* uma aguerrida política de propaganda por parte do Estado Novo e do seu corifeu António Ferro, através do SPN, pondo em confronto a «estetização da política» como refere Viçoso à «politização da estética», por parte dos neo-realistas. Aliás, Vítor Viçoso regista a prevalência de «dois nacionalismos distintos» (p. 43): um retrógrado e paroquial, mas estilizado, fomentado pelo poder; o outro, universalista e humanista, no pressuposto da emancipação humana;
Monday, December 26, 2011
Sunday, December 25, 2011
Selecções Álibi
737. IPS, H. & MACOFI (selecção e notas), Selecções Álibi, vol. III, Lisboa, Editorial Álibi, s.d.; 72 págs.; 21,2x15x0,4 cm.; broch.
Género: Ficção narrativa (conto).
Categoria: Literatura portuguesa; Antologias.
Autores antologiados: Reinaldo Ferreira (Repórter X), Ferreira de Castro, Eduardo Frias, Mário Domingues, José da Natividade Gaspar, Francisco A. Branco e H. Ips & Macofi.
Estado: bom.
Obs.: «A Chinesa do Avenida Palace», de Ferreira de Castro, extraída de um Almanaque Bertrand, década de 1920; Ips &; Macofi, um pseudónimo (Mário Domingues?).
Capa: Machado.
Tuesday, December 13, 2011
Vítor Viçoso, A NARRATIVA NO MOVIMENTO NEO-REALISTA – AS VOZES SOCIAIS E OS UNIVERSOS DA FICÇÃO (5)
* a polémica entre José Rodrigues Miguéis e Castelo Branco Chaves nas páginas da Seara Nova – movimento de grande nobreza cívica e cultural que, nas palavras de Raul Proença, se situava à extrema-esquerda do regime republicano; dissensão que leva ao abandono da revista do primeiro, já activista comunista, deixando de reconhecer-se no liberalismo socialista do grupo de Proença, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro e António Sérgio;
Monday, December 05, 2011
Vítor Viçoso, A NARRATIVA NO MOVIMENTO NEO-REALISTA -- AS VOZES SOCIAIS E OS UNIVERSOS DA FICÇÃO (4)
* a conferência de Bento de Jesus Caraça, em 1933, A Cultura Integral do Indivíduo – Problema Central do Nosso Tempo, proferida na Universidade Popular Portuguesa, que, segundo o autor é «um dos textos fundadores de uma nova mundividência, na qual a cultura democrática como modo de dignificação e de libertação do ser humano constituía um núcleo fecundo.» (p. 22);
Thursday, December 01, 2011
Ferreira de Castro e os seus médicos
Castro, após a sua permanência na Amazónia, teve sempre uma saúde instável. No Bernardino Machado, excelente blogue alimentado pelo seu neto, Manuel, leio sobre a justa homenagem aos docentes de Coimbra afastados das suas cátedras pelo Estado Novo. Nela figuram três dos médicos do escritor: Celestino da Costa, Fernando da Fonseca e Pulido Valente. Este, em 1953, teve uma intevenção decisiva numa grave crise que implicou três intervenções cirúrgicas. Tal como Reinaldo dos Santos, em 1931, que debelou uma septicemia -- e Rufino Ribeiro, um oftalmologista do Norte (creio que do Porto)
Wednesday, November 30, 2011
VÍTOR VIÇOSO, A NARRATIVA NO MOVIMENTO NEO-REALISTA – AS VOZES SOCIAIS E OS UNIVERSOS DA FICÇÃO (3)
Esta elite, cujo núcleos iniciais se dispersavam por Coimbra, na sua maioria, mas também Vila Franca de Xira e Lisboa, manifesta-se a partir da segunda metade da década de 1930, num ambiente político, social, económico, ideológico e cultural extremamente polarizados, e disso tratará Vítor Viçoso no capítulo inicial, significativamente intitulado «A Tragédia do Mundo e o Neo-Realismo». Aí podemos seguir algumas das etapas que levam à constituição desta corrente, significativamente pontuada por condicionantes e factos importantes ou decisivos:
Tuesday, November 22, 2011
Vítor Viçoso, A NARRATIVA NO MOVIMENTO NEO-REALISTA -- AS VOZES SOCIAIS E OS UNIVERSOS DA FICÇÃO (2)
O autor estabelece previamente uma contextualização histórico-cultural de grande interesse e utilidade, uma vez que, como sabemos, nada nasce de geração espontânea. Há condicionantes internas e externas que são fundamentais para que elementos de uma comunidade estabeleçam entre si afinidades que posteriormente se manifestam de uma forma coerente. Desde logo uma afinidade geracional, sociológica e ideológica. E por isso, na «Introdução» somos informados de que os autores com que nos vamos defrontar pertencem a uma «elite cultural maioritariamente de origem pequeno-burguesa ou de camadas populares mais politizadas, identificadas com o marxismo ou na sua vizinhança ideológica». (p. 11)
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Thursday, November 10, 2011
A NARRATIVA NO MOVIMENTO NEO-REALISTA -- AS VOZES SOCIAIS E OS UNIVERSOS DA FICÇÃO, de Vítor Viçoso (1)
A Narrativa no Movimento Neo-Realista – As Vozes Sociais e os Universos da Ficção, de Vítor Viçoso (Lisboa, Edições Colibri, 2011) consiste num panorama vasto da narrativa neo-realista, analisada com minúcia a partir de um conjunto de 148 títulos de bibliografia activa – corpus mais do que suficiente para determinar com segurança as linhas-de-força de uma corrente literária.
Quando falamos em narrativa neo-realista e nos seus autores, referimo-nos à mais importante corrente literária do século XX: não na poesia – apesar de Carlos de Oliveira, Mário Dionísio ou Manuel da Fonseca; não no ensaísmo e na crítica – apesar de (outra vez) Mário Dionísio, Álvaro Salema ou António José Saraiva, entre muitos outros –, mas, claramente, na ficção narrativa e, em particular, no romance. Basta lembrar os maiores: Alves Redol, Manuel da Fonseca, Fernando Namora, Carlos de Oliveira, para não falar naqueles que dele se distanciaram em maior ou menor grau, como Vergílio Ferreira e José Marmelo e Silva, ou de Soeiro Pereira Gomes, que morre prematuramente apenas com um livro publicado – sem esquecer, naturalmente, Ferreira de Castro, da geração anterior, mas de quem tem sempre de ser citado com pormenor quando se aborda o neo-realismo.
(texto lido na apresentação do livro no Café Saudade, Sintra, em 21 de Outubro de 2011)
(texto lido na apresentação do livro no Café Saudade, Sintra, em 21 de Outubro de 2011)
Thursday, September 22, 2011
Natureza e Homem em Ferreira de Castro
«Natureza e Homem em Ferreira de Castro: Imagens de uma relação», conferência por Ana Cristina Carvalho, sexta-feira, 23 de Setembro, pelas 18 horas, no Museu Ferreira de Castro.
Ilustração: Alex Gozblau
Monday, July 18, 2011
Jaime Brasil, anarquista (3)
2. Jornalista, Jaime Brasil (Angra do Heroísmo, 1892 -- Lisboa, 1966) destacou-se no que costumamos designar por «imprensa cultural», com particular destaque para o jornal O Globo -- Hebdomadário de Cultura, Doutrina e Informação, de que saíram pelo menos 27 números (4), e no suplemento «Das Artes e das Letras» de O Primeiro de Janeiro, que coordenou entre as décadas de 1940 e 1960.
