Wednesday, June 29, 2016

c@striana


Cinco números em papel, e, a partir de hoje, 
42 anos após a morte de Ferreira de Castro,

Saturday, June 25, 2016

"Uma página de Ferreira de Castro"

Todos os anos, num fim-de-semana de Maio, o CEFC promove os Encontros Ferreira de Castro, que reúne estudiosos e leitores, em que às comunicações mais ou menos informais se seguem passeios e convívio por aquelas paragens de Ossela, Oliveira de Azeméis e Vale de Cambra.
Os encontros começam sempre nas sextas à noite na adega da casa onde o escritor nasceu. A partir deste ano, lançámos o desafio a cada um dos participantes a escolherem uma passagem, lendo-a aos restantes, seguindo-se um diálogo entre os presentes.
Houve dez que se chegaram à frente, tendo eu registado a origem das escolhas. Na ficção: Emigrantes (1), A Selva (2), Terra Fria (2), A Curva da Estrada (1), A Missão (1); não-ficção: Ecos da Semana, O Segredo das Nossas Derrotas -- Como eu fui preso no Limoeiro, Mensagem (1949).
Para o ano haverá mais.

Thursday, June 02, 2016

Ferreira de Castro na BNL






O meu texto para a a mostra com que a Biblioteca Nacional, em parceria com o CEFC, assinala o centenário da publicação do primeiro livro de Ferreira de Castro, Criminoso por Ambição, escrito aos 14-15 anos, ainda na Amazónia. De 8 de Junho a 29 de Julho.

Tuesday, May 10, 2016

«Sob as velhas árvores românticas»: do significado de Sintra para Ferreira de Castro (8)

fonte
Mas é outra a Natureza que o cativa: a placidez do Vale de Ossela, o verde minhoto, a paisagem de Sintra. Num texto de 1964, «O último quarto de hora da minha vida», o escritor assinala inequivocamente a sua propensão metafísica para essa simbiose de matéria e espírito, que se manifesta não apenas no indivíduo José Maria Ferreira de Castro e também na própria obra e estilo do romancista, como acima se assinalou: 

«[…] Toda a minha existência de homem e de escritor está vinculada a esta paixão. Foi em convívio com a Natureza que os sentimentos de amor se sublimaram sempre em mim, foi em contacto com ela que elaborei a maioria das páginas que tenho escrito. As minhas demoradas estadas nesse pequeno mundo de beleza insigne que é Sintra, com tantas veredas dum intimismo lírico, tantos rincões secretos onde a poesia habita e tanta espiritualidade pairante, como se tudo propiciasse, às horas vespertinas, uma perfeita e voluptuosa fusão dos corpos e das almas, devem-se à irresistível fascinação que em mim exercem as grandes e verdes paisagens. […]» (in Museu Ferreira de Castro – Periódicos, MFC/D – Ferreira de Castro, «O último quarto de hora da minha vida», O Século Ilustrado #1369, Lisboa, 28 de Março de 1964: 12).

(artigo completo)

Thursday, May 05, 2016

«Paisagens Culturais em Ferreira de Castro»

Um colóquio pro suculento organizado pela UTAD, assinalando os 100 anos de publicação do primeiro livro, romancinho Criminoso por Ambição. Uma pena não poder assistir.

(programa em baixo)










Thursday, April 28, 2016

admirar & amar

Escreve Eugénio Lisboa, no último JL («Sá-Carneiro visto por Régio -- O oiro e a neve») que os grandes escritores, relativamente aos colegas que os precederam, amam uns e admiram outros:
«Pessoa admirava Milton e amava Dickens. Flaubert admirava Zola, mas amava Hugo. Régio admirava Eça e Pessoa, mas amava Camilo e Sá-Carneiro. Há aqueles com quem sentimos afinidades e aqueles em quem admiramos qualidades que não temos nem nos interessa particularmente ter.»
Fiquei a pensar no caso de Ferreira de Castro. De imediato chegaram-se à frente dois nomes essenciais. Raul Brandão e Aquilino Ribeiro. Creio poder dizer, com segurança, que, posto assim, Castro admirava Aquilino, mas amava Brandão. Em Aquilino, a torrente lexical, mahleriana, se assim o posso dizer, e provavelmente o humor; em Raul Brandão, o poético, o trágico, o fragmentário, a dor. A dos outros, humilhados e ofendidos, as próprias, do pobre ser humano em face do enigma da morte.

