-- Pai! -- e com olhares a ressumarem medo, a voz rastejando um tom humilde, o garotelho, oito anos cobertos de farrapos, prosseguia: -- A mãe diz que é tarde!, -- e não recebendo resposta na lenga-lenga lamurienta dos que imploram misericórdia! -- Pai! pai!Sunday, February 15, 2009
de passagem - Assis Esperança, O REBANHO (1922)
-- Pai! -- e com olhares a ressumarem medo, a voz rastejando um tom humilde, o garotelho, oito anos cobertos de farrapos, prosseguia: -- A mãe diz que é tarde!, -- e não recebendo resposta na lenga-lenga lamurienta dos que imploram misericórdia! -- Pai! pai!Wednesday, February 11, 2009
Monday, February 09, 2009
«A cruel indiferença do universo»: Raul Brandão e Ferreira de Castro (1)
Publicado em Castriana, n.º 1, Ossela, Centro de Estudos Ferreira de Castro, 2002 Saturday, February 07, 2009
clássicos da bibliografia castriana - Alexandre Cabral
O génio, bizarra personalidade, melhor, individualidade, criador do mundo dinâmico, vertiginoso, febril, que sintetiza em si a essência divina do Homem, floresce quase sempre, por triste ironia, nos pântanos da miséria. Aí se caldeia, aí se refina a sensibilidade do futuro eleito. A miséria, a fome, o infortúnio alarga-lhe as perspectivas, desenvolve-lhe ao mais elevado grau o sentimento fraterno de solidariedade humana elevando-o acima dos outros homens. Foram eles, os eleitos, que primeiro discerniram, lá longe, embora, as possibilidades de uma modificação total da sociedade humana. Com a própria dor e sobre ela, arquitectaram e arquitectam as paredes do futuro edifício social. De tal modo a fome e a miséria têm influência no espírito do eleito que o indivíduo vulgar não pode traduzir em ritmos de beleza, em traços vigorosos, dramáticos e chocantes, os dramas da vida: esses múltiplos episódios que constituem o grande, o inconcebível drama humanao. Não pode. E não pode porque jamais a sua sensibilidade se purificou no fogo lento do sofrimento. Thursday, February 05, 2009
testemunhos #3 - João de Barros

Assim o conheci vai para mais de três lustros, ao tempo do aparecimento da extraordinária «Eternidade», já tocado dos alvores da glória mundial que a publicação de «A Selva» lhe trouxera e que o acompanha hoje a toda a parte. E assim o vejo agora, modesto como sempre, apesar de traduzido nas mais diversas línguas do globo, festejado em todos os meios cultos, lido e relido por gentes da Europa, da América e da Ásia, honra e prestígio da literatura portuguesa, cujo renome tem levado às mais longínquas nações da Terra. O glorioso autor de «A Selva» continua sendo, acima de tudo, um «homem», na mais alta e mais pura expressão da palavra. Um homem sobranceiro à sua própria obra e, por conseguinte, apto a transcender-se, a superar-se sempre, qualidade característica e essencial dos verdadeiros criadores de Beleza e dos verdadeiros idealistas, que não duvidam do progresso moral e mental dos povos e a quem os povos, por isso mesmo, concedem sempre larga e afectuosa audiência. «A Lã e a Neve» e «Curva da Estrada» assim o comprovam de novo.
Monday, February 02, 2009
Os retratos de Castro por Nobre (1)
Publicado em Vária Escrita, n.º 8, Sintra, Câmara Municipal, 2001 Saturday, January 31, 2009
de passagem - VIVER! (1921)
A todos os magistrados, por vontade dos homens, encarregados do meu julgamento, aos médicos, aos legisladores; a ti, minha esposa, flor d'altura, para que não me condenes antes de me ouvir; a toda essa coorte de inúteis, a toda essa caterva de animais feridos de morte, a toda essa legião de criminosos sem consciência, que são os incubadores dum mal.Thursday, January 29, 2009
Castro em Macau
Tuesday, January 27, 2009
Castro, Assis, Brasil, Nobre -- ou a tertúlia dos anarquistas

Ferreira de Castro
(1898-1974)

Jaime Brasil
(1896-1966)

Roberto Nobre
(1903-1969)