(4) Daniel Pires, Dicionário da imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX (1900-1940), Lisboa, Grifo, 1996, pp. 185-186.
(4) Daniel Pires, Dicionário da imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX (1900-1940), Lisboa, Grifo, 1996, pp. 185-186.
Monday, April 18, 2011
«Obras Completas»
Por razões de ordem prática, as passagens dos livros de Ferreira de Castro que aqui postarei, serão extraídas das Obras Completas, em seis volumes, publicadas pela RBA Editores, Barcelona, 2005-2007, que teve por matriz a edição do Círculo de Leitores, em 18 volumes, Lisboa, 1985-1986: de Emigrantes (1928) a Os Fragmentos (1974). (Pessoalmente, prefiro as «Obras Completas» da Lello & Irmão (Porto, 1975, organizadas por Álvaro Salema). Ficam de fora as obras da primeira fase, de Criminoso por Ambição (1916) a O Voo nas Trevas (1927) e a peça póstuma Sim, Uma Dúvida Basta (1994), que não podia integrar as edições Lello e Círculo de Leitores, mas já deveria figurar na da RBA. As capas remeterão sempre para a 1.ª edição respectiva.
nota (20-XII-2011): estando a reformular o blogue, este post deixou de fazer sentido. Mantenho-o, contudo, por ser o único a referir-se a estas «Obras Completas».
Sunday, April 17, 2011
Da correspondência com Ferreira de Castro (2)
Género literário singular, a cuja elaboração não preside, na maioria dos casos, uma intenção de publicidade, a correspondência permite iluminar, esclarecer e muitas vezes repensar as noções adquiridas sobre uma personalidade ou uma época histórica.
in Jaime Brasil, Cartas a Ferreira de Castro, Sintra, Câmara Municipal / Museu Ferreira de Castro e Instituto Português de Museus, 2006.
Monday, April 11, 2011
Histórias de livros: Entre o Ocidente e o Oriente
Macau estará em debate, a partir de duas obras literárias, uma delas A Volta ao Mundo, dia 13, aqui.
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Friday, April 08, 2011
BiblioHistória
O Instinto Supremo e Ferreira de Castro passam a integrar a magnífica base de dados de Pedro Almeida Vieira, um instrumento de consulta obrigatória para todos quantos se interessam pelo romance histórico português.
Wednesday, March 30, 2011
Ferreira de Castro, Raul Proença e o «Guia de Portugal» (3)
Em 1921, ano em que se inicia a publicação da revista [Seara Nova], a 1.ª República estava ferida de morte. O breve consulado de Sidónio Pais fora apenas um sério aviso em face da degradação a que a burguesia jacobina tinha submetido o país, com ondas de choque de sinais contrários -- do restauracionismo monárquico (1919) às brigadas turbulentas da «leva da morte» (1918) e da «noite sangrenta» (1921). Com o país no caos e a caminho do abismo, um grupo de escol lança um programa que designa como de «salvação», em cinco pontos:1) «Renovar a mentalidade da elite portuguesa, tornando-a capaz dum verdadeiro movimento de salvação;»
2) «Criar uma opinião pública nacional que exija e apoie as reformas necessárias;»
3) «Defender os interesses supremos da nação, opondo-se ao espírito de rapina das oligarquias dominantes e ao egoísmo dos grupos classes e partidos;»
4) «Protestar contra todos os movimentos revolucionários, e todavia defender e definir a grande causa da verdadeira Revolução;»
5) Contribuir para formar, acima das Pátrias, a união de todas as Pátrias -- uma consciência internacional bastante forte para não permitir novas lutas fratricidas». (1)
(1) In Sottomayor Cardia (edição), Seara Nova -- Antologia -- Pela Refroma da República (1) (1921-1926), Lisboa, Seara Nova, 1971, p. 89.
Castriana #2, Ossela, Centro de Estudos Ferreira de Castro, 2004.
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Sunday, March 27, 2011
mais uma beleza da T.
no Dias que Voam. Castro prepara-se para A Lã e a Neve (1947), uma da suas obras-primas. A notícia datará de 1945-46. Uma observação: em cima da estante vê-se um fauno em bronze, que lhe foi oferecido por Manuel Teixeira-Gomes, e uma cerâmica mais pequena representando Ganesh, o deus-elefante do hinduísmo, pelo qual o escritor tinha particular aversão, tal como no-lo relata em A Volta ao Mundo. Ambos podem ser vistos no Museu Ferreira de Castro.
Wednesday, March 16, 2011
Viajar com Ferreira de Castro (3)
Esta vontade inabalável que assiste todas as vocações permitiu ao jovem autor, no regresso ao país, singrar simultaneamente no jornalismo e na escrita, abandonando mais tarde a missão de publicista para se consagrar definitivamente à sua obra. O autodidactismo não foi obstáculo a que, até 1927, publicasse um número apreciável de títulos que virá, logo na década seguinte, a excluir da sua tábua bibliográfica e a impedir que fossem reeditados. Com injustiça para alguns deles, diga-se; porém, o percurso errático que caracteriza esse período, próprio de quem se procura como autor, foi determinante para essa decisão.
«Ferreira de Castro -- O triunfo de uma vocação», Viajar com... Ferreira de Castro, Porto, Edições Caixotim e Ministério da Cultura / Norte, s.d.
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Thursday, March 03, 2011
Para além das ortodoxias: Ferreira de Castro e Francisco Costa (3)
Escrevendo sobre o último livro de Francisco Costa, José Carlos Seabra Pereira notou a persistência de um «franciscanismo» que se manifesta num intenso poema como «Cristo na rua» (5), já evidenciado naquele mesmo Verbo Austero, explicitamente em poemas como «Caridade», «O monge» ou o quinto poema de «Per crucem ad lucem» (6): «[...] Dei do meu pão; lavei mais duma chaga; / chorando, enxuguei lágrimas; e em paga / hei-de fitar o Sol, -- supremo gozo! [...]» (7) Ora o franciscanismo pressupõe uma atitude de opção pelos pobres e desprotegidos, de comunhão com o mundo dos homens que não era estranha a Ferreira de Castro, mesmo se por esse então a sua literatura participasse da euforia [a]pós-modernista dos anos vinte -- um modernismo então já com o postiço das lantejoulas à António Ferro, enquanto não chegava o assentamento presencista --, remetendo para um secundário plano temas pretensamente «vulgares». (8)
(5) Francisco Costa, Última Colheita, p. 49.
(6) José Carlos Seabra pereira, «A poesia na jornada de Francisco Costa», Colóquio / Letras #100, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1987, pp. 139-141.
(7) Francisco Costa, Verbo Austero, p. 104.
(8) Na 1.ª edição de Emigrantes (Lisboa, livraria Renascença, 1928), castro refere-se ao motivo excepcional da obra, muito diferente do que se passava com os seus livros anteriores.
Vária Escrita #10, t. II, Sintra, Câmara Municipal, 2010.
