Wednesday, October 14, 2026

“Um medo frio” - Breve nota sobre a memorialística castriana

Santo Agostinho, por Carlo Crivelli

Nada há de tão importante para o homem como o seu estado, nada mais temível para ele do que a eternidade.

(Blaise Pascal)

 

 

Porque se escrevem memórias?

 

            Quem escreve as memórias, pretende dar testemunho e exemplo, justificar-se perante os outros e/ou perante a História, nesta procurando marcar o seu lugar, mesmo adoptando um registo confessional e de alguma forma expiatório. Nas Confissões (397-400), Santo Agostinho quis fazer-se exemplo da bondade divina, ao revelar uma juventude dissoluta e a crença num sistema religioso errado, como o era o maniqueísmo, mostrando que Deus não desistira de si; já Rousseau, considerado o primeiro memorialista moderno, ao revelar-se através  duma obra propositadamente homónima, Confissões (1782), publicada a título póstumo, pretendeu apresentar-se a si próprio como caso de estudo para o futuro, estribado na conhecida tese de que é a sociedade que corrompe o ser humano, na sua essência naturalmente bom.


Do livro a publicar, Sobre e à volta de Ferreira de Castro

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