Monday, June 21, 2010
A Unidade Fragmentada. Dispersos de Ferreira de Castro (3)
Wednesday, June 16, 2010
Os Melhores Contos Portugueses
João Pedro de Andrade (edição), Os Melhores Contos Portugueses -- 3.ª Série, Lisboa, Portugália Editora, 1959.Thursday, June 10, 2010
Sete cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre (3)

«Sete Cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre», Boca do Inferno, #1, Cascais, Câmara Municipal, 1996, pp. 95-96.
Saturday, June 05, 2010
Canções da Vendetta (3)
Wednesday, June 02, 2010
Tuesday, June 01, 2010
errância - A VOLTA AO MUNDO (1940-1944)
[do «Início»)Concertaram-se, na nossa época, várias formas de se dar a volta ao Mundo. Em anos de remansosa paz, um navio americano abala de Nova York e, de casco branco, mastros festonados de gaivotas, ladeia Américas e Áfricas, detém-se, aqui, ali, em três ou quatro cidades, e corta, depois, o Índico. Mas da grande Índia mostra somente Bombaim e Ceilão; da longa península de Malaca não se verá mais do que Singapura e da China imensa apenas a minúscula ilha de Hong-Kong. Outrora, ainda ele se aventurava até outras plagas. De ano para ano foi minguando, porém, as milhas da sua rota, que assim, passagens mais baratas, ajuntaria maior número de clientes. Não se cura de revelar ao Mundo os passageiros e sim de lhes permitir dizer aos amigos que eles deram a volta ao Mundo. Viagem de bom conforto, nas cidades visitadas esperam guias e automóveis, que levam os curiosos aos monumentos principais e, depois, os reconduzem a bordo, para que se lavem da poeira do Oriente, jantem bem e bailem até de madrugada, enquanto o talhamar vai singrando em direitura a outro porto. De Hong-Kong, o navio, que, até ali, só fundeou nas extremidades dos continentes, despede, a toda a brida, para algumas ilhas do Pacífico, ansioso de transpor o Panamá e em Nova York lançar a âncora, férreo ponto final em superficial capítulo. Assim e «A volta ao Mundo colectiva», cruzeiro de luxo por mares distantes. Há, também, «A volta individual ao Mundo». Companhias de navegação, para o efeito ajustadas, acordaram vender trânsito marítimo, com diminuídos preços, aos que pretendem rodear a esfera terrestre e volver ao ponto de partida. Viagem menos cómoda do que a outra, quem a realiza torna-se servo não do muito ou pouco interesse do sítio visitado, mas da entrada e saída dos navios em que o seu bilhete lhe permite embarcar. Sujeito está a quedar-se dois dias onde desejaria demorar-se duas semanas e duas semanas onde lhe bastaria ficar dois dias apenas. E a menos que possa seu tempo perder, este viajante solitário verá, enervado, partir o único navio de sua conveniência, que não é, geralmente, o navio que ele tem direito a tomar.
Friday, May 28, 2010
«...esta necessidade permanente de assistência afectiva...» [a correpondência entre Ferreira de Castro Roberto Nobre] (3
José Roberto Dias Nobre (São Brás de Alportel, 1903 -- Lisboa, 1969) estaria destinado a seguir a profissão do pai, não fosse o seu irrequieto temperamento artístico, que o fazia saltar da ilustração para a crítica e desta para o cinema e de novo para o desenho, etc., numa dispersão que se revelou ser fecunda. Ainda no Algarve chegou a realizar uma curta metragem, Charlotim & Clarinha, cujo Charlot escolheu para a capa do seu primeiro livro sobre a 7.ª Arte, por si desenhada -- Horizontes de Cinema, Guimarães, Lisboa, 1939.Sunday, May 23, 2010
Friday, May 21, 2010
Wednesday, May 12, 2010
testemunhos #9 - Jorge Amado
Também briguei muito pelo livro português. Naquele tempo [década de 1930] havia verdadeiros intercâmbios entre intelectuais brasileiros e escritores portugueses; foi uma coisa que com o tempo se perdeu muito, mas que existia então. Havia um interesse político comum: a luta contra o salazarismo. É desta época [1934] que data a minha amizade com Ferreira de Castro e com vários outros escritores portugueses.Sunday, May 09, 2010
Ferreira de Castro, agitador no Brasil (3)
Tuesday, May 04, 2010
Monday, May 03, 2010
depoimentos - Adelino Vieira Neves
* Não da Pena, mas a caminho do Castelo dos Mouros, como ele pretendeu.