Saturday, February 12, 2011
Friday, February 04, 2011
Thursday, February 03, 2011
Roberto Nobre - Uma vida por imagens (3)
Nascido no ínicio do século XX (27-III-1903), Roberto Nobre é bem um exemplo de artista contagiado pelo espírito do seu tempo. Um figurativo dinâmico, nervoso, com alongamentos que evocam Modigliani, um geometrismo tantas vezes presentes na obra gráfica; e um conhecimento profundo da 7.ª Arte, da arte do seu tempo, da «estética dinâmica», que ele praticou e compreendeu como poucos à sua época, dela falando com paixão e com razão, dignificando-a como nobre manifestação do espírito humano.
In Roberto Nobre -- 1903-2003, São Brás de Alportel, Câmara Municipal, 2003.
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Thursday, January 27, 2011
Páginas de Amor dos Melhores Autores Portugueses (1944)
organizadores: António Feio e Raul Feio
Vasco de Lobeira [ou João de Lobeira], Sóror Mariana Alcoforado [sic], Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Fialho de Almeida, Carlos Malheiro Dias, Afonso Lopes Vieira, Júlio Dantas, Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, Magnus Bergström, Joaquim Paço d’Arcos, José Régio, Manuel de Campos Pereira, Vitorino Nemésio.
Lisboa, edição dos Antologiadores, 1944.
(excerto de Eternidade)
Tuesday, January 25, 2011
Um medo frio - Breve nota sobre a memorialística castriana (3)
Personagem influente da cultura portuguesa novecentista, um dos últimos abencerragens do escritor-farol à maneira de um Victor Hugo, de um Guerra Junqueiro, de um Émile Zola -- mas também de um Romain Rolland ou de um Aquilino Ribeiro, Castro granjeou um prestígio como romancista e uma autoridade moral como figura intelectual da Oposição -- embora nunca arregimentada, tenazmente independente e individual -- suficientemente significativos para ser tido como um potencial candidato às Presidenciais de 1958, sondado para o efeito por intelectuais do PCP, e cuja recusa viria a estar na origem da escolha do seu amigo e contertuliano Arlindo Vicente. Uma natural vivência intelectual intramuros e fora de portas, um estreito relacionamento com figuras como Raul Brandão ou Brito Camacho, os contactos privilegiados que teve com diversos escritores estrangeiros, de Blaise Cendrars a Louis Aragon, passando por Stefan Zweig, a amizade com Jorge Amado e muitos outros autores brasileiros que seria fastidioso enumerar, os prémios internacionais e as distinções vindas um pouco de toda a parte, em especial do Brasil e de França -- tudo isto daria para uma narrativa de memórias cheia de interesse -- porém superficial, em face da existência invulgar que foi a sua, tão exaltante quanto surpreendente.
Sol XXI #38/39, Carcavelos, 2003
Tuesday, January 18, 2011
Ferreira de Castro e João Pedro de Andrade (3)
No decorrer dos trabalhos para este Centenário, verificámos que existiu também uma ligação a Sintra, na década de 60, quando Andrade arrendou uma casa na Vila Velha, mais concretamente na Rua da Pendoa, a meio caminho do local em que hoje estamos e o velho Hotel Neto, onde Castro costumeiramente se hospedava.
Na última carta conhecida de João Pedro de Andrade, de 3 de Novembro de 1964, este informa Ferreira de Castro estar aos fins-de-semana num «tugúrio» que por cá arrendara:
Passo grande pedaços no café Paris, depois do almoço e do jantar, a caturrar com um velho amigo. E tenho devassado aquelas estradas e veredas saudavelmente a pé. (Pertenço à minoria dos portugueses que não têm automóvel.)1
1Lisboa, 3 de Novembro de 1964 -- MFC/B-1/2096/Cx.176/Doc.19/Ms.
João Pedro de Andrade, Centenário do Nascimento (1902-2002), Actas & Colóquios da Hemeroteca #2, Lisboa, Câmara Municipal, 2004.
Na última carta conhecida de João Pedro de Andrade, de 3 de Novembro de 1964, este informa Ferreira de Castro estar aos fins-de-semana num «tugúrio» que por cá arrendara:
Passo grande pedaços no café Paris, depois do almoço e do jantar, a caturrar com um velho amigo. E tenho devassado aquelas estradas e veredas saudavelmente a pé. (Pertenço à minoria dos portugueses que não têm automóvel.)1
1Lisboa, 3 de Novembro de 1964 -- MFC/B-1/2096/Cx.176/Doc.19/Ms.
João Pedro de Andrade, Centenário do Nascimento (1902-2002), Actas & Colóquios da Hemeroteca #2, Lisboa, Câmara Municipal, 2004.
Friday, January 07, 2011
1911
Faz hoje cem anos que um garoto embarcou sozinho no porto de Leixões rumo a Belém do Pará. Chamava-se José Maria Ferreira de Castro, «tinha 12 anos, 7 meses e 14 dias», acabara de ler um número da Ilustração e encetava um dos mais extraordinários percursos que um indivíduo pode realizar: acrescentar ao Mundo algo de si.Sem que nada o sugerisse -- pelo menos à gente rude de onde ele provinha --, aquela criança começou a escrever num seringal da Amazónia, e quando de lá saiu para a capital paraense editou, logo que pôde, um romance ingénuo, que venderia em fascículos de porta em porta, intitulado Criminoso por Ambição. Corria o ano de 1916. Não era previsível que um filho de camponeses, apenas com a quarta classe, viesse a ser um dos maiores escritores portugueses do século XX, autor de, pelo menos, duas obras-primas -- A Selva (1930), um livro único, e A Lã e a Neve (1947), um exemplo das capacidades de um grande romancista no seu apogeu --, e de um punhado de livros relevantíssimos que, só por si, torná-lo-iam um dos romancistas mais consistentes do seu tempo: Emigrantes (1928), Eternidade (1933), Terra Fria (1934), A Tempestade (1940), A Curva da Estrada (1950), A Missão (1954) e O Instinto Supremo (1968), sem esquecer outros títulos, como A Volta ao Mundo (1940-44), um marco na secular literatura de viagens dos portugueses.Ferreira de Castro foi um pioneiro na introdução em Portugal de uma literatura de intuitos revolucionários, com Emigrantes (1928). Mas foi muito mais do que isso: um psicologista fino, um estilista exigente, um autor atormentado pelo destino inexorável de todo o ser vivente, a morte, um ecologista avant la lettre, um defensor dos animais, um feminista, um libertário, um anarquista no mais puro e verdadeiro sentido da palavra.
