No Cais de Lisboa, em Janeiro de 1966, amigos brasileiros e portugueses acenavam para o navio espanhol onde havíamos embarcado na Bahia, Zélia, Paloma e eu -- João Jorge fora de avião. Reconheci Odylo Costa, filho, Luiz Henrique Dias Tavares, Álvaro Salema, Fernando Namora, Francisco Lyon de Castro -- o primeiro a subir a escada foi Ferreira de Castro, com a notícia de que poderíamos saltar em Lisboa, a interdição fora suspensa. O grande escritor português, naquele então o principal entre todos os que escrevíamos em língua portuguesa, não podia conter a alegria. Durante todos os longos anos de convivência, de amizade fraterna que nos ligou, Ferreira de Castro sempre foi o arauto de boas novas, mão solidária, palavra acolhedora.Saturday, July 11, 2009
testemunhos #5 - Jorge Amado
No Cais de Lisboa, em Janeiro de 1966, amigos brasileiros e portugueses acenavam para o navio espanhol onde havíamos embarcado na Bahia, Zélia, Paloma e eu -- João Jorge fora de avião. Reconheci Odylo Costa, filho, Luiz Henrique Dias Tavares, Álvaro Salema, Fernando Namora, Francisco Lyon de Castro -- o primeiro a subir a escada foi Ferreira de Castro, com a notícia de que poderíamos saltar em Lisboa, a interdição fora suspensa. O grande escritor português, naquele então o principal entre todos os que escrevíamos em língua portuguesa, não podia conter a alegria. Durante todos os longos anos de convivência, de amizade fraterna que nos ligou, Ferreira de Castro sempre foi o arauto de boas novas, mão solidária, palavra acolhedora.Friday, July 10, 2009
de passagem - A MISSÃO (1954)
Thursday, July 09, 2009
de passagem- Assis Esperança, RUÍNAS (1925)
-- Está aborrecida?...-- Não!
-- Vai curada?...
-- Estes meses de repouso e os ares do campo, fizeram-me bem.
Wednesday, July 08, 2009
errância - A VOLTA AO MUNDO (1940-1944)
[do «Pórtico»]Ferreira de Castro, A Volta ao Mundo, vol. I, 5.ª edição, Lisboa, Guimarães & C.ª, 1955.
Monday, July 06, 2009
«A Selva» dos leitores
Na passada sexta-feira, dia 3, teve lugar no Museu Ferreira de Castro uma sessão do Clube de Leitura, com A Selva como livro do mês.Anotei algumas impressões dos leitores:
1. "sintonia entre o drama das pessoas e o ambiente";
2. "reflexos da História de Portugal no percurso de Alberto";
3. "Ferreira de Castro não era um ingénuo político";
4. "romance difícil de classificar: romance de espaço, romance psicológico, romance de iniciação, romance autobiográfico";
5. "riqueza lexical";
6. "recurso a símbolos gráficos, modernismo";
7."Alberto era um progressista sem o saber";
8. "psicologismo com um cunho freudiano: a selva é um ser vivo; é a mulher";
9. " a selva humana está muito retratada";
10. "um livro de ética, um manual de humanização";
11. "um livro simples e transparente";
12. "influência do simbolismo".
Deixei-me ir na conversa, e não tomei mais notas. Foi pena.
o jovem Ferreira de Castro -- O DRAMA DA SOMBRA [1926]
Aquela mulher era ali, no Estoril elegante, a máxima fascinação, a serpente de olhos verdes de todos os veraneantes masculinos.Saturday, July 04, 2009
Prémio Lemniscata
O blogue O Fio de Ariadne atribuiu o prémio Lemniscata ao blogue Ferreira de Castro “O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."Sobre o significado de LEMNISCATA: “curva geométrica com forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.” Lemniscato: ornado de fitas; Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores (In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora).Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente.Texto da editora de “Pérola da cultura”.Thursday, July 02, 2009
Ferreira de Castro: um escritor no país do medo (2)
ExemplosSobre esta realidade escreveu Jorge de Sena (1919-1978), em 1960, autoexilado num Brasil ainda livre:
(1) Jorge de Sena, «A literatura portuguesa de ficção», Estudos de Literatura Portuguesa, vol. III, Lisboa, Edições 70, 1988, p. 44.
