Thursday, April 28, 2016
admirar & amar
Saturday, September 19, 2015
"Escrever com os clássicos"
Thursday, April 02, 2015
Ferreira de Castro nos dicionários (6): Júlio Dinis no Dicionário Universal de Literatura, de Henrique Perdigão
| Dicionário Universal de Literatura |
Thursday, April 04, 2013
Jaime Brasil, anarquista (4)
Tuesday, June 26, 2012
Alexandre Cabral: Camilo, mas também Ferreira de Castro (4)
Sunday, April 08, 2012
Três escritores em tempo de catástrofe: Castro, Zweig e Eliade (4)
Escritor que se fez a si próprio, foi no Brasil que Ferreira de Castro se auto-revelou, no meio adverso de um seringal da Amazónia, entre 1911 e 1914. Será, contudo, em Belém, capital do estado paraense, que vivia ainda sob os efeitos da ressaca de uma rubber-rush -- onde permaneceu até 1919, ano do regresso a Portugal --, que o jovem literato, entretanto trabalhando na imprensa local, editará os seus dois livros iniciais (Criminoso por Ambição e Alma Lusitana, ambos de 1916). Na Biblioteca Pública da cidade, bem fornecida de literatura portuguesa e francesa, Castro tomará contacto, pela primeira vez, na maioria dos casos, com os grandes escritores das duas línguas (2), muitos dos quais permanecerão como referências sua. Falamos, naturalmente, de Zola (1840-1902), mas também de Balzac (1799-1854) e Victor Hugo (1802-1885) ou Camilo (825-1890) e Eça (1845-1900).
(2) Ver Bernard Emery, L'Humanisme Luso-Tropical selon José Maria Ferreira de Castro, Grenoble, Ellug, 1992, pp. 120-121; id., «Ferreira de Castro et la culture française», Miscelânea sobre José Maria Ferreira de Castro, Grenoble, Centre de Recherche et d'Études Lusophones et Intertropicales, 1994, pp. 53-65.
Monday, February 27, 2012
aproximava-se o 1.º Centenário de Camilo Castelo Branco
Sunday, November 28, 2010
Os retratos de Castro por Nobre (3)
Monday, November 01, 2010
Alexandre Cabral: Camilo, mas também Ferreira de Castro (3)
Vária Escrita #6, Sintra, Câmara Municipal, 1999.
Tuesday, September 15, 2009
Alexandre Cabral: Camilo, mas também Ferreira de Castro (2)
O escritor de Contos da Europa e da África afirmou-se como reputado e indispensável especialista na obra de Camilo Castelo Branco ao longo de mais de trinta anos de trabalho. No ensaio, na recolha e na publicação de dispersos e inéditos, no pesquisar rigoroso de historiador, vectores dum labor que teve a mais eloquente culminância no Dicionário de Camilo Castelo Branco (1989), obra que honra a literatura portuguesa, contribuindo para definitivamente para impor (mais do que firmar), junto dum público mais vasto, o nome de Camilo como um dos nossos autores canónicos.Thursday, September 10, 2009
outras palavras - Jaime Brasil, O CASO DE "A INFANTA CAPELISTA" DE CAMILO CASTELO BRANCO (1956)
Tuesday, January 20, 2009
Alexandre Cabral: Camilo, mas também Ferreira de Castro (1)
Wednesday, November 26, 2008
Ferreira de Castro na "Cidade de Lilipute" (1)
Apresentação do capítulo sobre a China de A Volta ao Mundo, publicado em Macau pela Câmara Municipal das Ilhas, Taipa, 1998 -- ano do centenário do nascimento do escritor. (Existe edição em cantonês, com tradução de Chau Heng Chon) Wednesday, December 19, 2007
Ferreira de Castro e o seu tempo - o ano de 1898 (#1)
O método de postagem será fragmentário e não-linear, o que significa que não haverá um grande respeito cronológico...
Para futura orientação, recomendo a consulta dos marcadores, no final de cada post.
Castro - 24/V - Nasce nos Salgueiros, freguesia de Ossela, concelho de Oliveira de Azeméis, distrito de Aveiro. Filho de José Eustáquio Ferreira de Castro e Maria Rosa Soares de Castro, camponeses, caseiros da família Gomes Barbosa.
Texto - Abel Botelho, Mulheres da Beira e O Livro de Alda.
Confronto - Joseph Conrad, Histórias Inquietas e O Negro do Narciso.Contexto - 9/II - Concessão de Hong Kong aos ingleses, por 99 anos.
A baía de Hong Kong (1939).