Para quem ache os prémios importantes, deixo aqui registados os mais significativos: Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências (1934, atribuído a Terra Fria), Prémio Catenacci, da Academia de Belas-Artes de Paris (1965, atribuído a As Maravilhas Artísticas do Mundo), Grande Prémio Águia de Oiro do Festival do Livro de Nice (1970, conjunto da obra), Prémio da Latinidade (1971, em conjunto com Jorge Amado e Eugenio Montale); proposto ao Prémio Nobel de Literatura em 1951 (comissão liderada pelo académico dinamarquês Holger Sten) e em 1968 (com Jorge Amado, propostos pela União Brasileira de Escritores).A sua obra continua a ser lida, reeditada, amada e redescoberta por muitos leitores, e como nunca se deixou contaminar pela propaganda do totalitarismo, isto é: nunca se esqueceu que o indivíduo é a entidade primeira numa sociedade livre e justa, não foi ainda desmentida pela História e pelas práticas dos homens. postado também no Abencerragem
Faz hoje cem anos que um garoto embarcou sozinho no porto de Leixões rumo a Belém do Pará. Chamava-se José Maria Ferreira de Castro, «tinha 12 anos, 7 meses e 14 dias», acabara de ler um número da Ilustração e encetava um dos mais extraordinários percursos que um indivíduo pode realizar: acrescentar ao Mundo algo de si.Sem que nada o sugerisse -- pelo menos à gente rude de onde ele provinha --, aquela criança começou a escrever num seringal da Amazónia, e quando de lá saiu para a capital paraense editou, logo que pôde, um romance ingénuo, que venderia em fascículos de porta em porta, intitulado Criminoso por Ambição. Corria o ano de 1916. Não era previsível que um filho de camponeses, apenas com a quarta classe, viesse a ser um dos maiores escritores portugueses do século XX, autor de, pelo menos, duas obras-primas -- A Selva (1930), um livro único, e A Lã e a Neve (1947), um exemplo das capacidades de um grande romancista no seu apogeu --, e de um punhado de livros relevantíssimos que, só por si, torná-lo-iam um dos romancistas mais consistentes do seu tempo: Emigrantes (1928), Eternidade (1933), Terra Fria (1934), A Tempestade (1940), A Curva da Estrada (1950), A Missão (1954) e O Instinto Supremo (1968), sem esquecer outros títulos, como A Volta ao Mundo (1940-44), um marco na secular literatura de viagens dos portugueses.
Ferreira de Castro foi um pioneiro na introdução em Portugal de uma literatura de intuitos revolucionários, com Emigrantes (1928). Mas foi muito mais do que isso: um psicologista fino, um estilista exigente, um autor atormentado pelo destino inexorável de todo o ser vivente, a morte, um ecologista avant la lettre, um defensor dos animais, um feminista, um libertário, um anarquista no mais puro e verdadeiro sentido da palavra.
Para quem ache os prémios importantes, deixo aqui registados os mais significativos: Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências (1934, atribuído a Terra Fria), Prémio Catenacci, da Academia de Belas-Artes de Paris (1965, atribuído a As Maravilhas Artísticas do Mundo), Grande Prémio Águia de Oiro do Festival do Livro de Nice (1970, conjunto da obra), Prémio da Latinidade (1971, em conjunto com Jorge Amado e Eugenio Montale); proposto ao Prémio Nobel de Literatura em 1951 (comissão liderada pelo académico dinamarquês Holger Sten) e em 1968 (com Jorge Amado, propostos pela União Brasileira de Escritores).
Para quem ache os prémios importantes, deixo aqui registados os mais significativos: Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências (1934, atribuído a Terra Fria), Prémio Catenacci, da Academia de Belas-Artes de Paris (1965, atribuído a As Maravilhas Artísticas do Mundo), Grande Prémio Águia de Oiro do Festival do Livro de Nice (1970, conjunto da obra), Prémio da Latinidade (1971, em conjunto com Jorge Amado e Eugenio Montale); proposto ao Prémio Nobel de Literatura em 1951 (comissão liderada pelo académico dinamarquês Holger Sten) e em 1968 (com Jorge Amado, propostos pela União Brasileira de Escritores).
A sua obra continua a ser lida, reeditada, amada e redescoberta por muitos leitores, e como nunca se deixou contaminar pela propaganda do totalitarismo, isto é: nunca se esqueceu que o indivíduo é a entidade primeira numa sociedade livre e justa, não foi ainda desmentida pela História e pelas práticas dos homens.
postado também no Abencerragem
Wednesday, January 05, 2011
Recordar Rocha Martins (3)
Cronista do fim da monarquia e dos primeiros anos da república, os seus livros sobre D. Carlos, D. Manuel II, João franco, Pimenta de Castro ou Sidónio Pais participam dessa condição de jornalista, de observador privilegiado e muitas vezes participante do devir histórico, acabando por alçar-se à condição de testemunhos de um tempo.
Texto publicado no desdobrável da exposição bibliográfica e documental «Rocha Martins -- 50 Anos Depois (1952-2002)», realizada no Museu Ferreira de Castro, em Maio-Junho de 2002.
Wednesday, December 29, 2010
«A cruel indiferença do universo»: Raul Brandão e Ferreira de Castro (3)
Referindo-se ao que de específico existe na sua obra, à Dor e ao Sonho, à Verdade e à Descrença (assim mesmo, com maiúsculas, ibidem, p. 38), o novíssimo escritor referenciava os espectros que a povoam:
«Raul Brandão não criou personagens. Pegou na Desgraça, na Dor, no Ódio, na Cobiça, na Perversidade e pregou-lhes uma pernas cambaias. E abriu-lhes um boca disforme. » (ibid., p. 36).
Declarando não conhecer Raul Brandão, desejando mesmo não o conhecer para não se desiludir com uma mais que previsível fragilidade humana pudesse «manchar a transcendência de Raul Brandão pensador» (ibid., pp. 37-38), o texto em apreço -- aliás, previamente publicado na efémera revista A Hora (1) -- estaria na origem de uma amizade só interrompida em 1930, com a morte do criador da Candidinha: «ficara Raul Brandão meu amigo», recordará Castro décadas mais tarde, evocando este primeiro escrito. (2). Após ter lido o artigo, Brandão escreveria ao seu autor:
«São raras efectivamente as pessoas que em Portugal estimam os meus livros, mas essas bastam-me quando compreendem não o que vale a minha obra necessariamente imperfeita, mas o esforço que faço, para arrancar alguns farrapos ao limbo...» (3)
(1) No número 3, em 26 de Março de 1922: «Os grandes peninsulares -- Raul Brandão». Muitos dos textos do Mas... saíram previamente n'A Hora. Por outro lado, apesar de o livro ostentar a data de 1921 no frontispício, viria apenas a publicar-se no ano seguinte, uma vez que Castro foi pagando a sua impressão à medida das disponibilidades financeiras.
(2) Ferreira de Castro, «[Raul Brandão]», A Unidade Fragmentada. Dispersos de Ferreira de Castro, antologia e apresentação de Ricardo António Alves, Sintra, Câmara Municipal, 1996, p. 235. Texto originalmente publicado em Raul Brandão -- Homenagem no Seu Centenário, Guimarães, Círculo de Arte e Recreio, 1967, pp. 52-54.
(3) Nespereira, 28 de Março de 1922. In Ricardo António Alves (ed.), 100 cartas a Ferreira de Castro, Sintra, Câmara Municipal, / Museu Ferreira de Castro, 1992, p. 9. (Cota do documento: MFC/B-1/13904/Cx.297/Doc.1).
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Sunday, December 19, 2010
Neo-realismo: contributo para dificultar um problema (3)
Dir-se-á que a primeira hipótese [Ferreira de Castro, escritor neo-realista] é absurdamente anacrónica, pois a expressão «neo-realismo», criada por Joaquim Namorado (1), visava encobrir uma outra, o «realismo socialista» e soviético. Assim entendido o neo-realismo, Castro, que não foi um marxista, dificilmente aderiria aos seus pressupostos políticos. Por outro lado, se ele foi um precursor, não deixa de ser bizarro ter antecipado na estética uma via discordante da sua própria ideologia, tanto mais que quem abre caminhos, trilha-os forçosamente, mesmo que depois acabe por se afastar deles -- e não foi o caso.
