Thursday, June 11, 2015

A de «Alma Lusitana» (para um Dicionário de Ferreira de Castro)

«Phase da Guerra Luso-Alemã em Naulila, Africa -- (1914-15)».
Segundo livro publicado por Ferreira de Castro, ainda em Belém do Pará, em 1916. É também o seu primeiro texto dramático, género que intermitentemente cultivou até meados da década de 1930.
38 págs., sem  menção de tipografia.

Bibliografia a ter em conta: Alberto Moreira, Bernard Emery, Clara Campanilho Barradas.

(a desenvolver)

Wednesday, June 10, 2015

Chego do café

... jornais e revista debaixo do braço. Em comum, todos falam do Ferreira de Castro. O Jl, de ontem, como ontem já escrevi, o texto de Ana Margarida de Carvalho sobre A Selva. Também a Ler  de Março, que ainda não acabara, com a resposta de Manuel da Silva Ramos a uma pergunta que eu lhe fizera em Sintra, sobre algo relacionado com A Lã e a Neve e a sua Covilhã. Finalmente, no último número de A Batalha, (n.º 264, Mar.-Abr. 2015) herdeira da histórica publicação da desaparecida CGT, o repescar de um artigo de Ferreira de castro, de 1925, sobre Eduardo Metzner, a propósito de um livro recente de Gabriel Rui Silva, Eduardo Metzner -- Vida e Obra de um Sem-Abrigo (Licorne, 1914), com recensão de António Cândido Franco. Tudo pode ser visto aqui  Nada má, a jornada castriana.

Tuesday, June 09, 2015

Ana Margarida de Carvalho, no JL de hoje: "'A Selva' continua a chamar por nós, a insistir em querer dizer-nos coisas.»


O lead do artigo de Ana Margarida de Carvalho
(não confundir, como faz o JL, e muitos outros, o Museu Ferreira de Castro,
em Sintra, com a Casa-Museu Ferreira de Castro, em Ossela)


Thursday, May 21, 2015

Castro e Cendrars


Num livro póstumo de Louis Parrot (1906-1948), na suculenta colecção «Poètes d'Aujourd'hui» da Seghers (vol. 11) sobre Blaise Cendrars (Paris, 1948), (são também de sua autoria os volumes 1 e 7, respectivamente sobre Éluard e Lorca), leio sobre a influência que a leitura de Ferreira de Castro provocaram em poemas de temática brasileira de Feuilles de Route ou em narrativas como «En trasantlantique dans la Forêt» -- tudo a ler cum granum salis, como se voltou a dizer:

«Dans sa descritption de la forêt, Blaise Cendrars atteint à la puissance d'um Ferreira da [sic] Castro, l'un des plus grands écrivains d'aujourd'hui, le Kipling portugais, qui très pauvre, partit à douze ans pour le Brésil, y connut la vie des plus misérables émigrants, des "seringueiros", et nous donne dans son chef-d'oeuvre, A Selva, La Forêt Vierge, le témoignage d'un homme tout pénétré de souffrance et d'amour [...] Da [sic] Castro a trouvé en Cendrars un égal, un homme qui, sans avoir la même expérience de la vie brésillienne, en a su cependant comprendre tout l'essentiel.» (pp. 66-67)
É de notar que a notoriedade de Ferreira de Castro em França era então grande -- foi nesse ano feito sócio-honorário da Socité des Gens de Lettres de Paris -- fundada por Balzac, Hugo, Dumas e George Sand, sendo à época presidida por Maurice Bedel. Ainda hoje, a França é o país em que Castro está mais presente, mais ainda do que no próprio Brasil, se exceptuarmos a região amazónica e as cidades de Belém e Manus.