Tuesday, April 26, 2016

«Sob as velhas árvores românticas»: do significado de Sintra para Ferreira de Castro (8)

Mas é outra a Natureza que o cativa: a placidez do Vale de Ossela, o verde minhoto, a paisagem de Sintra. Num texto de 1964, «O último quarto de hora da minha vida», o escritor assinala inequivocamente a sua propensão metafísica para essa simbiose de matéria e espírito, que se manifesta não apenas no indivíduo José Maria Ferreira de Castro e também na própria obra e estilo do romancista, como acima se assinalou: 

«[…] Toda a minha existência de homem e de escritor está vinculada a esta paixão. Foi em convívio com a Natureza que os sentimentos de amor se sublimaram sempre em mim, foi em contacto com ela que elaborei a maioria das páginas que tenho escrito. As minhas demoradas estadas nesse pequeno mundo de beleza insigne que é Sintra, com tantas veredas dum intimismo lírico, tantos rincões secretos onde a poesia habita e tanta espiritualidade pairante, como se tudo propiciasse, às horas vespertinas, uma perfeita e voluptuosa fusão dos corpos e das almas, devem-se à irresistível fascinação que em mim exercem as grandes e verdes paisagens. […]» 

(in Museu Ferreira de Castro – Periódicos, MFC/D – Ferreira de Castro, «O último quarto de hora da minha vida», O Século Ilustrado #1369, Lisboa, 28 de Março de 1964: 12).

Wednesday, April 20, 2016

O primeiro livro de Ferreira de Castro.

Esta sexta-feira, 22 de Abril, no MU.SA, Museu das Artes de Sintra, pelas 18 horas, irei falar sobre o primeiro livro de Ferreira de Castro, Criminoso por Ambição, obra juvenil de Ferreira de Castro, escrita ainda no seringal Paraíso entre 1912 e 1913, e publicada há cem anos em Belém do Pará.
Procurarei mostrar o que já se anunciava do autor maduro neste romancinho inicial, escrito por um adolescente tornado adulto precocemente.
Estão todos convidados. 

Thursday, March 31, 2016

«Sob as velhas árvores românticas»: do significado de Sintra para Ferreira de Castro (7)

A escolha de Sintra por Ferreira de Castro como um dos seus lugares de eleição para escreviver – como diria Cruz Malpique (ver Cruz Malpique, «O problema sentimental da emigração no romancista português Ferreira de Castro e na poetisa galega Rosalía de Castro», In Memoriam de Ferreira de Castro, Cascais, Arquivo Biobibliográfico dos Escritores e Homens de Letras de Portugal, 1976: 169) –, tem um impulso sinestésico, tanto mais interessante quanto ele pôde conhecer a face negra da Natureza, em que o Homem não passa de um títere manejado inexoravelmente pela força titânica dos Elementos, que não consegue aplacar. (1)

(1)  «[…] A selva dominava tudo. Não era o segundo reino, era o primeiro em força e categoria, tudo abandonando a um plano secundário. E o homem, simples transeunte no flanco do enigma, via-se obrigado a entregar o seu destino àquele despotismo. O animal esfrangalhava-se no império vegetal e, para ter alguma voz na solidão reinante, forçoso se lhe tornava vestir pele de fera. A árvore solitária, que borda melancolicamente campos e regatos na Europa, perdia ali a sua graça e romântica sugestão e, surgindo em brenha inquietante, impunha-se como um inimigo. […]». (in Ferreira de Castro, A Selva [1930], Lisboa, Guimarães & C.ª – Editores, 1980(32.ª ed.): 106).

(artigo completo)

Tuesday, March 29, 2016

Roberto Nobre na «Colecção D»


 O percurso gráfico de Roberto Nobre, enquanto designer, capista, cartazista e ilustrador, área que foi paulatinamente abandonado para se dedicar à outra paixão em que foi o maior da sua geração a da crítica e ensaio cinematográficos.Um projecto de Jorge Silva, com textos de José Bártolo e Vasco Rosa.  («Colecção D» , nº 10, in-cm., 2015)

Sunday, March 13, 2016

Vitorino Nemésio sobre Ferreira de Castro: «Se bem me lembro» (6 de Julho de 1974)


Gravado imediatamente após a morte de Ferreira de Castro (a 29 de Julho).
Fascinante, o brilho em acção de um dos maiores poetas da nossa língua, do romancista genial de Mau Tempo no Canal (1944), do ensaísta vivíssimo.
Um ou outro lapso factual dele e uma ou outra discordância minha, que não interessa para nada.
Do Arquivo da RTP, aqui.