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Sunday, September 19, 2010

Rocha Peixoto, OS PUCAREIROS DE OSSELA (1908)

As aptidões do exilado de Barbeita e dum dos oleiros do Mosteiro -- cujo pai já fora barrista de fama e galardoado na Exposição cerâmica do Palácio de Cristal, em 1882 -- confirmam os vaticínios sobre os progressos formais e decorativos do vasilhame popular, se outro fosse o aprendizado e mais remuneradora a ocupação. Despremiada, porém, como se sabe, e impotente na concorrência com outros artefactos, mesmo a despeito da sua inverosímil barateza, esta olaria regional em breve sucumbirá, restando apenas na geração que passa a reminiscência dos antigos «paneleiros», ou, como mais frequentemente os denominam, dos pucareiros da Ossela.
Rocha Peixoto, «Os pucareiros de Ossela», Etnografia Portuguesa (Obra Etnográfica Completa), edição de Flávio Gonçaves, Lisboa, Publicações Dom Quixote, «Portugal de Perto» #20, 1990.

Monday, July 05, 2010

Rocha Peixoto, OS PUCAREIROS DE OSSELA (1908)

Para as efectuar [as decorações] o oleiro dispõe de várias pintadeiras. E a pintadeira é um cone recto de madeira muito alongado (eixo = 0,1 m; diâmetro da circunferência da base = 0,015 m), com entalhas mais ou menos numerosas e profundas na periferia da base. Tomando o utensílio pelo vértice e fazendo-o correr pela gola ou bojo, realizando, a um tempo, sucessivos movimentos de rotação, assim se imprimem, consoante o modelo ou fantasia do louceiro, as decorações incisas e interrompidas: só gravam, e bem claro, as saliências das entalhas. Os símiles encontram-se na conteira de Prado (Portugalia, I, 238) e num utensílio análogo usado pelo ceramista romano.


Rocha Peixoto, Etnografia Portuguesa, edição de Flávio Gonçalves, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1990, p. 316.

Saturday, January 16, 2010

Rocha Peixoto, OS PUCAREIROS DE OSSELA (1908)

O esquema fundamental das vasilhas é a oval sabida (Id., 77*), maior ou menor, aselhada ou sem anças, predominando as panelas, os cântaros, as caçoilas e, nomeadamente, os púcaros.Ornamentação incisa insignificante ou nula.
* Rocha Peixoto, «Sobrevivência da primitiva roda de oleiro em Portugal», Portugálias, vol. II, fasc. 1.º, Porto, 15 de Julho de 1905.
Rocha Peixoto, Etnografia Portuguesa, edição de Flávio Gonçalves, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1990, p. 315.

Tuesday, October 06, 2009

Rocha Peixoto, OS PUCAREIROS DE OSSELA (1908)

Para fixar a lembrança desta rústica profissão moribunda, uma breve anotação tem seu lugar. Os actuais oleiros empregam dois barros, necessários para a plasticidade e consistência; um buscam-no em Lordelo, freguesia de Vila Chã do Cambra e o outro em Bustelo do Caima, na freguesia de Ossela. Misturados e pisados a maço e em seco numa pia de pedra, peneirados depois e por fim amassados à mão e com a água que baste, está pronta a pasta para ser modelada. A roda, assente e movente sobre o eixo do trabul, é a mesma, em configuração e dimensões, que se encontra nos arredores de Amarante e Baião (Portugalia, II, 75). Com o fanadouro (Id., 76) alisam as superfícies. E uma vez secas as loiças, a cocção efectua-se em covas (Id., 76 e fig. 5), e caruma, e abafando-se a fornada com terra antes de se levantar definitivamente o vasilhame.


Rocha Peixoto, «Os pucareiros de Ossela», Etnografia Portuguesa, organização, prefácio, notas e bibliografia de Flávio Gonçalves, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1990, p. 315.

Monday, August 10, 2009

Rocha Peixoto, OS PUCAREIROS DE OSSELA (1908)

Vão a desaparecer os ceramistas populares da freguesia de Ossela, no concelho de Oliveira de Azeméis e distrito de Aveiro. Do não mui remoto e numeroso grupo de oleiros subsistem apenas dois no lugar do Mosteiro, da freguesia aludida, e outro, de lá destacado, no lugar de Barbeita, freguesia de Castelões e concelho contíguo de Macieira de Cambra. É, pois, uma indústria local que se extingue à míngua de recursos. A exiguidade dos lucros desviou os oleiros para outras ocupações, limitando-se os que sobrevivem a venderem os seus púcaros negros nas feiras, e associando interpoladamente alguma agricultura ao seu descaroável mister.

Rocha Peixoto, «Os pucareiros de Ossela», Etnografia Portuguesa, edição de Flávio Gonçalves, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1990, p.315.