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Tuesday, April 28, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (18): posição relativa no DCAP

1. Aquilino Ribeiro (61,3 cm.)
2. José Rodrigues Miguéis (40 cm.)
3. Fernando Namora (38,9 cm.)
4. Joaquim Paço d'Arcos (37 cm.)
(Júlio Dinis - 28,8 cm.)
5.Alves Redol (27,3 cm.)
6. Ferreira de Castro (25,7 cm.)
7. Maria Archer (21,7 / 22,4 cm)*
8. Manuel Ribeiro (16,6 cm.)
9. Assis Esperança (10,2 cm.)

* Maria Archer, sobre cuja data de nascimento há dúvidas, surge nos vol. III e IV, com verbetes de diferente autoria.

Wednesday, April 15, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (16): posição relativa no Dicionário Biográfico Universal de Autroes

1. Ferreira de Castro -- 96,9 cm. (autor: João Palma-Ferreira)
2. Aquilino Ribeiro -- 89 cm. (autora: Maria Idalina Resina Rodrigues)
(Júlio Dinis -- 70,3 cm. äutor: Jacinto do Prado Coelho]¨)
3. Alves Redol -- 57,7 cm. (autora: Maria Idalina Resina Rodrigues)
4. Fernando Namora -- 51,5 cm (autora: Maria Idalina Resina Rodrigues)
5. José Rodrigues Miguéis -- 38,2 cm. (autor: L. R. [?])

Manuel Ribeiro, Assis Esperança, Maria Archer e Joaquim Paço d'Arcos não têm entradas)

Saturday, April 11, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (14): posição relativa no Dicionário de Literatura, de Jacinto do Prado Coelho,

João Pedro de Andrade
(Júlio Dinis + Uma Família Inglesa + A Morgadinha dos Canaviais + As Pupilas do Senhor Reitor) -- 210,2 cm: autores: Túlio Ramires Ferro e Luiz Forjaz Trigueiros [As Pupilas...])
1. Aquilino Ribeiro + Terras do Demo + O Malhadinhas -- 106,5 cm. (autor: João Pedro de Andrade)
2. Ferreira de Castro + A Selva -- 91 cm. (autor: João Pedro de Andrade)
3. José Rodrigues Miguéís -- 48 cm. (autor: José Palla e Carmo)
4. Maria Archer
  . Fernando Namora
  . Joaquim Paço d'Arcos
  . Alves Redol
  . Manuel Ribeiro (remissão para entradas com sínteses de conjunto: "Contemporâneos", "Neo-Realismo", etc.)
 9. Assis Esperança (sem qualquer remissão, três referências no índice onomástico)

Friday, April 10, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários: (13): o Dicionário de Literatura, dirigido por J. Prado Coelho

Dirigido por Jacinto do Prado Coelho, e editado pela portuense Livraria Figueirinhas, compreende as literaturas portuguesa, brasileira e galega e ainda a estilística literária. Dos autores que seleccionei para esta sondagem, apenas três -- Castro, Aquilino e Miguéis (além de Júlio Dinis) -- têm entrada própria, a que acresce, com excepção de Miguéis, verbetes sobre alguns títulos, como veremos no próximo post.
Há 23 anos publiquei uma carta de João Pedro de Andrade a Ferreira de Castro, pedindo-lhe, em 1955, elementos para este dicionário*, que só seria editado por volta de 1960. Andrade, um excelente crítico e importante dramaturgo era um velho conhecimento de Ferreira de Castro, desde o tempo da revista A Hora (1922).
Do verbete sobre Ferreira de Castro (vol. I), informativo e biográfico como lhe cumpria, destaco a concisa análise das obras da primeira fase, pré-Emigrantes para o primeiro grupo romanesco do autor: «Ao inconformismo que se afirmava, através dum estilo imaginoso, em rebeldia por vezes destrutiva, sucede uma fase caracterizada pelo humanismo dos temas e pela atitude compreensiva, que não exclui combatividade implícita na objectividade quase fotográfica, com muito de reportagem.» Faltou-lhe, porém, a referência ao outros aspecto fundamental da obra castriana, o perscrutar da mentalidade de hoje e de sempre do Homem, aspecto que torna os romances de Ferreira de Castro não apenas um acervo realista duma certa época histórica, mas também uma sondagem psicologicamente fina do comportamento humano.
A entrada sobre A Selva  (vol. IV) é plenamente conseguida na exposição concisa das linhas de força da narrativa, bem como na caracterização estilística da obra.
Socorro-me da 4.ª edição, de 1980.

