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Wednesday, July 22, 2020

na morte de Luís Garcia e Silva

Uma grande figura do anarquismo em Portugal, nas últimas décadas, esteio, com a sua companheira Elisa Areias, do jornal A Batalha, antigo órgão da CGT, publicado pelo Centro de Estudos Libertários, e também da medicina portuguesa, na sua área de especialidade a Dermatologia, cujos serviços chefiou no Hospital de Santa Maria, tendo ainda obra publicada sobre o tema. Tão grande foi a sua importância na preservação da chama da ideia libertária em tempos recentes, quão discreto, afável e ponderado era nas atitudes e relacionamento pessoal.
Sobre Ferreira de Castro, reuniu e anotou a coluna que este manteve em A Batalha, intitulada «Ecos da Semana -- A Arte, a Vida e a Sociedade», mas também, de Jaime Brasil, Sobre Jornalismo, igualmente com Elisa Areias, A Voz que Clama no Deserto ou ainda o colectivo Contra as Touradas. Deve-se-lhe ainda o resgate de um texto longínquo de Camus sobre A Selva, de 1938, publicado na Castriana #4, em 2009.
Ver aqui e aqui.



Monday, April 27, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (17) - o Dicionário Cronológico de Autores Portugueses

Publicado em seis volumes (1985-2001), nas Publicações Europa-América, dirigido por Eugénio Lisboa (vols. I-III) e Ilídio Rocha (IV-VI). Os verbetes não estão assinados, surgindo a lista dos colaboradores surge no início de cada tomo.
O texto sobre Ferreira de Castro (vol. III, 1994) está bem feito, de forma concisa e com informação relevante (um ou outro erro ou omissão, nomeadamente no que respeita a datas bibliográficas, não põem em causa o bom trabalho de conjunto.)
Quanto à análise da obra, o teor é geralmente assertivo e acertado. Referência ao "marco" que constituiu Emigrantes, com citação de Jaime Brasil, às muitas traduções, principalmente de A Selva, e ao seu cariz de autor "viageiro". Alusão às "reservas" quanto ao estilo, compensadas pelo valor global da obra, referida como "uma das mais importantes" do século XX português, terminando com considerações sobre o lugar que ela ocupa(rá) no património literário.

Wednesday, December 17, 2014

castrianas - Joaquim Manso

Joaquim Manso
retratado por Guilherme Filipe
Museu J. Manso, Nazaré
«Pintura sóbria, verdadeira...» titula um magnífico texto de Joaquim Manso sobre A Selva, recolhido por Jaime Brasil, em 1931, e previamente publicado no mítico e inultrapassado Diário de Lisboa, jornal que fundou e dirigiu durante décadas.
Manso começa por estabelecer um fio condutor a partir do romance anterior, Emigrantes, relevando «a mesma esteira de atribuir voz e eloquência às coisas mudas, sujeitas a cadeias milenares». Segue-se a exposição dos dois eixos sobre que assenta a narrativa: o aspecto social dos seringueiros, desterrados e explorados na extracção do látex na brenha amazónica, e a massa vegetal onde ela decorre, matéria-prima que lhe subjaz do princípio ao fim.
E, finalmente, expõe o estilo e a capacidade descritiva do autor («soube conciliar o inconciliável»), pela forma como arrostou com as dificuldades literárias e estéticas que o assunto implicava:
«Não há aspecto, ruído, palpitação, cambiante, grito ou rugido, labareda ou incêndio, fragor ou deslizar de sombras que ele não haja surpreendido, na sua ardorosa gestação ou revelação.»

Joaquim Manso, «Pintura sóbria, verdadeirta...», Ferreira de Castro e a Sua Obra, edição de Jaime Brasil, Porto, Livraria Civilização, 1931.

Sunday, May 05, 2013

Chegar a Jaime Brasil através de Ferreira de Castro (3)

Mas foi através de Ferreira de Castro que cheguei verdadeiramente a Jaime Brasil. Com o magnífico romancista de A Selva, partilhou ele várias afinidades. Desde logo, profissionais. Oficial do exército na reserva até à sua expulsão na década de 40, entrara para a redacção de O Século em 1921. No mundo dos jornais se encontrou com Castro: nas páginas do diário anarco-sindicalista A Batalha, na direcção do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa, presidido por aquele e dissolvido pouco depois do golpe militar de 28 de Maio de 1926, e n'O Século, quando o futuro autor de Emigrantes abandona a frágil condição de freelancer. Brasil será despedido, por razões políticas, em 1936; Castro havia já abandonado o diário dois anos antes, passando a viver dos livros, das traduções e colaborações para jornais brasileiros, pois recusara-se a voltar a escrever na imprensa portuguesa enquanto a Censura vigorasse.

