Uma breve observação: a referência ao suicídio e ao internamento no Hospital da CUF. Castro esteve internado, com uma grave crise hepática, sujeitando-se a três intervenções por uma equipa coordenada por Pulido Valente, em 1953. Se o escritor pensou nessa encarou a possibiliodade de suicidar-se, é até hoje um facto desconhecido. Uma vez que já passaram mais de quarenta anos sobre estas recordações de Mário Cláudio, talvez haja alguma confusão, uma vez que quando o autor de A Selva padeceu duma grave septicemia, em 1931, aí sim, está documentada uma pulsão suicidária (estamos poucos meses depois da morta da companheira, Diana de Lis, perda que sempre o atormentou), numa nota de suicídio que pude revelar em apêndice à correspondência com Roberto Nobre, publicada em 1994.
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Friday, September 11, 2015
Mário Cláudio: memória de Ferreira de Castro
Uma crónica no Diário de Notícias.
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Wednesday, December 08, 2010
Um relato
duma viagem à Amazónia, por quem conheceu Ferreira de Castro, aqui.
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Wednesday, July 14, 2010
Matilde Rosa Araújo e Ferreira de Castro, na evocação de José Carlos de Vasconcelos
[...] em 1966, já em Lisboa, tive mais contacto com a Matilde por ser uma das promotoras, com Álvaro Salema, de uma homenagem nacional a Ferreira de Castro, na qual me convidaram para falar, em represetação dos jovens escritores. / O autor de A Selva, sobre ser então o mais famoso, nacional e internacionalmente, escritor português, era também um certo símbolo da luta pela democracia e a favor dos deserdados que povoam os seus romances. Conheci então a mulher e a escritora de uma exemplar fidelidade ou até devoção aos seus amigos, não só capaz de uma grande admiração como gostando de admirar e com um agudo sentido da homenagem: a Matilde generosa que todos que a conheceram sabem foi assim ao longo de toda a vida. [..]
José Carlos de Vasconcelos, «O "retrato" da bondade», JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias, #38, Lisboa, 14 de Julho de 2010.
Foto de Matilde, não datada, no JL hoje.
Na estante, A Selva, edição Pomar, 1974.
Wednesday, May 12, 2010
testemunhos #9 - Jorge Amado
Também briguei muito pelo livro português. Naquele tempo [década de 1930] havia verdadeiros intercâmbios entre intelectuais brasileiros e escritores portugueses; foi uma coisa que com o tempo se perdeu muito, mas que existia então. Havia um interesse político comum: a luta contra o salazarismo. É desta época [1934] que data a minha amizade com Ferreira de Castro e com vários outros escritores portugueses.De uma maneira geral, essa proximidade diminuiu logo em seguida; actualmente está voltando um pouco, mas está longe de ser aquela fraternidade que existia entre os escritores do neo-realismo português e os escritores brasileiros dos anos 30. Havia grandes trocas, grandes vínculos, tanto intelectuais quanto afectivos.
Jorge Amado, Conversas com Alice Raillard, tradução de Annie Dymetmann, Porto, Edições Asa, 1992, p. 97.
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Saturday, February 27, 2010
testemunhos - João Sarmento Pimentel
Sarmento Pimentel ou uma Geração Traída -- Diálogos com Norberto Lopes, Lisboa, Editorial Aster, 1976, p. 204.
Nota- Fernando da Fonseca, médico eminente e professor, foi um dos clínicos de Ferreira de Castro, um dos grandes de que socorreu durante a sua vida de saúde atribulada, a que podemos juntar os nomes de Celestino da Costa, Pulido Valente e Reinaldo dos Santos.
Monday, November 23, 2009
testemunhos #3 - João de Barros
Uma das causas do êxito excepcional da obra de Ferreira de Castro reside, aliás, nessa intercompreensão do escritor e do povo. A grandeza daquela não ofusca, antes atrai, a atenção e o interesse deste. Segredo e sortilégio, que a raros pertencem, mas que em Ferreira de Castro flui, espontâneos e discretos, da mais recôndita e amorável fonte do seu íntimo ser.João de Barros, «Humanidade», Hoje, Ontem, Amanhã..., Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1950, p. 168.
Saturday, July 11, 2009
testemunhos #5 - Jorge Amado
No Cais de Lisboa, em Janeiro de 1966, amigos brasileiros e portugueses acenavam para o navio espanhol onde havíamos embarcado na Bahia, Zélia, Paloma e eu -- João Jorge fora de avião. Reconheci Odylo Costa, filho, Luiz Henrique Dias Tavares, Álvaro Salema, Fernando Namora, Francisco Lyon de Castro -- o primeiro a subir a escada foi Ferreira de Castro, com a notícia de que poderíamos saltar em Lisboa, a interdição fora suspensa. O grande escritor português, naquele então o principal entre todos os que escrevíamos em língua portuguesa, não podia conter a alegria. Durante todos os longos anos de convivência, de amizade fraterna que nos ligou, Ferreira de Castro sempre foi o arauto de boas novas, mão solidária, palavra acolhedora.Thursday, February 05, 2009
testemunhos #3 - João de Barros