*100 Cartas a Ferreira de Castro, Sintra, Câmara Municipal / Museu Ferreira de Castro, 1992.

Wednesday, April 08, 2015

Fereira de Castro nos dicionários (12) -- posição relativa na Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura

(Júlio Dinis -- 35,4 cm.; autor: Jacinto do Prado Coelho)
1. Ferreira de Castro -- 18,2 cm.; autor: F.Jasmins Pereira;
2. Aquilino Ribeiro -- 14, 2 cm.; autor: Taborda de Vasconcelos;
3. Joaquim Paço d'Arcos -- 9,3 cm.; autor: T.S. Homem;
4. Manuel Ribeiro -- 9,2 cm.; autor: José Alves Pires;
5. Fernando Namora -- 9 cm.; autor: José Alves Pires;
6. José Rodrigues Miguéis -- 8,9 cm.; autor: José Alves Pires;
7. Alves Redol -- 6,8 cm.; autor: José Alves Pires;
8. Maria Archer -- 2,7 cm.; sem referência de autoria;
9. Assis Esperança -- sem entrada própria.

Monday, April 06, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (10) -- posição relativa na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

(Voltando a notar que se trata de um mero indicador, uma vez que no caso da GEPB, a autoria dos verbetes é diversa, bem como o seu conteúdo. Por exemplo, a actualização da entrada sobre Joaquim Paço d'Arcos, resume-se a uma longa lista de bibliografia activa e passiva, traduções, prefácios, etc. -- certamente facultados pelo próprio -- que noutros casos se privilegiou menos. A falta de uniformização rigorosa para cada verbete, acaba, inevitavelmente, por condicionar, para cima e para baixo, a posição relativa de cada romancista.)

* (Júlio Dinis, 148 cm.)
1. Aquilino Ribeiro (79,8)
2. Joaquim Paço d'Arcos (59)
3. Ferreira de Castro (53,8)
4. Manuel Ribeiro (24,2)
5. Maria Archer (20,2)
6. Assis Esperança (19,7)
7. Alves Redol (19,3)
8. José Rodrigues Miguéis (18,1)
9. Fernando Namora (16,9)

Saturday, April 04, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (8): a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

A GEPB publicou-se entre 1936 e 1960, em 40 volumes, quatro dos quais são "Apêndices". Secretariada por João de Sousa Fonseca, foram seus directores Mendes Correia, António Sérgio, Gonçalves Pereira, Martins Zúquete, Manuel Otero Ferreira e Cardoso Júnior, acolhendo verbetes dum notável corpo de dezenas de colaboradores, um dos quais, Aquilino Ribeiro, é um dos romancistas contemplados neste balanço. A GEPB tinha um grande número de autores da Oposição ao Estado Novo, com claras referências às actividades dos escritores que eram adversários do regime, incluindo as prisões. Os verbetes não eram, infelizmente, assinados.
Quanto aos critérios, verifica-se um bom equilíbrio entre os dados biobibliográficos e a análise e caracterização das respectivas obras, principalmente no que respeita aos romancistas veteranos.
Não contemplo, por agora, a "Actualização", posterior ao 25 de Abril, já com um lote de colaboradores distinto, mantendo, porém, alguns da primeira série.

Friday, April 03, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (7): posição relativa de cada um no Dicionário Universal de Literatura, de Henrique Perdigão

No que respeita às dimensões de cada uma das entradas, com as idades respectivas, uma vez que o Dicionário Universal de Literatura é o único em que estes romancistas, que são contemporâneos, estão em actividade.