O Primeiro de Janeiro, «Das Artes e das Letras», Porto, 19 de Novembro de 2007.

Thursday, April 04, 2013

Jaime Brasil, anarquista (4)

Polemista destemido e truculento, travou-se de razões ao longo da carreira plumitiva com várias figuras -- de Raul Proença a Agustina Bessa Luís --, oscilando entre a cortesia sem servilismo e a grosseria quase obscena, por vezes com acentos muito camilianos...

Afinidades #2-II série, Porto, 2005.

Saturday, March 23, 2013

Da correspondência com Ferreira de Castro (3)

     No caso particular deste epistolário, reflectem-se as grandes tensões vividas no período por ele abrangido. A II Guerra Mundial e a ocupação de Paris, onde se encontrava Jaime Brasil; a Guerra Fria; o prenúncio do fim do Império. Em Portugal, o Estado Novo, as prisões e a censura; as dissensões do(s) anarquista(s) com os comunistas, por um lado e os republicanos, por outro, também as vemos aqui espelhadas; e na disputa cultural, a questão do neo-realismo surge igualmente de forma clara. Do ponto de vista literário, é deveras substancial a quantidade de informações que as cartas nos trazem; o mesmo se passando com a personalidade deste autor que se distinguiu como biógrafo do seu interlocutor, logo em 1931 -- polemista, jornalista e libertário, aspectos que referimos com um pouco mais de pormenor no estudo que posfacia esta edição.

Jaime Brasil, Cartas a Ferreira de Castro, apresentação, transcrição notas e posfácio de Ricardo António Alves, Sintra, Câmara municipal / Museu Ferreira de Castro e Instituto Português de Museus, 2006.

Wednesday, January 23, 2013

do jornalismo operário

Na recensão ao fac-simile publicado pela Câmara Municipal de Beja, em 2012, de A Felicidade de Todos os Seres na Sociedade Futura, de Gonçalves Correia, escreve António Cândido Franco, no último número de A Batalha:
«O jornalismo operário português da primeira metade do século XX deu um grande romancista de dimensão mundial, Ferreira de Castro, autor de A Selva (1930), o escritor português mais traduzido no mundo em meados do século XX; esse mesmo jornalismo produziu ainda escritores de excelente cepa, como Manuel Ribeiro, Assis Esperança, Julião Quintinha, Mário Domingues ou Jaime Brasil, e publicistas combativos e letrados como Alexandre Vieira, Neno Vasco, Campos Lima ou Cristiano Lima. Gonçalves Correia, pela habilidade e pela pureza da linguagem, pela ginástica da frase e pelo quilate das imagens, bem merece ser engastado como estrela de primeira grandeza nesta brilhante plêiade de escritores -- quase todos autodidactas como Correia.»

A Batalha, VI série, #252, Lisboa, Nov.-Dez. 2012.

Thursday, January 17, 2013

incidentais # 15 -- revoluções, chuva, mais remoques de ontem & de hoje

(sobre o capítulo I de O Intervalo)

*incipit: «As derradeiras notícias tivemo-las às dez da manhã.»

* Uma homenagem (já por 1936) às gerações de anarquistas, anarco-sindicalistas e sindicalistas revolucionárias, a que ele pertenceu, e que atravessariam uma noite ainda mais cruel, porque mais solitária. (1)  A acção decorre no período da Ditadura Militar e da II República espanhola.


*Alexandre Novais, "o Século XX", operário (torneiro-mecânico), antigo secretário da CGT, marcado pela policia; também alter ego de Ferreira de Castro, como já escrevi. Para já, em primeiro capítulo, uma coincidência de idades e uma viuvez partilhada (em circunstâncias diferentes, embora).

*Fiasco grevista, unidade na acção entre anarco-sindicalistas e comunistas (o que historicamente sucedeu, todavia com desentendimentos graves) («Mas os políticos é que me estão cá atravessados! Eu bem dizia que isto de políticos não dava nada!...», vocifera o militante Francisco Soares, pela "traição" dos políticos e contra o sai-não-sai dos militares -- militares, que levaram 48 anos a fingir que saíam dos quartéis...

*No rescaldo da derrota, Novais e alguns companheiros estão refugiados na habitação do companheiro Francisco Soares  um ambiente opressivo num tugúrio operário -- descrito com a segurança de meia dúzia de pinceladas (como se está longe da exasperante minúcia naturalista das habitações dos bairros operários, à Abel Botelho...).