Wednesday, May 20, 2015

Sérgio Luís de Carvalho fala sobre O INSTINTO SUPREMO

Sérgio Luís de Carvalho, Prémio Ferreira de Castro de Ficção Narrativa / 1989 
com o romance Anno Domini 1348
«Ler Ferreira de Castro, 40 anos depois»
22 de Maio, sexta-feira, pelas 19 h.
no
Musa - Museu das Artes de Sintra
tel: 219238828




Sunday, May 17, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (27) - posição relativa no PDALP

1- Ferreira de Castro, 21 cm.
2- José Rodrigues Miguéis, 15 cm. (foto em extratexto)
(Júlio Dinis, 14 cm.)
3- Aquilino Ribeiro, 13,8 cm. (foto em extratexto)
4- Fernando Namora, 10,9 cm.
5- Joaquim Paço d'Arcos, 9,6 cm.
6- Alves Redol, 8,2 cm.
7- Maria Archer, 7 cm.
8- Assis Esperança, 6,5 cm.
9- Manuel Ribeiro - sem entrada

Thursday, May 14, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (26) - o Pequeno Dicionário de Autores de Língua Portuguesa


PEQUENO DICIONÁRIO DE AUTORES DE LÍNGUA PORTUGUESADa autoria de Fernanda Frazão e Maria Helena Boavida, o PDALP é uma edição dos Amigos do Livro, Lisboa, 1983. Não sendo perfeito, não há dicionários perfeitos, é melhor e mais completo do que alguns de maior projecção. Eu próprio, aliás, desconhecia-o até há pouco.
Uma boa entrada sobre Ferreira de Castro, com pequenas falhas (onde não as há?).
Referindo-se à obra «fortemente inovadora e pessoal» do autor, salienta Emigrantes e A Selva, «consagra[grando-o] como intérprete dum populismo visceral que só viria a encontrar eco na geração seguinte e que nele é visão cósmica, evocação daquilo que no homem é instinto puro animal mas também identificação com o desafio às eternas forças primordiais. da natureza.» A partir de A Lã e a Neve, segundo as autoras, os seus romances «reflectem um domínio, entre nós inigualado na montagem da ficção[..]».

Tuesday, May 12, 2015

José Manuel Mendes fala sobre A CURVA DA ESTRADA

«Ler Ferreira de Castro, 40 anos depois»
15 de Maio, sexta-feira, pelas 18 h.
no
Museu Ferreira de Castro
tel: 219238828


Wednesday, May 06, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (25) -o "Suplemento" Dicionário de História de Portugal


Obra notabilíssima publicada entre 1963 e 1971, pelo grande Joel Serrão, teve, no final do século passado, uma actualização em três volumes, coordenados por António Barreto e Maria Filomena Mónica, a convite do seu organizador original. O verbete sobre Ferreira de Castro (vol. VII, Porto, Figueirinhas, 1999) é de Paulo Morais Alexandre e, basicamente, bem redigido, embora com pequenas imprecisões, acaba, no entanto, por revelar as mesmas insuficiências, no que respeita ao percurso cívico-político durante o Estado Novo, que já salientei aqui, não obstante as remissões, que oportunamente irei analisar.


Quanto às dimensões das entradas daqueles de quem nos temos vindo a ocupar, são as seguintes:

!. Alves Redol, 28,7 cm., com foto (por Carlos Reis);
2. Aquilino Ribeiro, 27,5 cm., com foto (por Carlos Reis)
3. José Rodrigues Miguéis, 24,9 cm. (por Maria José Marinho);
4. Fernando Namora, 20,1 cm. (por Carlos Reis);
5. Ferreira de Castro, 19 cm., com foto (por Paulo Morais Alexandre);
6. Joaquim Paço d'Arcos, 10,9 cm. (por Nuno Júdice);
 Manuel Ribeiro, Assis Esperança e Maria Archer não têm entradas próprias.

Monday, May 04, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (24) - posição relativa no Dicionário de História do Estado Novo

1. Fernando Namora (por Ana Maria Pereirinha): 67,5 cm.
2. Alves Redol (por Ana Maria Pereirinha): 55,9 cm.
3. Ferreira de Castro (por Patrícia Esquível): 42,6 cm.
4. Aquilino Ribeiro (por Clara Crabée Rocha): 41,6 cm.
5. José Rodriguesd Miguéis (por Clara Crabée Rocha): 33,4 cm.
6. Joaquim Paço d'Arcos (por Patrícia Esquível): 16,1 cm.

