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Tuesday, June 02, 2020

quando o homem sai, a natureza avança

«No Inverno, quando os zagais se retiravam das soledades alpestres, os lobos desciam também e vinham rondar, famintos, a porta fechada do homem.»


do «Pórtico» de A Lã e a Neve (1947; 15.ª ed. 1990)


Wednesday, July 25, 2018

Tuesday, September 12, 2017

A LÃ E A NEVE -- RELEITURAS, TRAVESSIAS, METAMORFOSES


Actas do Colóquio, Covilhã, Universidade da Beira Interior, 2017

Thursday, October 13, 2016

Colóquio A LÃ E A NEVE - UBI


«A recepção de A Lã e a Neve - de 1947 à actualidade», título da minha comunicação
neste colóquio organizado pela UBI.

Friday, January 15, 2016

«Sob as velhas árvores românticas»: do significado de Sintra para Ferreira de Castro (6)

Também os estudos universitários em diferentes âmbitos, como o são o da linguística e o da ecocrítica, relevam este factor específico do apego à Natureza como algo central na obra castriana. Assim, Isabel Roboredo Seara, a propósito de A Lã e a Neve (1947) – uma das suas obras-primas –, refere-se
ao modo «habilíssim[o]» operado pelo estilo literário de Ferreira de Castro, reflectindo, não apenas uma estética, mas também uma singular mundividência: «A fusão do mundo físico com o mundo moral, a matéria inerte que ganha constantemente vida emotiva, o cromatismo singular da natureza, determinam indefectivelmente um estilo idiossincrático.» (in Isabel Roboredo Seara, «A Lã e a Neve – Virtualidade e originalidade dos enunciados metafóricos», Língua e Cultura #7-8, Lisboa, Sociedade da Língua Portuguesa, Jan.-Jun. 1998: 130); e com enfoque em Terra Fria (1934), porém alargando à
restante obra, Ana Cristina Carvalho sustenta que aquela foi, e é, portadora de «um inequívoco discurso ecológico». [in Ana Cristina Carvalho, «Ecologia Humana no Romance Terra Fria, de Ferreira de Castro», A Ecocrítica no Brasil, João Pessoa, Universidade de Paraíba, 2013 (no prelo)].

(artigo completo)


Thursday, September 24, 2015

«A LÃ E A NEVE, de Ferreira de Castro: a História escreve-se no presente»

Será o tema da minha comunicação no Museu Ferreira de Castro (25, sexta, pelas 18 horas -- estão todos convidados), no âmbito das Jornadas Europeias do Património, este ano dedicado ao Património Industrial.

Wednesday, June 10, 2015

Chego do café

... jornais e revista debaixo do braço. Em comum, todos falam do Ferreira de Castro. O Jl, de ontem, como ontem já escrevi, o texto de Ana Margarida de Carvalho sobre A Selva. Também a Ler  de Março, que ainda não acabara, com a resposta de Manuel da Silva Ramos a uma pergunta que eu lhe fizera em Sintra, sobre algo relacionado com A Lã e a Neve e a sua Covilhã. Finalmente, no último número de A Batalha, (n.º 264, Mar.-Abr. 2015) herdeira da histórica publicação da desaparecida CGT, o repescar de um artigo de Ferreira de castro, de 1925, sobre Eduardo Metzner, a propósito de um livro recente de Gabriel Rui Silva, Eduardo Metzner -- Vida e Obra de um Sem-Abrigo (Licorne, 1914), com recensão de António Cândido Franco. Tudo pode ser visto aqui  Nada má, a jornada castriana.

Thursday, May 14, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (26) - o Pequeno Dicionário de Autores de Língua Portuguesa


PEQUENO DICIONÁRIO DE AUTORES DE LÍNGUA PORTUGUESADa autoria de Fernanda Frazão e Maria Helena Boavida, o PDALP é uma edição dos Amigos do Livro, Lisboa, 1983. Não sendo perfeito, não há dicionários perfeitos, é melhor e mais completo do que alguns de maior projecção. Eu próprio, aliás, desconhecia-o até há pouco.
Uma boa entrada sobre Ferreira de Castro, com pequenas falhas (onde não as há?).
Referindo-se à obra «fortemente inovadora e pessoal» do autor, salienta Emigrantes e A Selva, «consagra[grando-o] como intérprete dum populismo visceral que só viria a encontrar eco na geração seguinte e que nele é visão cósmica, evocação daquilo que no homem é instinto puro animal mas também identificação com o desafio às eternas forças primordiais. da natureza.» A partir de A Lã e a Neve, segundo as autoras, os seus romances «reflectem um domínio, entre nós inigualado na montagem da ficção[..]».

