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Wednesday, April 29, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (21) - o Dicionário da Literatura Portuguesa

Um bom dicionário, dirigido por Álvaro Manuel Machado (Lisboa, Editorial Presença, 1996). O verbete sobre Ferreira de Castro é, tal como na Biblos, da autoria de Urbano Tavares Rodrigues.Grandes encómios para a generalidade dos romances, em especial A Selva, e desvaloriza as viagens (A Volta ao Mundo) e o longo roteiro d'As Maravilhas Artísticas do Mundo. Não se refere a A Tempestade nem a Pequenos Mundos e Velhas Civilizações e aOs Fragmentos, sendo possível que a redacção do verbete tenha ocoriido antes da publicação da peça póstuma Sim, Uma Dúvida Basta)

Wednesday, September 19, 2012

incidentais #4 -- "o Século Vinte" e pequeno exercício irrelevante de biobibliografia alternativa

do «Pórtico» de O Intervalo
* O protagonista escreve ao autor: Alexandre Novais, por alcunha "o Século XX", autodidacta, colaborador da imprensa obreirista legal e clandestina, antigo secretário da anarco-sindicalista C.G.T. É um operário de escol em que o período foi fértil (basta recordar um jornal como A Batalha). Pede-lhe que conte a sua história pessoal, que tem acompanhado a da centúria em que vive.

* Um projecto que ficou na gaveta, escrito entre 1934 e 1936. Impublicável (como só o foi em 1974...). O Intervalo permanecerá o único capítulo da «Biografia do Século XX», ideia que Castro acalentou nas décadas de 30, 40 e 50.

* Castro assume-se como «escritor farol» (A Epopeia do Trabalho, 1926), aquele que abre caminho, o que "ajuda a ver" (entrevista a José de Freitas, 1966).

* Se esta "biografia", este roman fleuve tivesse ido por diante, haveria A Tempestade? -- não creio.; A Lã e a Neve? -- quase de certeza; A Curva da Estrada? -- improvável, mas quem sabe; A Missão? -- curta novela, é possível, mas fora da série; A Experiência -- porque não?; As Maravilhas Artísticas do Mundo? -- tenderia a dizer que não, mas com o desígnio que lhe subjaz, talvez, embora menos avantajada nas suas mais de mil páginas...; O Instinto Supremo? -- talvez Castro fosse mais tentado a fugir à promessa de escrever um livro a propósito de Rondon; assim como não escreveu a biografia de Kropótkin que Martins Fontes lhe pedira, e para a qual ele chegou a coligir material...

* A verdade é que o «Pórtico» geral de Os Fragmentos, que acolhe O Intervalo é escrito a 16 de Julho de 1969 -- «dia resplandecente para o génio humano da nossa época» -- quando Neil Armstrong, Buzz Aldridge e Michael Collins partiram para a Lua. A mesma crença e a mesma preocupação testemunhal do progresso do homem e das ideias se mantém no fim da vida. Não por acaso ele persistiu (e levou avante a intenção, mesmo que postumamente) que este fragmento do que projectara fosse publicado.




Wednesday, February 29, 2012

Abd El-Krim e a História

A propósito da sangrenta Guerra do Rife, que opôs os insurrectos marroquinos, liderados por Abd El-Krim, contra os exércitos espanhol e francês, escreveu Ferreira de Castro, n'A Batalha:
«[...] a figura de Abd-el-Krim- chega a atingir um sentido epopeico e só não merece as páginas da História porque a História desde há muito está desonrada, porque a História é indigna dele.» (14 de Setembro de 1925).
Ecos da Semana -- A Arte, a Vida e a Sociedade, Lisboa, Centro de Estudos Libertários, 2004, p.67.

Para Ferreira de Castro, a desonra da História -- ou da historiografia, melhor diríamos -- tem que ver com a noção, consagrada na década seguinte pela revista Annales, de Marc Bloch e Lucien Febvre, que o registo do passado nunca poderia limitar-se à inventariação das dinastias, das batalhas, das grandes figuras, meras conjunturas das estruturas económica, social e das mentalidades de que aquelas emanavam. E é essa concepção da História que presidirá ao projecto gorado da «Biografia do Século XX» -- de que só se salvará o póstumo O Intervalo (incluído n'Os Fragmentos) ou n'As Maravilhas Artísticas do Mundo, apresentada como «A prodigiosa aventura do Homem através da Arte».
(também aqui)

Thursday, August 28, 2008

O Museu Ferreira de Castro (6)


6. O MESTRE - De A Tempestade a Os Fragmentos (1940-1974)

«Nele, mais do que em qualquer outro romancista de língua portuguesa de nosso tempo, há um gosto de mundo. E a presença intemporal do homem aparece, dura, sob a densa camada de temporalidade que o ficcionista constrói. O que o torna um mestre de invenção e de feitura. E dono de uma execução ficcional tão perfeitamente adequada às realidades que nos faz encontrar, na sua ficção, a verdade do tempo.» ANTÔNIO OLINTO (1966)

Este núcleo contempla o período em que Ferreira de Castro pontificou como autor proeminente do Portugal de então. Com Aquilino Ribeiro, personificou o protótipo do Escritor com todo o peso intelectual, moral e cívico, de que não deixou de fazer uso quando a situação política e social assim o exigiu.
São os anos de A Tempestade (1940), A Lã e a Neve (1947), A Curva da Estrada (1950), A Missão (1954), O Instinto Supremo (1968) e Os Fragmentos (1974).
É também o período de As Maravilhas Artísticas do Mundo (1959-1963), longo ensaio premiado pela Academia de Belas-Artes de Paris, cujo subtítulo, A Prodigiosa Aventura do Homem através da Arte, reflecte as suas inquietações e anseios.
link

Sunday, March 18, 2007

«A prodigiosa aventura do homem através da arte» #2 - Tamayo, «Auto-retrato»

Museu de Arte Moderna, Cidade do México

As Maravilhas Artísticas do Mundo, vol. II, Lisboa, Empresa Nacional de Publicidade, 1959-1963, extratexto, pp. 976-977

Wednesday, May 24, 2006

Notícia antiga

Ainda não me habituei a este blogue temático. Por isso só hoje noticio o que teria sido oportuno há uns dias atrás: no passado sábado, dia 20, o Prof. Luís Manuel de Araújo, pioneiro da egiptologia em Portugal e seu nome mais destacado, esteve no Museu Ferreira de Castro, no âmbito das «Conferências no Museu», para falar da forma como o escritor viu e sentiu o país dos faraós. De três textos possíveis, dois canónicos e um da chamada «primeira fase» (pré-Emigrantes), o egiptólogo abordou uma noveleta publicada na revista ABC no último trimestre de 1923, folhetim intitulado «A Vingança do Pharaó», contemporâneo do achado de Howard Carter, texto desconhecido da generalidade dos leitores; seguiu-se a análise do ensaio d'As Maravilhas Artísticas do Mundo (1959-1963) no que respeita aos testemunhos egípcios. Por falar, e guardado para posterior artigo, ficaram as notas de viagem de Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937-1938).
Entre um e outro texto, do folhetim eivado de egiptomania da juventude ao sereno percurso pelas maravilhas artísticas do país do Nilo, medeiam cerca de quarenta anos. Ter lá estado fez toda a diferença.