É evidente que estamos perante um afunilamento do conceito, que fazia algum sentido nos anos da guerra e imediatamente posteriores, sendo explicável de um ponto de vista histórico-cultural e político, quando existia um acentuado espírito de grupo e uma forte dialéctica na vida intelectual portuguesa. Hoje não se justifica continuarmos essa abordagem duma forma que não seja totalmente livre e isenta dum "pensamento único".
(1) Ver Alexandre Pinheiro Torres, o Movimento Neo-Realista em Portugal na Sua Primeira Fase, 2.ª edição, Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1983.
Anarquismo e Neo-Realismo -- Ferreira de Castro nas Encruzilhadas do Século, Lisboa, Âncora Editora, 2002.
Sunday, December 12, 2010
22 sugestões de leitura...
...do Viriato.
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Wednesday, December 08, 2010
Um relato
duma viagem à Amazónia, por quem conheceu Ferreira de Castro, aqui.
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Sunday, November 28, 2010
Os retratos de Castro por Nobre (3)
Ele próprio ensaísta, cultor de uma literatura de ideias, em escritos de estética cinematográfica, dispersos ou reunidos em volume (9) --, os seus livros estão eivados de referências literárias, de reflexões sobre a literatura, quer como manifestação artística específica, quer a propósito da sua relação com o cinema, topando o leitor a cada passo com Camilo e Eça de Queirós, Raul Brandão e Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro e José Régio; ou Dostoievski e Zola, Anatole France, Romain Rolland e André Gide. (10) O ensaio viria assim paulatinamente a tomar o lugar do desenho, que, na década de vinte do século passado, o projectara no meio artístico lisboeta.
(9) Horizontes de Cinema (1939) e Singularidades do Cinema Português (1964) [atente-se no título queirosiano do último -- nota 2010]
(10) A correspondência de Nobre é demonstrativa do diálogo intelectual que ele estabelecia com os seus interlocutores. Ver «Seis cartas de Luís cardim a Roberto Nobre», introdução, leitura e notas de Ricardo António Alves, Boca do Inferno #1, Cascais, Cãmara Municipal, 1996, pp. 95-109; José Régio / Roberto Nobre, «Correspondência», transcrição e notas de Eugénio Lisboa, Boletim, #4-5, Vila do Conde, Câmara Muncipal e Centro de Estudos Regianos, 1999, pp. 29-33.
Vária Escrita #8, Sintra, Câmara Municipal, 2001.
Wednesday, November 17, 2010
Cinco Centenários (2). [excerto de carta de José Bacelar]
Lisboa, 24 de Julho de 1935
S/C, R. Latino Coelho, 45, 3.º
Exmo. Snr. Ferreira de Castro
S/C, R. Latino Coelho, 45, 3.º
Exmo. Snr. Ferreira de Castro
Venho muito comovidamente agradecer-lhe as suas palavras tão bondosas e tão fraternais, as suas palavras tanto mais tocantes para mim quanto é certo que elas vêm do escritor que mais largo êxito tem tido no nosso país -- porque o teve também no resto do mundo.
É uma tendência -- demasiadamente humana -- de todo o escritor de sucesso o sobrelevar o espírito crítico da massa dos leitores, o considerar o «meio» onde ele produz menos mau do que na realidade ele é. Não é porém assim o romancista Ferreira de Castro, e isto dá bem a medida da categoria do seu espírito, porque uma das mais nobres qualidades do artista -- e talvez também do homem -- é, não é verdade? a insatisfação. O «meio» é triste, de facto. Assim, já de antemão eu estava preparado e resignado -- dados o fraco mérito e o género um pouco especial do meu pequeno livro à indiferença e ao silêncio da crítica oficial.
Vária Escrita #7, Sintra, Câmara Municipal, 2000.
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Monday, November 01, 2010
Alexandre Cabral: Camilo, mas também Ferreira de Castro (3)
Os grandes escritores valem pela obra que legaram. Não precisam de apologetas exaltados e podem bem haver-se, de além-túmulo, com certa casta de detractores ou com um aparente esquecimento (o «injustamente esquecido» é um dos chavões recorrentes da imprensa cultural) que sobre eles se teria abatido. O nome e a obra de Camilo também foram vítimas desta pecha que atinge, póstuma mas temporariamente quando se trata de alguém de real valor, a quase totalidade dos nossos poetas e romancistas. Não obstante o proverbial desleixo luso, há sempre quem -- por vezes solitariamente -- não resista ao apelo duma escrita que continua a interpelar os leitores, surgindo homens como Alexandre Cabral, que porfiadamente estudam e iluminam obras que são acervos do nosso património cultural, consagradas pelo tempo, pelo público e pelos seus méritos intrínsecos.
Vária Escrita #6, Sintra, Câmara Municipal, 1999.
Wednesday, October 20, 2010
Sunday, September 26, 2010
Monday, September 20, 2010
Ferreira de Castro na "Cidade de Lilipute" (3)

Não se pense que Ferreira de Castro é um escritor de populismos fáceis. A inclinação pelos desprotegidos que se verifica nos seus livros resultou não apenas da sua vivência juvenil, como dum arreigado inconformismo ante a ordem natural das coisas, respeitasse ela à organização social injusta -- que sempre contestou -- ou à condição inevitável de finitude de cada um e todos os homens. Os seus romances reflectem, por isso, as angústias e as contradições do ser humano, independentemente da classe social a que pertençam. Castro foi também um ecologista avant la lettre. O enlevo em face do meio ambiente, em particular do mundo vegetal, não ficou atrás do interesse com que se debruçou sobre a condição humana. Significativa é a localização do seu túmulo, em plena Serra de Sintra (Património Mundial desde 1995): a seu pedido, o escritor repousa "perto dos homens, meus irmãos, e mais próximo da Lua e das estrelas, minhas amigas, tendo em frente a terra verde e o mar a perder de vista -- o mar e a terra que tanto amei." (3)
(3) Incluído por Adelino Vieira Neves (org.), In Memoriam de Ferreira de Castro, Cascais, Arquivo Biobibliográfico dos Escritores e Homens de Letras de Portugal, 1976, p. 211.
In Ferreira de Castro, Macau e a China, Taipa, Câmara Municipal das Ilhas, 1998.
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Sunday, September 19, 2010
Rocha Peixoto, OS PUCAREIROS DE OSSELA (1908)

As aptidões do exilado de Barbeita e dum dos oleiros do Mosteiro -- cujo pai já fora barrista de fama e galardoado na Exposição cerâmica do Palácio de Cristal, em 1882 -- confirmam os vaticínios sobre os progressos formais e decorativos do vasilhame popular, se outro fosse o aprendizado e mais remuneradora a ocupação. Despremiada, porém, como se sabe, e impotente na concorrência com outros artefactos, mesmo a despeito da sua inverosímil barateza, esta olaria regional em breve sucumbirá, restando apenas na geração que passa a reminiscência dos antigos «paneleiros», ou, como mais frequentemente os denominam, dos pucareiros da Ossela.
Rocha Peixoto, «Os pucareiros de Ossela», Etnografia Portuguesa (Obra Etnográfica Completa), edição de Flávio Gonçaves, Lisboa, Publicações Dom Quixote, «Portugal de Perto» #20, 1990.
