Sunday, June 14, 2009

Sete cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre (1)

Publicado na Boca do Inferno, n.º 1, Cascais, Câmara Municipal, 1996

São sete as cartas de Luís Cardim que integram o espólio epistolográfico de Roberto Nobre, que agora apresentamos na íntegra, mantendo a ortografia e respeitando escrupulosamente a pontuação. Escritas entre 22 de Maio e 20 de Setembro de 1949, tiveram origem na crítica do autor de Horizontes de Cinema ao filme «Hamlet» (1948), de Laurence Olivier, estreado em Portugal no cinema Tivoli, em 24 de Janeiro do ano seguinte.
O texto de Nobre foi publicado na Seara Nova de 26 de Fevereiro de 1949 e constituiu um rasgado elogio da adaptação, enfileirando-a o crítico com A «Fera Amansada», de Fairbanks, «Romeu e Julieta», de Cukor, «Sonho de uma Noite de Verão», de Reinhardt e «Henrique V», do mesmo Olivier. Estas versões, que ele, do ponto de vista da «estética dinâmica», acolhe jubilosamente, haviam-no já levado a observar parecer ter Shakespeare escrito «não para o teatro, mas para o cinema».
(continua)

A. Lopes de Oliveira, COMO TRABALHAM OS NOSSOS ESCRITORES (1950)

Lisboa, Editorial Proença, 1950
Prefácio de Mário Gonçalves Viana, entrevista a Acúrcio Pereira, Amadeu de Freitas, Assis Esperança, Aurora Jardim [Aranha], Correia Marques, Eduardo Schwalbach, Ferreira de Castro, Guedes de Amorim, Hernâni Cidade, Hugo Rocha, Joaquim Paço d'Arcos, Luís d'Oliveira Guimarães, Gustavo de Matos Sequeira, Moreira das Neves, Mota Júnior, Natércia Freire, Norberto Lopes, Ramada Curto, Ribeiro Couto e Virgínia Vitorino.

Friday, June 12, 2009

Canções da Vendetta (2)

Afastado voluntariamente do jornalismo, a «profissão-socorro» que lhe permitia escrever os seus romances, Castro viu-se na situação de escritor profissional. Com alguns livros na gaveta (o romance O Intervalo, a peça Sim, Uma Dúvida Basta), os direitos de autor e os proventos das traduções, que começavam a surgir em grande força, eram ainda insuficientes para lhe garantir a sobrevivência.
Apresentação de Canções da Córsega, 2.ª edição, Sintra, Câmara Municipal e Museu Ferreira de Castro, 1994.

Saturday, June 06, 2009

... ESTA NECESSIDADE DE PERMANENTE ASSISTÊNCIA AFECTIVA... [A correspondência entre Ferreira de Castro e Roberto Nobre] (2)

Houvesse ou não Assis, o encontro entre ambos teria forçosamente de dar-se, não só pela pequenez do meio lisboeta, como pelo relacionamento, mais ou menos intenso -- como este epistolário demonstra -- de Castro com a colónia de autores algarvios na capital (Dantas à parte, é claro): Bernardo Marques, Carlos Porfírio, Eduardo Frias, José Dias Sancho (tio de Nobre), Julião Quintinha ou Mário Lyster-Franco.
in Ferreira de Castro e Roberto Nobre, Correspondência (1922-1969), Lisboa, Editorial Notícias e Câmara Municipal de Sintra, 1994, p. 8.
(continua)

Tuesday, June 02, 2009

O jovem Ferreira de Castro - CRIMINOSO POR AMBIÇÃO (1916)

Caros leitores
Amaveis leitoras
Por um preço excessivamente módico, impressão nítida e papel regular, temos a subida honra de apresentar-vos em fasciculos de 20 paginas o sensacional romance criminoso por ambição, trabalho do escriptor Ferreira de Castro.
Ferreira de Castro, Criminoso por Ambição, [Belém do Pará] Empreza Editora, 1916.

Sunday, May 31, 2009

Cartas Inéditas a Ferreira de Castro (1)

Como havíamos prometido na «Apresentação» das 100 Cartas a Ferreira de Castro, voltamos a revelar mais inéditos pertencentes ao espólio do autor de A Selva.
Persistimos na correspondência. A epistolografia, género literário ela própria, é também uma fonte importante para a biografia de um autor e melhor conhecimento da mentalidade de uma época. Tem, assim, o grande mérito de aliar à fruição estética de um texto (muitas vezes) literário o acumular de informações veiculadas por um documento.

