«Ler Ferreira de Castro, 40 anos depois». No Museu Ferreira de Castro, sexta-feira, 30 de Janeiro, pelas 19 horas.
informações: dcul.museu.fcastro@cm-sintra.pt;
tel.: 219238828

um blogue para ir estando com o autor de A SELVA e os seus amigos de sempre: Assis Esperança, Jaime Brasil e Roberto Nobre (desde 30 de Abril de 2006)

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| Joaquim Manso retratado por Guilherme Filipe Museu J. Manso, Nazaré |
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| Ferreira de Castro, Jaime Cortesão e Luís da Câmara Reys Sintra, Setembro de 1952 |
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| Ricardo Velosa |
Em «Pequena História de "A Selva"» -- escrita para a edição comemorativa de 1955 -- o autor de A Volta ao Mundo alude ao «velho terror» que o dominava sempre quer tentava aproximar-se literariamente da selva, abrindo feridas mal saradas: «Foi esse momento tão extraordinariamente grave para o meu espírito, que desde então não corre uma única semana sem eu sonhar que regresso à selva, como, após a evasão frustrada, se volta, de cabeça baixa e braços caídos, a um presídio. E quando o terrível pesadelo me faz acordar, cheio de aflição, tenho de acender a luze de olhar o quarto até me convencer de que sonho apenas [...]»
Como saiu dessa situação? Numa dada altura telefonaram-me para ir à redacção* e levar a máquina. Não tinham fotógrafo para fazer um trabalho e lembraram-se de mim. 'Não havia aí um miúdo, o que é feito dele? Deixei de o ver'. 'O João não o quer cá.' 'O João não o quer cá?!'. Isto soube eu depois. Fui fotografar o Ferreira de Castro para o suplemento literário. Fiz uma série de fotografias e depois sugeri: 'Não se importa de ir para aqui, para ali, disse que costumava escrever acolá...' Até tirei fotografias às mãos. Revelei o rolo com todo o carinho -- um rolo meu -- e mandei-o para a redacção.
Cumprem-se 100 anos sobre o nascimento de Elena Muriel Ferreira de Castro. Republico o que escrevi no Abencerragem, por ocasião do seu falecimento, em 21 de Janeiro de 2007.
Através deste post do Ephemera, de José Pacheco Pereira, dei com três interessantes informações da Censura sobre outros tantos romances de Assis Esperança: Gente de Bem (1938), Servidão (1946) e Pão Incerto (1964). A ler: http://ephemerajpp.com/2010/11/05/censura-%e2%80%93-despachos-da-direccao-dos-servicos-da-censura-relativos-a-livros-de-assis-esperanca/.![]() |
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Leio a evocação de Albert Camus no Expresso, expressiva evocação escrita por Clara Ferreira Alves. À baila teria de vir os nomes doutros grandes escritores lucidamente antitotalitários, Arthur Koestler e George Orwell. Lúcida e corajosamente antitotalitários: era mais fácil ir na onda das verdades anunciadas, do dogmatismo político para-religioso, que resultou na mentira, na perseguição, nos hospitais psiquiátricos, na tortura e na morte.
Estes tipos eram inteligentes, e certamente não se ficaram pelo papaguear das palavras-de-ordem, pela catequização funcionária do Partido. E leram, leram de certeza, o seu Lenine e o seu Marx para perceberem que aquilo era um pensamento intolerante, cuja aplicação prática não poderia ter deixado de ser o que foi: um desastre.
Mas as ideias libertárias que professou estão todas inscritas na sua obra. Basta sabê-la ler, algo que, nas últimas décadas, a nulidade do pensamento e do gosto dominantes não soube fazer, com as devidas e honrosíssimas excepções que, já agora, assinalo aqui com imenso gosto: Eugénio Lisboa, António Cândido Franco, poucos mais.