Tuesday, January 20, 2009
Alexandre Cabral: Camilo, mas também Ferreira de Castro (1)
Wednesday, January 07, 2009
História e memória: uma leitura de Os Fragmentos (1)
Publicado em Língua e Cultura, n.º 8-9, Lisboa, Sociedade da Língua Portuguesa, 1998Sunday, January 04, 2009
correspondências - Norton de Matos a João de Barros
[sobre o livro de João de Barros, Hoje Ontem Amanhã, Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1950. Datada de Ponte de Lima, em 20 de Outubro de 1950] Quanto aos outros, em grande número, que a seguir evoca, guardo carinhosamente no coração Fialho d'Almeida. Convivi muito com ele antes de partir para a Índia, em 1898, fui um dos seus grandes amigos e tive por ele sempre grande admiração e profunda compaixão. Quando 10 anos depois voltei, achei-o outro homem.
Dos outros, que os seus livros chama com as suas evocações perante o meu espírito apenas dois são meus antigos conhecidos, Oliveira Martins e Teixeira Gomes, que considero dois grandes cabouqueiros da Construção da Pátria que sonhamos, o primeiro nos alicerces, o segundo na resplandecente cimalha que foi a nossa intervenção na I.ª Grande Guerra. O edifício ainda não ruiu e temos de continuar a aguentá-lo, meu amigo.
Dos novos apenas dei por dois -- Ferreira de Castro e Aquilino. Os outros nunca dei por eles, por certo, ou por incapacidade minha ou porque a preocupação com as minhas tarefas não me deixava ver fora do âmbito delas.
Cartas a João de Barros, edição de Manuela de Azevedo, Lisboa, s.d., p. 74
Thursday, December 25, 2008
Ferreira de Castro e Reinaldo Ferreira -- Nota sobre a viagem do Repórter X à Rússia (1)

Monday, December 08, 2008
uma reportagem fotográfica

A T (Dias que Voam) reincidiu, e ofereceu-me, lá do seu blogue, estas duasWednesday, December 03, 2008
testemunhos #3 - João de Barros
Habituara-se ao combate, ao sacrifício, e não ignorava a dor, sua e alheia,, camarada familiar da miséria e da desgraça. Fugira de casa, perdera-se na selva amazónica, batalhara pela liberdade Thursday, November 27, 2008
castrianas #10 - João Pedro de Andrade
Os probemas económico-sociais não foram, está bem de ver, introduzidos na literatura pelos neo-realistas. Eles atravessam a obra de Raul Brandão (que seria considerado idealista pelos neo-realistas, se o tivessem lido), estão no Aquilino Ribeiro de Terras do Demo e A Batalha Sem Fim, mau grado o sentido pitoresco e o culto dos valores verbais, e, finalmente, no Ferreira de Castro de Emigrantes, A Selva e Terra Fria, para só falar em algumas das suas obras anteriores ao advento do neo-realismo. No entanto, pela sua atitude deliberada de intervenção, só este último havia de ser considerado percursor da nova tendência. Wednesday, November 26, 2008
Ferreira de Castro na "Cidade de Lilipute" (1)
Apresentação do capítulo sobre a China de A Volta ao Mundo, publicado em Macau pela Câmara Municipal das Ilhas, Taipa, 1998 -- ano do centenário do nascimento do escritor. (Existe edição em cantonês, com tradução de Chau Heng Chon) Sunday, November 09, 2008
Ferreira de Castro, entre Marinetti e Kropotkine (1)
Sunday, November 02, 2008
"A Batalha: 90 Anos de Imprensa Sindicalista»
Dia 4 (Obama's Day, I hope...), irei falar um pouco sobre a revista Renovação, publicada entre Julho de 1925 e Junho de 1926, pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a colaboração de Ferreira de Castro nela. Na Biblioteca-Museu República e Resistência, pelas 18.30h.
Saturday, November 01, 2008
Inquérito, 1951
Monday, October 27, 2008
dedicatória
Uma edição de A Curva da Estrada, com dedicatória de Ferreira de Castro a António Quadros, em licitação aquiInformação do Mário Casa Nova Martins
Friday, October 24, 2008
Três escritores em tempo de catástrofe: Castro, Zweig e Eliade (1)