Taíra -- Revue du Centre de recherche et d'études lusophones et intertropicales, n.º 9, Grenoble, Université Stendhal, 1997, pp. 65-66.
Wednesday, July 01, 2009
de passagem - A CURVA DA ESTRADA (1950)
[do «Pórtico»]Ferreira de Castro, A Curva da Estrada, 11.ª edição, Lisboa, Guimarães & C.ª, 1982.
Tuesday, June 30, 2009
castrianas #18 - Jorge Dias
(1) António José Saraiva e Óscar Lopes, História da Literatura Portuguesa (Lisboa, s.d.), pp. 315-317.
Jorge Dias, «Uma grande tradição ressurgida: A Volta ao Mundo de Ferreira de Castro, separata de Cosmica IX, Quioto, 1979, p. 1.
Monday, June 29, 2009
errância - ANDORRA - PEQUENOS MUNDOS E VELHAS CIVILIZAÇÕES (1937-38)
Não. Ia-se muito longe, devassavam-se os mais distantes recantos do planeta, mas a Andorra, que estava perto, manando, possivelmente, inéditas emoções, ninguém ia, ninguém pensava ir.Pequenos Mundos e Velhas Civilizações, «Andorra«, Pequenos Mundos e Velhas Civilizações, 5.ª edição, Lisboa, Guimarães & C.ª, 1955, p. 17.
Saturday, June 27, 2009
de passagem - Jaime Brasil, ZOLA -- ACUSO!... (1949)
[Nota: das 156 páginas deste volume, 21 reproduzem o célebre manifesto de Zola, as restantes são da lavra de Jaime Brasil, pelo que decidi incluí-lo na sua bibliografia activa]A Unidade Fragmentada. Dispersos de Ferreira de Castro (2)
Terá sido exactamente a condição de profissional das letras que impediu uma produção esparsa prolífica, guardando a sua mensagem essencial para uma sólida obra romanesca. Também a sua epistolografia se ressentiu dessa situação, como já tivemos oportunidade de escrever.(1) O «ódio à caneta» (2), a «repugnância pelo trabalho agravada pela obrigação de trabalhar» (3) reflectiram-se no apuro formal da correspondência trocada com os amigos mais chegados e, outrossim, na dimensão da sua obra mais circunstancial. Thursday, June 25, 2009
memória - PREFÁCIO a «Pedras Falsas», de Diana de Liz (1931)
Devo, talvez, a este livro o estar ainda vivo. Se não fora o desejo de o publicar, eu teria seguido, possivelmente, a sua autora, quando a morte ma roubou. Era bem frágil a razão para o meu desespero, para a minha dor de viver, mas eu não tinha outra. Um livro é uma obra humana e tudo quanto era humano me parecia, nesses dias de inenarrável angústia, totalmente inútil para os problemas que me torturaram e digno apenas de fraternal piedade. Parecia-me e -- pobre de mim! -- continua a parecer, muitas vezes ainda. Ela própria me demonstrou, já à beirinha da morte, quanto são frágeis, perante o Enigma, as nossas humanas coisas. Disse-lhe eu que os seus livros, quaisquer que fossem os esforços a fazer, seriam publicados e as minhas palavras não constituíram para Ela consolo algum. Preocupava-a apenas o meu destino, que Ela adivinhava que iria ser, para sempre, de sofrimento, e a referência que eu fizera à sua obra pareceu-lhe até -- li-o nos seus olhos, vi-o na expressão do seu rosto -- motivo pueril para as horas trágicas que se iam esvaindo. Ela fora sempre assim.de passagem - A LÃ E A NEVE (1947)
[do «Pórtico»]Wednesday, June 24, 2009
outras palavras - Roberto Nobre, O FUNDO (1946)
Monday, June 22, 2009
AS MARAVILHAS ARTÍSTICAS DO MUNDO ou A prodigiosa aventura do Homem através da Arte (1959-1963)
[do «Pórtico»]Ferreira de Castro, As Maravilhas Artísticas do Mundo, 3.ª edição, Lisboa, Guimarães & C.ª, s.d.