Assim o conheci vai para mais de três lustros, ao tempo do aparecimento da extraordinária «Eternidade», já tocado dos alvores da glória mundial que a publicação de «A Selva» lhe trouxera e que o acompanha hoje a toda a parte. E assim o vejo agora, modesto como sempre, apesar de traduzido nas mais diversas línguas do globo, festejado em todos os meios cultos, lido e relido por gentes da Europa, da América e da Ásia, honra e prestígio da literatura portuguesa, cujo renome tem levado às mais longínquas nações da Terra. O glorioso autor de «A Selva» continua sendo, acima de tudo, um «homem», na mais alta e mais pura expressão da palavra. Um homem sobranceiro à sua própria obra e, por conseguinte, apto a transcender-se, a superar-se sempre, qualidade característica e essencial dos verdadeiros criadores de Beleza e dos verdadeiros idealistas, que não duvidam do progresso moral e mental dos povos e a quem os povos, por isso mesmo, concedem sempre larga e afectuosa audiência. «A Lã e a Neve» e «Curva da Estrada» assim o comprovam de novo.
João de Barros, Hoje, Ontem, Amanhã..., Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1950, p. 168.
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Wednesday, December 03, 2008
testemunhos #3 - João de Barros
Habituara-se ao combate, ao sacrifício, e não ignorava a dor, sua e alheia,, camarada familiar da miséria e da desgraça. Fugira de casa, perdera-se na selva amazónica, batalhara pela liberdade do espírito nas cidades onde mais tarde aportara, contruíra e fortalecera a sua nobre personalidade muitas vezes na solidão, no desespero e no desânimo. Passara fome e frio, calores excessivos, debilitantes enfermidades. Resistira sempre. Retemperava-se sempre. E, embora não se referisse jamais a esse passado de tormentosas dificulades da existência, adivinhava-se que através dele conquistara a superioridade da sua alma, a capacidade de «simpatia humana» que afirmava a cada passo, e uma consciência límpida e isenta de vaidades, que lhe permitia trabalhar com perfeito desprezo do que dele se pensava e dizia.
João de Barros, «Humanidade», Hoje, Ontem, Amanhã..., Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1950, pp. 167-168.
[Acrescentado em 5-II-2009]
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Tuesday, November 20, 2007
Tuesday, July 03, 2007
Testemunhos #2 - Rocha Martins (1)

Na moderna geração dos prosadores portugueses Ferreira de Castro talhou o seu caminho. Como todos os dominados por uma paixão sacrificou à literatura todas as outras sensações porque ela, só por si, como um dom divino, lhe encheu a alma.
Assim como há mulheres que sofrem para ser belas, também há artistas que a todos os sofrimentos se condenam pela sua arte. É o caso deste rapaz que, com uma paciência heróica e uma hercúlea vontade, veio plantar o seu pendão na ala moderna da literatura nacional, com brio e dignidade, conseguindo ser notado ao cabo dalguns anos de labor.
Ferreira de Castro é um escritor pobre. Daí merecer maior admiração que os instalados na existência, atrás dos reposteiros da existência ou nos palácios dos papás financeiros ou grandes proprietários. Estes só sentem o tormento de criar; nos pobres vive esse tormento transformado em horror porque têm de ganhar o seu pão diariamente em tarefas inferiores, que não desonram, mas são roubadas ao sonho.
Rocha MARTINS, «O auctor da novela "A Peregrina do Mundo Novo"», ABC, n.º 263, Lisboa, 30 de Julho de 1925.
[continua]
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Sunday, August 06, 2006
Testemunhos #1 - Edmundo de Bettencourt: Ferreira de Castro e o neo-realismo

Na importante entrevista dada a Brito Câmara, a propósito da«novíssima geração» (a do neo-realismo), em face da precedente (a da presença, cronologicamente a mesma de Ferreira de Castro):
-- Quem é que, em Portugal, antes do aparecimento da actual geração, você entende estar mais próximo dela?
-- Aos novos de agora, alguns mais velhos se anteciparam. Uns, anteriormente, à margem de qualquer grupo literário ou artístico, mas esclarecidos por uma experiência de luta e de cultura, figuram hoje decididamente a seu lado com produções bem representativas da nova corrente, como Armindo Rodrigues e José Gomes Ferreira. Outros, por afinidades de atitude e conteúdo de algumas obras ou só em virtude deste último elemento, poderão ser colocados entre eles. Tal é o caso de Ferreira de Castro, acerca do qual, a leitura dos seus melhores romances, claramente nos elucida a este respeito. [...]
João de Brito Câmara, O Modernismo em Portugal (Entrevista com Edmundo de Bettencourt), edição fac-similada [1944] com prefácio de António Pedro Pita, Coimbra, Minerva, 1996, pp. 61-62
fotografia em Fado de Coimbra e...
Com pano para mangas, esta observação de Bettencourt, que separa «atitude» de «conteúdo», ou seja -- e descodificando esquematicamente: o comprometimento político obrigatório do neo-realismo com a doutrina comunista e soviética (a atitude) e uma literatura que espelha também as lutas sociais -- e aqui está a afinidade de conteúdo de Castro com a «novíssima geração» --, porém com um outro enfoque, que é, em suma o enfoque anarquista do escritor libertário.
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