Publicam-se, desta vez, 17 cartas de oito autores: H. Lopes de Mendonça (1856-1931), Raul Proença (1884-1941), Fidelino de Figueiredo (1889-1967), Assis Esperança (1892-1975), César de Frias (1894-?), Jaime Brasil (1896-1966), Tomás Ribeiro Colaço (1899-1965), e Roberto Nobre (1903-1969).Saturday, May 01, 2010
Cartas Inéditas a Ferreira de Castro (2)
Publicam-se, desta vez, 17 cartas de oito autores: H. Lopes de Mendonça (1856-1931), Raul Proença (1884-1941), Fidelino de Figueiredo (1889-1967), Assis Esperança (1892-1975), César de Frias (1894-?), Jaime Brasil (1896-1966), Tomás Ribeiro Colaço (1899-1965), e Roberto Nobre (1903-1969).Saturday, March 06, 2010
Recensão a Ecos da Semana -- A Arte, a Vida e a Sociedade (2)
Iniciando a sua publicação em 1919, como órgão da Confederação Geral do Trabalho (CGT), anarco-sindicalista, A Batalha granjeou rapidamente uma difusão assinalável entre o público leitor, e não apenas operário, ombreando com os dois grandes títulos da imprensa de então: O Século e o Diário de Notícias. O êxito editorial permitiu que quatro anos mais tarde A Batalha avançasse com uma edição cultural, com o objectivo de valorizar a grande massa do seu público. «Saber para poder» era o título do editorial do primeiro número, de 3 de Dezembro de 1923: «Órgão de exposição doutrinária e elemento de educação e de aperfeiçoamento moral e intelectual, ele destina-se a ser o companheiro espiritual do operário e a contribuir para a formação da sua consciência revolucionária.» Esse objectivo foi servido por uma plêiade de intelectuais, escritores e publicistas marcantes dos anos vinte, alguns deles ainda muito jovens, do próprio Ferreira de Castro a Jaime Brasil, passando por Julião Quintinha, Campos Lima, Nogueira de Brito, César Porto, Mário Domingues; e muitas e muito assinaláveis colaborações irregulares, de Raul Brandão a José Régio. Não descurando a situação dos leitores a quem se dirigia, este suplemento cultural fazia também uma pedagogia cívica e social em vários domínios da vida quotidiana; a parte substancial, porém, das oito páginas do suplemento era ocupada com a criação e a crítica literárias, a divulgação da grande música (em que Nogueira de Brito teve um papel relevantíssimo), da pintura, do teatro, da vida e obra dos autores referenciais, quer em literatura (Antero e Eça, Tolstoi e Ibsen, Zola e Anatole), quer em ideias (Proudhon, Bakunine, Gandhi e, numa perspectiva crítica, embora respeitosa, Lénine). Valorizado por diversos ilustradores, como Alonso ou Roberto Nobre, foi sem dúvida o talento de Stuart Carvalhais que mais marcou o rosto do jornal.Castriana, n.º 3, Ossela, Centro de Estudos Ferreira de Castro, 2007, pp 105-106.
Saturday, January 23, 2010
Jaime Brasil, anarquista (2)
Sem nos determos na caracterização de nomes e menos ainda nos que, inicialmente anarquistas, acabaram por posicionar-se no campo ideológico oposto -- como Afonso Lopes Vieira ou Alfredo Pimenta -- ou partilharam certa comunhão de ideário socialista -- de Antero de Quental a António Sérgio --, vale dizer que a primeira metade do século XX deu a Portugal um conjunto de autores que se constituiu como uma plêiade intelectual notável. Doutrinadores como Neno Vasco, Campos Lima e Emílio Costa, romancistas como Assis Esperança e Ferreira de Castro, cientistas como Aurélio Quintanilha, publicistas de largo espectro como Julião Quintinha, Jaime Brasil e Roberto Nobre, entre muitos outros. Alguns destes autores estão em plena maturidade -- e outros haviam já começado a construir um nome literário -- ainda em vida de alguns dos mais importantes escritores libertários, como Piotr Kropótkin e Errico Malatesta, falecidos respectivamente em 1921 e 1935, e ambos, aliás, com uma profunda influência nos meios anarquistas portugueses. (3)Afinidades, n.º 2-II Série, Porto, Casa-Museu Abel Salazar, Jul.-Dez. 2005, p. 13.