Cartas Inéditas a Ferreira de Castro [separata], lidas e anotadas por Ricardo António Alves, Vária Escrita, n.º 1, Sintra, Câmara Municipal, 1994, p. 113.
(continua)

Saturday, May 30, 2009

outras palavras - Jaime Brasil - OS NOVOS ESCRITORES E O MOVIMENTO CHAMADO «NEO-REALISMO» (1945)

Estes anos cruciais da guerra têm sido, paradoxalmente, favoráveis ao desenvolvimento das letras em Portugal. Dizemos paradoxalmente, porque nem o clima interno é propício à floração do talento literário, nem o ambiente exterior é de molde a permitir aos espíritos a calma indispensável à maturação das obras de arte. Deve ser muito forte o estímulo dos jovens escritores portugueses, para os levar a vencer todas as oposições e limitações e a realizar-se, se não plenamente, pelo menos com grande pujança.

Jaime Brasil, Os Novos Escritores e o Movimento Chamado «Neo-Realismo», Porto, 1945, p. 3.

Friday, May 29, 2009

ficções - Cristina Leimart

Autor que se preze escreve sobre a luz. Imprime uns impulsos luminosos sempre que lhe puxa a mão para a melancolia e o agita a inspiração. Agualusa, por exemplo, n'O Vendedor de Passados, põe uma fotógrafa a alinhar as luzes de vários pontos do mundo. Tê-las-á ele visto com os próprios olhos? Talvez, consta que é viajado. Ferreira de Castro tem uma passagem soberba sobre a luz matinal que lavava a lã e dissolvia a neve da Estrela a meio do século XX. Virginia Woolf, a pretexto do híbrido Orlando, afirma que o verde na Natureza é uma coisa, e na literatura, outra, o que não é mentira nenhuma e também uma forma de dissertar sobre a luminosidade. E Machado de Assis, no D. Casmurro? O que ele se enleia em parágrafos luminosos! Onde? Pois bem, a páginas tantas e outras, aqui e ali -- não perde oportunidade. Para não falar de quando Eça se aventurou por uma China que jamais viu e pelo meio pôs um mandarim luso falando de lâmpadas derramando "claridades luarentas e sóis luzindo como opalas desmaiadas".
Cristina Leimart, «Sobre a luz», Histórias de Poucas Palavras, Lisboa, Apenas Livros, 2009, p. 13.

Thursday, May 28, 2009

castrianas #16 - Carlos Porto sobre SIM, UMA DÚVIDA BASTA

É de outra peça histórica que fala a peça de Ferreira de Castro, o conhecido romancista de «A Selva», cuja publicação constitui sem dúvida uma considerável revelação, podemos mesmo dizer um acontecimento na história da dramaturgia portuguesa recente.
Carlos Porto, «À procura de histórias», JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias, Lisboa, 14 de Setembro de 1994, p 20.

Tuesday, May 26, 2009

100 Cartas a Ferreira de Castro (1)

A correspondência passiva também pode dar a medida de um homem.

100 Cartas a Ferreira de Castro, selecção, leitura, apresentação e notas de Ricardo António Alves, Sintra, Câmara Municipal / Museu Ferreira de Castro, 1992, p. 5.

(continua)

Sunday, May 24, 2009

111


Ferreira de Castro nasceu há 111 anos.

Saturday, May 23, 2009

Da ABC

Mais presentes da T, aqui e aqui, velho material da revista ABC, dos anos 20, com destque para este texto sobre o Stuart.

Wednesday, May 20, 2009

Ferreira de Castro agitador no Brasil (2)

Nascido em Ossela, Oliveira de Azeméis, em 1898, Ferreira de Castro emigrou para o Brasil aos 12 anos, embarcando no vapor «Jerôme», rumo a Belém do Pará.

mercado de Ver-o-Peso, Belém do Pará

foto daqui
(continua)

Sunday, May 17, 2009

O Horóscopo

A T., no Dias que Voam, digitaliza um conto de Ferreira de Castro no Magazine Bertrand, ilustrado por Tagarro, «O Horóscopo».

Friday, May 01, 2009

Chegar a Jaime Brasil através de Ferreira de Castro (1)

Publicado em Das Artes, das Letras, suplemento de O Primeiro de Janeiro, Porto, 19 de Novembro de 2007.

