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Monday, June 12, 2017

Manuel Ribeiro de Pavia

16,5 x 23 cara 2

Um post sobre Manuel Ribeiro de Pavia, autor das ilustrações da edição de 1949 de Terra Fria (1934), com texto de Roberto Nobre, no Almanaque Silva..

Saturday, June 25, 2016

"Uma página de Ferreira de Castro"

Todos os anos, num fim-de-semana de Maio, o CEFC promove os Encontros Ferreira de Castro, que reúne estudiosos e leitores, em que às comunicações mais ou menos informais se seguem passeios e convívio por aquelas paragens de Ossela, Oliveira de Azeméis e Vale de Cambra.
Os encontros começam sempre nas sextas à noite na adega da casa onde o escritor nasceu. A partir deste ano, lançámos o desafio a cada um dos participantes a escolherem uma passagem, lendo-a aos restantes, seguindo-se um diálogo entre os presentes.
Houve dez que se chegaram à frente, tendo eu registado a origem das escolhas. Na ficção: Emigrantes (1), A Selva (2), Terra Fria (2), A Curva da Estrada (1), A Missão (1); não-ficção: Ecos da Semana, O Segredo das Nossas Derrotas -- Como eu fui preso no Limoeiro, Mensagem (1949).
Para o ano haverá mais.

Friday, January 15, 2016

«Sob as velhas árvores românticas»: do significado de Sintra para Ferreira de Castro (6)

Também os estudos universitários em diferentes âmbitos, como o são o da linguística e o da ecocrítica, relevam este factor específico do apego à Natureza como algo central na obra castriana. Assim, Isabel Roboredo Seara, a propósito de A Lã e a Neve (1947) – uma das suas obras-primas –, refere-se
ao modo «habilíssim[o]» operado pelo estilo literário de Ferreira de Castro, reflectindo, não apenas uma estética, mas também uma singular mundividência: «A fusão do mundo físico com o mundo moral, a matéria inerte que ganha constantemente vida emotiva, o cromatismo singular da natureza, determinam indefectivelmente um estilo idiossincrático.» (in Isabel Roboredo Seara, «A Lã e a Neve – Virtualidade e originalidade dos enunciados metafóricos», Língua e Cultura #7-8, Lisboa, Sociedade da Língua Portuguesa, Jan.-Jun. 1998: 130); e com enfoque em Terra Fria (1934), porém alargando à
restante obra, Ana Cristina Carvalho sustenta que aquela foi, e é, portadora de «um inequívoco discurso ecológico». [in Ana Cristina Carvalho, «Ecologia Humana no Romance Terra Fria, de Ferreira de Castro», A Ecocrítica no Brasil, João Pessoa, Universidade de Paraíba, 2013 (no prelo)].

(artigo completo)


Thursday, October 29, 2015

a 16.ª de TERRA FRIA



Acaba de sair, na Cavalo de Feero, a 16.ª edição de Terra Fria. A capa é de Susana Villar.

Sunday, April 05, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (9): os dois verbetes da GEPB

Entre os dois verbetes da GEPB medeiam 15 anos: 1944 e 1959. Não assinados, como já referi, parecem não ter sido redigidos pelo mesmo autor. Enquanto que o primeiro carreia dados sobre dados biobibliográficos, entremeados por um ou outro elogio mais ou menos inócuo, a entrada de '59, sem descurar a actualização, procura caracterizar alguns dos títulos do autor, para lá dos elogios e das contingências do êxito editorial. Parecem-me especialmente interessantes as notas sobre Emigrantes, que «[...] trazia à novelística o tema novo  [negrito meu] do homem despaísado e errante, saudoso da terra natal e receoso de voltar a ela por vergonha de ter falhado [...]»; e também sobre Terra Fria, apresentado pelo redactor da GEPB como «[...] um drama da vida rural, construído como uma tragédia antiga [...]».

Ficha
volumes: 11 e 39
dimensões: 13,8 + 38 cm;
palavras: --
caracteres: --
retrato: sim

Wednesday, June 25, 2014

incidentais #21 -- fixar pela ficção

Ainda o «Pórtico» de Terra Fria:

*Referência a Andorra, e aos homens e mulheres que viu insulados por entre as montanhas, na viagem que fez em 1929. Neste romance de 1934, de novo a curiosidade pelas formas mais arcaicas de convivência. No Inverno e na Primavera de 1933, Castro deslocou-se ao Barroso com o intuito de fixar pela ficção a cultura daquele povo, os modos de viver e pensar, a mentalidade atávica duma sociedade comunitária e patriarcal, esquecida e deixada a si própria. Não por acaso, Castro olhava para este panorama social como "página viva de antropologia": os inquéritos feitos nessa década de 1930 à região barrosã coincidiam na qualificação de primitivismo.

* Essa avaliação levá-lo-á a rejeitar não apenas o pitoresco da pobreza como, anos mais tarde a equacionar o problema na própria Amazónia, com a chamada "pacificação" dos índios Parintintim (O Instinto Supremo, 1968).