Tuesday, October 21, 2008
Sunday, October 19, 2008
A SELVA 75 Anos - Actas do Congresso Internacional

Tuesday, October 14, 2008
Ferreira de Castro: Um escritor no país do medo (1)
Taíra - Revue du Centre de Recherche et d'Etudes Lusophones et Intertropicales, Grenoble, CRELIT / Université Stendhal, 1997Sunday, October 12, 2008
Wednesday, October 08, 2008
TERRA FRIA por Bernardo Marques
Saturday, October 04, 2008
correspondências - Jaime Brasil
Meus caros Ferreira de Castro e Eduardo Frias:[20-VI-1924]
Monday, September 29, 2008
Literatura, Artes e Identidade Nacional -- Do Modernismo à Actualidade (1)

separata das Actas dos 3.ºs Cursos Internacionais de Verão de Cascais - 1996
Cascais, Câmara Municipal, 1997
Thursday, September 25, 2008
Neo-realismo: contributo para dificultar um problema (1)
Monday, September 22, 2008
O Museu Ferreira de Castro (9)
O ESPÓLIOO riquíssimo espólio documental, composto por mais de vinte mil documentos de correspondência, largas dezenas de títulos de periódicos, manuscritos e inúmeros espécimes diversos, está aberto aos investigadores, doutorandos, mestrandos e estudantes universitários.
Da correspondência de escritores, artistas plásticos, cientistas, políticos e editores, constam nomes tão diversos quanto Eugénio de Andrade, João Lúcio de Azevedo, João de Barros, Agustina Bessa-Luís, António Botto, Jaime Brasil, Alexandre Cabral, Joaquim de Carvalho, Augusto Casimiro, Fernanda de Castro, Natália Correia, Jaime Cortesão, Júlio Dantas, Mário Dionísio, Sant`Ana Dionísio, Assis Esperança, Vergílio Ferreira, M. Rodrigues Lapa., Ruben A., Óscar Lopes, Ilse Losa, Vitorino Nemésio, Joaquim Paço d`Arcos, João Sarmento Pimentel, Raul Proença, Álvaro Salema, António Sérgio, Alberto de Serpa e Erico Veríssimo, entre muitos outros.
Saturday, September 20, 2008
A Unidade Fragmentada - Dispersos de Ferreira de Castro (1)

Apresentação da colectânea de dispersos, publicada em Vária Escrita, n.º 3, Sintra, Câmara Municipal, 1996.
Friday, September 19, 2008
O Museu Ferreira de Castro (8)
O GABINETE DE TRABALHODa biblioteca pessoal constam livros dedicados de autores contemporâneos como Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Egas Moniz, Gago Coutinho, Fidelino de Figueiredo, Hernâni Cidade, José Régio, José Rodrigues Miguéis, Alves Redol, Fernando Namora, Carlos de Oliveira, José Cardoso Pires, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Valle-Inclán, Louis Aragon, Somerset Maugham, entre muitos outros.
Sunday, September 14, 2008
...esta necessidade de permanente assistência afectiva... [A Correspondência entre Ferreira de Castro e Roberto Nobre] (1)

Sunday, September 07, 2008
O Museu Ferreira de Castro (7)

«O génio de Ferreira de Castro está em ter sabido descrever, com um poder incomparável, não apenas a condição portuguesa ou brasileira, mas toda a condição humana.» ROBERT BRÉCHON (1966)
Wednesday, September 03, 2008
Cançoes da Vendetta (1)
Thursday, August 28, 2008
O Museu Ferreira de Castro (6)