Adelino Vieira Neves, «In Memoriam de Ferreira de Castro», In Memoriam de Ferreira de Castro, Cascais, Arquivo Biobibliográfico dos Escritores e Homens de Letras de Portugal, 1976, pp. 10-11.
Saturday, May 01, 2010
Cartas Inéditas a Ferreira de Castro (2)
Publicam-se, desta vez, 17 cartas de oito autores: H. Lopes de Mendonça (1856-1931), Raul Proença (1884-1941), Fidelino de Figueiredo (1889-1967), Assis Esperança (1892-1975), César de Frias (1894-?), Jaime Brasil (1896-1966), Tomás Ribeiro Colaço (1899-1965), e Roberto Nobre (1903-1969).Tuesday, April 27, 2010
Rocha Peixoto, OS PUCAREIROS DE OSSELA (1908)
Tempo houve -- e os vestígios perduram -- em que, influenciados pelas loiças beirãs provindas de S. Pedro do Sul (?) e de Molelos, alguns aperfeiçoamentos se acusaram no fabrico local. Variaram, melhoraram e criaram-se novas formas, incluindo as bilhas de segredo, bules e açucareiros. Adoptou-se em todo o vasilhame o brunido, conseguindo-o o oleiro com a fricção dum seixo na peça antes de ir ao fogo, à altura em que a consistência da pasta permitia a aplicação sem o perigo de a amolgar. E por fim multiplicaram-se as ornamentações incisas, geométricas ou florais, acentuadamente com o aspecto das de Molelos, e sempre, na recta ou na curva, em linhas interrompidas. Sunday, April 25, 2010
100 Cartas a Ferreira de Castro (2)
[da «Apresentação»]Sunday, April 18, 2010
Formosa e Segura: Andanças de Leonor em «Servidão», de Assis Esperança (1)
Saturday, April 17, 2010
Tuesday, March 30, 2010
Sunday, March 28, 2010
Castriana #4
Sunday, March 21, 2010
Chegar a Jaime Brasil através de Ferreira de Castro (2)
Quem, como eu, anda à volta dos 40 anos e teve a sorte de ter crescido numa casa com livros, a Jaime Brasil associa, não o jornalista nem o seu papel de importantíssimo mediador cultural no suplemento »Das Artes e das Letras» de O Primeiro de Janeiro, não a feição de polemista, por vezes desmesurado e violento, e menos ainda a circunstância de se tratar de um significativo autor anarquista. De Jaime Brasil lembramos as biografias, em particular as de mais recente edição ou republicação: desde logo a de Ferreira de Castro, na célebre colecção da Arcádia, «A Obra e o Homem», e as surgidas com a excelente chancela da Portugália Editora, entre as quais o Leonardo da Vinci, cuja sanguínea com que se auto-retratou na velhice, servindo de capa à edição, desde cedo me impressionou, as edições de bolso em que se reeditaram o Zola e o Victor Hugo, o ensaio sobre Balzac, uma pequena jóia de literatura biográfica, entre outras.Das Artes e das Letras, suplemento de O Primeiro de Janeiro, Port0, 19 de Novembro de 2007, p. 1o.
Saturday, March 20, 2010
Jaime Brasil por Alexandre Cabral
Para impor o nome de Jaime Brasil como o de um escritor de boa estirpe, bastava o prefácio que escreveu para no seu belo ensaio sobre Zola ou a biografia balzaquiana que acompanha o 1.º volume da edição portuguesa da Comédia Humana, porque, com efeito, em ambos se patenteia a agudeza de juízo, a solidez de conhecimentos e, sobretudo, a ampla perspectiva de pensamento que são os pergaminhos do genuíno Homem de Letras.«Homenagem a Jaime Brasil», Guia do Leitor, n.º 2, [coordenação de José da Cruz Santos] Lisboa, Portugália Editora, s.d.
