Monday, September 07, 2026

ETERNIDADE: canto de morte e de amor (1)

1. Contrição. Eternidade, romance de Ferreira de Castro, publicado em 1933 pela Guimarães – o primeiro na que seria a sua editora de referência –, tem um lugar particular na tábua bibliográfica do escritor. Situado entre A Selva (1930) e Terra Fria (1934), Eternidade pode(ria) desiludir em leitura inicial, efectuada por esta ordem cronológica, como sucedeu ao autor destas linhas nos idos de 1990. Duas décadas de experiência de vida a menos, e um vício de leitura que habitualmente procurava nos livros algo que não teria de lá estar (no caso, a Revolução da Madeira de 1931), fez com que, temerariamente – ressalvando o célebre «Pórtico» e a intenção subjacente – o qualificasse como «um romance falhado»1. À primeira releitura, anos mais tarde, apercebeu-se da falha de avaliação; nova leitura tornou-lhe evidente que teria de reparar o disparate. É o que se vai tentar.

1Ricardo António Alves, Anarquismo e Neo-Realismo – Ferreira de Castro nas Encruzilhadas do Século, Lisboa, Âncora Editora, 2002, p. 51.

Do livro a publicar, Sobre e à volta de Ferreira de Castro

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