* O cinzento do céu, a chuva miudinha que dá cabo dos nervos perpassa por todo o capítulo, acentuando a angústia do momento de incerteza por que passam aqueles insurrectos: «[...] a chuvinha persistia, escurecendo o dia, agarrando-se aos sentimentos, tornando tudo viscoso.» /
«Até admiti ser devido à chuva, sobretudo à opressora luz soturna que ela criava à nossa volta, o aumento da minha turbação cada vez mais expectante.» ("Toda a natureza é escrava da luz", dirá ele numa entrevista a Álvaro Salema, em 1973...)

* Procurado pela polícia como um dos principais dirigente grevistas, é impedido por um companheiro de, em desespero, dirigir-se à morgue, onde jaz Maria, sua companheira, atingida pela polícia: «Tu não te pertences!», dizia-lhe Leontino, pequeno funcionário público:  e o protagonista, que assume em O Intervalo o papel de narrador, examina-se intimamente: «Não nos pertencíamos a nós, mas ao nosso ideal, aos espoliados, à Humanidade que sofria, à criação dum mundo novo, onde a justiça estivesse de pé, a colmeia vivesse em igualdade e o amor aplainasse a obra feita, durante um ror de séculos, por um construtor de abismos.»

* O Intervalo esteve para intitular-se  -- revelou Jaime Brasil nos anos quarenta-- «Luta de Classes», e ainda bem que não vingou, não faria jus à grandeza literária do autor. Mas eu percebo Brasil: anarquista escaldado e de couraça dura, queria mostrar aos polícias que teorizavam o neo-realismo que não haviam sido eles a descobrir a pólvora. Conhecendo bem o seu esquema mental, deveria estar avisado sobre a forma como encaravam a História e a verdade dos factos: simples pormenores que se apagam ou manipulam conforme as conveniências da acção...

(1) Nem de propósito, acabo de ler:
«O anarquismo foi objecto duma implacável repressão nas primeiras décvadas do séc. XX. Ao longo dos anos 20 e 30, milhares de anarquistas ou de supostos tais foram presos, deportados para sítios inóspitos, morto. Essa repressão fez-se com pretextos diversos -- vagas de atentados da legião vermelha e até da camioneta fantasma, o 3 de Fevereiro no Porto e em Lisboa, a revolta da Madeira, o encerramento dos sindicatos livres e o 18 de Janeiro de 1934, o atentado a Salazar, etc. / [...] / Evidentemente que isso não poderia deixar de ter fortes reflexos na actividade anarquista que ficou reduzida à sua expressão mínima, com um Comité Confederal clandestino que só muito esporadicamente reunia, e sem capacidade para publicar de forma continuada e regular jornais de propaganda.»  José Hipólito dos Santos, «A participação de libertários em movimentos para derrubar a ditadura salazarista», A Batalha # 252, Lisboa, Nov.-Dez. 2012, p. 3.

Tuesday, October 23, 2012

castrianas - Alberto Viviani

Alberto Viviani (1894-1970), amigo e confrade de Marinetti, colaborador da Civilização de Ferreira de Castro, destaca no Il Popolo Toscano a magnitude de A Selva (que viria a conhecer tradução italiana em 1934): 
«Ciò che v'è di nuovo, di formidabile e di originale nel romanzo di Ferreira de Castro [...] è l'ambiente. La descrizione dell'Amazonia, slabordisce e meraviglia. L'evocazione della selva verde nera con il suo oscuro sortilegio, il suoi terrori extra umani, con la sua esuberanza di vita che determina il «delirio de la Natura, schiaccia ed annulla la natura umana.»
E o estilo seguro aliado à riqueza lexical e o conhecimento de dentro que servem o romance: 
«Il poema della floresta amazonica è tracciato da questo giovanni scrittore con mano veramente maestra: sicurezza nella vizione interiore, certezza nella vivisezione. [...] // Ferreira de Castro è ormai padronne duma orchestrazione verbale ricca di accordi nuovi, illuminata di strani ritmi da poter ricostruire per noi profani il linguaggio della foresta.»

Recolhido por Jaime Brasil em Ferreira de Castro e a Sua Obra, Porto, Livraria Civilização, 1931.
caricatura: Umberto Onorato

Wednesday, May 23, 2012

AS «NOTAS BIOGRÁFICAS E BIBLIOGRÁFICAS», de Jaime Brasil (1931) (6)


Como já referi noutro local, Castro, que rejeitou sempre convites apara aderir a qualquer partido, e cuja acção oposicionista durante o salazarismo se exerceu sempre num contexto unitário (MUD, Norton de Matos), atitude que decorre do seu libertário apoliticismo, esteve, quando necessário, na linha da frente dos órgãos representativos da sua classe: Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa (SPIL, anos vinte), PEN Club Português (anos trinta) e Sociedade Portuguesa de Escritores (SPE, anos sessenta). E neste particular, Brasil revela que quando o 28 de Maio de 1926 encontra Castro a presidir ao SPIL, o escritor organiza um protesto «contra a violência da censura prévia à imprensa» (p. 32), respondendo o governo com o encerramento do sindicato.