Monday, March 15, 2010
Preconceito e orgulho em A Tempestade, de Ferreira de Castro (2)
O escritor tinha na gaveta uma obra ficcional cujo cenário era a grande insurreição anarco-sindicalista nos campos da Andaluzia e na cidade de Sevilha, em 1931, cujo surto inicial ele testemunhara como enviado especial de O Século. Trata-se de O Intervalo, escrito em 1936, e editado somente em 1974, inserido em Os Fragmentos. Também uma peça de sua autoria, redigida a pedido de Robles Monteiro para o Teatro Nacional, e que abordava o tema da pena de morte, a propósito da recente condenação do alegado raptor e assassino do filho do piloto-aviador Charles Lindbergh, fora igualmente censurada por despacho governamental. Seria publicada cerca de sessenta anos depois, em 1994. Foi por esta razão que Castro se dedicou, «com um desalento imenso»(1) à literatura de viagens.Nova Síntese, n.º 2-3, Porto, Campo das Letras, 2007/8, p. 49.
Saturday, March 06, 2010
Recensão a Ecos da Semana -- A Arte, a Vida e a Sociedade (2)
Iniciando a sua publicação em 1919, como órgão da Confederação Geral do Trabalho (CGT), anarco-sindicalista, A Batalha granjeou rapidamente uma difusão assinalável entre o público leitor, e não apenas operário, ombreando com os dois grandes títulos da imprensa de então: O Século e o Diário de Notícias. O êxito editorial permitiu que quatro anos mais tarde A Batalha avançasse com uma edição cultural, com o objectivo de valorizar a grande massa do seu público. «Saber para poder» era o título do editorial do primeiro número, de 3 de Dezembro de 1923: «Órgão de exposição doutrinária e elemento de educação e de aperfeiçoamento moral e intelectual, ele destina-se a ser o companheiro espiritual do operário e a contribuir para a formação da sua consciência revolucionária.» Esse objectivo foi servido por uma plêiade de intelectuais, escritores e publicistas marcantes dos anos vinte, alguns deles ainda muito jovens, do próprio Ferreira de Castro a Jaime Brasil, passando por Julião Quintinha, Campos Lima, Nogueira de Brito, César Porto, Mário Domingues; e muitas e muito assinaláveis colaborações irregulares, de Raul Brandão a José Régio. Não descurando a situação dos leitores a quem se dirigia, este suplemento cultural fazia também uma pedagogia cívica e social em vários domínios da vida quotidiana; a parte substancial, porém, das oito páginas do suplemento era ocupada com a criação e a crítica literárias, a divulgação da grande música (em que Nogueira de Brito teve um papel relevantíssimo), da pintura, do teatro, da vida e obra dos autores referenciais, quer em literatura (Antero e Eça, Tolstoi e Ibsen, Zola e Anatole), quer em ideias (Proudhon, Bakunine, Gandhi e, numa perspectiva crítica, embora respeitosa, Lénine). Valorizado por diversos ilustradores, como Alonso ou Roberto Nobre, foi sem dúvida o talento de Stuart Carvalhais que mais marcou o rosto do jornal.Castriana, n.º 3, Ossela, Centro de Estudos Ferreira de Castro, 2007, pp 105-106.
Tuesday, March 02, 2010
de passagem - Jaime Brasil, BALZAC (s. d.)
