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Monday, December 28, 2009

Viajar com Ferreira de Castro (2)

Assim se explica que, lançado na torrente migratória, de cá para lá, fosse , mais propriamente na Amazónia, onde rareavam os livros, que Castro escreveu uma noveleta intitulada Criminoso por Ambição, vindo a editá-la em fascículos em 1916, em Belém. Foi na biblioteca pública dessa cidade que aproveitou os intervalos dos biscates incertos para se educar a si próprio, lendo, lendo muito, autores portugueses, brasileiros, traduções de Balzac, Hugo ou Zola e um sem-número de livros de filosofia, política, sociologia.
Viajar com Ferreira de Castro, Porto, Edições Caixotim e Delegação Regional da Cultura do Norte, s.d., p. 1.

Wednesday, May 20, 2009

Ferreira de Castro agitador no Brasil (2)

Nascido em Ossela, Oliveira de Azeméis, em 1898, Ferreira de Castro emigrou para o Brasil aos 12 anos, embarcando no vapor «Jerôme», rumo a Belém do Pará.

mercado de Ver-o-Peso, Belém do Pará

foto daqui
(continua)

Tuesday, March 17, 2009

Viajar com Ferreira de Castro (1)

Ferreira de Castro -- O triunfo de uma vocação
Tivesse ou não emigrado para o Brasil, ainda criança e sozinho, Ferreira de Castro seria sempre escritor. Foi essa a sua convicção e é também a nossa. Um escritor diferente, por certo, sem as marcas fortíssimas da infância tornada rapidamente maturidade pela vivência imposta pelo seringal amazónico, pelos homens que aí viviam e por uma Belém do Pará em crise, mas ainda com os restos do fausto trazido pela exploração da borracha no início do século XX. A verdade é que quando o pequeno Zeca passava à porta do jornal local ou folheava O Comércio do Porto, sentia o secreto apelo da escrita como algo a que ele já estaria condenado.
Ricardo António Alves, Viajar com Ferreira de Castro, Porto, Edições Caixotim / Ministério da Cultura, [2004], p. 1.

Sunday, June 18, 2006

A propósito de «Última dádiva», de Trindade Coelho


Causa-nos sempre grande impressão tomarmos consciência de que uma criança com onze anos e meio -- a idade que tinha Ferreira de Castro quando chegou a sua vez de partir -- tenha emigrado sozinha para o Brasil, (mal) confiada a um vago parente. Muitas crianças, porém, estiveram na mesma situação, entre meados do século XIX e as primeiras décadas da centúria seguinte. Algumas delas lograram ter também um percurso literário. Foi o caso de Francisco Gomes de Amorim (1827-1891) ou de Miguel Torga (1907-1995).
Trindade Coelho (1861-1908) transmite-nos essa angústia num belíssimo conto de Os Meus Amores (1891), intitulado «Última dádiva», mostrando-nos o sofrimento de um pai quando as despedidas se avizinham:
«--Pois são horas de largar, Sr. José, isto vai pràs duas. Não tarda que comece a amanhecer. -- E como estavam à porta de casa: -- Será bom acordar já o pequeno: veste, não veste, é tempo que se vai. -- Iam à vela se o tempo não mudasse. Era bom aviar, por isso.
Mas, à ideia de ter de acordar o pequeno, o José Cosme deixou-se cair pelo banco que estava debaixo do alpendre e desatou a chorar violentamente.
O barqueiro tentou animá-lo, constrangido:
-- Então, Sr. José?... O chorar é lá para as mulheres! Olhem agora que homem! -- E tentava levantá-lo, pô-lo de pé. -- Limpe lá essas lágrimas que vai afligir o pequeno! Ou quer que ele vá a chorar todo o caminho?
O Cosme fez que não com a cabeça, violentamente, e pôs-se a enxugar os olhos com a manga da camisa.
-- Pois então levante-se lá. -- E segurou-o com força por baixo dos braços. Assim! Lá porque o pequeno vai para o Brasil, não fique vossemecê a pensar que o não torna a ver!
Mas era isso mesmo o que ele pensava...
-- Porque não sei que me adivinha que não torno a ver o pequeno! -- concluiu a chorar o José Cosme.
-- Cismas!, lembranças que vêm à gente quando está aflita. Mas há-de vê-lo que o não há-de conhecer, digo-lho eu! Mais ano mesmos ano, aparece-lhe aí rico...
"Rico! Bem lhe importava a ele que o pequeno viesse rico! O que desejava era que voltasse e que ele ainda fosse vivo só para o abraçar."
[...]
O José Cosme acendeu então a candeia, receoso de que a luz o acordasse, e achegando-se do filho pôs-se a escutar-lhe a respiração. Dormia!... Mas brandamente pousou-lhe a mão sobre a cabeça, e chamou baixinho, quase ao ouvido, beijando-o, sobressaltado, como se fosse praticar um grande crime:
-- Filho, olha que são horas, meu filho...»
Trindade Coelho, Os Meus Amores, 3.ª edição, Mem Martins, Publicações Europa-América, s. d., pp. 60-62.

Saturday, May 06, 2006

emigrantes italianos a bordo
Emigrantes húngaros, 1920