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Wednesday, September 15, 2010
O POVO NA LITERATURA PORTUGUESA
autores antologiados: Fernão Lopes, Gomes Eanes de Zurara, Gil Vicente , António Ferreira, Luís de Camões, P.e António Vieira, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, João de Deus, Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Eça de Queirós, Gomes Leal, Teixeira de Queirós, Guerra Junqueiro, Fialho d'Almeida, Cesário Verde, António Nobre, Raul Brandão, Carlos Malheiro Dias, M. Teixeira-Gomes, Manuel de Sousa Pinto, Afonso Lopes Vieira, Augusto Gil, António Patrício, Manuel Monteiro, Júlio Dantas, Joaquim Manso, Jaime Cortesão, Luís da Câmara Reis, Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro [excerto de Eternidade]; António Arroio.
Sunday, September 05, 2010
Ferreira de Castro entre Marinetti e Kropotine (3)

Quando se publicou Orpheu (1915), Castro, com 17 anos, saíra há poucos meses do seringal amazónico com o manuscrito do primeiro romance na bagagem. Em 1919, quando regressou, ainda se sentiam os efeitos provocados pela revista de Pessoa e Sá-Carneiro -- o n.º 1 conserva-se, aliás, na sua livraria pessoal -- e não se tinha desvanecido o escândalo suscitado pela publicação de Portugal Futurista (1917).
O Escritor, #11-12, Lisboa, Associação Portuguesa de Escritores, 1998, p. 175.
Tuesday, August 24, 2010
Três escritores em tempo de catástrofe: Castro, Zweig e Eliade (3)

Internacionalista, o autor de A Selva justificava de modo forçosamente subjectivo o apelo da terra natal, sentimento susceptível de causar algum desconforto a quem era avesso a exclusivismos e exaltações nacionalistas, mesmo quando reduzidas à expressão mais simples e primária do bairrismo.
A razão do desvelo para com a pobre aldeia que o viu nascer, onde conheceu a orfandade paterna aos oito anos, e que o obrigou a emigrar, só, aos onze, prendia-se com a recordação de uma infância mítica, de felicidade inventada. Assim o revelou, no fim da vida, num conjunto de textos que constituem uma espécie de testamento literário e político:
«O homem ama na terra natal os seus hábitos, se ali reside ou residiu muito tempo; ama a sua casa e o seu agro, se os tem; e ama, sobretudo, a sua infância, que lhe comandará a vida inteira e se amalgama com o drama biológico do envelhecimento e da morte. Ama esse período da sua existência por saber que jamais voltará a vivê-lo; e essa certeza de irrecuperabilidade embeleza-lhe o cenário e valoriza-lhe os anos infantis, mesmo se neles conheceu a miséria, os trabalhos prematuros, as opressões e as humilhações impostas pelos adultos.» (1)
(1) Ferreira de Castro, «A aldeia nativa», Os Fragmentos (Um Romance e Algumas Evocações), Lisboa, Guimarães & C.ª [Editores], 1974, p. 45.
Boca do Inferno, #3, Cascais, Câmara Municipal, 1998, p. 92.
postado também aqui
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Tuesday, August 17, 2010
História e memória: uma leitura de Os Fragmentos (3)

Livro em que o escritor convoca a memória e a (sua) história, retirando da gaveta papéis que a censura do Estado Novo impediu que fossem publicados, pareceu-me aliciante, pelas ricas e variadas possibilidades de trabalho que nos dá, falar dele, ainda que parcial e resumidamente, neste colóquio em que a Sociedade da Língua Portuguesa tão justamente o quis homenagear por ocasião do primeiro centenário do seu nascimento.
Língua e Cultura, n.º 8-9, Lisboa, Sociedade da Língua Portuguesa, Janeiro / Junho de 1998, p. 137.
Monday, July 26, 2010
Ferreira de Castro e Reinaldo Ferreira -- Nota sobre a viagem do Repórter X à Rússia

Este período [o da actividade jornalística de Ferreira de Castro] corresponde grosso modo à escrita das primeiras ficções; e também a um tempo em que nas redacções nasceram amizades que ficarão para sempre: Jaime Brasil (1896-1966), Reinaldo Ferreira (1897-1935). E foi evocando este último, um ano após a sua morte e já desligado da profissão, que o autor de O Intervalo dela falou -- como só voltaria a fazê-lo no início da década de setenta, em tempo de balanço final. (1)
(1) Ver Ferreira de Castro, «Reinaldo Ferreira», A Unidade Fragmentada. Dispersos de Ferreira de Castro, introdução e antologia por Ricardo António Alves, Vária Escrita, #3, Sintra, Câmara Municipal, 1996, pp. 161-164.
Vária Escrita, n.º 5, Sintra, Câmara Municipal, 1998, pp. 257-258.
Sunday, July 18, 2010
A Nova Geração: mais um presente da T

Grande parte dos companheiros de Ferreira de Castro, na década de 1920, está aqui. A ausência de Jaime Brasil é talvez a mais notória (também não me chocaria ver aqui Tomás Ribeiro Colaço, por exemplo); Roberto Nobre, nascido em 1903, era o mais novo e estaria ainda no Algarve. E faltam as mulheres: Fernanda de Castro, Judite Teixeira, Maria Archer...
Obrigado,T http://diasquevoam.blogspot.com/2010/07/nova-geracao.html (o Google Chrome enlouquece-me!), mais uma vez.
Wednesday, July 14, 2010
Matilde Rosa Araújo e Ferreira de Castro, na evocação de José Carlos de Vasconcelos
[...] em 1966, já em Lisboa, tive mais contacto com a Matilde por ser uma das promotoras, com Álvaro Salema, de uma homenagem nacional a Ferreira de Castro, na qual me convidaram para falar, em represetação dos jovens escritores. / O autor de A Selva, sobre ser então o mais famoso, nacional e internacionalmente, escritor português, era também um certo símbolo da luta pela democracia e a favor dos deserdados que povoam os seus romances. Conheci então a mulher e a escritora de uma exemplar fidelidade ou até devoção aos seus amigos, não só capaz de uma grande admiração como gostando de admirar e com um agudo sentido da homenagem: a Matilde generosa que todos que a conheceram sabem foi assim ao longo de toda a vida. [..]
José Carlos de Vasconcelos, «O "retrato" da bondade», JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias, #38, Lisboa, 14 de Julho de 2010.
Foto de Matilde, não datada, no JL hoje.
Na estante, A Selva, edição Pomar, 1974.
