Com uma nova e magnífica capa de Luís Alegre / Wonder Book Design
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Monday, April 08, 2019
Thursday, October 18, 2018
CAFÉ em Vila Franca de Xira -- «Candido Portinari em, Portugal»
Depois de exposto pela primeira vez no pavilhão do Brasil na Exposição do Mundo Português, em 1\940, Café, de Candido Portinari, tela de 1935, volta a ser exposta entre nós, no Museu do Neo-Realismo: «Candido Portinari em Portugal», entre 20 de Outubro e e 3 de Março, pelas mãos de Raquel Henriques da Silva e Luísa Duarte Santos.
Portinari, talvez o maior génio da pintura brasileira do século XX, que teve grande influência nos jovens pintores neo-realistas portugueses; Portinari, que ilustrou A Selva em 1955, na edição comemorativa dos 25 anos da publicação do romance, interrompendo para o efeito o trabalho nos grandes murais da sua autoria -- «Guerra» e «Paz» -- no edifício da ONU em Nova Iorque, facto que o catálogo desta exposição documentará.
Thursday, September 06, 2018
«Ferreira de Castro, agitador no Brasil» 1990 - (2, repostagem)
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| seringueiro - fonte |
Nascido em Ossela, Oliveira de Azeméis, em 1898, Ferreira de Castro emigrou para o Brasil aos 12 anos, embarcando no vapor «Jerôme», rumo a Belém do Pará.
A experiência dos quatro anos que passou no seringal, ironicamente chamado «Paraíso», foi matéria de que se serviu para escrever um romance que evoca os deserdados do Ceará e do Maranhão, gente que demandava a selva sonhando com uma vida melhor, mas que ficava para sempre agrilhoada ao «inferno verde».
«Ferreira de Castro, agitador no Brasil», O Jornal, Lisboa, 2 de Novembro de 1990.
Tuesday, September 04, 2018
«Ferreira de Castro, agitador no Brasil» 1990 - (1, repostagem)
[Artigo publicado no semanário O Jornal, de Lisboa, em 2 de Novembro de 1990. Apesar de esquemático, e de o assunto já então haver sido aprofundado na tese de Bernard Emery, José Maria Ferreira de Castro et le Brésil (1981), que à época eu desconhecia, posto-o aqui pela curiosidade de se tratar do meu primeiro escrito sobre o romancista.]
O mais conhecido romance de Ferreira de Castro, publicado há 60 anos* pela Livraria Civilização, do editor Américo Fraga Lamares, desencadeou uma grande polémica no Brasil em 1934 (1), quando ali foi editado.
Em 1930, Ferreira de Castro era um jornalista prestigiado, que presidiu aos destinos do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa (à sua direcção se deve um protesto contra a censura, em 1927, bem como a edição da colectânea Uma Hora de Jornalismo, no ano seguinte, que reuniu textos de grandes nomes da imprensa da época), e um literato conhecido nos meios intelectuais lisboetas, mas de modo algum um autor consagrado. (2)
* O artigo é de 1990.
(1) 1935, no texto.
(2) Enfim, hoje seria mais cuidadoso. Emigrantes, publicado em 1928, já concitara imensas atenções, tendo a primeira edição esgotado rapidamente. Nesta altura, preparava-se já a 3.ª edição.
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Tuesday, March 27, 2018
castrianas: Humberto de Campos sobre A SELVA
«Os outros falaram da natureza, dos seus prodígios e mistérios; ele
fala do animal temerário que pretende subjugá-la, e que, vencido na sua luta
com a terra-virgem, rola, morto, mas de bruços, mordendo-a ainda, e abraçado
com ela.» Correio da Manhã (Rio de
Janeiro, 1930)
Sunday, February 25, 2018
Wednesday, July 19, 2017
Tuesday, May 02, 2017
no blogue de José de Matos-Cruz
24MAI1898-1974 - José Maria Ferreira de Castro: Escritor português, cidadão do Mundo, autor de A Selva (1930) - «Eu devia este livro a essa majestade verde, soberba e enigmática, que é a selva amazónica, pelo muito que nela sofri durante os primeiros anos da minha adolescência e pela coragem que me deu para o resto da vida.» (Pórtico - 1955).
http://imaginario-kafre.blogspot.pt/2017/05/imaginario-660.html
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Monday, January 30, 2017
o ponto de vista de uma geógrafa: Fernanda Cravidão
«[...] Em casa dos meus pais havia (há) uma biblioteca pequena, mas onde encontro algumas das obras que me têm acompanhado pela vida. Foi ai que descobri, precocemente, Ferreira de Castro, Aquilino e Euclides da Cunha. O tempo se encarregaria de me fazer chegar Carlos Oliveira, Alves Redol ou Vergílio Ferreira, entre muitos outros. E o tempo se encarregaria, também, de me mostrar como essas leituras permitem outras leituras do país, perceber os territórios com olhares diferenciados e também captar, às vezes, num olhar breve, o país de ontem e o país de hoje.
