Thursday, June 02, 2016

Ferreira de Castro na BNL






O meu texto para a a mostra com que a Biblioteca Nacional, em parceria com o CEFC, assinala o centenário da publicação do primeiro livro de Ferreira de Castro, Criminoso por Ambição, escrito aos 14-15 anos, ainda na Amazónia. De 8 de Junho a 29 de Julho.

Tuesday, May 10, 2016

«Sob as velhas árvores românticas»: do significado de Sintra para Ferreira de Castro (8)

fonte
Mas é outra a Natureza que o cativa: a placidez do Vale de Ossela, o verde minhoto, a paisagem de Sintra. Num texto de 1964, «O último quarto de hora da minha vida», o escritor assinala inequivocamente a sua propensão metafísica para essa simbiose de matéria e espírito, que se manifesta não apenas no indivíduo José Maria Ferreira de Castro e também na própria obra e estilo do romancista, como acima se assinalou: 

«[…] Toda a minha existência de homem e de escritor está vinculada a esta paixão. Foi em convívio com a Natureza que os sentimentos de amor se sublimaram sempre em mim, foi em contacto com ela que elaborei a maioria das páginas que tenho escrito. As minhas demoradas estadas nesse pequeno mundo de beleza insigne que é Sintra, com tantas veredas dum intimismo lírico, tantos rincões secretos onde a poesia habita e tanta espiritualidade pairante, como se tudo propiciasse, às horas vespertinas, uma perfeita e voluptuosa fusão dos corpos e das almas, devem-se à irresistível fascinação que em mim exercem as grandes e verdes paisagens. […]» (in Museu Ferreira de Castro – Periódicos, MFC/D – Ferreira de Castro, «O último quarto de hora da minha vida», O Século Ilustrado #1369, Lisboa, 28 de Março de 1964: 12).

(artigo completo)

Thursday, May 05, 2016

«Paisagens Culturais em Ferreira de Castro»

Um colóquio pro suculento organizado pela UTAD, assinalando os 100 anos de publicação do primeiro livro, romancinho Criminoso por Ambição. Uma pena não poder assistir.

(programa em baixo)










Thursday, April 28, 2016

admirar & amar

Escreve Eugénio Lisboa, no último JL («Sá-Carneiro visto por Régio -- O oiro e a neve») que os grandes escritores, relativamente aos colegas que os precederam, amam uns e admiram outros:
«Pessoa admirava Milton e amava Dickens. Flaubert admirava Zola, mas amava Hugo. Régio admirava Eça e Pessoa, mas amava Camilo e Sá-Carneiro. Há aqueles com quem sentimos afinidades e aqueles em quem admiramos qualidades que não temos nem nos interessa particularmente ter.»
Fiquei a pensar no caso de Ferreira de Castro. De imediato chegaram-se à frente dois nomes essenciais. Raul Brandão e Aquilino Ribeiro. Creio poder dizer, com segurança, que, posto assim, Castro admirava Aquilino, mas amava Brandão. Em Aquilino, a torrente lexical, mahleriana, se assim o posso dizer, e provavelmente o humor; em Raul Brandão, o poético, o trágico, o fragmentário, a dor. A dos outros, humilhados e ofendidos, as próprias, do pobre ser humano em face do enigma da morte.

Tuesday, April 26, 2016

«Sob as velhas árvores românticas»: do significado de Sintra para Ferreira de Castro (8)

Mas é outra a Natureza que o cativa: a placidez do Vale de Ossela, o verde minhoto, a paisagem de Sintra. Num texto de 1964, «O último quarto de hora da minha vida», o escritor assinala inequivocamente a sua propensão metafísica para essa simbiose de matéria e espírito, que se manifesta não apenas no indivíduo José Maria Ferreira de Castro e também na própria obra e estilo do romancista, como acima se assinalou: 

«[…] Toda a minha existência de homem e de escritor está vinculada a esta paixão. Foi em convívio com a Natureza que os sentimentos de amor se sublimaram sempre em mim, foi em contacto com ela que elaborei a maioria das páginas que tenho escrito. As minhas demoradas estadas nesse pequeno mundo de beleza insigne que é Sintra, com tantas veredas dum intimismo lírico, tantos rincões secretos onde a poesia habita e tanta espiritualidade pairante, como se tudo propiciasse, às horas vespertinas, uma perfeita e voluptuosa fusão dos corpos e das almas, devem-se à irresistível fascinação que em mim exercem as grandes e verdes paisagens. […]» 

(in Museu Ferreira de Castro – Periódicos, MFC/D – Ferreira de Castro, «O último quarto de hora da minha vida», O Século Ilustrado #1369, Lisboa, 28 de Março de 1964: 12).

Wednesday, April 20, 2016

O primeiro livro de Ferreira de Castro.

Esta sexta-feira, 22 de Abril, no MU.SA, Museu das Artes de Sintra, pelas 18 horas, irei falar sobre o primeiro livro de Ferreira de Castro, Criminoso por Ambição, obra juvenil de Ferreira de Castro, escrita ainda no seringal Paraíso entre 1912 e 1913, e publicada há cem anos em Belém do Pará.
Procurarei mostrar o que já se anunciava do autor maduro neste romancinho inicial, escrito por um adolescente tornado adulto precocemente.
Estão todos convidados.