Tuesday, July 13, 2010
Antologia da Terra Portuguesa -- Trás-os-Montes e Alto Douro
Venda Nova, Livraria Bertrand, s.d.
excerto de Terra Fria, pp. 165-169
Autores antologiados: Guedes de Amorim, Sophia de Mello Breyner Andresen, Humberto Beça, Mário Beirão, Abel Botelho, Mário Gonçalves Carneiro, Ribeiro de Carvalho, Camilo Castelo Branco, Augusto de Castro, Ferreira de Castro, Henrique Trindade Coelho, Trindade Coelho, João de Araújo Correia, Virgílio Correia, Emília de Sousa Costa, Sousa Costa, Afonso Duarte, Conde da Ericeira, Antero de Figueiredo, Gulherme Gama, Visconde de Gouvêa, Luís de Oliveira Guimarães, Alexandre Herculano, Fausto José, Alberto Lopes, Fernão Lopes, Agustina Bessa Luís, Armando de Matos, Adelino Mendes, Campos Monteiro, Domingos Monteiro, Manuel Monteiro, Graça Pina de Morais, Pina de Morais, Trigo de Negreiros, António Nobre, Vicente Novaes, Águedo de Oliveira, Ramalho Ortigão, Joaquim Paço d'Arcos, Teixeira de Pascoais, Valente Perfeito, Alberto Pimentel, António Eça de Queirós, Alves Redol, António Batalha Reis, Aquilino Ribeiro, Manuel António Ribeiro, José Júlio Rodrigues, Abel Salazar, Alberto de Serpa, Rebelo da Silva, Frei Luís de Sousa, Fausto Guedes Teixeira, Miguel Torga.
Autores antologiados: Guedes de Amorim, Sophia de Mello Breyner Andresen, Humberto Beça, Mário Beirão, Abel Botelho, Mário Gonçalves Carneiro, Ribeiro de Carvalho, Camilo Castelo Branco, Augusto de Castro, Ferreira de Castro, Henrique Trindade Coelho, Trindade Coelho, João de Araújo Correia, Virgílio Correia, Emília de Sousa Costa, Sousa Costa, Afonso Duarte, Conde da Ericeira, Antero de Figueiredo, Gulherme Gama, Visconde de Gouvêa, Luís de Oliveira Guimarães, Alexandre Herculano, Fausto José, Alberto Lopes, Fernão Lopes, Agustina Bessa Luís, Armando de Matos, Adelino Mendes, Campos Monteiro, Domingos Monteiro, Manuel Monteiro, Graça Pina de Morais, Pina de Morais, Trigo de Negreiros, António Nobre, Vicente Novaes, Águedo de Oliveira, Ramalho Ortigão, Joaquim Paço d'Arcos, Teixeira de Pascoais, Valente Perfeito, Alberto Pimentel, António Eça de Queirós, Alves Redol, António Batalha Reis, Aquilino Ribeiro, Manuel António Ribeiro, José Júlio Rodrigues, Abel Salazar, Alberto de Serpa, Rebelo da Silva, Frei Luís de Sousa, Fausto Guedes Teixeira, Miguel Torga.
Wednesday, July 07, 2010
Literatura, Artes e Identidade Nacional -- Do Modernismo à actualidade (3)
Este período viu surgir e passar o Modernismo da Geração de Orpheu, com as suas inovações formais, imbuído de um espírito cosmopolita e citadino, acompanhado de atitudes provocatórias e mesmo escandalosas (4) -- refractário, portanto, ao sereno, sério e algo sectário projecto de regeneração pátria, protagonizado pelo Saudosimo de Pascoaes, n' A Águia (5), o 2.º Modernismo, ou presencismo, veiculado principalmente pela revista coimbrã presença (1927-1940), de José Régio, João Gaspar Simões, Branquinho da Fonseca e Adolfo Casais Monteiro, entre muitos outros, defendendo a excepcionalidade de cada criador e a independência da arte perante os vários poderes; o Neo-Realismo, defensor do carácter social da arte, que se publicou em periódicos como O Diabo, Sol Nascente, Vértice, assinalando-se Gaibéus, o romance inicial de Alves Redol, de 1939, como o primeiro marco desta corrente; o Surrealismo, que surge tardiamente, em 1947 -- vinte e três anos depois do 1.º Manifesto de André Breton --, em torno da figura carismática de António Pedro.(5) Ver Clara Rocha, Revistas Literárias do Século XX em Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1985, p. 234; e A. J. Saraiva e Óscar Lopes, História da Literatura Portuguesa, 16. edição Porto, Porto Editora, s.d., pp. 1039-1040.
(6) No opúsculo O Espírito Lusitano ou o Saudosismo (1912), Pascoais fala no «estrangeirismo desnacionalizador» e refere-se, com acinte, a «pseudo-portugueses que não crêem na existência de uma alma portuguesa original», in A Saudade e o Saudosismo, compilação, introdução, fixação do texto e notas de Pinharanda Gomes, Lisboa, Círculo de Leitores, 1990, p. 52.Literatura, Artes e Identidade Nacional -- «Do Modernismo à Actualidade», separata das Actas dos 3.ºs Cursos Internacionais de Verão de Cascais - 1996, Cascais, Câmara Municipal, 1997, pp. 183-184.
Tuesday, July 06, 2010
Matilde Rosa Araújo
Matilde Rosa Araújo, morreu esta madrugada na sua casa em Lisboa, cidade que a viu nascer em 20 de Junho de 1921. Escritora, distinguiu-se sobretudo na área infanto-juvenil, com títulos como O Livro de Tila (1957) ou O Palhaço Verde (1962).Foi uma grande amiga de Ferreira de Castro, amizade que se estendeu ainda para além da morte (era presença assídua no júri do Prémio Nacional de Literatura Juvenil Ferreira de Castro), e esteve com o escritor na direcção da Sociedade Portuguesa de Escritores (SPE) -- que viria a ser extinta pelo regime salazarista e vandalizada pela Legião Portuguesa, na sequência da atribuição do prémio de novelística a Luuanda, de José Luandino Vieira, militante do MPLA, então preso no Tarrafal --, entre 1962 e 1964. A SPE fora fundada por Castro (associado #2) e por Aquilino (associado #1).
A direcção a que Ferreira de Castro presidiu e Matilde integrou teve ainda a participação de João José Cochofel, Manuel Ferreira e Manuel da Fonseca.
(outro post, aqui)
Monday, July 05, 2010
Rocha Peixoto, OS PUCAREIROS DE OSSELA (1908)
Para as efectuar [as decorações] o oleiro dispõe de várias pintadeiras. E a pintadeira é um cone recto de madeira muito alongado (eixo = 0,1 m; diâmetro da circunferência da base = 0,015 m), com entalhas mais ou menos numerosas e profundas na periferia da base. Tomando o utensílio pelo vértice e fazendo-o correr pela gola ou bojo, realizando, a um tempo, sucessivos movimentos de rotação, assim se imprimem, consoante o modelo ou fantasia do louceiro, as decorações incisas e interrompidas: só gravam, e bem claro, as saliências das entalhas. Os símiles encontram-se na conteira de Prado (Portugalia, I, 238) e num utensílio análogo usado pelo ceramista romano.Rocha Peixoto, Etnografia Portuguesa, edição de Flávio Gonçalves, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1990, p. 316.
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Sunday, July 04, 2010
A Noite
No blogue sobre Bernardino Machado, uma foto do edifício do jornal A Noite, do Rio de Janeiro, para o qual Ferreira de Castro escreveu várias crónicas, inclusive durante a sua volta ao mundo, em 1939.
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Wednesday, June 30, 2010
Maravilhas do Conto Português
São Paulo, Editora Cultrix, 1957.
Autores: Eça de Queirós, D. João da Câmara, Fialho de Almeida, Trindade Coelho, Raul Brandão, Júlio Dantas, António Sardinha, Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, José Régio, José Gomes Ferreira, José Rodrigues Miguéis, João Gaspar Simões, Domingos Monteiro, Branquinho da Fonseca, Maria Archer, Miguel Torga, Castro Soromenho, Soeiro Pereira Gomes, Alves Redol, Manuel da Fonseca, Fernando Namora e José Cardoso Pires.