Nota (8/VI/2012): desapareceu-me o resto do texto dos "rascunhos". Devo tê-lo eliminado, inadvertidamente... Retomá-lo-ei, se e quando tiver paciência.

Tuesday, April 17, 2012

As «Notas Biográficas e Bibliográficas» de Jaime Brasil (1931) (5)

Mas é a comunhão ideológica entre dois anarquistas que nitidamente se espelha e é relevada -- tanto quanto era possível no início da década de trinta, limiar do Estado Novo. O que o leitor atento já poderia intuir após leitura de A Selva, Emigrantes ou dos livros da primeira fase, fica evidenciado neste breve escorço: escritor não-conformista (p. 7), «homem universalista pela sua ideologia» (p. 23), ateu (p. 24), propagandista «dos generosos ideais de emancipação humana» (p. 25), identificação com «as massas proletárias [...] perfilhando as suas aspirações, sem contudo se imiscuir nas lutas de classe ou de partido.» (p. 26)

(imagem)

Tuesday, April 10, 2012

As "Notas Biográficas e Bibliográficas" de Jaime Brasil (1931) (4)

Outro aspecto interessante no texto de Brasil é a caracterização física e psicológica de Ferreira de Castro. A fisionomia invulgar é descrita como «traços de uma ancestralidade eslava» (p. 7); inteligente, bondoso (p. 24), hipersensível por vezes (p. 32), era impulsivo no entusiasmo da suas causas, turvação que rapidamente se apaziguava, substituindo-se por uma atitude reservada e de ensimesmamento (p. 28). Castro muitas vezes se auto-caracterizou como um tímido, e muitos testemunhos seus contemporâneos dão nota dessa emotividade exacerbada até às lágrimas, em situações de perda ou confronto quando, por exemplo, era testemunha abonatória de presos políticos durante o Estado Novo (lembro-me, de repente, do testemunho de Alexandre Babo nas Recordações de um Caminheiro) e, principalmente, quando vinha ao de cima algo que evocasse o sofrimento por que passou nos anos da Amazónia.

Thursday, March 29, 2012

Vítor Viçoso, A NARRATIVA NO MOVIMENTO NEO-REALISTA -- AS VOZES SOCIAIS E OS UNIVERSOS DA FICÇÃO (17)

A leitura deste livro de Vítor Viçoso mais faz sentir a necessidade de um estudo abrangente da literatura libertária e dos seus escritores – aliás uma sugestão que, generosamente, já me foi feita precisamente por Vítor Viçoso – que, por desconhecimento geral, são, conforme as percepções de quem escreve, encostados ao republicanismo reviralhista ou às vizinhanças do PCP, quando se trata de outra coisa. E essa outra coisa integra nomes tão esquecidos hoje, como Manuel Ribeiro, autor de A Catedral, Jaime de Magalhães Lima, Tomás da Fonseca, Emílio Costa, Campos Lima, Julião Quintinha, Jaime Brasil, Assis Esperança, entre outros. E também o de Ferreira de Castro.

Thursday, March 22, 2012

As "Notas Biográfica e Bibliográficas" de Jaime Brasil (1931) (3)

O texto é curto, pouco mais de dez páginas, e muito bem escrito, como era apanágio de Jaime Brasil, um estilista limpo e assertivo. A abrir, situa Castro como «o mais representativo dos romancistas da nova geração em Portugal» (p. 7), o que não suscita contestação, uma vez que os grandes ficcionistas de idade aproximada – José Régio, José Rodrigues Miguéis ou Vitorino Nemésio – não haviam ainda publicado as suas narrativas de maior significado.

Monday, March 12, 2012

As "Notas Biográficas e Bibliográficas" de Jaime Brasil (1931) (2)

Terminadas em Outubro de 1930, meses após a morte de Diana de Lis e durante o internamento de Ferreira de Castro, acometido de septicemia, tenho para mim (e já o escrevi) que estas notas de Jaime Brasil sobre a vida do autor do recém-publicado A Selva – abertura do volume colectivo Ferreira de Castro e a Sua Obra (1931) – se destinaram a um in memoriam, que, felizmente para o jovem escritor e para o romance português, não veio a concretizar-se sob esse pretexto, e a ter razão de ser senão quarenta e três anos mais tarde. Como se sabe, Castro esteve às portas da morte e chegou a ser redigido o necrológio para os jornais -- não falando da tentativa de suicídio que, só em 1994, eu teria ocasião de revelar, em apêndice à sua correspondência com Roberto Nobre – embora o tópico suicidário houvesse sido aflorado pelo próprio, precisamente nas «memórias» de infância que Ferreira de Castro e a Sua Obra encerra.