Saturday, February 27, 2010
testemunhos - João Sarmento Pimentel
Wednesday, February 24, 2010
100 Cartas a Ferreira de Castro - Nota à 2.ª edição (1)
O corpus castriano tem conhecido renovadas e heterogéneas leituras nos últimos quinze anos, numa dimensão não comparável com o panorama existente à época da primeira edição destas 100 Cartas a Ferreira de Castro. O número e a qualidade dos estudos dedicados ao escritor é muito diferente: um congresso internacional, vários colóquios, inúmeras conferências, teses universitárias, em Portugal e no estrangeiro, estudos monográficos, uma revista especializada, números temáticos de várias publicações -- em grande parte a propósito do seu nascimento, em 1998 --, um Centro de Estudos sedeado na sua terra natal, sem esquecer alguns inéditos e dispersos que entretanto saíram dos prelos. Nomes que vinham de trás, como Agustina Bessa Luís, Óscar Lopes ou Urbano Tavares Rodrigues, continuaram a produzir depoimentos, sempre merecedores de atenção; outros contribuíram também com visões enriquecedoras do nosso olhar sobre Ferreira de Castro: de Eugénio Lisboa a Pinharanda Gomes, passando por Álvaro Pina, António Cândido Franco, Bernard Emery, Carlos Jorge F. Jorge, Élcio Lucas de Oliveira, Karl Heinz Delille, Luciana Stegagno Picchio, Luís Garcia e Silva, Pedro Calheiros, para citar apenas alguns.Tuesday, February 23, 2010
Seringal Paraíso
Sunday, February 21, 2010
outras palavras - O SEGREDO DAS NOSSAS DERROTAS (1928)
Tuesday, February 16, 2010
Ferreira de Castro e a II República espanhola (2)
O jornalismo é uma actividade que Ferreira de Castro inicia ainda no Brasil, para onde emigrara muito jovem, em 1911, com doze anos e meio. Quando regressa, em 1919, retoma-a com grandes dificuldades, uma vez que era totalmente desconhecido no meio. A imprensa foi para ele a «profissão socorro»(2) que lhe permitiu dedicar-se à sua vocação literária. Até 1927, é um free-lancer, escrevendo abundantemente para jornais do continente, ilhas e colónias, como meio de subsistência. Nesse ano -- que coincide com uma nova etapa da sua vida pessoal, o encontro com Diana de Liz, e também o encerramento de A Batalha, após o golpe de 28 de Maio --, o jovem escritor entra para os quadros de O Século, onde permanecerá até 1934, abandonando então a vida dos jornais como profissional, saturado dos constrangimentos impostos pela Censura do Estado Novo.Wednesday, February 10, 2010
Saturday, February 06, 2010
correspondências - Jaime Brasil, CARTAS A FERREIRA DE CASTRO [1924-1964]
SINDICATO DOS PROFISSIONAIS DA IMPRENSA DE LISBOARua do Loreto, 13, 2.º,
LISBOA
TELEFONE TRINDADE N.º 179
GABINETE DA DIRECÇÃO
N.º 42
Meu prezado consócio:
Tuesday, February 02, 2010
castrianas #26 - Francisco Costa
O artista [...] deve fazer-se antes de fazer a obra: entre nós, os escritores Paço d'Arcos, Ferreira de Castro, João Gaspar Simões, Maria Archer, Alves Redol, são exemplos notórios de quanto vale a vontade de ser para operar. E se hoje não parecem universais a olhos portugueses, talvez no futuro algum crítico de além-fronteiras, cansado do que vê ao pé, sem lembre de avaliar, sem visão local, essas e outras figuras do momento literário que estamos vivendo e que não sabemos ver parce que nous sommes dedans.Sunday, January 31, 2010
Da correspondência com Ferreira de Castro (1)
Não falta quem aponte alguma pobreza à epistolografia portuguesa, em especial quando comparada com o que é dado à estampa noutros países. O trabalho pioneiro de Andrée Rocha, A Epistolografia em Portugal (1965), coligindo um número elevado de autores, do Infante D. Pedro (século XV) a Florbela Espanca (século XX), ou, posteriormente, a publicação exaustiva da correspondência activa (e também a passiva) de Eça de Queirós, com destaque para os trabalhos de Guilherme de Castilho, Beatriz Berrini e A. Campos Matos, ou ainda a meritória acção de Mécia de Sena, impulsionando a edição da valiosa epistolografia do seu marido, Jorge de Sena -- desde logo consigo própria, mas também com Guilherme de Castilho, José Régio, Vergílio Ferreira, Eduardo Lourenço, Sophia de Mello Breyner Andresen, apara além das que já há muito foram anunciadas com outros escritores -- tudo isto, e mais algumas obras de vulto neste domínio ocorridas nas últimas décadas, veio demonstrar a conveniência de sermos mais parcimoniosos nos juízos definitivos.Friday, January 29, 2010