Friday, November 27, 2009
Roberto Nobre - Uma vida por imagens (2)
Devo dizer que cheguei a Roberto Nobre através de Ferreira de Castro, que com Assis Esperança [1892-1975] e Jaime Brasil (1896-1966) formaram um núcleo duro de amigos ligados por laços fraternos de mundividêcia comum, de comunhão ideológica e afinidades estéticas. Também por essa razão o autor de A Selva estará tão presente neste opúsculo. Mas não só: a amizade entre ambos foi de tal modo intensa e fraternal que deverei repetir o que escrevi na apresentação da sua Correspondência: «muito do que é obra acabada de ambos adquiriu a forma que eles nos legaram, em parte pela fraternidade pessoal, exemplo ético e discussão estética que um deu ao outro.» (1)Roberto Nobre -- 1903-1069, São Brás de Alportel, Câmara Municipal, 2003, pp. 11-12.
Sunday, October 18, 2009
Os retratos de Castro por Nobre (2)
O autor de Ontem e Hoje com Dom Quixote iniciou vida artística por volta de 1920, como assistente de realização e laboratório de Albert Durot, antigo câmara de Georges Pallu, o realizador de «Os Fidalgos da Casa Mourisca» (1920) , «Amor de Perdição» (1921), «O Primo Basílio» (1922) e um dos responsáveis pelas primeiras tentativas de se estabelecer uma actividade regular de cinema em Portugal. (3) Essa paixão pela 7.ª Arte, levá-lo-ia inclusivamente à realização. (4) Nele coabitavam, porém, múltiplos interesses: artes plásticas (em que foi um dos precursores do neo-realismo pictural português (5)), artes gráficas (o cartoon (6), a publicidade, a ilustração (7), o design de moda (8)) e a escrita.Saturday, June 27, 2009
A Unidade Fragmentada. Dispersos de Ferreira de Castro (2)
Terá sido exactamente a condição de profissional das letras que impediu uma produção esparsa prolífica, guardando a sua mensagem essencial para uma sólida obra romanesca. Também a sua epistolografia se ressentiu dessa situação, como já tivemos oportunidade de escrever.(1) O «ódio à caneta» (2), a «repugnância pelo trabalho agravada pela obrigação de trabalhar» (3) reflectiram-se no apuro formal da correspondência trocada com os amigos mais chegados e, outrossim, na dimensão da sua obra mais circunstancial. Sunday, June 21, 2009
Sete cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre (2)
Esta crítica foi causa próxima de um ensaio de Luís Cardim, publicado também na Seara, durante cinco números, entre 16 de Abril e 24 de Maio desse ano, sob o titulo «É o Hamlet representável?», posteriormente editado em volume, ligeiramente aumentado e com outro título: Os Problemas do «Hamlet» e as suas dificuldades cénicas. (A propósito do filme de Sir Laurence Olivier), Seara Nova, Lisboa, 1949 -- facto que a publicação anuncia em manchete (manchete ao estilo da Seara, claro está...), saudando o autor: «incontestavelmente a nossa primeira autoridade em língua e literatura inglesa, como o Dr. Paulo Quintela o é para a língua e literatura alemã.» (1)Sunday, June 14, 2009
Sete cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre (1)
Publicado na Boca do Inferno, n.º 1, Cascais, Câmara Municipal, 1996O texto de Nobre foi publicado na Seara Nova de 26 de Fevereiro de 1949 e constituiu um rasgado elogio da adaptação, enfileirando-a o crítico com A «Fera Amansada», de Fairbanks, «Romeu e Julieta», de Cukor, «Sonho de uma Noite de Verão», de Reinhardt e «Henrique V», do mesmo Olivier. Estas versões, que ele, do ponto de vista da «estética dinâmica», acolhe jubilosamente, haviam-no já levado a observar parecer ter Shakespeare escrito «não para o teatro, mas para o cinema».