Friday, December 20, 2013

ETERNIDADE de Ferreira de Castro: canto de morte e de amor. (1)

Eternidade, romance de Ferreira de Castro, publicado em 1933 pela Guimarães -- o primeiro na que seria a sua editora de referência --, tem um lugar particular na tábua bibliográfica do escritor. Situado entre A Selva (1930) e Terra Fria (1934), Eternidade pode(ria) desiludir em leitura inicial, efectuada por esta ordem cronológica, como sucedeu ao autor destas linhas, há vinte anos. Duas décadas de experiência de vida a menos, e um vício de leitura que habitualmente procurava nos livros algo que não teria de lá estar (no caso, a Revolução da Madeira, de 1931), fez com que, temerariamente -- ressalvando o célebre «Pórtico» e a intenção subjacente -- o qualificasse como «um romance falhado» (1). À primeira releitura, anos mais tarde, aprcebeu-se da falha de avaliação; nova leitura tornou-lhe evidente que teria de reparar um erro clamoroso. É o que se vai tentar.

(1) Ricardo António Alves, Anarquismo e Neo-Realismo -- Ferreira de Castro nas Encruzilhadas do Século, Lisboa, Âncora Editora, 2002, p. 51.

Islenha #48, Funchal, Janeiro-Junho 2011.

Friday, November 30, 2012

incidentais #11 - do homem isolado ao inconformismo, passando por poetas da «Claridade»

Do «Pórtico» de Terra Fria (1934) -I

* Castro sente a atracção pelo que está afastado da "civilização", ilha ao abandono no oceano ou aldeia remota isolada por montanhas, não por exotismo, mas pelo perscrutar dos efeitos que o apartamento provoca no espírito humano.

* Uma grande diferença, porém: a ilha impele à evasão de si, à errância, ansiada ou efectivamente concretizada.

*(Ocorrem-me agora os bravos poetas caboverdianos da Claridade:
«O drama do Mar, / o desassossego do Mar, / sempre / sempre / dentro de nós!», Jorge Barbosa, «Poema do Mar», Ambiente, 1941 -- Barbosa, que Ferreira de Castro muito admirava);
«Mar parado na tarde incerta.», Manuel Lopes, Crioulo e Outros Poemas, 1964);
«Mar, tu és o que fica.», Osvaldo Alcântara, pseudónimo de Baltazar Lopes, Colóquio / Letras #14, 1973;
«Canivetinho / Canivetão / Vá / Té / França. / A única esperança...», Pedro Corsino Azevedo, Mensagem #6, 1964
-- recolha de Manuel Ferreira, No Reino de Calibã vol. I.)

*Voltando a Ferreira de Castro: «A nostalgia deve ter nascido numa ilha e só numa pequena ilha se compreende, integralmente, o subtil significado da distância.» Pelo contrário, nos interiores continentais, e em especial nesses vales circundados por montanha, queda-se atabafado «o homem metido em si próprio, o homem que reduziu a vida à árdua conquista do pão quotidiano e o enigma do infinito a uma simples crença, para dele se servir nos momentos de vicissitude ou quando a morte lhe bate à porta.... ». 

*Espécime humano que ficou no ontem, «página viva de antropologia», «farrapo» de existência pretérita com o qual Ferreira de Castro -- homem de cidade, intelectual e cosmopolita, mas que fora um pobre filho de camponeses, expatriado na infância -- não consegue deixar de irmanar-se, «em compreensão e amor» --, até porque, paulatinamente, pela «força da evolução que o vai penetrando», o surpreende em lenta mutação -- um gesto, um olhar, um dito --, «num trabalho lento de  pua furando granito.»

* No país, duas concepções: tradicionalista, uma, refractária à contaminação pelo progresso;  inconformista outra, considerando que a resignação não é da natureza humana. Mas isto é já outra conversa, e eu ainda nem acabei de falar do «Pórtico» de Terra Fria.

Monday, October 29, 2012

incidentais #8 - dos tempos e da sua passagem

* o «Pórtico» de quatro páginas é um bosquejo de história social e económica (e também mental) do percurso da lã na Serra da Estrela ao longo dos tempos: do surgimento dos «primeiros teares», abastecidos pelos «rebanhos dos Hermínios», presumo que na Idade do Ferro, às fábricas da Covilhã, com milhares de operários, cuja vida oscilava à medida da flutuação dos preços da matéria-prima nas praças internacionais.

* Sobre a passagem das horas: da condição pré-moderna dos tecelões domésticos -- detentores dos factores de produção como do tempo de trabalho --, ao proletariado fabril que, se possuía algo, pouco mais seria que a vontade de progredir e resistir (ou resistir e progredir). Vontade que só a alguns implicarão significações que vão para além o estômago, como é costume.

* Publicado em 1947, A Lã e a Neve é não apenas um dos romances de maior notoriedade de Ferreira de Castro; é também, parece-me, aquele que ombreia com A Selva -- por muito relevantes que sejam Emigrantes, Eternidade ou A Curva da Estrada. Outro livro que apresenta o homem como transeunte quase impotente no meio dos elementos, das «soledades alpestres».

* Uma mera indicação, que não acrescenta nem retira nada:  A Lã e a Neve é o livro mais traduzido de Ferreira de Castro, depois de A Selva, é claro...