Quando, há cerca de 25 anos, fui pela primeira vez a Manaus reli A Selva de Ferreira de Castro. O percurso feito rio acima, envolvida nas redes que acolhem os passageiros, trouxe as imagens que a leitura me tinham permitido construir. Nada parecia ter mudado. Quando no início dos anos 90 orientei um seminário sobre emigração, um dos livros que referi e discuti com os alunos foi essa obra, escrita em 1929.
A Selva continuou a fazer parte do meu percurso. Como geógrafa, como viajante, como pessoa. E cruza-se também pelo cinema através do filme Fitzcarraldo do realizador Werner Herzog, de 1982. Ambos, Ferreira de Castro e Herzog, têm como território de referência a mesma Selva Amazónica e como traço comum o Sonho. Sonhos diferentes, é certo, mas que se entrelaçam na relação quase utópica com a floresta. Enquanto na obra de F. de Castro a selva é simultaneamente lugar de produzir riqueza e miséria humana, W. Herzog traz-nos para o ecrã a utopia de um melómano que contra a corrente transporta a “Europa” de Manaus para Iquitos. Ao cortar a floresta para fazer transportar o barco Molly Aida entra numa luta balizada pelo ritmo das chuvas, de seis em seis meses, uma batalha constante, marcada pela malária, pelos autóctones e pela selva. Tal como parte das personagens de Castro.[...]» (aqui)
A Selva continuou a fazer parte do meu percurso. Como geógrafa, como viajante, como pessoa. E cruza-se também pelo cinema através do filme Fitzcarraldo do realizador Werner Herzog, de 1982. Ambos, Ferreira de Castro e Herzog, têm como território de referência a mesma Selva Amazónica e como traço comum o Sonho. Sonhos diferentes, é certo, mas que se entrelaçam na relação quase utópica com a floresta. Enquanto na obra de F. de Castro a selva é simultaneamente lugar de produzir riqueza e miséria humana, W. Herzog traz-nos para o ecrã a utopia de um melómano que contra a corrente transporta a “Europa” de Manaus para Iquitos. Ao cortar a floresta para fazer transportar o barco Molly Aida entra numa luta balizada pelo ritmo das chuvas, de seis em seis meses, uma batalha constante, marcada pela malária, pelos autóctones e pela selva. Tal como parte das personagens de Castro.[...]» (aqui)
Tuesday, November 22, 2016
Thursday, October 20, 2016
Saturday, June 25, 2016
"Uma página de Ferreira de Castro"
Todos os anos, num fim-de-semana de Maio, o CEFC promove os Encontros Ferreira de Castro, que reúne estudiosos e leitores, em que às comunicações mais ou menos informais se seguem passeios e convívio por aquelas paragens de Ossela, Oliveira de Azeméis e Vale de Cambra.
Os encontros começam sempre nas sextas à noite na adega da casa onde o escritor nasceu. A partir deste ano, lançámos o desafio a cada um dos participantes a escolherem uma passagem, lendo-a aos restantes, seguindo-se um diálogo entre os presentes.
Houve dez que se chegaram à frente, tendo eu registado a origem das escolhas. Na ficção: Emigrantes (1), A Selva (2), Terra Fria (2), A Curva da Estrada (1), A Missão (1); não-ficção: Ecos da Semana, O Segredo das Nossas Derrotas -- Como eu fui preso no Limoeiro, Mensagem (1949).
Para o ano haverá mais.
Thursday, March 31, 2016
«Sob as velhas árvores românticas»: do significado de Sintra para Ferreira de Castro (7)
A escolha de Sintra por Ferreira de Castro como um dos seus lugares de
eleição para escreviver – como diria Cruz Malpique (ver Cruz Malpique, «O
problema sentimental da emigração no romancista português Ferreira de
Castro e na poetisa galega Rosalía de Castro», In Memoriam de Ferreira de
Castro, Cascais, Arquivo Biobibliográfico dos Escritores e Homens de Letras de Portugal, 1976: 169) –, tem um impulso sinestésico, tanto mais interessante
quanto ele pôde conhecer a face negra da Natureza, em que o Homem não
passa de um títere manejado inexoravelmente pela força titânica dos
Elementos, que não consegue aplacar. (1)
(1) «[…] A selva dominava tudo. Não era o segundo reino, era o primeiro em força e categoria, tudo abandonando a
um plano secundário. E o homem, simples transeunte no flanco do enigma, via-se obrigado a entregar o seu destino
àquele despotismo. O animal esfrangalhava-se no império vegetal e, para ter alguma voz na solidão reinante,
forçoso se lhe tornava vestir pele de fera. A árvore solitária, que borda melancolicamente campos e regatos na
Europa, perdia ali a sua graça e romântica sugestão e, surgindo em brenha inquietante, impunha-se como um
inimigo. […]». (in Ferreira de Castro, A Selva [1930], Lisboa, Guimarães & C.ª – Editores, 1980(32.ª ed.): 106).