1. Ferreira de Castro (42 anos)
*. (Júlio Dinis)
2. Fernando Namora (21 anos)
3. Manuel Ribeiro (62 anos)
4. Aquilino Ribeiro (55 anos)
5. José Rodrigues Miguéis (39 anos)
6. Maria Archer (41 anos)
7. Joaquim Paço d'Arcos (32 anos)
8. Assis Esperança (48 anos)
9. Alves Redol (29 anos)

Wednesday, April 01, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (3) Manuel Ribeiro e Aquilino Ribeiro no Dicionário Universal de Literatura, de Henrique Perdigão

Dicionário Universal de Literatura
Manuel Ribeiro. ("Ribeiro (Manuel) -- 1879"). Percurso biográfico e ideológico, referências bibliográficas, referência crítica (citação de António Sérgio) e situação profissional. 

Ficha:
págs.: 900-001
dimensões: 24,9 cm.
palavras: --
caracteres: --
foto: sim

Aquilino Ribeiro: ("Ribeiro (Aquilino) -- 1885"). Biografia e bibliografia, alusão à opulência estilística, não recolhendo então aprovação unânime (João Gaspar Simões), referência crítica (Aubrey Bell).

Ficha:
pág.: 733
dimensões: 21, 5 cm.
palavras --
caracteres --
foto: não

Sunday, March 29, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (1) Apresentação

Um divertimento que vou apresentar na tertúlia informal dos III Encontros Castrianos, que se realiza todos os anos, em Maio, em Ossela, Oliveira de Azeméis, terra natal do escritor.

Metodologia e critérios. Serão consultadas obras de referência, de que irei dando conta, organizadas segundo o sistema de entradas alfabéticas. Não apenas dicionários de literatura, mas também repositórios de autores em sentido amplo, dicionários de história, e as duas principais enciclopédias.
Caracterizarei cada um dos verbetes que lhe são dedicados, e procurarei uma conclusão no final.

Não basta, porém, ficar pelo próprio Ferreira de Castro, há que confrontar o seu lugar nos dicionários em confronto com outros autores mais ou menos contemporâneos e ver, quantitativamente, o espaço que cada um ocupa. Para não misturar alhos com bugalhos, cingir-me-ei àqueles escritores que podem ser considerados essencialmente romancistas, ficando de fora autores como Raul Brandão, José Régio e Vitorino Nemésio, cuja bibliografia se espraia por vários géneros literários.

O ponto de partida será a segunda edição do Dicionário Universal de Literatura, de Henrique Perdigão, Porto, 1940 (a primeira edição, de 1935, restringia-se a autores já falecidos), sendo contemplados neste inventário apenas escritores que são já trabalhados por Perdigão 
Tive de reduzir o plano inicial, que abarcava mais escritores, optando por dois romancistas de gerações anteriores, mas ainda em actividade à data das pesquisas de Perdigão: Manuel Ribeiro e Aquilino Ribeiro; dois contemporâneos de Ferreira de Castro: Assis Esperança e José Rodrigues Miguéis; e, finalmente, três outros da geração seguinte: Joaquim Paço d'Arcos, Alves Redol e Fernando Namora.

Mas quero ir ainda um pouco mais além, comparando estes lugares de Ferreira de Castro com os de outro escritor tal como ele muito discutido, mas também de indiscutível lugar de destaque no cânone literário português: Júlio Dinis. 

No final, verei se fez sentido.  

Em tempo (1-IV-2015): Incluirei também nesta prospecção Maria Archer. A maior ficcionista da sua geração, embora com muita obra publicada de temática africana (recolhas, ensaios), em literatura propriamente dita, foi na ficção narrativa que se distinguiu.