Sunday, June 21, 2009
de passagem - Assis Esperança, O REBANHO (1922)
Calou-se, e sem arriscar mais um passo em direcção à mesa onde uns seis homens jogavam, ficou-se a olhar um deles, -- perfil adunco, testa duns centímetros d'altura, pele trigueira, pómulos salientes, barba rala a sujar-lhe o rosto, uma sujidade às manchas; os olhos umas vezes a rebrilharem, outras duma fixidez impaciente de fera escondida no matagal em expectativas de festim. E o garoto a recomeçar, agora com rebeliões na voz, resolvendo-se a uns passos vacilantes:Assis Esperança, O Rebanho, Lisboa, Empresa de Publicações «A Hora», 1922, p. 5.
Sete cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre (2)
Esta crítica foi causa próxima de um ensaio de Luís Cardim, publicado também na Seara, durante cinco números, entre 16 de Abril e 24 de Maio desse ano, sob o titulo «É o Hamlet representável?», posteriormente editado em volume, ligeiramente aumentado e com outro título: Os Problemas do «Hamlet» e as suas dificuldades cénicas. (A propósito do filme de Sir Laurence Olivier), Seara Nova, Lisboa, 1949 -- facto que a publicação anuncia em manchete (manchete ao estilo da Seara, claro está...), saudando o autor: «incontestavelmente a nossa primeira autoridade em língua e literatura inglesa, como o Dr. Paulo Quintela o é para a língua e literatura alemã.» (1)Saturday, June 20, 2009
Castro com Sérgio Telles
Friday, June 19, 2009
de passagem - A TEMPESTADE (1940)
Thursday, June 18, 2009
outras palavras - Jaime Brasil, CHALOM!... CHALOM!... -- UMA REPORTAGEM NA PALESTINA (1948)
Wednesday, June 17, 2009
errância - A VOLTA AO MUNDO (1940-1944)
[do «Pórtico»]Sunday, June 14, 2009
Sete cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre (1)
Publicado na Boca do Inferno, n.º 1, Cascais, Câmara Municipal, 1996O texto de Nobre foi publicado na Seara Nova de 26 de Fevereiro de 1949 e constituiu um rasgado elogio da adaptação, enfileirando-a o crítico com A «Fera Amansada», de Fairbanks, «Romeu e Julieta», de Cukor, «Sonho de uma Noite de Verão», de Reinhardt e «Henrique V», do mesmo Olivier. Estas versões, que ele, do ponto de vista da «estética dinâmica», acolhe jubilosamente, haviam-no já levado a observar parecer ter Shakespeare escrito «não para o teatro, mas para o cinema».
A. Lopes de Oliveira, COMO TRABALHAM OS NOSSOS ESCRITORES (1950)
Friday, June 12, 2009
Canções da Vendetta (2)
Wednesday, June 10, 2009
de passagem - SIM, UMA DÚVIDA BASTA (1936 / 1994)
SECRETÁRIO (debruçando-se ligeiramente para a pasta) -- É ainda sobre o caso dos jardins do palácio. V. Ex.ª já o tinha examinado outro dia...
GOVERNADOR -- Sim, sim, recorda-me. (Assina.)
SECRETÁRIO (desdobrando o papel que tem na mão) -- Há três pedidos para audiências.
Ferreira de Castro, Sim, Uma Dúvida Basta, edição de Luiz Francisco Rebello, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1994, p. 20.