Thursday, April 30, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (23) - o Dicionário de História do Estado Novo

Coordenado por Fernando Rosas e J. M. Brandão de Brito, Venda Nova, Bertrand Editora, 1996. O verbete sobre Ferreira de Castro é de Patrícia Esquível. Correcto, imprecisões mínimas (algumas datas). A inserção num dicionário de História tem várias justificações: não apenas a circunstância do peso intelectual, da gravitas de que se revestia Ferreira de Castro enquanto escritor, ao lado de um Aquilino Ribeiro, um José Régio e poucos mais; o texto realça e bem as ligações anarco-sindicalistas, como a presidencia do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa, que apanha em cheio com o 28 de Maio, os texto n'A Batalha, a direcção, já na década de 1930 de O Diabo ou a fundação, nos anos 50, e posterior presidência, no decénio seguinte da Associação Portuguesa de Escritores -- para além, como é óbvio, das próprias temáticas da sua literatura. Infelizmente, numa obra que tem como pano de fundo o Estado Novo, o papel do nosso autor no MUD ou na campanha de Norton de Matos, a constante insurgência contra a Censura ou o recorrente apoio a perseguidos políticos, nomeadamente como testemunha abonatória nos sinistros tribunais plenários, entre outros factos,Anarquismo e Neo-Realismo -- Ferreira de Castro nas Encruzilhadas do Século (2002) -- um e outros já posteriores à feitora deste dicionário.
 não têm aqui qualquer referência. Haverá, no entanto, uma explicação para esse vazio: a bibliografia citada termina com o livro de Álvaro Salema, de 1974, e só depois do 25 de Abril, algumas dessas questões foram estudadas e valorizadas, nomeadamente por mim (passe a pretensa autopromoção...), em artigos dispersos por vezes pouco acessíveis e no meu livro

Wednesday, April 29, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (22) - posição relativa no Dicionário da Literatura Portuguesa

(Júlio Dinis: 94,4 cm. autora: Isabel Pires de Lima)
1. Fernando Namora, 60,2 cm. (autor: Luís Forjaz Trigueiros)
2. Aquilino Ribeiro 57,8 cm. (autor: Óscar Lopes)
3. Alves Redol, 45,1 cm. (autor: Carlos Reis)
4. Ferreira de Castro, 41,5 cm. (autor: Urbano Tavraes Rodrigues)
5. José Rodrigues Miguéis, 29,3 cm. (autor: Henrique Chaves)
6. Joaquim Paço d'Arcos, 24,1 cm. (autor: Luís Forjaz Trigueiros)
7. Manuel Ribeiro, 20,3 cm. (autor: Álvarto Manuel Machado)
8. Assis Esperança, 14 cm. (autor: Álvaro Manuel Machado)
9. Maria Archer, 11,1 cm. (autor: Álvaro Manuel Machado)

Ferreira de Castro nos dicionários (21) - o Dicionário da Literatura Portuguesa

Um bom dicionário, dirigido por Álvaro Manuel Machado (Lisboa, Editorial Presença, 1996). O verbete sobre Ferreira de Castro é, tal como na Biblos, da autoria de Urbano Tavares Rodrigues.Grandes encómios para a generalidade dos romances, em especial A Selva, e desvaloriza as viagens (A Volta ao Mundo) e o longo roteiro d'As Maravilhas Artísticas do Mundo. Não se refere a A Tempestade nem a Pequenos Mundos e Velhas Civilizações e aOs Fragmentos, sendo possível que a redacção do verbete tenha ocoriido antes da publicação da peça póstuma Sim, Uma Dúvida Basta)

Tuesday, April 28, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (20) - posição relativa na Biblos