Tuesday, April 07, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (11) - a Verbo Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura

Ao contrário da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, com vária colaboração republicana e oposicionista, a "Luso-Brasileira" da Verbo tem uma orientação vinculada à Igreja Católica, nomeadamente a Companhia de Jesus, pontificando os padres Manuel Antunes e João Mendes, mas também Vitorino Nemésio, entre outros.
Uma obra como a de Ferreira de Castro, de feição anarquista, ateia e, mitigadamente, embora, anticlerical, não podia ser entusiasticamente acolhida por aqueles lados.
O verbete é de F. Jasmins Pereira (vol. 4, 1966), autor, aliás, de um ensaio não despiciendo: Ferreira de Castro e a sua Obra (1956). É pena, porém, deixar-se condicionar pelo preconceito ideológico, de sentido contrário, de resto, ao que aponta a Ferreira de Castro.
Para Pereira, a pecha do nosso autor é um alegado "encerramento do seu universo romanesco a qualquer horizonte espiritual", restringindo essa espiritualidade à prática e crença religiosas, como se não houvesse metafísica, inquietação, mundo interior e transcendência fora da religião e da Igreja Católica em particular... É, por isso, muito crítico de livros como A Curva da Estrada  ou A Missão, por razões óbvias; apreciando, clara e curiosamente, romances subversivos como A Lã e a Neve ou A Experiência.
Em face de outras entradas que li nesta enciclopédia, esta até poderia ser uma das melhores. Foi pena.
Uma nota para a síntese excelente sobre Aquilino, de Taborda de Vasconcelos, os verbetes muito equilibrados de José Alves Pires  (Faculdade de Filosofia de Braga) sobre Manuel Ribeiro, José Rodrigues Miguéis, Alves Redol e Fernando Namora, e ao remoque não assinado no texto brevíssimo sobre Maria Archer (vol. 2), a propósito do "feminismo pretensamente evoluído" da autora.
Ao contrário do que sucede com a GEPB, esta não exibe qualquer retrato dos escritores referidos, com excepção de Júlio Dinis.

Tuesday, January 13, 2015

Manuel da Silva Ramos fala sobre A LÃ E A NEVE

«Ler Ferreira de Castro, 40 anos depois». No MU.SA -- Museu das Artes de Sintra, sexta-feira, 16 de Janeiro, pelas 19 horas.
informações: museu.fcastro@cm-sintra.pt;
tel.: 219238828


Monday, September 09, 2013

A LÃ E A NEVE, na Festa do "Avante!"

Foto enviada pelo meu amigo Manuel Nunes
do «Pórtico» de A Lã e a Neve para os pavilhões de Castelo Branco e Guarda
ne Festa do "Avante!" deste ano

Monday, June 10, 2013

Preconceito e orgulho em "A Tempestade" de Ferreira de Castro (3)

A Tempestade participa dessa impotência do criador em face dos obstáculos inultrapassáveis levantados à criação artística. Não será, aliás, por acaso que um romance como A Lã e a Neve, de 1947, que tem nas greves dos operários têxteis da Covilhã como pano de fundo, vê a luz do dia precisamente nesse período de relativa distensão do controlo repressivo ocorrido entre as campanhas do MUD e a candidatura de Norton de Matos -- movimentos em que, de resto, Castro teve uma acção relevante de denúncia do estado policial a que estava sujeita a sociedade portuguesa.

Nova Síntese -- Textos e Contextos do Neo-Realismo #2/3, Vila Franca de Xira, 2007-2008. 