Saturday, June 06, 2009
... ESTA NECESSIDADE DE PERMANENTE ASSISTÊNCIA AFECTIVA... [A correspondência entre Ferreira de Castro e Roberto Nobre] (2)
Houvesse ou não Assis, o encontro entre ambos teria forçosamente de dar-se, não só pela pequenez do meio lisboeta, como pelo relacionamento, mais ou menos intenso -- como este epistolário demonstra -- de Castro com a colónia de autores algarvios na capital (Dantas à parte, é claro): Bernardo Marques, Carlos Porfírio, Eduardo Frias, José Dias Sancho (tio de Nobre), Julião Quintinha ou Mário Lyster-Franco.Monday, April 06, 2009
de passagem - Roberto Nobre, das «Palavras prévias» a SINGULARIDADES DO CINEMA PORTUGUÊS [1964]
O tempo passa, corre, voa. Eu sei, é um lugar-comum dizê-lo. Mas todas as mais evidentes verdades se estratificam sempre em lugares-comuns. Já voaram trinta anos desde que iniciei esta improfícua actividade de análise e comentário de coisas de cinema. Marco a passagem dessa efeméride pessoal com este livro.Roberto Nobre, Singularidades do Cinema Português, Lisboa, Portugália Editora [964] p. 13.
Thursday, April 02, 2009
Ferreira de Castro e a II República Espanhola (1)
Incluído em Círculo Joaquina Dorado e Liberto Sarrau (3.º Ciclo), Lisboa, Centro de Estudos Libertários, 2007Esta intervenção deveria intitular-se «Ferreira de Castro no dealbar da II República espanhola», uma vez que o que de substancial escreveu sobre a Espanha republicana, como romancista e como jornalista, se circunscreve aos três primeiros anos do novo regime. Sobre o período da Guerra Civil, por exemplo, para além de referências esparsas, de substancial só conheço uma brevíssima carta dirigida a Roberto Nobre, em 17 de Fevereiro de 1936, um dia depois da vitória da Frente Popular, em que o autor de Emigrantes diz apenas isto: «Estou radiante com as eleições espanholas.» (1) -- além do significativo epílogo de O Intervalo, de que se falará no final.
Wednesday, April 01, 2009
correspondências - Ferreira de Castro a Roberto Nobre (1922)
Carta de Lisboa, em 19 de Setembro de 1922Ferreira de Castro e Roberto Nobre, Correspondência (1922-1969), introdução, leitura e notas de Ricardo António Alves, Lisboa, Editorial Notícias e Câmara Municipal de Sintra, 1994, p. 17.
Thursday, March 26, 2009
A Batalha, 90 anos
O último número de A Batalha (o 233 da VI série), publicado pelo Centro de Estudos Libertários (CEL), assinala os 90 anos do início da publicação do então diário da União Operária Nacional (depois, Confederação Geral do Trabalho - CGT), saído em 23 de Fevereiro de 1919, com a republicação de alguns artigos de colaboradores históricos do jornal: Alexandre Vieira, «Preparação de militantes operários» (1924); Manuel Joaquim de Sousa, «Igualdade e liberdade» (1923); Ferreira de Castro, «Os ferreiros» (1925); Julião Quintinha, «Os revolucionários em arte que são conservadores na vida social» (1925); Cristiano Lima, «A derrota dos livre-pensadores» (1925); Nogueira de Brito, «Felix Mendelssohn» (1924), e uma ilustração de Roberto Nobre de A Epopeia do Trabalho, que acompanhou o texto de Ferreira de Castro já referido. Tuesday, March 17, 2009
outras palavras - Roberto Nobre, O FUNDO (1946)
Subitamente, foi o país surpreendido com a publicação dum projecto de decreto-lei destinado a transformar radicalmente as condições em que as actividades do Cinema se exercem entre nós, tanto na produção, como na importação e exibição. Dado o papel relevante que o Cinema de há muito tem na Arte e Cultura contemporâneas, deve depreender-se a importância duma tal medida. Lendo-o atentamente, verifica-se a gravidade do que se propõe, tanto mais que reveste outros aspectos, além dos artísticos e industriais.Sunday, March 08, 2009