«Nele, mais do que em qualquer outro romancista de língua portuguesa de nosso tempo, há um gosto de mundo. E a presença intemporal do homem aparece, dura, sob a densa camada de temporalidade que o ficcionista constrói. O que o torna um mestre de invenção e de feitura. E dono de uma execução ficcional tão perfeitamente adequada às realidades que nos faz encontrar, na sua ficção, a verdade do tempo.» ANTÔNIO OLINTO (1966)
Este núcleo contempla o período em que Ferreira de Castro pontificou como autor proeminente do Portugal de então. Com Aquilino Ribeiro, personificou o protótipo do Escritor com todo o peso intelectual, moral e cívico, de que não deixou de fazer uso quando a situação política e social assim o exigiu.
São os anos de A Tempestade (1940), A Lã e a Neve (1947), A Curva da Estrada (1950), A Missão (1954), O Instinto Supremo (1968) e Os Fragmentos (1974).
É também o período de As Maravilhas Artísticas do Mundo (1959-1963), longo ensaio premiado pela Academia de Belas-Artes de Paris, cujo subtítulo, A Prodigiosa Aventura do Homem através da Arte, reflecte as suas inquietações e anseios.
Tuesday, August 26, 2008
Ferreira de Castro, agitador no Brasil (1)
O Museu Ferreira de Castro (5)
4. O Último Vagamundo (1929-1939)Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937), escrito com base numa viagem pelo Mediterrâneo, em 1935, a que se juntaram notas de uma visita a Andorra (1929) e outra à Irlanda (1930), deveu-se à simpatia de Castro «por todos os que vivem isolados no planeta» e também à conjuntura política interna, que lhe não permitiu ou, inclusive, censurou livros que tinha em mãos.
Pela mesma razão, realizou uma volta ao mundo, em 1939, com a pintora Elena Muriel, sua mulher, viagem que testemunha essa mesma fraternidade à escala planetária e documenta uma realidade geo-política que seria profundamente alterada no pós-guerra. O visitante poderá observar alguns desenhos originais, resultado desse périplo.
Thursday, August 07, 2008
O Museu Ferreira de Castro (4)
3. O REGRESSO - Jornalismo e obras da primeira fase (1919-1928)[Ferreira de Castro, Gualdino Gomes e Castelo de Morais, desenho de Stuart, s. d.]
«Parente muito próximo da literatura e com momentos exultantes, o jornalismo representava para mim o forno de onde me vinha o pão e assim poder realizar os meus pobres livros à sua ilharga, nas horas destinadas ao repouso, que eu utilizava vencendo todos os cansaços. Era ele que me punha a mesa sóbria, me substituía os fatos e os sapatos quando muito usados, me pagava os cigarros e os cafés. Sem ele, cuja conquista já me fora tão penosa, eu não podia entregar-me, naqueles dias, ao meu teimoso sonho de romancista, que se desdobrava imenso entre imensos escolhos.» FERREIRA DE CASTRO, «Origem de «O Intervalo», Os Fragmentos (1972)
Esta secção mostra parte da actividade jornalística de Ferreira de Castro e as obras da primeira fase, não reeditadas. Regressado em 1919, Castro, sem conhecimentos no meio, envereda de novo penosamente pelo jornalismo.
Free-lancer, até 1927, ano em que entra para O Século, colaborou em inúmeras publicações, com destaque o diário A Batalha e a revista ABC. Tendo no início da década dirigido publicações efémeras - O Luso (1920) e A Hora (1921) -, fundou e co-dirigiu em 1928 a Civilização, de colaboração ecléctica e excelente qualidade gráfica. Ao mesmo tempo ia publicando os seus primeiros livros, que hoje são raridades bibliográficas, num total de treze títulos: do Mas... (1921) a O Voo nas Trevas (1927).
(desenho de Stuart: Ferreira de Castro, Gualdino Gomes e Castelo de Morais, s.d. [década de 1920])
link
Saturday, July 19, 2008
Ferreira de Castro evocado no «Avante!»

Wednesday, July 09, 2008
O Museu Ferreira de Castro (3)
2. NO BRASIL - Da selva amazónica a Belém do Pará (1911-1919)Relata a época em que Ferreira de Castro viveu no seringal ironicamente chamado «Paraíso», na Amazónia, onde escreveu o primeiro romance, Criminoso por Ambição, vivência que mais tarde se repercutiria em A Selva.
Embora trabalhasse como caixeiro num armazém, marcou-o fortemente a convivência com os seringueiros cearenses e paraenses, vítimas da adversidade do meio e da exploração praticada pelos proprietários das plantações.
Deixou o seringal em Outubro de 1914, tendo passado por enormes dificuldades. Nos intervalos de expedientes como a colagem de cartazes ou o trabalho num navio que fazia a cabotagem do Oiapoque, lia avidamente os clássicos na Biblioteca Pública de Belém.
A partir de 1915 dedicou-se ao jornalismo, tornando-se mais tarde profissional, publicando no ano seguinte os seus primeiros livros, Criminoso por Ambição e Alma Lusitana.
Sunday, July 06, 2008
A Lã e a Neve no Jornal do Fundão