Tuesday, January 28, 2014

castrianas - Teresa Leitão de Barros



Teresa Leitão de Barros (1898-1983), escritora e crítica literária do Notícias Ilustrado, quando se publicou A Selva (1930) escreveu, entre outras, duas coisas importantes, que o tempo, que é mauzinho, veio confirmar: a primeira é que, publicados os dois romances, este e Emigrantes, dois anos antes, Castro sobressaía como o grande romancista da sua geração: «Ferreira de Castro consagrou-se a si próprio, quando escreveu as mais admiráveis páginas dos seus últimos romances. Os seus personagens, que ficam bem de pé, bem erguidos perante a nossa mais incondicional admiração, esmagam e afugentam os fantoches de tanto romanceco que contribuiu para divinizar alguns autores de sorte. São colossos amesquinhando pigmeus.»

Na verdade, quem, de 1930, importa hoje? Só Castro e Aquilino, que era da geração anterior. Morto Raul Brandão, nesse preciso ano, Assis Esperança não resistiu ao tempo (pese embora o magnífico Servidão, de 1946). Da geração de Ferreira de Castro, Régio avançaria com o importante Jogo da Cabra Cega, em 1934, que então passou despercebido, como seria de esperar; Miguéis terá o modesto Páscoa Feliz em 1932, esperando ainda cerca duas décadas para voltar a publicar; Nemésio, com o modestíssimo Varanda de Pilatos (1927), só em 1944 virá com o assombroso Mau Tempo no Canal; João Gaspar Simões romancista menor, nem é deste campeonato (o interessante Elói, também de 1932, não ganha no confronto com a Cabra Cega regiana); e Francisco Costa e Tomás de Figueiredo só nos anos 40 começam a publicar romances. Para além do que pululava pelos jornais, no elogio mútuo ou interessado, só mesmo Aquilino e Castro hoje importam.
Acrescenta também Teresa Leitão de Barros no Notícias da Tarde, acertadamente, podemos dizê-lo agora, à distância de 83 anos: «Como obra literária integralmente bem realizada, "A Selva" pertencerá, um dia, à História onde se analisam os livros definitivos e grandes que neste século foram escritos em língua portuguesa.»
"Neste século", atrevia-se a crítica, ainda em 1930. Olhando para trás, verificamos que acertou na mouche, mesmo com todos os grandes textos romanescos, e foram felizmente alguns, que se imprimiram até ao ano 2000...
Teresa Leitão de Barros, «Um grande livro do século XX», apud Jaime Brasil, Ferreira de Castro e a Sua Obra, Porto, Livraria Civilização, 1931.

foto: Maria Antónia Fiadeiro (org.), Mulheres Século XX -- 101 Livros, Lisboa, Câmara Municipal [2001]

Monday, November 18, 2013

Ferreira de Castro e Luandino Vieira

imagem
Quando, em 1965, o júri do Prémio Camilo Castelo Branco -- instituído pela Sociedade Portuguesa de Escritores, fundada na década anterior por Ferreira de Castro e Aquilino Ribeiro, e a que ambos presidiram -- decidiu distinguir a obra de um escritor pertencente ao MPLA e a cumprir pena no Tarrafal, a consequência desta decisão acarretou a extinção da SPE e o saque e a vandalização das suas instalações por parte de rufias da Legião Portuguesa.
Castro terminara o seu mandato como presidente no ano anterior, e deve ter sido com enorme mágoa que soube dessa acção perpetrada por sicários do regime, cujas poucas letras, de resto, os tornava inaptos para a leitura de Luuanda, se acaso o tentassem.
O livro, composto por três novelas, é uma obra-prima de criação literária, de trabalho dentro da língua portuguesa e da recriação dela através da língua errada do povo, da língua certa do povo, como diria Manuel Bandeira. E obra-prima de duas literaturas: da portuguesa (Vieira nasceu em Vila Nova de Ourém, em 1935) e também da angolana, país que é o seu desde os três anos de idade, e que profundamente deve amar, pois uma escrita desta só é possível por quem se tornou, de facto, angolano, amando a sua terra e as pessoas que nelas vivem. E não esqueçamos ser José Luandino Vieira Prémio Camões de 2006, embora o tenha recusado.
A minha edição de Luuanda, de 1983, é do Círculo de Leitores. Na badana da sobrecapa o primeiro excerto de um escritor é de Ferreira de Castro, infelizmente sem menção da sua proveniência:
«Considero, sem favor algum, que a obra Luuanda é um trabalho de alto mérito literário e José Luandino Vieira, um escritor de grande talento, que já enriqueceu, com este livro, a nossa literatura [...]».
Por um lado, Castro percebe que está diante dum excepcional escritor; por outro, velho oposicionista, quis vincar com aquele "sem favor algum", que o mérito de Luuanda nada tinha que ver com considerações de ordem política. Embora o júri -- que Ferreira de Castro não integrou -- não fosse ingénuo e soubesse que a sua decisão acarretaria consequências desagradáveis -- talvez não suspeitassem, contudo, da selvajaria que se seguiu --, honraram-se como homens livre num país que o não era, ao premiarem literatura verdadeira: a que experimenta e arrisca enquanto arte.

