Monday, October 12, 2026

Eça de Queirós e a crítica anarquista: um sentimento de pertença (1)

Campos Lima
fonte
Anarquismo, anarquismos

 Pertencemos ao grupo, porventura diminuto e que poderá espantar, que vê e lê Eça de Queirós como fundamentalmente um liberal de fundo anarquista, pela ética, pela sensibilidade e por propensão idiossincrática, digamos em itálico, hereditária, no seu liberalismo histórico e romântico – coincidindo já com o que Jaime Cortesão e Jaime Brasil escreveram a este respeito.

        Se um liberal é aquele que cultiva a liberdade, é preciso clarificar a noção e a palavra anarquismo. Como escreveu há um século Campos Lima[1], a palavra anarquia degradou-se (já no tempo do próprio Eça...) e o que deveria ser a ideia de uma comunidade de – e agora atentemos às palavras – livre cooperação mútua, involuiu para uma percepção de balbúrdia violenta de onde ninguém escapa ileso. Ou seja: tudo, menos anarquia. Daí que surgisse a palavra alternativa libertário, sinónimo de anarquista.



[1]Campos Lima, A Teoria Libertária ou o Anarquismo, Lisboa, Edições Spartacus, 1926, p. 6.

Do livro a publicar, Sobre e à volta de Ferreira de Castro

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