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Monday, March 26, 2012

História e Memória: Uma leitura de Os Fragmentos (4)

Ferreira de Castro foi um triunfo da vontade. A sua vida, pelo muito que teve de inverosímil -- uma criança desterrada para a selva amazónica que em adulto se elevou à condição de um dos primeiros romancistas do seu país, reconhecido além-fronteiras até ao limiar do Prémio Nobel da Literatura (2) -- teria sido susceptível de ser contada por ele próprio.
Tal não sucedeu. Ou, melhor, sucedeu parcial e fragmentariamente ao longo so seu percurso de escritor.

(2) Proposto em 1951 e 1968, a segunda conjuntamente com Jorge Amado.


Língua e Cultura II Série, #7/8, Lisboa, Sociedade da Língua Portuguesa, 1998.

Sunday, April 25, 2010

100 Cartas a Ferreira de Castro (2)

[da «Apresentação»]
Ao seleccionarmos estas 100 Cartas a Ferreira de Castro, abrangendo um período de 50 anos, procurámos dar a conhecer, pela pena de amigos e confrades, vários momentos da vida literária e cívica do autor de A Selva.
100 Cartas a Ferreira de Castro, selscção, leitura, apresentação e notas de Ricardo António Alves, Sintra, Câmara Municipal / Museu Ferreira de Castro, 1992, p. 5.

Friday, November 20, 2009

Um Medo Frio -- Breve nota sobre a memorialística castriana (2)

Ferreira de Castro, sendo um escritor quase com «excesso» de biografia, não tem na sua tábua bibliográfica qualquer livro de memórias. Tentaremos perceber porquê, tanto mais que a escrita memorialística pontuou o seu percurso literário, do princípio ao fim.
Sol XXI, n.º 38-39, Carcavelos, 2003, p. 7.

Monday, October 12, 2009

clássicos da bibliografia castriana - Jaime Brasil (1961)

A Terra
Se o chão onde germina e o cultivo que recebe influem na formação da planta, o homem, produto da terra, deve absorver, também, as suas marcas. Embora na formação da personalidade entre outros factores, alguns imponderáveis, quase sempre decisivos, o ambiente importa para a construção do ser. Qual foi, pois, o meio em que nasceu o escritor Ferreira de Castro? Uma aldeia perdida no coração de Portugal, tão remota e primitiva que, então, como ainda hoje, o pretenso veículo da civilização, o caminho-de-ferro, não se dignou incluí-la nos seus itinerários.
Jaime Brasil, Ferreira de Castro, col. «A Obra e o Homem», Lisboa, Editora Arcádia, 1961, p. 7.

Thursday, September 24, 2009

de passagem - Jaime Brasil, LEONARDO DA VINCI E O SEU TEMPO (1959)

FLORENÇA E O HUMANISMO
Assim como há pessoas nascidas com sorte e outras toda a vida malfadadas, certas cidades parece terem surgido sob um signo feliz. Na aparência, pouco as distingue dos outros aglomerados seus contemporâneos; no entanto, todas as graças do espírito se acumulam nelas. São berço de grandes homens ou aos seus muros se acolhem dos mais talentosos. Constituem clima próprio para o pujar das artes e dir-se-ia poder a inteligência respirar melhor na sua atmosfera. Como se não bastasse essa riqueza, até os bens materiais a elas acodem para a aumentar. Assim foram Atenas, Roma, Florença.
Jaime Brasil, Leonardo da Vinci e o Seu Tempo, Lisboa, Portugália Editora, 1959, p. 7.

Saturday, February 07, 2009

clássicos da bibliografia castriana - Alexandre Cabral

O génio, bizarra personalidade, melhor, individualidade, criador do mundo dinâmico, vertiginoso, febril, que sintetiza em si a essência divina do Homem, floresce quase sempre, por triste ironia, nos pântanos da miséria. Aí se caldeia, aí se refina a sensibilidade do futuro eleito. A miséria, a fome, o infortúnio alarga-lhe as perspectivas, desenvolve-lhe ao mais elevado grau o sentimento fraterno de solidariedade humana elevando-o acima dos outros homens. Foram eles, os eleitos, que primeiro discerniram, lá longe, embora, as possibilidades de uma modificação total da sociedade humana. Com a própria dor e sobre ela, arquitectaram e arquitectam as paredes do futuro edifício social. De tal modo a fome e a miséria têm influência no espírito do eleito que o indivíduo vulgar não pode traduzir em ritmos de beleza, em traços vigorosos, dramáticos e chocantes, os dramas da vida: esses múltiplos episódios que constituem o grande, o inconcebível drama humanao. Não pode. E não pode porque jamais a sua sensibilidade se purificou no fogo lento do sofrimento.
Alexandre Cabral, Ferreira de castro -- o Seu Drama e a Sua Obra, Lisboa, Portugália Editora, 1940, p. 9.