* A Lã e a Neve põe questões teóricas interessantes sobre o neo-realismo; algo que também é pouco relevante para a obra literária.

Tuesday, July 13, 2010

Antologia da Terra Portuguesa -- Trás-os-Montes e Alto Douro

edição de Amândio César
Venda Nova, Livraria Bertrand, s.d.
excerto de Terra Fria, pp. 165-169
Autores antologiados: Guedes de Amorim, Sophia de Mello Breyner Andresen, Humberto Beça, Mário Beirão, Abel Botelho, Mário Gonçalves Carneiro, Ribeiro de Carvalho, Camilo Castelo Branco, Augusto de Castro, Ferreira de Castro, Henrique Trindade Coelho, Trindade Coelho, João de Araújo Correia, Virgílio Correia, Emília de Sousa Costa, Sousa Costa, Afonso Duarte, Conde da Ericeira, Antero de Figueiredo, Gulherme Gama, Visconde de Gouvêa, Luís de Oliveira Guimarães, Alexandre Herculano, Fausto José, Alberto Lopes, Fernão Lopes, Agustina Bessa Luís, Armando de Matos, Adelino Mendes, Campos Monteiro, Domingos Monteiro, Manuel Monteiro, Graça Pina de Morais, Pina de Morais, Trigo de Negreiros, António Nobre, Vicente Novaes, Águedo de Oliveira, Ramalho Ortigão, Joaquim Paço d'Arcos, Teixeira de Pascoais, Valente Perfeito, Alberto Pimentel, António Eça de Queirós, Alves Redol, António Batalha Reis, Aquilino Ribeiro, Manuel António Ribeiro, José Júlio Rodrigues, Abel Salazar, Alberto de Serpa, Rebelo da Silva, Frei Luís de Sousa, Fausto Guedes Teixeira, Miguel Torga.

Tuesday, September 01, 2009

da nostalgia


A nostalgia deve ter nascido numa ilha e só numa pequena ilha se compreende, integralmente, o subtil significado da distância. Essa sufocação que dá a terra sem continuidade, como se o aro líquido que a estrangula se viesse fechar também em volta da nossa garganta, desperta constantes rebeldias e constantes impotências, acorda mil sentimentos ignorados, remexe, tortura, cava fundo na alma até o momento de esta se submeter por falta de mais energias.
Ferreira de Castro, Terra Fria [do «Pórtico»], 12.ª edição, Lisboa, Guimarães & C.ª, 1980.

Tuesday, March 03, 2009

António Campos

Barrosânia - Como é que surgiu a ideia de realizar um filme sobre uma obra de Ferreira de Castro e porquê concretamente "Terra Fria"?
António Campos - O projecto "Terra Fria" surge na sequência do meu interesse em filmar, de uma maneira geral, as raízes da sociedade portuguesa. Principalmente a sociedade fechada de pequenos aglomerados, mas com características e froça próprias à semelhança dos meus filmes anteriores.
"Terra Fria", de certo modo, é um caminho para o meu desejo de filmar o povo português nessa perspectiva. Este projecto não nasceu agora. Nasceu há alguns anos, ainda Ferreira de Castro era vivo, só que na altura não se proporcionou fazê-lo por razões financeiras. Guardei a ideia até há dois anos.
Duma entrevista de António Campos a Judite Aguiar, Barrosânia, n.º 6, Lisboa, Outubro / Dezembro de 1990, p. 46

Saturday, February 21, 2009

de passagem - do «Pórtico» de TERRA FRIA (1934)

Nem eu sei quando nasceu no meu espírito este amor pelos povos minúsculos, pelas repúblicas em miniatura, por todos os que vivem isolados no planeta.

Ferreira de Castro, Terra Fria, 12.ª edição, Lisboa, Guimarães & C.ª Editores, 1980.

Thursday, November 27, 2008

castrianas #10 - João Pedro de Andrade

Os probemas económico-sociais não foram, está bem de ver, introduzidos na literatura pelos neo-realistas. Eles atravessam a obra de Raul Brandão (que seria considerado idealista pelos neo-realistas, se o tivessem lido), estão no Aquilino Ribeiro de Terras do Demo e A Batalha Sem Fim, mau grado o sentido pitoresco e o culto dos valores verbais, e, finalmente, no Ferreira de Castro de Emigrantes, A Selva e Terra Fria, para só falar em algumas das suas obras anteriores ao advento do neo-realismo. No entanto, pela sua atitude deliberada de intervenção, só este último havia de ser considerado percursor da nova tendência.
Ambições e Limites do Neo-Realismo Português [1955], edição de Joana Marques de Almeida, Lisboa, Acontecimento, 2002, p. 31.

Wednesday, October 08, 2008

TERRA FRIA por Bernardo Marques

ilustração de Bernardo Marques para Terra Fria
edição comemorativa dos 50 Anos de Vida Literária, 1966
Lisboa, Guimarães Editores, 1966

Saturday, September 30, 2006

Terre Froide

Grasset, Paris, 2003
(tradução de Louise Delapierre, 1947)

Monday, September 25, 2006