Monday, September 14, 2026

A LÃ E A NEVE: a História escreve-se no presente (1)

 

1. O romance depois de O Intervalo, a literatura de viagens e A Tempestade

Nas décadas de 1930 e 1940, a arte portuguesa, em especial a Literatura, conheceu um forte embate ideológico cujas posições extremadas podem grosseiramente ser bipolarizadas pelos partidários da arte pela arte, por um lado, e os da arte útil, por outro, num velho enfrentamento que vinha já do século XIX, tomando, com a ascensão dos fascismos, do triunfo do comunismo soviético e da eclosão da Guerra Civil de Espanha e da II Guerra Mundial, enorme acuidade entre os criadores. De um lado, os que defendiam que a arte valia por si só, não devendo servir nenhuma causa, sob o perigo de se vender e/ou falsear; do outro, aqueles que não concebiam que a arte pudesse estar ausente das preocupações, das angústias e do destino dos homens. Foi uma contenda longa e, por vezes, entrincheirada, que, por esses anos, tinha vários protagonistas de primeiro plano.

( Do livro a publicar: Sobre e à volta de Ferreira de Castro

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