Sunday, March 04, 2012

As «Notas Biográficas e Bibliográficas» de Jaime Brasil (1931) (1)

Jaime Brasil está omnipresente neste blogue, que também lhe é dedicado. O primeiro dos castrianos, por mais de quarenta anos deu testemunho de amizade e comunhão pessoal e ideológica ao autor de A Lã e a Neve; testemunhos por vezes afectados pela extreme admiração que lhe votava, e que não fugia à polémica vigorosa -- feição de carácter que o marcava, e género literário e estilístico de que foi um dos mais acabados cultores no seu tempo.

Monday, July 18, 2011

Jaime Brasil, anarquista (3)

2. Jornalista, Jaime Brasil (Angra do Heroísmo, 1892 -- Lisboa, 1966) destacou-se no que costumamos designar por «imprensa cultural», com particular destaque para o jornal O Globo -- Hebdomadário de Cultura, Doutrina e Informação, de que saíram pelo menos 27 números (4), e no suplemento «Das Artes e das Letras» de O Primeiro de Janeiro, que coordenou entre as décadas de 1940 e 1960.

(4) Daniel Pires, Dicionário da imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX (1900-1940), Lisboa, Grifo, 1996, pp. 185-186.

Monday, July 26, 2010

Ferreira de Castro e Reinaldo Ferreira -- Nota sobre a viagem do Repórter X à Rússia

Este período [o da actividade jornalística de Ferreira de Castro] corresponde grosso modo à escrita das primeiras ficções; e também a um tempo em que nas redacções nasceram amizades que ficarão para sempre: Jaime Brasil (1896-1966), Reinaldo Ferreira (1897-1935). E foi evocando este último, um ano após a sua morte e já desligado da profissão, que o autor de O Intervalo dela falou -- como só voltaria a fazê-lo no início da década de setenta, em tempo de balanço final. (1)

(1) Ver Ferreira de Castro, «Reinaldo Ferreira», A Unidade Fragmentada. Dispersos de Ferreira de Castro, introdução e antologia por Ricardo António Alves, Vária Escrita, #3, Sintra, Câmara Municipal, 1996, pp. 161-164.

Vária Escrita, n.º 5, Sintra, Câmara Municipal, 1998, pp. 257-258.

Saturday, May 01, 2010

Cartas Inéditas a Ferreira de Castro (2)

Publicam-se, desta vez, 17 cartas de oito autores: H. Lopes de Mendonça (1856-1931), Raul Proença (1884-1941), Fidelino de Figueiredo (1889-1967), Assis Esperança (1892-1975), César de Frias (1894-?), Jaime Brasil (1896-1966), Tomás Ribeiro Colaço (1899-1965), e Roberto Nobre (1903-1969).
Cartas Inéditas a Ferreira de Castro, leitura e notas de Ricardo António Alves, separata de Vária Escrita, n.º 1, Sintra, Câmara Municipal, 1994, p. 113.

Sunday, March 21, 2010

Chegar a Jaime Brasil através de Ferreira de Castro (2)

Quem, como eu, anda à volta dos 40 anos e teve a sorte de ter crescido numa casa com livros, a Jaime Brasil associa, não o jornalista nem o seu papel de importantíssimo mediador cultural no suplemento »Das Artes e das Letras» de O Primeiro de Janeiro, não a feição de polemista, por vezes desmesurado e violento, e menos ainda a circunstância de se tratar de um significativo autor anarquista. De Jaime Brasil lembramos as biografias, em particular as de mais recente edição ou republicação: desde logo a de Ferreira de Castro, na célebre colecção da Arcádia, «A Obra e o Homem», e as surgidas com a excelente chancela da Portugália Editora, entre as quais o Leonardo da Vinci, cuja sanguínea com que se auto-retratou na velhice, servindo de capa à edição, desde cedo me impressionou, as edições de bolso em que se reeditaram o Zola e o Victor Hugo, o ensaio sobre Balzac, uma pequena jóia de literatura biográfica, entre outras.

Das Artes e das Letras, suplemento de O Primeiro de Janeiro, Port0, 19 de Novembro de 2007, p. 1o.