Wednesday, October 17, 2012

A NARRATIVA NO MOVIMENTO NEO-REALISTA -- AS VOZES SOCIAIS E OS UNIVERSOS DA FICÇÃO, de Vítor Viçoso (28)

E se Finisterra é um livro à parte no Neo-Realismo, outro livro inusitado termina esta longa digressão: Levantado do Chão, de José Saramago (1980), classificado pelo futuro Nobel como «o último romance do Neo-Realismo, fora já do tempo neo-realista» (p. 334). Vítor Viçoso sinaliza nesta obra o distanciamento irónico (p. 333) e crítico do escritor, o «prolífero ludismo verbal» (p. 334), o cepticismo em relação «à epicidade datada e algo ingénua do protagonista colectivo» (p. 334), que encerra um capítulo ou uma fase do Neo-Realismo – «o epílogo glosado de toda uma literatura que se orientou, desde o expressionismo visionário de Raul Brandão, passando pelo realismo social de Aquilino Ribeiro e Ferreira de Castro, até à representação dialéctica classista dos neo-realistas» (p. 334-335) e abrem, segundo o autor, uma nova maneira de organizar e questionar ficcionalmente o mundo.» (p. 335) Como leitor, gostaria de ver estudada a persistência dos tópicos neo-realistas na obra de José Saramago, pós-Levantado do Chão. Talvez ficássemos surpreendidos.

(texto lido na apresentação do livro no Café Saudade, Sintra, em 21 de Outubro de 2011)

Monday, September 10, 2012

incidentais #2 -- um romancista descobre-se

da "Nota à 4.ª edição":

*A assunção de uma qualidade particular de romancista: a de «biógrafo [...] das personagens que não têm lugar no mundo».

* O volte-face de um percurso marcado até aí pela perseguição do exotismo e pelas proclamações libertárias para algo de mais profundo e essencial: a busca da dignidade do Homem e de todos os homens, a condição simultaneamente de fragilidade e audácia prometeica que caracteriza o indivíduo ao longo dos tempos. 

* Ter na mão a edição princeps  (1928) e perceber e sentir o que de inaugural teve aquele romance para toda uma literatura que viria a florescer na década de 1940, o neo-realismo, imune, porém à moléstia do sectarismo, armadilha em que caíram outros mais novos do que ele.

* O título, nome colectivo, Emigrantes.

* Romance português mais morto que vivo nesse final de década: naturalismos tardios, pitorescos gastos. Sobravam Aquilino, com muito ainda para dar; Brandão, às portas da morte, de obra rematada e memórias deixadas à posteridade; Teixeira-Gomes, o hedonista exilado e livre, ressurecto para a literatura. O romance psicologista -- que nunca foi estranho à narrativa castriana -- da presença, o Elói de João Gaspar Simões, o notável Jogo da Cabra Cega, de Régio, aguarda(m) vez.