Conto antologiado: «O Senhor dos Navegantes».
Monday, June 28, 2010
Ferreira de Castro: um escritor no país do medo (3)

Sena escreve com conhecimento de causa, pois, como já observámos noutro local, um romance como Sinais de Fogo não foi, não existiu de facto senão mercê da sociedade livre em que se publicou.
Taíra, #9, Grenoble, Université Stendhal-Grenoble 3, 1997.
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Tuesday, June 22, 2010
Antologia do Conto Fantástico Português
Conto antologiado: O Senhor dos Navegantes
Autores: Alexandre Herculano, Rebelo da Silva, Júlio César Machado, Júlio Dinis, Manuel Pinheiro Chagas, A. Osório de Vasconcelos, Teófilo Braga, Álvaro do Carvalhal, Eça de Queirós, M. Teixeira-Gomes, Fialho de Almeida, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Mário de Sá-Carneiro, José de Almada Negreiros, Ferreira de Castro, José Gomes Ferreira, José Rodrigues Miguéis, José Régio, Branquinho da Fonseca, Hugo Rocha, José de Lemos, Jorge de Sena, Natália Correia, Mário Henrique Leiria, Urbano Tavares Rodrigues, Carlos Wallenstein, David Mourão-Ferreira, Ana Hatherly, Herberto Helder, Maria Alberta Meneres, Álvaro Guerra, Dórdio Guimarães, António Barahona da Fonseca, Almeida Faria.
Autores: Alexandre Herculano, Rebelo da Silva, Júlio César Machado, Júlio Dinis, Manuel Pinheiro Chagas, A. Osório de Vasconcelos, Teófilo Braga, Álvaro do Carvalhal, Eça de Queirós, M. Teixeira-Gomes, Fialho de Almeida, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Mário de Sá-Carneiro, José de Almada Negreiros, Ferreira de Castro, José Gomes Ferreira, José Rodrigues Miguéis, José Régio, Branquinho da Fonseca, Hugo Rocha, José de Lemos, Jorge de Sena, Natália Correia, Mário Henrique Leiria, Urbano Tavares Rodrigues, Carlos Wallenstein, David Mourão-Ferreira, Ana Hatherly, Herberto Helder, Maria Alberta Meneres, Álvaro Guerra, Dórdio Guimarães, António Barahona da Fonseca, Almeida Faria.
Monday, June 21, 2010
A Unidade Fragmentada. Dispersos de Ferreira de Castro (3)
Vária Escrita, #3, Sintra, Câmara Municipal, 1996.
Wednesday, June 16, 2010
Os Melhores Contos Portugueses
João Pedro de Andrade (edição), Os Melhores Contos Portugueses -- 3.ª Série, Lisboa, Portugália Editora, 1959.Autores antologiados: Guedes de Amorim, Garibaldino de Andrade, Mário Braga, Luís Cajão, Brito Camacho, Ferreira de Castro, Amândio César, Ramos da Cunha, Júlio Dantas, Adelaide Félix, Armando Ventura Ferreira, Vergílio Ferreira, Maria da Graça Freire, Natércia Freire, Rogério de Freitas, Vergílio Godinho, Patrícia Joyce, Ilse Losa, Agustina Bessa Luís, Manuel Mendes, Bourbon e Meneses, Fernando Namora, Natália Nunes, Manuel de Campos Pereira, José Cardoso Pires, Manuela Porto, Santana Quintinha, Armindo Rodrigues, Urbano Tavares Rodrigues, Antunes da Silva e António Vitorino.
O conto de Ferreira de Castro é «O Senhor dos Navegantes».
Thursday, June 10, 2010
Sete cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre (3)

A película fora já distinguida com o Leão de Ouro do Festival de Veneza e prémio para a melhor actriz -- Jean Simmons no papel de Ofélia --, e tambem com os Óscares para a melhor produção e melhor actor -- Laurence Olivier, no papel de Hamlet.
«Sete Cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre», Boca do Inferno, #1, Cascais, Câmara Municipal, 1996, pp. 95-96.
Também aqui
Saturday, June 05, 2010
Canções da Vendetta (3)
Esta situação de impossibilidade criadora levou-o a a enveredar a contragosto pela literatura de viagens, com os Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937-38). Quem leu as páginas sobre a inóspita Andorra de 1929, dificilmente as esquecerá. Conseguir acesso ao principado era quase uma proeza épica. Então, em vez da alta-fidelidade japonesa, era o síndico quem pontificava, zelando benevolentemente pelos interesses dos patrícios.
Apresentação de Canções da Corsega, 2.ª edição, Sintra, Camara Municipal / Museu Ferreira de Castro, 1994.
Wednesday, June 02, 2010
Tuesday, June 01, 2010
errância - A VOLTA AO MUNDO (1940-1944)
[do «Início»)Concertaram-se, na nossa época, várias formas de se dar a volta ao Mundo. Em anos de remansosa paz, um navio americano abala de Nova York e, de casco branco, mastros festonados de gaivotas, ladeia Américas e Áfricas, detém-se, aqui, ali, em três ou quatro cidades, e corta, depois, o Índico. Mas da grande Índia mostra somente Bombaim e Ceilão; da longa península de Malaca não se verá mais do que Singapura e da China imensa apenas a minúscula ilha de Hong-Kong. Outrora, ainda ele se aventurava até outras plagas. De ano para ano foi minguando, porém, as milhas da sua rota, que assim, passagens mais baratas, ajuntaria maior número de clientes. Não se cura de revelar ao Mundo os passageiros e sim de lhes permitir dizer aos amigos que eles deram a volta ao Mundo. Viagem de bom conforto, nas cidades visitadas esperam guias e automóveis, que levam os curiosos aos monumentos principais e, depois, os reconduzem a bordo, para que se lavem da poeira do Oriente, jantem bem e bailem até de madrugada, enquanto o talhamar vai singrando em direitura a outro porto. De Hong-Kong, o navio, que, até ali, só fundeou nas extremidades dos continentes, despede, a toda a brida, para algumas ilhas do Pacífico, ansioso de transpor o Panamá e em Nova York lançar a âncora, férreo ponto final em superficial capítulo. Assim e «A volta ao Mundo colectiva», cruzeiro de luxo por mares distantes. Há, também, «A volta individual ao Mundo». Companhias de navegação, para o efeito ajustadas, acordaram vender trânsito marítimo, com diminuídos preços, aos que pretendem rodear a esfera terrestre e volver ao ponto de partida. Viagem menos cómoda do que a outra, quem a realiza torna-se servo não do muito ou pouco interesse do sítio visitado, mas da entrada e saída dos navios em que o seu bilhete lhe permite embarcar. Sujeito está a quedar-se dois dias onde desejaria demorar-se duas semanas e duas semanas onde lhe bastaria ficar dois dias apenas. E a menos que possa seu tempo perder, este viajante solitário verá, enervado, partir o único navio de sua conveniência, que não é, geralmente, o navio que ele tem direito a tomar.
Ferreira de Castro, A Volta ao Mundo, 4.ª edição, vol. I, Lisboa, Guimarães & C.ª, 1952, pp. 19-20.
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