Tuesday, August 05, 2014

Fechou "a esquina do mundo"

Ricardo Velosa
O Golden Gate Grand Café, que após a publicação do romance Eternidade (1933) ficou conhecido como "A Esquina do Mundo", fechou as portas, insolvente.
Escreveu Ferreira de Castro: «Aquele ângulo do Funchal era entre as esquinas do Mundo, uma das mais dobradas pelo espírito cosmopolita do século. Em viagem de recreio ou em trânsito para as Áfricas e Américas, davam volta ao cunhal do Golden Gate diariamente, homens e mulheres de numerosas raças, a passo vagaroso, o nariz no ar, as mãos carregadas de cestos, de garrafas, e de bordados da Madeira»




Thursday, July 10, 2014

uma + uma antologia de Cabral do Nascimento sobre a Madeira

Com o mesmo excerto de Eternidade: "As levadas".


NASCIMENTO, Cabral do, Lugares Selectos de Autores Portugueses que Escreveram Sobre o Arquipélago da Madeira, Lisboa, Delegação de Turismo da Madeira, 1949; Tipografia Ideal, Lisboa; 277 págs.; 19,2x13,6x3 cm.; broch.
Género: Antologia. Autores antologiados: António Feliciano de Castilho, D. António da Costa, Travassos Valdez, Bulhão Pato, Garcia Ramos, Júlio Dinis, M. Teixeira-Gomes, Brito Camacho, P.e Fernando da Silva, Raul Brandão, J. Reis Gomes, Virgínia de Castro e Almeida, Luzia, Sousa Costa, Julião Quintinha, Norberto de Araújo, Assis Esperança, Henrique Galvão, Ferreira de Castro, Sant’Ana Dionísio, João Ameal, Luís Teixeira, Hugo Rocha, Luiz Forjaz Trigueiros, Cabral do Nascimento.



 [ actualização]NASCIMENTO, Cabral do, A Madeira, Lisboa, Livraria Bertrand, s.d.; colecção: «Antologia da Terra Portuguesa» #2; impressão: Imprensa Portugal-Brasil, Venda Nova; 166 págs.; 17,5x12x1,3 cm; broch.
Género: Antologia. Autores antologiados: Luís de Camões, Manuel Constantino, Manuel Tomás, Medina e Vasconcelos, Francisco Álvares de Nóbrega, António Feliciano de Castilho, Francisco Maria Bordalo, D. António da Costa, Francisco Travassos Valdês, Bulhão Pato, José Ramos Coelho, Visconde de Ervedal da Beira, Acúrsio Garcia Ramos, Júlio Dinis, Manuel Pinheiro Chagas, Gomes Leal, Pedro Ivo, Mariana Xavier da Silva, M. Teixeira-Gomes, João Augusto Martins, Brito Camacho, José Cupertino de Faria, António Nobre, Raul Brandão, J. Reis Gomes, Delfim Guimarães, Virgínia de Castro e Almeida, Luzia, Sousa Costa, João Gouveia, António Sérgio, Jaime Cortesão, Oldemiro César, António Ferreira, Julião Quintinha, Norberto de Araújo, Assis Esperança, Henrique Galvão, António Montês, Cabral do Nascimento, Ferreira de Castro, Ernesto Gonçalves, J. Vieira Natividade, José Osório de Oliveira, Norberto Lopes, Vitorino Nemésio, João Ameal, Sant’Ana Dionísio, José Loureiro Botas,  Luís Teixeira, Hugo Rocha, Ricardo Jardim, Joaquim Paço d’Arcos, João de Brito Câmara, Pedro de Moura e Sá, António Ramos de Almeida, Miguel Trigueiros.


Wednesday, July 09, 2014

entrevista

Uma entrevista sobre Ferreira de Castro, aqui (pp. 6-7).

Monday, July 07, 2014

EMIGRANTES n'A BATALHA

Primeira parte de um artigo meu sobre Emigrantes, no último número d'A Batalha (#268)

Tuesday, July 01, 2014

100 Cartas a Ferreira de Castro (4)

Mas as Cartas revelam também, em tempo de autoritarismo, como o escritor, atento ao seu semelhante, e para quem a arte além de ser também servia, se mostrou sempre à altura do humanismo que os seus livros encerram, nunca abdicando do exercício da cidadania e da solidariedade, quando os seus valores o impunham ou uma missiva aflita o solicitava.

Da "Apresentação" das 100 Cartas a Ferreira de Castro, Sintra, Câmara Municipal / Museu Ferreira de Castro, 1992.

Wednesday, June 25, 2014

incidentais #21 -- fixar pela ficção

Ainda o «Pórtico» de Terra Fria:

*Referência a Andorra, e aos homens e mulheres que viu insulados por entre as montanhas, na viagem que fez em 1929. Neste romance de 1934, de novo a curiosidade pelas formas mais arcaicas de convivência. No Inverno e na Primavera de 1933, Castro deslocou-se ao Barroso com o intuito de fixar pela ficção a cultura daquele povo, os modos de viver e pensar, a mentalidade atávica duma sociedade comunitária e patriarcal, esquecida e deixada a si própria. Não por acaso, Castro olhava para este panorama social como "página viva de antropologia": os inquéritos feitos nessa década de 1930 à região barrosã coincidiam na qualificação de primitivismo.

* Essa avaliação levá-lo-á a rejeitar não apenas o pitoresco da pobreza como, anos mais tarde a equacionar o problema na própria Amazónia, com a chamada "pacificação" dos índios Parintintim (O Instinto Supremo, 1968).