Ferrer
O último número de A Batalha (237, Nov.-Dez. 2009), jornal editado pelo CEL - Centro de Estudos Libertários, evoca Francesc Ferrer i Guàrdia (1859-1909), a propósito do colóquio realizado no Museu da República e Resistência, comemorando o sesquicentenário do nascimento e assinalando o centenário do seu fuzilamento.Saturday, January 23, 2010
Jaime Brasil, anarquista (2)
Sem nos determos na caracterização de nomes e menos ainda nos que, inicialmente anarquistas, acabaram por posicionar-se no campo ideológico oposto -- como Afonso Lopes Vieira ou Alfredo Pimenta -- ou partilharam certa comunhão de ideário socialista -- de Antero de Quental a António Sérgio --, vale dizer que a primeira metade do século XX deu a Portugal um conjunto de autores que se constituiu como uma plêiade intelectual notável. Doutrinadores como Neno Vasco, Campos Lima e Emílio Costa, romancistas como Assis Esperança e Ferreira de Castro, cientistas como Aurélio Quintanilha, publicistas de largo espectro como Julião Quintinha, Jaime Brasil e Roberto Nobre, entre muitos outros. Alguns destes autores estão em plena maturidade -- e outros haviam já começado a construir um nome literário -- ainda em vida de alguns dos mais importantes escritores libertários, como Piotr Kropótkin e Errico Malatesta, falecidos respectivamente em 1921 e 1935, e ambos, aliás, com uma profunda influência nos meios anarquistas portugueses. (3)Afinidades, n.º 2-II Série, Porto, Casa-Museu Abel Salazar, Jul.-Dez. 2005, p. 13.
Saturday, January 16, 2010
Rocha Peixoto, OS PUCAREIROS DE OSSELA (1908)
O esquema fundamental das vasilhas é a oval sabida (Id., 77*), maior ou menor, aselhada ou sem anças, predominando as panelas, os cântaros, as caçoilas e, nomeadamente, os púcaros.Ornamentação incisa insignificante ou nula.Tuesday, January 12, 2010
Raul Proença, Ferreira de Castro e o «Guia de Portugal» (2)
Não se pode, com efeito, desligar o Guia de Portugal do grupo da Seara Nova e do escopo de regeneração nacional que ele se propunha. O Guia saiu dos prelos da Biblioteca Nacional, então dirigida por Jaime Cortesão (1884-1960), sendo Proença chefe da Divisão dos Serviços Técnicos, Aquilino Ribeiro (1885-1963), segundo bibliotecário, e Alexandre Vieira (1884-1973), chefe dos Serviços Gráficos -- este último, anarco-sindicalista, futuro secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e director do diário A Batalha, não integrante do grupo da Seara, a que devemos acrescentar, entre outros, os nomes de Câmara Reys (1885-1961), Augusto Casimiro (1889-1967) e Raul Brandão (1867-1930).Sunday, January 10, 2010
Sunday, January 03, 2010
Situação da Arte (1968)
Thursday, December 31, 2009
10 livros que não mudaram a minha vida
Wednesday, December 30, 2009
Monday, December 28, 2009
Viajar com Ferreira de Castro (2)
Assim se explica que, lançado na torrente migratória, de cá para lá, fosse lá, mais propriamente na Amazónia, onde rareavam os livros, que Castro escreveu uma noveleta intitulada Criminoso por Ambição, vindo a editá-la em fascículos em 1916, em Belém. Foi na biblioteca pública dessa cidade que aproveitou os intervalos dos biscates incertos para se educar a si próprio, lendo, lendo muito, autores portugueses, brasileiros, traduções de Balzac, Hugo ou Zola e um sem-número de livros de filosofia, política, sociologia.Monday, December 21, 2009
a aldrabice destas sondagens
Provavelmente estas consultas não estão concebidas para um período tão dilatado. Se fizer outra, será breve.