«A Covilhã no coração», por Fernando Paulouro das Neves;
«Ferreira de Castro e os valores do trabalho», por Manuel Carvalho da Silva;
«A verdade verdadeira -- Revisitando "A Lã e a Neve" de Ferreira de Castro», por Manuel da Silva Ramos;
«Ferreira de Castro, o realismo social e a dignidade humana», por Urbano Tavares Rodrigues;
«110 anos de Ferreira de Castro», por Luís Pereira Garra;
«O agrupamento de escolas que foi ao encontro do seu nome», por Nuno Francisco;
«A Lã e a Neve: as teias do espaço», por Maria Antonieta Garcia.
Tuesday, July 01, 2008
O Museu Ferreira de Castro (2)
«O homem ama na terra natal os seus hábitos, se ali reside ou residiu muito tempo; ama a sua casa e o seu agro, se os tem; e ama, sobretudo, a sua infância, que lhe comandará a vida inteira e se amalgama com o drama biológico do envelhecimento e da morte. Ama esse período da sua existência por saber que jamais voltará a vivê-lo; e essa certeza de irrecuperabilidade embeleza-lhe o cenário nativo e valoriza-lhe os anos infantis, mesmo se neles conheceu a miséria, os trabalhos prematuros, as opressões e as humilhações impostas pelos adultos.»FERREIRA DE CASTRO,«A aldeia nativa» (1969)
Este primeiro grupo refere-se à meninice do romancista, na «aldeia nativa» de Salgueiros, freguesia de Ossela, concelho de Oliveira de Azeméis, onde nasceu, em 24 de Maio de 1898. Deste período ficarão as marcas de um íntimo contacto com a verdejante natureza envolvente. Órfão de pai aos oito anos, a sua infância seria igual à de tantas outras crianças - escola com o professor Portela, catequese com o padre Carmo -, não fosse a decisão inusitada de emigrar para o Brasil, com 12 anos incompletos. Em 7 de Janeiro de 1911 Ferreira de Castro embarcou no vapor Jerôme. Saiu criança, regressaria já homem.
Friday, June 20, 2008
O Museu Ferreira de Castro (1)
Em plena Vila Velha de Sintra, no Casal de Santo António, situa-se o Museu Ferreira de Castro, em consequência da doação feita pelo escritor do seu espólio ao Povo de Sintra, formalizada em 3 de Abril de 1973, ficando a Câmara Municipal como fiel depositária.Tendo Ferreira de Castro manifestado o desejo de que os seus restos mortais permanecessem em Sintra -- como veio a suceder --, aceitou de bom grado a sugestão do "dois notáveis escritores, sintrense um, outro lisboeta, a quem a biblioteca da vila por nós amada prestava bons serviços para as suas pesquisas culturais", no sentido de que essa doação se fizesse. Trata-se de Francisco Costa, então director da Biblioteca Municipal, e Alexandre Cabral, que tinha na Camiliana de Sintra um apreciável acervo bibliográfico e documental para o desenvolvimento da sua investigação.
O primeiro mentor desta ideia terá sido, contudo, o então presidente da Câmara, António José Pereira Forjaz, que em carta de 10 de Abril de 1973, dirigida ao romancista, manifestava alvoroçadamente o seu júbilo, depois de verificada a conformidade da doação com as disposições legais. Seguidamente, Francisco Costa elaborou um parecer em que acentua a importância do espólio, sendo o texto da doação lido em voz alta por Pereira Forjaz na reunião de Câmara de 18 de Abril desse ano. Nesse mesmo dia, Forjaz daria ao autor de A Selva a notícia da aprovação por aclamação da "generosa, tão importante e valiosa doação."
Em consequência do trabalho da Comissão Instaladora, integrada entre outros, por Elena Muriel Ferreira de Castro, Alexandre Cabral, Álvaro Salema, Francisco Costa e José Alfredo da Costa Azevedo, o Museu abriu as sua portas em 6 de Junho de 1982. Encerrado para obras três anos mais tarde, reabriria em 22 de Julho de 1992, após remodelação dos conteúdos expositivos e de elaboração de um novo guia para o visitante.
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