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Monday, June 10, 2013

Preconceito e orgulho em "A Tempestade" de Ferreira de Castro (3)

A Tempestade participa dessa impotência do criador em face dos obstáculos inultrapassáveis levantados à criação artística. Não será, aliás, por acaso que um romance como A Lã e a Neve, de 1947, que tem nas greves dos operários têxteis da Covilhã como pano de fundo, vê a luz do dia precisamente nesse período de relativa distensão do controlo repressivo ocorrido entre as campanhas do MUD e a candidatura de Norton de Matos -- movimentos em que, de resto, Castro teve uma acção relevante de denúncia do estado policial a que estava sujeita a sociedade portuguesa.

Nova Síntese -- Textos e Contextos do Neo-Realismo #2/3, Vila Franca de Xira, 2007-2008. 

Saturday, March 30, 2013

Uma referência de Orlando Ribeiro a A LÃ E A NEVE

imagem daqui
Orlando Ribeiro, todos o sabemos, foi o grande geógrafo português do século passado. O seu opus magnum -- ou, pelo menos, o que maior difusão teve, projectando o seu nome junto de um público mais vasto -- é Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico (1945). 
Nesta notável monografia, escrita também com mão de mestre -- e sem contar com a epígrafe inaugural, Miguel Torga e o poema «Mensagem» -- uma única referência literária ao longo das pouco menos de 200 páginas (em corpo pequeno) é A Lã e a Neve, referência obviamente inclusa em posterior edição já que esta obra-prima de Ferreira de Castro foi publicada em 1947:

«Aí [Covilhã] se localizam ainda as fábricas de lanifícios, quase todas que fazem fio, tecidos e tinturaria, acompanhando os processos do fabrico. Temos aqui um curioso exemplo da inércia na localização industrial. A matéria-prima vem das feiras do Alentejo e da importação da Austrália e da África do Sul, sendo cada vez maior o emprego de fibras sintéticas; a energia não é mais fornecida pelas torrentes da montanha; persistem apenas a acumulação de capitais (em algumas famílias de origem judaica), a tradição da mão-de-obra (ver o excelente romance de Ferreira de Castro, A Lã e a Neve) e uma mentalidade industrial progressiva, pois que vários jovens se especializaram em escolas estrangeiras.»

Orlando Ribeiro, Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico (1945), 7.ª ed., Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1998, p. 149.

Monday, October 29, 2012

incidentais #8 - dos tempos e da sua passagem

* o «Pórtico» de quatro páginas é um bosquejo de história social e económica (e também mental) do percurso da lã na Serra da Estrela ao longo dos tempos: do surgimento dos «primeiros teares», abastecidos pelos «rebanhos dos Hermínios», presumo que na Idade do Ferro, às fábricas da Covilhã, com milhares de operários, cuja vida oscilava à medida da flutuação dos preços da matéria-prima nas praças internacionais.

* Sobre a passagem das horas: da condição pré-moderna dos tecelões domésticos -- detentores dos factores de produção como do tempo de trabalho --, ao proletariado fabril que, se possuía algo, pouco mais seria que a vontade de progredir e resistir (ou resistir e progredir). Vontade que só a alguns implicarão significações que vão para além o estômago, como é costume.

* Publicado em 1947, A Lã e a Neve é não apenas um dos romances de maior notoriedade de Ferreira de Castro; é também, parece-me, aquele que ombreia com A Selva -- por muito relevantes que sejam Emigrantes, Eternidade ou A Curva da Estrada. Outro livro que apresenta o homem como transeunte quase impotente no meio dos elementos, das «soledades alpestres».

* Uma mera indicação, que não acrescenta nem retira nada:  A Lã e a Neve é o livro mais traduzido de Ferreira de Castro, depois de A Selva, é claro...

* A Lã e a Neve põe questões teóricas interessantes sobre o neo-realismo; algo que também é pouco relevante para a obra literária.

Wednesday, September 15, 2010

O POVO NA LITERATURA PORTUGUESA

O Povo na Literatura Portuguesa, selecção e prefácio de João de Barros, Lisboa, Guimarães & C.ª, s.d. [1947]
autores antologiados: Fernão Lopes, Gomes Eanes de Zurara, Gil Vicente , António Ferreira, Luís de Camões, P.e António Vieira, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, João de Deus, Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Eça de Queirós, Gomes Leal, Teixeira de Queirós, Guerra Junqueiro, Fialho d'Almeida, Cesário Verde, António Nobre, Raul Brandão, Carlos Malheiro Dias, M. Teixeira-Gomes, Manuel de Sousa Pinto, Afonso Lopes Vieira, Augusto Gil, António Patrício, Manuel Monteiro, Júlio Dantas, Joaquim Manso, Jaime Cortesão, Luís da Câmara Reis, Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro [excerto de Eternidade]; António Arroio.

Wednesday, March 18, 2009

de passagem - do «Pórtico» de A LÃ E A NEVE (1947)

Os primeiros teares criaram-se, em já difusos e incontáveis dias, para a lã que produziam os rebanhos dos Hermínios. O homem trabalhava, então, no seu tugúrio, erguido nas faldas ou a meio da serra. No Inverno, quando os zagais se retiravam das soledades alpestres, os lobos desciam também e vinham rondar, famintos, a porta fechada do homem. A solidão enchia-se dos seus uivos e a neve reflectia a sua temerosa sombra. A serra, porque só a pé ou a cavalo a podiam vencer, parecia incomensurável, muito maior do que era, e de todos os seus recantos, de todos os seus picos e refegos brotavam superstições e lendas -- histórias que os pegureiros contavam, ao lume, a encher de terror as noites infindas.

Ferreira de Castro, A Lã e a Neve, 15.ªedição, Lisboa, Guimarães Editores, 1990.

Saturday, September 30, 2006

Terre Froide

Grasset, Paris, 2003
(tradução de Louise Delapierre, 1947)