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Tuesday, April 14, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (15) - o Dicionário Biográfico Universal de Autores

João Palma-Ferreira
O Dicionário Biográfico Universal de Autores é um projecto da Artis, a partir da matriz italiana da Bompiani. Dicionário em cinco volumes, a parte luso-brasileira esteve a cargo de Luís de Albuquerque, Luís de Freitas Branco, Jacinto do Prado Coelho e Armando Vieira Santos. A publicação, inusitadamente longa, prolongou-se por 16 anos, entre 1966 e 1982.

O autor da entrada sobre Ferreira de Castro (vol. II, 1970) foi João Palma-Ferreira. A sua redação será anterior a 1963, uma vez que nem As maravilhas Artísticas o Mundo  nem O Instinto Supremo são referidos. Dela, importa-me destacar o seguinte: 

1) o relevo que dá à importância do escritor no âmbito da literatura de viagens -- nomeadamente A Volta ao Mundo --, género de tradição secular na cultura portuguesa; 

2) o enfoque no carácter dilemático, psicológico, na obra romanesca de Ferreira de Castro, neste passo que já citei por várias vezes noutras ocasiões, mas que -- até pela sua argúcia e pertinência -- volto a citar: «[...] é Ferreira de Castro o primeiro escritor ficcionista moderno que, em Portugal, se preocupa em colocar o leitor no centro de um problema de que foi obrigado a fazer prévia participação e de onde extraiu, pelo menos, um complexo de situações profundamente dramáticas e pessoais.» Curiosamente, as reservas expostas quanto ao estilo e à concretização narrativa não são da sua pena, mas referência ou citação de Óscar Lopes, que foi sempre ambivalente quanto a Ferreira de Castro. E se escrevo 'curiosamente' é por me parecer que Palma-Ferreira tinha bagagem teórica e conceptual, além  de estatuto, suficientes, já em 1970, para dispensar-se de tutelas.

3) uma originalidade, no âmbito destes verbetes para dicionários e enciclopédias, que é a sinalização de datas fundamentais no seu percurso literário, bem demarcadas quanto ao significado que encerram -- 1924, 1928 e 1944 -- com as quais, porém parcialmente discordo: 

Estou em desacordo quanto à primeira pois para o ensaísta, 1924 assinala na ainda incipiente obra castriana uma «produção de implicação simultaneamente social e psicológica». Quanto a mim, nada há distinga a ficção publicada anteriormente (mesmo sem irmos às primícias no Brasil). Creio, aliás, que só indirectamente Palma-Ferreira terá tido conhecimento desses títulos iniciais; 1928, claramente, é o ano de Emigrantes, e portanto uma data decisiva (embora, para mim, mais decisivo tenha sido 1927); já 1944, ano da conclusão da edição de a Volta ao Mundo, compreendendo-se na intenção de salientar do lugar de Ferreira de Castro na literatura de viagens, seria preferível, do meu ponto de vista, a sua antecipação para 1939, ano em que realizou o périplo, na companhia de Elena Muriel, servindo também como charneira entre Pequenos Mundos e Velhas Civilizações e A Volta ao Mundo.

Sunday, April 05, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (9): os dois verbetes da GEPB

Entre os dois verbetes da GEPB medeiam 15 anos: 1944 e 1959. Não assinados, como já referi, parecem não ter sido redigidos pelo mesmo autor. Enquanto que o primeiro carreia dados sobre dados biobibliográficos, entremeados por um ou outro elogio mais ou menos inócuo, a entrada de '59, sem descurar a actualização, procura caracterizar alguns dos títulos do autor, para lá dos elogios e das contingências do êxito editorial. Parecem-me especialmente interessantes as notas sobre Emigrantes, que «[...] trazia à novelística o tema novo  [negrito meu] do homem despaísado e errante, saudoso da terra natal e receoso de voltar a ela por vergonha de ter falhado [...]»; e também sobre Terra Fria, apresentado pelo redactor da GEPB como «[...] um drama da vida rural, construído como uma tragédia antiga [...]».