Saturday, March 30, 2013

Uma referência de Orlando Ribeiro a A LÃ E A NEVE

imagem daqui
Orlando Ribeiro, todos o sabemos, foi o grande geógrafo português do século passado. O seu opus magnum -- ou, pelo menos, o que maior difusão teve, projectando o seu nome junto de um público mais vasto -- é Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico (1945). 
Nesta notável monografia, escrita também com mão de mestre -- e sem contar com a epígrafe inaugural, Miguel Torga e o poema «Mensagem» -- uma única referência literária ao longo das pouco menos de 200 páginas (em corpo pequeno) é A Lã e a Neve, referência obviamente inclusa em posterior edição já que esta obra-prima de Ferreira de Castro foi publicada em 1947:

«Aí [Covilhã] se localizam ainda as fábricas de lanifícios, quase todas que fazem fio, tecidos e tinturaria, acompanhando os processos do fabrico. Temos aqui um curioso exemplo da inércia na localização industrial. A matéria-prima vem das feiras do Alentejo e da importação da Austrália e da África do Sul, sendo cada vez maior o emprego de fibras sintéticas; a energia não é mais fornecida pelas torrentes da montanha; persistem apenas a acumulação de capitais (em algumas famílias de origem judaica), a tradição da mão-de-obra (ver o excelente romance de Ferreira de Castro, A Lã e a Neve) e uma mentalidade industrial progressiva, pois que vários jovens se especializaram em escolas estrangeiras.»

Orlando Ribeiro, Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico (1945), 7.ª ed., Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1998, p. 149.

Saturday, March 09, 2013

incidentais #17 - campo e cidade, sonho e realidade

[do cap. I de A Lã e a Neve, 1947]

* Incipit: «Logo que as cabras e as ovelhas entestaram à corte, o «Piloto» deu por findo o seu trabalho.»

* Regressado do serviço militar, cumprido no CIAAC de Cascais, Horácio, pastor de Manteigas, é farejado, encontrado, saudado e requestado pelo velho companheiro, que o surpreende com Idalina. Só para o cão ele não mudou; para a noiva e para os pais, há algo de diferente: abertos os olhos noutras paragens, a pobreza da existência torna-se-lhe inaceitável. Mudar de vida, mudar a vida, deixar o pastoreio nas faldas da serra e empregar-se na fábrica, mesmo que em Manteigas, ou, quem sabe, na Covilhã, surge para o protagonista do romance como a única oportunidade de alguma vez levantar a cabeça, de fugir da mísera mesquinhez que preenche os dias dos pais e dos outros como eles.

* A cidade como factor de mudança. Não há, nem poderia haver, um bucolismo palerma que se conformasse com a vida rudimentar aldeã. E Castro sabe-o como ninguém, pois foi dela que saiu, aos 12 anos incompletos -- para algo ainda mais opressivo. Mas, para que não haja confusões, o escritor não rejeita o campo -- pelo contrário --, senão a pobreza que lhe subjaz no Portugal dos anos quarenta.

* A cidade é também factor de estranhamento: quem de lá vem, mudou; quem ficou, sente a mudança, sem que sinta, por sua vez, a imobilidade da vida que leva. Tal será sempre um factor de tensão.

 * Aos planos do pastor atravessa-se um compromisso financeiro, um empréstimo tomado pelos pais ao antigo patrão, na sua ausência, por motivos de força maior, sendo o trabalho de Horácio o garante da  liquidação, haja ou não -- presume,-se nesta fase do romance -- trabalho nos lanifícios.

* Problemática muito castriana, a dicotomia entre sonho e realidade, o homem aprisionado ao atavismo cultural, aos compromissos que se tomam; e, como sempre, alguém de mais teres & haveres ou uma convenção social, ou ambos, exercem pressão sobre quem pouco ou nada tem.

* Temos, para já, um problema posto, que irá complexificar-se à medida que a narrativa avança. E que narrativa! -- um dos grandes romances do século XX português e uma das obras maiores de Ferreira de Castro, significativamente o seu segundo livro mais traduzido, à frente do celebrado Emigrantes e atrás, naturalmente, de A Selva.