Nova edição de JUBIABÁ, de Jorge Amado
A Companhia das Letras, que está a editar a obra de Jorge Amado, sob direcção de Alberto da Costa e Silva e Lilia Moritz Schwarcz, publicou, no final do ano passado uma nova edição de Jubiabá (1935), o primeiro dos grandes romances do escritor baiano, que foi dedicado,entre outros a Ferreira de Castro. E, com efeito, Castro lá aprece referido, não apenas na dedicatória, na companhia de Graciliano Ramos e Oswald de Andrade, entre outros, mas também as referências do autor do posfácio, Antônio Dimas, e no apêndice documental, com uma formidável e histórica fotografia de 1953, da recepção que o nosso autor organizou a Amado no restaurante internacional da Portela, pois Amado estava proibido de entrar em Portugal. A essa foto voltarei. Basta dizer que com Amado e Castro estavam Maria Lamas, Alves Redol, Mário Dionísio, João José Cochofel, Roberto Nobre, Carlos de Oliveira, José Cardoso Pires, Fernando Piteira Santos e Francisco Lyon de Castro, cercados por pides, entre os quais Rosa Casaco, um dos assassinos de Humberto Delgado. Amado muitas vezes se referiu a este gesto de Ferreira de Castro. A esta foto voltarei. Saturday, February 28, 2009
Roberto Nobre -- Uma vida por imagens (1)
A obra plástica e ensaística de Roberto Nobre está à espera de quem sobre ela se debruce, não obstante algumas abordagens importantes, embora parcelares e por vezes esquemáticas, que têm sido feitas nos últimos anos. O texto que se segue padece dessas insuficiências; mas tendo alguma responsabilidade na desocultação do nome e da obra de Roberto Nobre, não poderia eximir-me a aceitar o convite honroso para evocar o percurso intelectual dum filho de São Brás de Alportel, vila de gente afável e dedicada, alfobre de artistas e homens de cultura, terra singular neste Algarve que esteve sempre no coração do ensaísta de Horizontes de Cinema.
In Roberto Nobre -- 1903-2003, São Brásde Alportel, Câmara Municipal, 2003, p. 11.
(continua)
Sunday, February 15, 2009
PETITS MONS i VELLES CIVILITZACIONS - ANDORRA (1929)
A tradução do primeiro capítulo de Pequenos Mundos e Velhas Civilizações, editado em 1937-38 pela Empresa Nacional de Publicidade -- o magnífico texto sobre Andorra --, foi recentemente editado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros deste país, incluído na colecção «L'Andorra dels viatgers». Uma bela edição, repoduzindo na sobrecapa uma vinheta de Roberto Nobre extraída da edição princeps. O livro inclui ainda textos da ministra Meritxell Mateu Pi (que, diga-se a propósito, fez uma interessante alocução no Instituto Camões, quando da apresentação pública do livro), do embaixador em Andorra la Vella, Nuno Bessa Lopes, de Ivone Bastos Ferreira, do Centro de Estudos Ferreira de Castro, do historiador Joan Peruga e uma cronologia de minha autoria.Wednesday, February 11, 2009
Monday, February 02, 2009
Os retratos de Castro por Nobre (1)
Publicado em Vária Escrita, n.º 8, Sintra, Câmara Municipal, 2001 Tuesday, January 27, 2009
Castro, Assis, Brasil, Nobre -- ou a tertúlia dos anarquistas

Ferreira de Castro
(1898-1974)

Jaime Brasil
(1896-1966)

Roberto Nobre
(1903-1969)





































