Monday, June 08, 2009
castrianas #17 - Álvaro Pina
Comemorar o cinquentenário da publicação do romance A Lã e a Neve*, de Ferreira de Castro, se permite evocar a obra e o autor, também dá azo a dois reconhecimentos culturalmente significativos: por um lado, o de que a escrita de Ferreira de Castro não mobiliza, nestes anos, a atenção dos membros das formações intelectuais ligadas ao cultivo das letras portuguesas e das memórias culturais da nação; por outro, o de que se constituiu, a meu ver hegemonicamente, um modo de lidar com as escritas de dissidência e de oposição cultura de finais dos anos 30 e do decénio de 40 deste século que as priva de relevância e de significado presentes, relegando-as para o limbo dum passado remoto, alheio ao nosso quotidiano, irrelevante para o nosso futuro.Sunday, June 07, 2009
errância - PEQUENOS MUNDOS E VELHAS CIVILIZAÇÕES (1937-38)
Ao longo da vida temos topado muitos homens que fumaram ópio na China, tomaram vodka na Rússia, miraram o Vale dos Reis e subiram aos Andes; nenhum, impenitente vagamundo fosse ele, que nos baforasse a célebre frase: «Corri Seca e Meca e os Vales de Andorra». Nenhum que houvesse desejado ver como aquilo era e por que vivia quase independente, há tantos século já, um país tão minúsculo, quando outros maiores têm sido anexados.castrianas #16 - Urbano Tavares Rodrigues
A obra romanesca de Ferreira de Castro, injustamente esquecida e por vezes denegrida, merece uma atenta revisão, que, na actual conjuntura política (em que o egoísmo prevalece ostensivamente sobre a solidariedade) possa iluminar os valores humanos que o seu realismo social exalta sem demagogia.Urbano Tavres Rodrigues, «O Homem Irmão do Homem -- Ferreira de Castro e o realismo social», Língua e Cultura, n.º 7/8 , Lisboa, Sociedade da Língua Portuguesa, Jan.-Jul. 1998, p. 81.
Saturday, June 06, 2009
... ESTA NECESSIDADE DE PERMANENTE ASSISTÊNCIA AFECTIVA... [A correspondência entre Ferreira de Castro e Roberto Nobre] (2)
Houvesse ou não Assis, o encontro entre ambos teria forçosamente de dar-se, não só pela pequenez do meio lisboeta, como pelo relacionamento, mais ou menos intenso -- como este epistolário demonstra -- de Castro com a colónia de autores algarvios na capital (Dantas à parte, é claro): Bernardo Marques, Carlos Porfírio, Eduardo Frias, José Dias Sancho (tio de Nobre), Julião Quintinha ou Mário Lyster-Franco.Friday, June 05, 2009
de passagem - Assis Esperança, VIVER! (1921)
A estes, é um igual que lhes fala. Se não forem torpes, hão-de escutar-me; se o forem, escarro-lhes na cara, clamando-os, com justiça, os mais imundos de todos os leprosos, os mais carniceiros de todos os chacais, -- sem que lhes contitua defesa a ânsia da felicidade.Assis Esperança, Viver!, Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand, 1921.
Thursday, June 04, 2009
de passagem - TERRA FRIA (1934)
[do «Pórtico»]Tuesday, June 02, 2009
O jovem Ferreira de Castro - CRIMINOSO POR AMBIÇÃO (1916)
Sunday, May 31, 2009
Cartas Inéditas a Ferreira de Castro (1)
Como havíamos prometido na «Apresentação» das 100 Cartas a Ferreira de Castro, voltamos a revelar mais inéditos pertencentes ao espólio do autor de A Selva.Persistimos na correspondência. A epistolografia, género literário ela própria, é também uma fonte importante para a biografia de um autor e melhor conhecimento da mentalidade de uma época. Tem, assim, o grande mérito de aliar à fruição estética de um texto (muitas vezes) literário o acumular de informações veiculadas por um documento.
Cartas Inéditas a Ferreira de Castro [separata], lidas e anotadas por Ricardo António Alves, Vária Escrita, n.º 1, Sintra, Câmara Municipal, 1994, p. 113.
Saturday, May 30, 2009
outras palavras - Jaime Brasil - OS NOVOS ESCRITORES E O MOVIMENTO CHAMADO «NEO-REALISMO» (1945)
Estes anos cruciais da guerra têm sido, paradoxalmente, favoráveis ao desenvolvimento das letras em Portugal. Dizemos paradoxalmente, porque nem o clima interno é propício à floração do talento literário, nem o ambiente exterior é de molde a permitir aos espíritos a calma indispensável à maturação das obras de arte. Deve ser muito forte o estímulo dos jovens escritores portugueses, para os levar a vencer todas as oposições e limitações e a realizar-se, se não plenamente, pelo menos com grande pujança.Jaime Brasil, Os Novos Escritores e o Movimento Chamado «Neo-Realismo», Porto, 1945, p. 3.