* Mais uma nota para a mestria do estilo, para o cuidado trabalho sobre a linguagem. Eis as casas pobres de Manteigas no limiar da noite:

     «Tinham começado a descer a congosta. Era uma rua estreitíssima, que cheirava a burros, a porcos e a fumo de ramos verdes. Dela partiam outras tortuosas vielas, que terminavam em pátios ou dobravam em cotovelos, cruzando-se, avançando para sombrios recantos, numa sugestão de labirinto. As casas, negregosas, velhentas, colavam-se umas às outras, com a parte inferior de granito escurecido pelo tempo e a parte cimeira com folhas de zinco enferrujadas a revestirem as paredes de taipa, mais baratas do que as de pedra. Este e aquele casebre exibiam apodrecidas varandas de madeira e outros, mais raros, umas escadas exteriores, coroadas por um patamarzito quadrado, logradoiro do mulheredo nas horas de paleio com as vizinhas. Algumas das portas e janelas estavam abertas e, atrás delas, pairava a rúbida claridade do fogo que, lá dentro, cozinhava a ceia. Figuras de homens, mulheres e crianças, as suas caras tocadas pelo fulgor do lume, andavam no acanhado espaço doméstico, cirandavam numa confusão de movimentos humanos e de trapos dependurados.»

Friday, February 22, 2013

incidentais #16 -- natureza austera e fragilidades humanas, ou remos para que te quero

*incipit: «Com os remos a chapejarem surdamente, cautelosos como os dos ladrões, nas proas um ruído fino, menor ainda que o dos botos cortando a tona da água, as canoas meteram a terra.»

*O romance começa com uma acção furtiva e nocturna, em elemento aquático, de um grupo de homens, não sabemos ainda quem. A referência a um boto, situa-nos na Amazónia; um pouco mais à frente,  identifica-se o Maici-Mirim, Um único nome, Amaro, que os dirige. Tudo o que tem de ser feito realiza-se apressadamente e com o menor ruído possível, mesmo que se trate de abrir uma clareira. E se falamos em Amazónia, por pequena que aquela seja, há-de custar limpar uma área onde a vegetação é densa -- como já havíamos aprendido no outro livro do autor, publicado havia 38 anos, A Selva; e ainda hoje -- agora mesmo --, podemos aferir em imagens de satélite.

* As árvores como elementos natural de grande nobreza, recorrente na obra castriana; as figuras de estilo, «a fusão do mundo físico com o mundo moral», como certeiramente viu Isabel Roboredo Seara, a propósito de A Lã e a Neve, surgem desde logo, em todo o esplendor:
«O machado voltou a insistir. O tronco foi-se inclinando, estalando pouco a pouco, ainda hesitante em obedecer ao desígnio dos seus algozes. E quando, enfim, se decidiu, os galhos dos vizinhos, a que se amparava e com brutalidade ia partindo, lançaram protestos mais ruidosos e aflitos do que ele próprio, que a esse apoio forçado ficou devendo poder morrer abafadamente, como se tivesse rolado de degrau em degrau, até à cova.»
«Dir-se-ia que as próprias árvores tinham abandonado o ar austero e imóvel, essa enigmática expectativa com que haviam recebido, pouco antes, aquele bando de demónios, que tudo assarapantava em seu redor.»

* A debandada quase ao raiar da aurora, a verdadeira fuga a que o grupo se entrega, um pavor gelado, umas asas nos pés, um turbo nos remos que ainda não existia -- e nos remos não existirá --, indicia um perigo iminente. Perigo esse que nos é dado pelo frenesim dos perpetradores de algo que ainda não sabemos bem o que é (um acampamento?), como pelos sons que surgem com a primeira luz, arrepiando esses audaciosos mas timoratos indivíduos que derrubam árvores em floresta alheia:
«De súbito, assustando a paz da manhã em desenvolvimento, revoaram até elas brados de guerra, estridentes e selváticos, através dos quais a morte parecia tomar, antecipadamente, uma voz de frenética alegria; brados de triunfo, alternando com gritos de dor, tão agudos, tão desesperados, como jamais os enormes troncos, nem mesmo os mais velhos, tinham ouvido naquelas solidões do Mundo.»