
Ferreira de Castro
(1898-1974)

Jaime Brasil
(1896-1966)

Roberto Nobre
(1903-1969)

um blogue para ir estando com o autor de A SELVA e os seus amigos de sempre: Assis Esperança, Jaime Brasil e Roberto Nobre (desde 30 de Abril de 2006)




Publicado em Língua e Cultura, n.º 8-9, Lisboa, Sociedade da Língua Portuguesa, 1998
[sobre o livro de João de Barros, Hoje Ontem Amanhã, Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1950. Datada de Ponte de Lima, em 20 de Outubro de 1950] Quanto aos outros, em grande número, que a seguir evoca, guardo carinhosamente no coração Fialho d'Almeida. Convivi muito com ele antes de partir para a Índia, em 1898, fui um dos seus grandes amigos e tive por ele sempre grande admiração e profunda compaixão. Quando 10 anos depois voltei, achei-o outro homem.
Dos outros, que os seus livros chama com as suas evocações perante o meu espírito apenas dois são meus antigos conhecidos, Oliveira Martins e Teixeira Gomes, que considero dois grandes cabouqueiros da Construção da Pátria que sonhamos, o primeiro nos alicerces, o segundo na resplandecente cimalha que foi a nossa intervenção na I.ª Grande Guerra. O edifício ainda não ruiu e temos de continuar a aguentá-lo, meu amigo.
Dos novos apenas dei por dois -- Ferreira de Castro e Aquilino. Os outros nunca dei por eles, por certo, ou por incapacidade minha ou porque a preocupação com as minhas tarefas não me deixava ver fora do âmbito delas.
Cartas a João de Barros, edição de Manuela de Azevedo, Lisboa, s.d., p. 74


A T (Dias que Voam) reincidiu, e ofereceu-me, lá do seu blogue, estas duas
Habituara-se ao combate, ao sacrifício, e não ignorava a dor, sua e alheia,, camarada familiar da miséria e da desgraça. Fugira de casa, perdera-se na selva amazónica, batalhara pela liberdade
Os probemas económico-sociais não foram, está bem de ver, introduzidos na literatura pelos neo-realistas. Eles atravessam a obra de Raul Brandão (que seria considerado idealista pelos neo-realistas, se o tivessem lido), estão no Aquilino Ribeiro de Terras do Demo e A Batalha Sem Fim, mau grado o sentido pitoresco e o culto dos valores verbais, e, finalmente, no Ferreira de Castro de Emigrantes, A Selva e Terra Fria, para só falar em algumas das suas obras anteriores ao advento do neo-realismo. No entanto, pela sua atitude deliberada de intervenção, só este último havia de ser considerado percursor da nova tendência.
Apresentação do capítulo sobre a China de A Volta ao Mundo, publicado em Macau pela Câmara Municipal das Ilhas, Taipa, 1998 -- ano do centenário do nascimento do escritor. (Existe edição em cantonês, com tradução de Chau Heng Chon) Dia 4 (Obama's Day, I hope...), irei falar um pouco sobre a revista Renovação, publicada entre Julho de 1925 e Junho de 1926, pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a colaboração de Ferreira de Castro nela. Na Biblioteca-Museu República e Resistência, pelas 18.30h.
Uma edição de A Curva da Estrada, com dedicatória de Ferreira de Castro a António Quadros, em licitação aqui

Taíra - Revue du Centre de Recherche et d'Etudes Lusophones et Intertropicales, Grenoble, CRELIT / Université Stendhal, 1997
Meus caros Ferreira de Castro e Eduardo Frias:[20-VI-1924]

O ESPÓLIO
O GABINETE DE TRABALHO

«O génio de Ferreira de Castro está em ter sabido descrever, com um poder incomparável, não apenas a condição portuguesa ou brasileira, mas toda a condição humana.» ROBERT BRÉCHON (1966)

4. O Último Vagamundo (1929-1939)
3. O REGRESSO - Jornalismo e obras da primeira fase (1919-1928)
2. NO BRASIL - Da selva amazónica a Belém do Pará (1911-1919)
Em plena Vila Velha de Sintra, no Casal de Santo António, situa-se o Museu Ferreira de Castro, em consequência da doação feita pelo escritor do seu espólio ao Povo de Sintra, formalizada em 3 de Abril de 1973, ficando a Câmara Municipal como fiel depositária.
Texto - Raul Brandão, A Farsa; João Grave, Os Famintos; Costa Lobo,
História da Sociedade em Portugal no Século XV. Castro sobre Raul Brandão - [...] Raul Brandão não é um Génio: -- é a concentração diluída dos génios do século XIX: -- efeito originalíssimo dos pensadores alemães. Mas... Efeito soberano: -- onde sua personalidade íntegra impera [...] «Raul Brandão», Mas..., Lisboa, ed. do Autor, 1921, p. 33 Castro sobre João Grave - Pela sua leveza, João Grave faz crónicas mesmo quando faz ensaios; pela sua agudeza crítica, faz ensaio mesmo quando traça uma crónica. «Livros e Autores», ABC, n.º 263, Lisboa, 30/VII/1925.
Confronto - Jack London, O Apelo da Selva e Povo do Abismo; Thomas Mann, Tonio Kroger. Castro e os escritores repórteres (Londres, Béraud, London) - É muito maior o número dos que escrevem livros de valia do que o daqueles que fazem, no jornalismo, grandes reportagens. / Os Albert Londres, os Henri Béraud, os Jack London, têm poucos camaradas... «As nossas grandes reportagens», O Século, Lisboa, 24/I/1930, pp. 7/27.
Escritores de 1903 - Roberto Nobre (São Brás de Alportel; m. Lisboa, 1969); George Orwell (29/XII; m. 1950); morre o Conde de Ficalho (n. Serpa, 1937). Castro sobre Roberto Nobre - Eu teria vinte e quatro anos, ele findaria os dezanove quando chegou a Lisboa, alto, muito magro, um chapéu de abas largas a encimar os grandes óculos que quase lhe anulavam o rosto; e no espírito o veemente desejo de se revelar como artista. «Vida, sonho e drama de Roberto Nobre», in Ferreira de Castro / Roberto Nobre, Correspondência (1922-1969), Lisboa, Editorial Notícias e Câmara Municipal de Sintra, 1994, p. 237. 
Ecos de 1903 - Teixeira de Queirós a João de Barros (Lisboa, 9/III): As ideias religiosas, os símbolos têm para nós a grandeza de criações do espírito humano e devem ser respeitados como tais. Certamente que não foram inventados para enganar mulheres dementes nem homens sem critério, ainda que as igrejas de todas as religiões se tenham servido deles com esse fim. A lenda da Virgem Maria é encantadora como símbolo poético e é-o para mim principalmente pela sua virgindade, pela sua castidade, que lhe dá um ar elevado e puro, livre das contigências e das materialidades.» Cartas a João de Barros, edição de Manuela de Azevedo, Lisboa, Livros do Brasil, s.d., p. 21.