(Júlio Dinis  + Uma Família Inglesa  + A Morgadinha dos Canaviais: autor: Helena Carvalhão Buescu -  185,5 cm)
1. Aquilino Ribeiro  + A Casa Grande de Romarigães  + O Malhadinhas (autor: Urbano Tavares Rodrigues) 155,8 cm.
2. Alves Redol  + Barranco de Cegos  + Gaibéus (autores: António Apolinário Lourenço, Rosa Maria Goulart e Cristina Robalo Cordeiro Oliveira), 139 cm.
3. Ferreira de Castro,  + Emigrantes  + A Selva . (autores: Urbano Tavares Rodrigues e Sónia Brayner) 87,8 cm
4. José Rodrigues Miguéis (autora: Teresa Martins Marques): 59,6 cm.
5. Fernando Namora (autor: António Pedro Pita), 33,5 cm.
6. Joaquim Paço d'Arcos (autor: Taborda de Vasconcelos) 28,8 cm.
7. Maria Archer, 28 cm. (autor: Carlos Mendes de Sousa)
8. Manuel Ribeiro (autor: João Bigotte Chorão) 19,9 cm.
Assis Esperança (autor anónimo) 16,1 cm.

Ferreira de Castro nos dicionários (19) - a Biblos

Excelente Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa, com direcção colectiva de José Augusto Cardoso Bernardes, Aníbal Pinto de Castro, Maria de Lourdes Ferraz, Gladstone Chaves de Melo e Maria Aparecida Ribeiro, e coordenação editorial de João Bigotte Chorão, a Biblos é composta por cinco volumes publicados entre 1995 e 2005.
A entrada sobre Ferreira de Castro é de Urbano Tavares Rodrigues, num tom ensaístico muito interessante no âmbito dum verbete de dicionário, destaco o realce que dá ao porte do autor de A Lã e a Neve como "ficcionista de grande fôlego":
«Se na obra de Aquilino [pertence também a Urbano o texto sobre aquele, na Biblos], outro gigante do seu tempo, cada período é trabalhado como uma jóia, nos romances de Ferreira de Castro há que atender menos à perfeição do pormenor do que ao ímpeto da torrente e à arquitectura do conjunto.» (vol. I, col. 1070).
No vol. II (1997), há uma breve entrada sobre Emigrantes, não assinada; e no IV (2001) uma competente súmula de A Selva, por Sônia Brayner. 

Ferreira de Castro nos dicionários (18): posição relativa no DCAP

1. Aquilino Ribeiro (61,3 cm.)
2. José Rodrigues Miguéis (40 cm.)
3. Fernando Namora (38,9 cm.)
4. Joaquim Paço d'Arcos (37 cm.)
(Júlio Dinis - 28,8 cm.)
5.Alves Redol (27,3 cm.)
6. Ferreira de Castro (25,7 cm.)
7. Maria Archer (21,7 / 22,4 cm)*
8. Manuel Ribeiro (16,6 cm.)
9. Assis Esperança (10,2 cm.)

* Maria Archer, sobre cuja data de nascimento há dúvidas, surge nos vol. III e IV, com verbetes de diferente autoria.

Monday, April 27, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (17) - o Dicionário Cronológico de Autores Portugueses

Publicado em seis volumes (1985-2001), nas Publicações Europa-América, dirigido por Eugénio Lisboa (vols. I-III) e Ilídio Rocha (IV-VI). Os verbetes não estão assinados, surgindo a lista dos colaboradores surge no início de cada tomo.
O texto sobre Ferreira de Castro (vol. III, 1994) está bem feito, de forma concisa e com informação relevante (um ou outro erro ou omissão, nomeadamente no que respeita a datas bibliográficas, não põem em causa o bom trabalho de conjunto.)
Quanto à análise da obra, o teor é geralmente assertivo e acertado. Referência ao "marco" que constituiu Emigrantes, com citação de Jaime Brasil, às muitas traduções, principalmente de A Selva, e ao seu cariz de autor "viageiro". Alusão às "reservas" quanto ao estilo, compensadas pelo valor global da obra, referida como "uma das mais importantes" do século XX português, terminando com considerações sobre o lugar que ela ocupa(rá) no património literário.