Jaime Brasil pertence àquela constelação de autores que, proeminentes na época em que viveram, a sua memória se desvanece paulatinamente com o passar dos anos. Hoje, Brasil é um nome de alfarrabista, não obstante recuperações quase extemporâneas, como sucedeu recentemente com a reedição do J'Accuse!..., de Zola, pela Guimarães Editores -- no fundo um estudo desenvolvido pelo nosso autor sobre o Caso Dreyfus, acompanhado do panfleto do criador de Germinal, com esclarecidas anotações do punho do seu tradutor português.
(continua)

Tuesday, April 28, 2009

de passagem - Jaime Brasil, RODIN (1944)


OS ANOS OBSCUROS


«A génese do génio»


No capítulo do seu recente livro «Du crétin au génie» (1), consagrado à «Génese do génio», escreveu o Dr. Serge Voronov: As células germinais não morrem nunca, mas transmitem-se duma geração à outra. Essas células germinais, masculina e feminina, unem-se no acto da fecundação para formar um germe, do qual, por crescimento gradual durante nove meses, a criança adquire o desenvolvimento necessário à sua vida. Casa uma dessas células é composta duma substância nutritiva, destinada ao germe -- o protoplasma -- e de um núcleo que é a parte essencial, única que detém toda a hereditariedade do pai e da mãe.

(1) Ed. de La Maison de France -- New York.

Jaime Brasil, Rodin, Porto, Edições Lopes da Silva, 1945, p. 9.

Saturday, April 18, 2009

Preconceito e orgulho em A Tempestade de Ferreira de Castro (1)

Publicado em Nova Sintese, n.º 2/3, Vila Franca de Xira, Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo e Campo das Letras, 2007
Publicado em 1940, pela Guimarães & C.ª, A Tempestade foi desde logo encarado por Ferreira de Castro como um romance de recurso, tal como sucedeu com os livros de viagens, em face dos constrangimentos censórios de que o seu trabalho foi vítima na segunda metade da década de 1930.
(continua)

Tuesday, April 14, 2009

Contra as Touradas

Contra as Touradas, edição de Luís Garcia e Silva, Cadernos d'A Batalha, Lisboa, 2002.
Artigos do Suplemento Semanal Ilustrado de A Batalha, por Ferreira de Castro [A morte do touro»], Mário Domingues, Carvalhão Duarte, Adelaide Cabete, Voz que Clama no Deserto (Jaime Brasil), Serra Frazão, Abilos, Cristiano Lima, Grupos Os Rebeldes e Labareda, e da Redacção, publicado entre 1924 e 1926.

Monday, April 13, 2009

Recensão a ECOS DA SEMANA - A ARTE, A VIDA E A SOCIEDADE (2004)

Publicado em Castriana, n.º 3, Ossela, Centro de Estudos Ferreira de Castro, 2007

Ferreira de Castro, Ecos da Semana - A Arte, a Vida e a Sociedade, introdução e notas de Luís Gacia e Silva, Lisboa, Centro de Estudos Libertários / Cadernos d'A Batalha, 2004, 95 pp.

A recolha e edição de uma parte da colaboração de Ferreira de Castro no Suplemento Literário Ilustrado do diário A Batalha é um dos grandes acontecimentos castrianos dos últimos anos. Acontecimento de importância inversamente proporcional à discrição com que nos veio parar às mãos, por iniciativa do seu responsável, Luís Garcia e Silva, e, certamente, ao quase silêncio que sobre ele se fará.

(continua)

Sunday, April 12, 2009

de passagem - Jaime Brasil, ZOLA - O ESCRITOR E A SUA ÉPOCA (1943)

Prefácio da 1.ª edição
[Nota: o título da 1.ª edição, publicado em 1943 pela Livraria Latina, do Porto, era Vida e Obras de Zola, assinada por A. Luquet. Artur Jaime Brasil Luquet Neto era o seu nome completo. Jaime Brasil, saído há pouco da prisão, estava vedado aos prelos.]
Ao terminar o seu livro Zola, em Outubro de 1931, Henrique Barbusse, depois de delinear os futuros rumos da literatura, acentuando-lhe o carácter social, escreveu: «Não basta proclamar que o amamos (a Zola) e que o deploramos. Não basta que a peregrinação que se realiza todos os anos à memória do Mestre de Médan se reduza a levar flores mortuárias e a recordar a meia-voz a importância que se revestiram, no passado, as suas iniciativas literárias e a sua atitude cívica. É preciso pôr essa grande obra não por detrás de nós, mas na nossa frente e utilizá-la no sentido da iniciação colectiva e do progresso dramático que mudará a forma do mundo -- voltá-la, não para o século XIX, mas para o século XX e os seguintes, ao eterno encontro dos homens jovens». Fez-se porventura isso, no período decorrido após a publicação das palavras de Barbusse? A jovem literatura, até a que pretende ser social, finge ignorar Zola, quando não desdenha dele.
Jaime Brasil, Zola -- O Escritor e a Sua Época, 2.ª edição, Lisboa, Portugália Editora, 1966