Tuesday, October 17, 2023

da arte de expor

«[A FERREIRA DE CASTRO] / Não o conheço pessoalmente, mas sei que o seu espírito se interessa por todos os grandes problemas da Humanidade e que assistiu a vários acontecimentos em que eu mesmo tomei parte. » do "Pórtico" de  O Intervalo (1936/1974) / «Meu amigo: / Há anos, o acaso reuniu-nos num hotel do Cairo e você, afectuoso, sem grandes gestos, amável, sem palavras farfalhantes, uma constante sombra de melancolia no sorriso e nos olhos, quis servir-me de piloto durante as minhas peregrinações na terra egípcia, já sua conhecida.» do pórtico de A Tempestade (1940) / «Nem eu sei quando nasceu no meu espírito este amor pelos povos minúsculos, pelas repúblicas em miniatura, por todos os que vivem isolados no planeta.» do "Pórtico" de Terra Fria (1934)

Ferreira de Castro, agitador no Brasil (1)

[Artigo publicado no semanário O Jornal, de Lisboa, em 2 de Novembro de 1990. Apesar de esquemático, e de o assunto já então haver sido aprofundado na tese de Bernard Emery, José Maria Ferreira de Castro et le Brésil (1981), que à época eu desconhecia, posto-o aqui pela curiosidade de se tratar do meu primeiro escrito sobre o romancista.]

O mais conhecido romance de Ferreira de Castro, publicado há 60 anos [em 1990] pela Livraria Civilização, do editor Américo Fraga Lamares, desencadeou um grande polémica no Brasil em 1934 (1), quando ali foi editado.
Em 1930, Ferreira de Castro era um jornalista prestigiado, que presidiu aos destinos do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa (à sua direcção se deve um protesto contra a censura, em 1927, bem como a edição da colectânea Uma Hora de Jornalismo, no ano seguinte, que reuniu textos de grandes nomes da imprensa da época), e um literato conhecido nos meios intelectuais lisboetas, mas de modo algum um autor consagrado. (2)
(1) 1935, no texto.
(2) Enfim, hoje seria mais cuidadoso. Emigrantes, publicado em 1928, já concitara imensas atenções, tendo a primeira edição esgotado rapidamente. Nesta altura, preparava-se já a 3.ª edição.
(continua)

Sunday, February 19, 2023

da arte de expor

«É bem certo que conduzimos ao longo da vida muitos cadáveres de nós próprios.» do "Pórtico" de A Selva (1930) «Nós não queremos morrer! Nós não queremos morrer!»  do "Pórtico" de Eternidade (1933)  «Os homens transitam do Norte para o Sul, de Leste para Oeste, de país para país, em busca de pão e de um futuro melhor.»  do "Pórtico" de Emigrantes (1928)

Tuesday, January 03, 2023

1 em 20

 Em vinte romances de vinte escritores, a minha escolha castriana é Emigrantes (1928), depois de ponderar A Selva (1930) e A Lã e a Neve (1947).

Os outros: Amor de Perdição (1862), A Morgadinha dos Canaviais (1868), A Cidade e as Serras (1901, póstumo), Húmus (1917), A Catedral (1920), Andam Faunos pelos Bosques (1926),  Jogo da Cabra Cega (1934), Ana Paula (1938), Cerromaior (1943), Mau Tempo no Canal (1944), Cárcere Invisível (1949), A Sibila (1954), Barranco de Cegos (1961), Novas Cartas Portuguesas (1972) O que Diz Molero (1977), Sinais de Fogo (1979),  Para Sempre (1983) e O Ano da Morte de Ricardo Reis (1995) -- alguns também com alternativas. 


Wednesday, December 07, 2022

Friday, November 04, 2022

"Sintra, lugar de Ferreira de Castro"


12 de Novembro de 2022

Museu Ferreira de Castro – 10-18 h.

 

Programa

10 h.: Apresentação dos Encontros

10,15h. Vítor Viçoso, «A Lã e a Neve e o Imaginário Neo-Realista: convergências e divergências»

11,00 h. Manuel Matos Nunes: «Tiago, o “Estica”, em A Selva, de Ferreira de Castro»

11,45 h.:  Fernando Ramos Machado, «Ferreira de Castro e os Grão-Mestres de Malta»

12,30 h: Debate

 

14,15 Annabela Rita, «Ferreira de Castro e a globalização»

15h. Ana Cristina Carvalho, «Rigores de Inverno em romances Castrianos: Cenário, personagem e mensagem»

15,45h. Clara Campanilho Barradas: «O teatro de Ferreira de Castro»

16, 30h Carlos Jorge F. Jorge, «Traços do destino e projeções da natureza humana nas representações da água em Ferreira de Castro»

17,15h : Debate


Entrada livre, mediante inscrição prévia

dbmu.museu.fcastro@cm-sintra.pt


 

Friday, October 21, 2022

"Anarquismo, Insubmissão, Inconformismo"

 


Estudos sobre Raul Brandão, A Batalha  e Raul Brandão, Campos Lima, Manuel Ribeiro, Neno Vasco, Ângelo Jorge, Jaime de Magalhães Lima, António Gonçalves Correia, Jaime Cortesão e Eça de Queirós, Pinto Quartim, Assis Esperança, Ferreira de Castro, Jorge Teixeira, Mário Domingues, José Régio, João Pedro de Andrade, Roberto Nobre, Alves Redol e os anarquista e anarco-sindicalistas, revista Pensamento. 


 

Wednesday, July 29, 2020

ETERNIDADE, 15.ª edição


Publicado em 1933, sai agora a 15.ª edição

Wednesday, July 22, 2020

na morte de Luís Garcia e Silva

Uma grande figura do anarquismo em Portugal, nas últimas décadas, esteio, com a sua companheira Elisa Areias, do jornal A Batalha, antigo órgão da CGT, publicado pelo Centro de Estudos Libertários, e também da medicina portuguesa, na sua área de especialidade a Dermatologia, cujos serviços chefiou no Hospital de Santa Maria, tendo ainda obra publicada sobre o tema. Tão grande foi a sua importância na preservação da chama da ideia libertária em tempos recentes, quão discreto, afável e ponderado era nas atitudes e relacionamento pessoal.
Sobre Ferreira de Castro, reuniu e anotou a coluna que este manteve em A Batalha, intitulada «Ecos da Semana -- A Arte, a Vida e a Sociedade», mas também, de Jaime Brasil, Sobre Jornalismo, igualmente com Elisa Areias, A Voz que Clama no Deserto ou ainda o colectivo Contra as Touradas. Deve-se-lhe ainda o resgate de um texto longínquo de Camus sobre A Selva, de 1938, publicado na Castriana #4, em 2009.
Ver aqui e aqui.