Tuesday, December 13, 2011

Vítor Viçoso, A NARRATIVA NO MOVIMENTO NEO-REALISTA – AS VOZES SOCIAIS E OS UNIVERSOS DA FICÇÃO (5)

* a polémica entre José Rodrigues Miguéis e Castelo Branco Chaves nas páginas da Seara Nova – movimento de grande nobreza cívica e cultural que, nas palavras de Raul Proença, se situava à extrema-esquerda do regime republicano; dissensão que leva ao abandono da revista do primeiro, já activista comunista, deixando de reconhecer-se no liberalismo socialista do grupo de Proença, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro e António Sérgio;



Thursday, January 27, 2011

Páginas de Amor dos Melhores Autores Portugueses (1944)

organizadores: António Feio e Raul Feio
Vasco de Lobeira [ou João de Lobeira], Sóror Mariana Alcoforado [sic], Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Fialho de Almeida, Carlos Malheiro Dias, Afonso Lopes Vieira, Júlio Dantas, Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, Magnus Bergström, Joaquim Paço d’Arcos, José Régio, Manuel de Campos Pereira, Vitorino Nemésio.
Lisboa, edição dos Antologiadores, 1944.
(excerto de Eternidade)

Tuesday, January 25, 2011

Um medo frio - Breve nota sobre a memorialística castriana (3)

Personagem influente da cultura portuguesa novecentista, um dos últimos abencerragens do escritor-farol à maneira de um Victor Hugo, de um Guerra Junqueiro, de um Émile Zola -- mas também de um Romain Rolland ou de um Aquilino Ribeiro, Castro granjeou um prestígio como romancista e uma autoridade moral como figura intelectual da Oposição -- embora nunca arregimentada, tenazmente independente e individual  -- suficientemente significativos para ser tido como um potencial candidato às Presidenciais de 1958, sondado para o efeito por intelectuais do PCP, e cuja recusa viria a estar na origem da escolha do seu amigo e contertuliano Arlindo Vicente. Uma natural vivência intelectual intramuros e fora de portas, um estreito relacionamento com figuras como Raul Brandão ou Brito Camacho, os contactos privilegiados que teve com diversos escritores estrangeiros, de Blaise Cendrars a Louis Aragon, passando por Stefan Zweig, a amizade com Jorge Amado e muitos outros autores brasileiros que seria fastidioso enumerar, os prémios internacionais e as distinções vindas um pouco de toda a parte, em especial do Brasil e de França -- tudo isto daria para uma narrativa de memórias cheia de interesse -- porém superficial, em face da existência invulgar que foi a sua, tão exaltante quanto surpreendente.

Sol XXI #38/39, Carcavelos, 2003 

Sunday, November 28, 2010

Os retratos de Castro por Nobre (3)

Ele próprio ensaísta, cultor de uma literatura de ideias, em escritos de estética cinematográfica, dispersos ou reunidos em volume (9) --, os seus livros estão eivados de referências literárias, de reflexões sobre a literatura, quer como manifestação artística específica, quer a propósito da sua relação com o cinema, topando o leitor a cada passo com Camilo e Eça de Queirós, Raul Brandão e Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro e José Régio; ou Dostoievski e Zola, Anatole France, Romain Rolland e André Gide. (10) O ensaio viria assim paulatinamente a tomar o lugar do desenho, que, na década de vinte do século passado, o projectara no meio artístico lisboeta.

(9) Horizontes de Cinema (1939) e Singularidades do Cinema Português (1964) [atente-se no título queirosiano do último -- nota 2010]
(10) A correspondência de Nobre é demonstrativa do diálogo intelectual que ele estabelecia com os seus interlocutores. Ver «Seis cartas de Luís cardim a Roberto Nobre», introdução, leitura e notas de Ricardo António Alves, Boca do Inferno #1, Cascais, Cãmara Municipal, 1996, pp. 95-109; José Régio / Roberto Nobre, «Correspondência», transcrição e notas de Eugénio Lisboa, Boletim, #4-5, Vila do Conde, Câmara Muncipal e Centro de Estudos Regianos, 1999, pp. 29-33.

Vária Escrita #8, Sintra, Câmara Municipal, 2001.