Foto FCastro/Elena Muriel, in A Volta ao Mundo, Lisboa Empresa Nacional de Publicidade, 1939
Castro sobre Hong Kong - Antes mesmo de pisar terra, quem arriba surpreende, no porto, espectáculo bem oriental. No meio dos navios fundeados há uma incontável multidão de juncos [...]. Cerca de 100 000 chineses vivem, permanentemente, com as mulheres e os filhos, nestas embarcações. [...] No estreito convés realizam todos os actos da vida doméstica. [...] não falta, sequer, um galinheiro à popa. [...] Rechonchudas crianças, de dois ou três anos, andam tranquilamente no rebordo dos barcos, ali onde qualquer de nós teria de fazer, para não cair, equilíbrios de homem em corda bamba. As mães destes pequeninos chineses usam calças e exibem o tronco em plena nudez, as tetas caídas e queimadas pelo sol. Como as de terra, estas mulheres a tudo se sacrificam, resignadamente. Elas acorrem a todas as necessidades da meia dúzia de tábuas oscilantes que o destino lhes deu para patíbulo da sua vida e, quando pretendem deslocar-se, agarram-se às extremidades dos enormes remos e remam que nem antigos escravos de galera. / Atrás desta população boiante ergue-se a famosa Hong Kong, também Cidade da Vitória chamada. Três ruas compridíssimas, apenas três ruas, ligadas por outras transversais, a constituem. Majestosos edifícios ocupam a primeira parte destas grandes artérias. É o mundo dos negócios, onde imperam ingleses e americanos. Bancos, companhias de navegação, outras empresas, dão a este trecho da cidade o mesmo pesado orgulho dos bairros comerciais de Londres. Tudo se apresenta com modernidade e soberbia. [...] Mas, em breve, as três longas ruas perdem a sua feição ocidental e se metamorfoseiam em rumoroso e pitoresco bairro chino. É já outro comércio, um comércio miúdo de comestíveis, de sedas e de obras de arte. A Volta ao Mundo, vol. III, s.ed., Lisboa, Guimarães & C.ª, s.d., pp. 62-63.
Pintura de 1898 - Arnold Böcklin, A Praga
Castro sobre Böcklin - Agradar parecia ser o único objectivo da sua arte e isso proporcionou-lhe um êxito fácil. As Maravilhas Artísticas do Mundo, vol. III, s.ed., Lisboa, Guimarães & C.ª-Editores,1971, p. 328.
Museu de Belas-Artes, Basileia
Poesia de 1898 - Ó árvores, irmãs de todos nós, um dia / Há-de esta alma reunir-se à vossa alma dormente... Júlio Brandão, «Árvores»,
Música de 1898 - Grieg, Danças Sinfónicas.
Escritores de 1898 - José Dias Sancho, ficcionista, poeta, polemista, desenhador e jornalista, em São Brás de Alportel (m. Faro, 1929); Federico García Lorca, poeta e dramaturgo, 5/VI (19/VIII/1936). Morrem em 1898 - Joaquim da Costa Cascais, dramaturgo, em Lisboa, 7/III, Lisboa (n. Aveiro, 29/X/1815); Stéphane Mallarmé , em 9/IX (n. 18/III/1842).
Ecos de 1898 - Lisboa, 24/V.
Eça de Queirós a sua mulher, Emília de Castro, dando conta de exigência da Revista Moderna: «depois de me ter dado tempo largo para enviar Ramires, agora o exige à pressa e à lufa-lufa.» Correspondência, vol. II, leitura, coordenação, prefácio e notas de Guilherme de Castilho, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1983, p. 451.
Castro sobre Eça - (comparando com Fialho) - Eça era tapete de milionário, Fialho tapete de burocrata. Eça era fino e subtil como um tapete da Pérsia, Fialho duro e grosseiro: -- daqueles «Faz favor de limpar os pés». Mas... A ironia é a arma do fraco contra o Forte. Do vencido contra o Vencedor. [...] O eterno sorriso dos irónicos é o eterno desejar dos despeitados. «Pedras ao poço», Mas..., Lisboa, edição do Autor, 1921, p. 18; Ao lermos Eça, temos a sensação de que a sua secretária estava erguida sobre uma cidade que se relacionava já com o mundo pela T.S.F. A secretária de Fialho, ao contrário, estava situada numa aldeia. «Regionalismo e internacionalismo - Resposta a José Dias Sancho», A Batalha, n.º 98, 12/X/1925. - (comparando com Camilo) - [...] por temperamento, escola literária, orientação de cultura e até pela vida, tão diversa, que cada um levou, Eça compreendia o homem muito melhor do que Camilo. Este via, quase sempre, as suas personagens unilateralmente, pelo amor, pelo ódio, pelo sarcasmo, pelo bem ou pelo mal. Preocupava-se, acima de tudo, com o ruído do relógio, ao passo que Eça gostava de desmontar o relógio peça por peça. De certa maneira, para Camilo, cada personagem representava um sentimento, para Eça representava todos ou quase todos os sentimentos. Camilo aliava ao seu grande talento uma forte cultura sobre a vida nacional, inclusive sobre genealogia, coisa completamente inútil para um romancista que não escreva romances históricos. Parece, porém, que nunca se preocupou de modo profundo com a filosofia. Eça, pelo contrário, captara as inquietudes filosóficas do século XIX e as suas experiências psicológicas, valores perante os quais Camilo reagia, muitas vezes, pelo desdém. Daí os habitantes da obra de Eça serem mais ricos de conteúdo, mais variados, mais verdadeiros psicologicamente, mesmo quando o romancista os deformou com demasiados traços caricaturais... «Ferreira de Castro -- o mais universal dos romancistas portugueses -- fala da universalidade de Eça de Queirós» [entrevista a Jaime Brasil], O Primeiro de Janeiro, «Das Artes e das Letras», 1/11/1944.
actualizações: 19, 20,21/X/2007










































