Wednesday, April 22, 2015

Cristina Leimart fala sobre os contos de Ferreira de Castro

«Ler Ferreira de Castro, 40 anos depois»
24 de Abril, sexta-feira, pelas 19 h.
no
Museu Ferreira de Castro
tel: 219238828



Wednesday, April 15, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (16): posição relativa no Dicionário Biográfico Universal de Autroes

1. Ferreira de Castro -- 96,9 cm. (autor: João Palma-Ferreira)
2. Aquilino Ribeiro -- 89 cm. (autora: Maria Idalina Resina Rodrigues)
(Júlio Dinis -- 70,3 cm. äutor: Jacinto do Prado Coelho]¨)
3. Alves Redol -- 57,7 cm. (autora: Maria Idalina Resina Rodrigues)
4. Fernando Namora -- 51,5 cm (autora: Maria Idalina Resina Rodrigues)
5. José Rodrigues Miguéis -- 38,2 cm. (autor: L. R. [?])

Manuel Ribeiro, Assis Esperança, Maria Archer e Joaquim Paço d'Arcos não têm entradas)

Tuesday, April 14, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (15) - o Dicionário Biográfico Universal de Autores

João Palma-Ferreira
O Dicionário Biográfico Universal de Autores é um projecto da Artis, a partir da matriz italiana da Bompiani. Dicionário em cinco volumes, a parte luso-brasileira esteve a cargo de Luís de Albuquerque, Luís de Freitas Branco, Jacinto do Prado Coelho e Armando Vieira Santos. A publicação, inusitadamente longa, prolongou-se por 16 anos, entre 1966 e 1982.

O autor da entrada sobre Ferreira de Castro (vol. II, 1970) foi João Palma-Ferreira. A sua redação será anterior a 1963, uma vez que nem As maravilhas Artísticas o Mundo  nem O Instinto Supremo são referidos. Dela, importa-me destacar o seguinte: 

1) o relevo que dá à importância do escritor no âmbito da literatura de viagens -- nomeadamente A Volta ao Mundo --, género de tradição secular na cultura portuguesa; 

2) o enfoque no carácter dilemático, psicológico, na obra romanesca de Ferreira de Castro, neste passo que já citei por várias vezes noutras ocasiões, mas que -- até pela sua argúcia e pertinência -- volto a citar: «[...] é Ferreira de Castro o primeiro escritor ficcionista moderno que, em Portugal, se preocupa em colocar o leitor no centro de um problema de que foi obrigado a fazer prévia participação e de onde extraiu, pelo menos, um complexo de situações profundamente dramáticas e pessoais.» Curiosamente, as reservas expostas quanto ao estilo e à concretização narrativa não são da sua pena, mas referência ou citação de Óscar Lopes, que foi sempre ambivalente quanto a Ferreira de Castro. E se escrevo 'curiosamente' é por me parecer que Palma-Ferreira tinha bagagem teórica e conceptual, além  de estatuto, suficientes, já em 1970, para dispensar-se de tutelas.

3) uma originalidade, no âmbito destes verbetes para dicionários e enciclopédias, que é a sinalização de datas fundamentais no seu percurso literário, bem demarcadas quanto ao significado que encerram -- 1924, 1928 e 1944 -- com as quais, porém parcialmente discordo: 

Estou em desacordo quanto à primeira pois para o ensaísta, 1924 assinala na ainda incipiente obra castriana uma «produção de implicação simultaneamente social e psicológica». Quanto a mim, nada há distinga a ficção publicada anteriormente (mesmo sem irmos às primícias no Brasil). Creio, aliás, que só indirectamente Palma-Ferreira terá tido conhecimento desses títulos iniciais; 1928, claramente, é o ano de Emigrantes, e portanto uma data decisiva (embora, para mim, mais decisivo tenha sido 1927); já 1944, ano da conclusão da edição de a Volta ao Mundo, compreendendo-se na intenção de salientar do lugar de Ferreira de Castro na literatura de viagens, seria preferível, do meu ponto de vista, a sua antecipação para 1939, ano em que realizou o périplo, na companhia de Elena Muriel, servindo também como charneira entre Pequenos Mundos e Velhas Civilizações e A Volta ao Mundo.