Ficha
volumes: 11 e 39
dimensões: 13,8 + 38 cm;
palavras: --
caracteres: --
retrato: sim

Thursday, June 14, 2012

Ferreira de Castro na "Cidade de Lilipute" (4)



Ferreira de Castro escreveu também livros de viagens, um dos quais -- A Volta ao Mundo (1940-1944) -- permanece como o mais significativo deste século num género com tradições centenárias na literatura portuguesa.

in Ferreira de Castro, Macau e a China, Taipa, Câmara Municipal das Ilhas, 1998.

Thursday, January 27, 2011

Páginas de Amor dos Melhores Autores Portugueses (1944)

organizadores: António Feio e Raul Feio
Vasco de Lobeira [ou João de Lobeira], Sóror Mariana Alcoforado [sic], Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Fialho de Almeida, Carlos Malheiro Dias, Afonso Lopes Vieira, Júlio Dantas, Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, Magnus Bergström, Joaquim Paço d’Arcos, José Régio, Manuel de Campos Pereira, Vitorino Nemésio.
Lisboa, edição dos Antologiadores, 1944.
(excerto de Eternidade)

Tuesday, April 28, 2009

de passagem - Jaime Brasil, RODIN (1944)


OS ANOS OBSCUROS


«A génese do génio»


No capítulo do seu recente livro «Du crétin au génie» (1), consagrado à «Génese do génio», escreveu o Dr. Serge Voronov: As células germinais não morrem nunca, mas transmitem-se duma geração à outra. Essas células germinais, masculina e feminina, unem-se no acto da fecundação para formar um germe, do qual, por crescimento gradual durante nove meses, a criança adquire o desenvolvimento necessário à sua vida. Casa uma dessas células é composta duma substância nutritiva, destinada ao germe -- o protoplasma -- e de um núcleo que é a parte essencial, única que detém toda a hereditariedade do pai e da mãe.

(1) Ed. de La Maison de France -- New York.

Jaime Brasil, Rodin, Porto, Edições Lopes da Silva, 1945, p. 9.

Sunday, August 06, 2006

Testemunhos #1 - Edmundo de Bettencourt: Ferreira de Castro e o neo-realismo


Na importante entrevista dada a Brito Câmara, a propósito da«novíssima geração» (a do neo-realismo), em face da precedente (a da presença, cronologicamente a mesma de Ferreira de Castro):

-- Quem é que, em Portugal, antes do aparecimento da actual geração, você entende estar mais próximo dela?

-- Aos novos de agora, alguns mais velhos se anteciparam. Uns, anteriormente, à margem de qualquer grupo literário ou artístico, mas esclarecidos por uma experiência de luta e de cultura, figuram hoje decididamente a seu lado com produções bem representativas da nova corrente, como Armindo Rodrigues e José Gomes Ferreira. Outros, por afinidades de atitude e conteúdo de algumas obras ou só em virtude deste último elemento, poderão ser colocados entre eles. Tal é o caso de Ferreira de Castro, acerca do qual, a leitura dos seus melhores romances, claramente nos elucida a este respeito. [...]
João de Brito Câmara, O Modernismo em Portugal (Entrevista com Edmundo de Bettencourt), edição fac-similada [1944] com prefácio de António Pedro Pita, Coimbra, Minerva, 1996, pp. 61-62
fotografia em Fado de Coimbra e...
Com pano para mangas, esta observação de Bettencourt, que separa «atitude» de «conteúdo», ou seja -- e descodificando esquematicamente: o comprometimento político obrigatório do neo-realismo com a doutrina comunista e soviética (a atitude) e uma literatura que espelha também as lutas sociais -- e aqui está a afinidade de conteúdo de Castro com a «novíssima geração» --, porém com um outro enfoque, que é, em suma o enfoque anarquista do escritor libertário.