Obrigado a todos quantos votaram.
Friday, December 18, 2009
castrianas #25 - Mário Dionísio
Do que Ferreira de Castro dá provas com a publicação de A Curva da Estrada não é apenas da sua possibilidade de escrever um grande romance ou da sua fidelidade aos assuntos que profundamente interessam o destino do homem dos nossos dias, mas de uma capacidade de renovação que é, em grande parte, a condição própria do escritor. Pode-se dizer que um escritor começa a sua obra quando encontra um estilo próprio de revelar a sua visão do mundo. Mas, na verdade, ele só consegue a realização completa quando chega a saber desdobrar esse estilo próprio nos mil aspectos que a concretização de tal visão implica. Há talvez um equívoco irremediável naqueles que encontraram um dia um modo determinado, e logo cristalizado, de planear o romance, de dividi-lo em capítulos, de abri-lo, de desenvolvê-lo, de fechá-lo, e passam o resto dos seus dias a remoê-lo partindo de assuntos diferentes -- de pretextos diferentes. A admiração por um escritor, o entusiasmo por um escritor, e, portanto, a vida e a existência de um escritor, provêm em grande parte desse íntimo movimento de surpresa que ele sabe despertar no público e que não é mais no fundo, que a novidade que cada seu novo assunto exige.Mário Dionísio, «A CURVA DA ESTRADA -- Romance por Ferreira de Castro. Edição de Guimarães & C.ª, Lisboa, 1950», Vértice, n.º 89, Coimbra, Janeiro de 1951, pp. 454-457.
Wednesday, December 09, 2009
Para além das ortodoxias: Ferreira de Castro e Francisco Costa
O papel de fundamental de Francisco Costa na doação do espólio de Ferreira de Castro ao Povo de Sintra (ver depoimento em apêndice) foi o melhor remate a um diálogo que se estabelecera cinquenta anos antes, quando o jovem poeta sintrense dava os primeiros passos como autor e o não menos jovem torna-viagem sobrevivia pelos jornais, compensando pela quantidade a exiguidade da remuneração das colaborações. Estreando-se em 1920 com a colectânea de sonetos intitulada Pó, redigidos em grande parte no sanatório onde convalescerá de uma tuberculose pulmonar, Costa registou na sua autobiografia a comovida recepção dispensada pelo «jovem ateu Ferreira de Castro, jornalista aqui e acolá» (3). Desconhecendo essa nota, temos oportunidade de publicar as impressões de Castro a propósito do livro seguinte, Verbo Austero. Não se eximindo a frisar divergências («não é meu mar predilecto»), estas também não impediram o entusiasmo («é inegavelmente um poeta») por quem se reafirmava com um lirismo clássico, mas inquieto, provavelmente mais próximo de si próprio do que julgava, pela «desconformidade e heterodoxia» que -- como no prefácio salientara Fidelino de Figueiredo --, reflectiam a «sensibilidade moderna do poeta. (4) de passagem - Jaime Brasil, SOBRE JORNALISMO (1925 / 2005)
Todas as instituições humanas, desde a religião à prostituição, têm os seus tratadistas e historiógrafos. Só o jornalismo não encontrou ainda quem lhe traçasse a crónica, com saber e método.
* A Batalha -- Suplemento Semanal Ilustrado, n.º 96, Lisboa, 28 de Setembro de 1925.
Jaime Brasil, Sobre Jornalismo, edição de Luís Garcia e Silva, Lisboa, Cadernos d'A Batalha, 2005, p. 7.
