menos conforme a “sensibilidade vigente” mais representativo poderá ser o autor, mais se destacando da espuma dos dias…. 

De Garrett a Ruy Belo, passando por Antero, Cesário, Nobre, Régio ou mesmo Florbela, parece-me que uma das razões da perenidade da sua poesia foi a de estarem contra a sensibilidade vigente, tal como os grandes poetas a que Nemésio se refere.

Afonso Duarte continuaria a ser um dos maiores poetas portugueses vivos? Não vejo porque não; a poesia é a mesma; mudámos nós, mas isso é tão conjuntural, que na verdade pouco ou nada importa.

Wednesday, July 22, 2026

Vencedores de meio Século XX: Ferreira de Castro e Vitorino Nemésio em voo de pássaro (11)

Nemésio refere-se, como não podia deixar de ser, a Fernando Pessoa (1888-1935) e a Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), equiparando Pascoais a estes em grandeza, mas também a Afonso Duarte (1884-1958), então com 66 anos, vindo da Renascença Portuguesa, do mesmo Pascoais, colaborador da presença desde a primeira hora, igualmente muito considerado pelos poetas neo-realistas, e que acabara de publicar Sibila, livro expressamente referido por este perene seleccionador nacional.

À luz do seu critério, Nemésio distinguiu Pascoais também por tratar-se de um autor «de longo fôlego poemático», com uma poética orientada para «temas metafísicos e […] psicológicos que entranharam na nossa espiritualidade», entroncando-o com Bernardim Ribeiro, Luís de Camões e Frei Agostinho da Cruz.

Friday, February 17, 2012

Literatura, Artes e Identidade Nacional -- Do Modernismo à Actualidade (4)

Todos estes movimentos de escola, nascem, portanto, na primeira metade do século, antagonizam-se entre si e também dentro de si próprios. O que não impede uma certa permeabilidade que as revistas demonstram: a presença recupera e promove autores da geração anterior (Pessoa, Sá-carneiro, Almada) e publica também neo-realistas como Cochofel, Manuel da Fonseca ou Namora; a Vértice é ecuménica, publicando desde Afonso Duarte, que vem da «Renascença Portuguesa», até Cesariny.

Actas dos 3.ºs Cursos Internacionais de Verão de Cascais - 1996, vol. IV, Cascais, Câmara Municipal, 1997.