Monday, November 30, 2009
Castro no Almanaque Republicano
Uma foto de grupo, publicado no Almanaque Republicano, nos 50 anos de vida literária de Ferreira de Castro.Pensão Suíça, Macieira de Cambra, 1966
Friday, November 27, 2009
Roberto Nobre - Uma vida por imagens (2)
Devo dizer que cheguei a Roberto Nobre através de Ferreira de Castro, que com Assis Esperança [1892-1975] e Jaime Brasil (1896-1966) formaram um núcleo duro de amigos ligados por laços fraternos de mundividêcia comum, de comunhão ideológica e afinidades estéticas. Também por essa razão o autor de A Selva estará tão presente neste opúsculo. Mas não só: a amizade entre ambos foi de tal modo intensa e fraternal que deverei repetir o que escrevi na apresentação da sua Correspondência: «muito do que é obra acabada de ambos adquiriu a forma que eles nos legaram, em parte pela fraternidade pessoal, exemplo ético e discussão estética que um deu ao outro.» (1)Roberto Nobre -- 1903-1069, São Brás de Alportel, Câmara Municipal, 2003, pp. 11-12.
Monday, November 23, 2009
testemunhos #3 - João de Barros
Uma das causas do êxito excepcional da obra de Ferreira de Castro reside, aliás, nessa intercompreensão do escritor e do povo. A grandeza daquela não ofusca, antes atrai, a atenção e o interesse deste. Segredo e sortilégio, que a raros pertencem, mas que em Ferreira de Castro flui, espontâneos e discretos, da mais recôndita e amorável fonte do seu íntimo ser.Friday, November 20, 2009
Um Medo Frio -- Breve nota sobre a memorialística castriana (2)
Ferreira de Castro, sendo um escritor quase com «excesso» de biografia, não tem na sua tábua bibliográfica qualquer livro de memórias. Tentaremos perceber porquê, tanto mais que a escrita memorialística pontuou o seu percurso literário, do princípio ao fim.outras palavras - A NOITE DOS MISERÁVEIS -- COMO SE DORME NO ALBERGUE NOCTURNO (1923)
Àquela hora, na rua deserta, a fachada do Albergue Nocturno de Lisboa tinha uma estranha austeridade e, se não fosse a tabuleta que abrange toda a frontaria arcaica do prédio, dir-se-ia que este era um amplo palácio onde se refugiavam do mundo vários fidalgos perseguidos pelo tédio.[publicado n'O Século, Lisboa, 21 de Janeiro de 1923], in Jacinto Baptista e António Valdemar, Repórteres e Reportagens de Primeira Página -- II 1910-1926, Lisboa, Assembleia da República, s.d., p. 276.
Monday, November 16, 2009
Ferreira de Castro e João Pedro de Andrade (2)
Este relacionamento esteve sempre presente ao longo dos anos, como comprova o espólio do autor de Eternidade. À existência de 19 espécimes de correspondência, entre 1922 e 1964, soma-se um conjunto de cinco livros com dedicatória autógrafa que ficaram na pequena parte da sua biblioteca pessoal destinada a este Museu. São eles: Teatro (1941); O Problema do Romance Português Contemporâneo (1942); Os Melhores Contos Portugueses (1959) -- antologia em que Castro figura com O Senhor dos Navegantes; Raul Brandão; e O Diabo e o Frade (ambos de 1963). De Castro para Andrade, conhecemos, por gentileza dos seus herdeiros e descendentes, a 6. edição de A Lã e a Neve e a 4.ª de A Curva da Estrada (as duas de 1951); a edição «Portinari» de A Selva (1955); e a 1.ª edição de O Instinto Supremo (1968). Entendimento que se traduziu significativamente no facto de João Pedro de Andrade ter sido o autor dos verbetes sobre Ferreira de Castro e A Selva para o importante Dicionário das Literaturas Portuguesa, Brasileira e Galega (1960), dirigido por Jacinto do Prado Coelho. (1)














































