(artigo completo)
(artigo completo)
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Wednesday, December 30, 2015
H de Hevea brasiliensis - para um Dicionário de Ferreira de Castro
Hevea brasiliensis, árvore-da-borracha, seringueira, espécie originária da bacia do Amazonas, de onde se extrai o látex, matéria-prima para a produção de borracha e outros produtos derivados. A exploração intensa começa ainda na primeira metade do século XIX, originando, pela exclusividade brasileira da sua produção, um enorme fluxo de capitais, de que são exemplos as peças arquitectónicas que distinguem as principais cidades da região: Belém do Pará e Manaus, cuja Ópera é mundialmente famosa. Por ocasião da viagem planetária que efectuou em 1939, Castro terá oportunidade de confraternizar e fazer-se fotografar por esses seringueiros asiáticos, que com ele e com os sertanejos brasileiros fugidos da seca, se irmanaram no duro trabalho extractivo.
Brasil é o principal produtor mundial, embora já desde há muito não detenha o exclusivo da produção. No último quartel de Oitocentos, os ingleses promoveram plantações da seringueira nas colónias do Sudeste Asiático, estabelecendo-se uma concorrência que originaria a queda dos preços e consequente crise económica, cujos efeitos o jovem Ferreira de Castro sentirá na pele. Na pele e no espírito, pois a experiência amazónica do futuro escritor terá como maior fruto essa obra maior que é A Selva.
Brasil é o principal produtor mundial, embora já desde há muito não detenha o exclusivo da produção. No último quartel de Oitocentos, os ingleses promoveram plantações da seringueira nas colónias do Sudeste Asiático, estabelecendo-se uma concorrência que originaria a queda dos preços e consequente crise económica, cujos efeitos o jovem Ferreira de Castro sentirá na pele. Na pele e no espírito, pois a experiência amazónica do futuro escritor terá como maior fruto essa obra maior que é A Selva.
(a desenvolver)
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Saturday, November 28, 2015
Sobre o medo - um parágrafo de Miguel Real
«[...] Rui Zink tematiza o medo fazendo-nos sorrir. Desde Gil Vicente, faz parte dos atributos da farsa vestir-se de comédia. Nos seus romances, Lobo Antunes trabalha o medo recorrendo à compaixão trágica, despertando o nosso sentimento de piedade, sentimos pena de algumas das suas personagens. Agustina, realista no quadro geral, limita-se a descrever psicologicamente o medo. Saramago conta a história social do medo, evidenciando como ele é indissociável do conflito humano. Al Berto traz à luz, nos seus poemas, um medo original, a presença aterradora do excesso de ser que consome a existência humana, o que Golgona Anghel designa por "medo metafísico", o mesmo medo que atravessa a obra de Vergílio Ferreira, sintetizado na morte. Ferreira de Castro exprime com realismo o sentimento de medo, mesmo pânico, de Alberto perante a fúria decapitadora dos índios amazónicos. Outros escritores abordam este sentimento, cada um a sua modo, mas nenhum transformou um sentimento de temor, de pavor, até de horror, em quadros ficcionais desencadeadores do riso.[...]» [sobre Osso, de Rui Zink (2015)]
Miguel Real, «O medo desmascarado», JL, 25 de Novembro de 2015.
Tuesday, September 15, 2015
«Sob as velhas árvores românticas»: do significado de Sintra para Ferreira de Castro (5)
Em terceiro lugar, Castro foi um contemplativo da Natureza, em especial da
natureza vegetal; e esta ocupa também um lugar de primeira importância na
sua obra, como desde sempre viram exegetas mais atentos: já na década de
1930, o poeta João de Barros assinalara nas páginas da Seara Nova, em
recensão crítica a Eternidade (1933), a «paisagem, humanizada pelos que nela
penam e sofrem» (in Museu Ferreira de Castro – Periódicos, MFC/D, João de Barros, «Livros», Seara Nova #345, Lisboa, 1 de Junho de 1933: 141-142); e
outros críticos tirarão desta humanização mais extremes e significantes
consequências: de António Cândido Franco, que sublinhará, a propósito do
romance A Selva (1930), «[…] uma atribuição precisa de sentido à natureza
[…]» (in António Cândido Franco, «O significado da selva na obra de Ferreira
de Castro», Colóquio – Letras #104-105, Lisboa, Fundação Calouste
Gulbenkian, 1978: 62), a Torcato Sepúlveda, notando que o escritor, «[…] na
obra como na vida, cultiv[ara] um doce paganismo em que a natureza era
antropomorfizada […]» (in Torcato Sepúlveda, «A natureza como personagem
de romance», Público, Lisboa, 29 de Junho de 1994: 25)
– como teremos oportunidade de ver, a propósito das árvores de Sintra.
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Tuesday, July 07, 2015
castrianas: A SELVA em referência de António Quadros numa visão de conjunto do romance brasileiro
É pouco referida a influência que os dois primeiros romances de Ferreira de Castro, Emigrantes e A Selva, tiveram nos jovens autores do romance nordestino da década de 1930, nomeadamente Jorge Amado e José Lins do Rego. Creio que Álvaro Salema terá sido o primeiro a escrevê-lo explicitamente.
Numa excelente conferência sobre «O romance brasileiro actual», proferida no início dos anos sessenta, António Quadros, já em balanço final e referindo-se à tradição portuguesa da ficção narrativa do Brasil, associa o portuguesíssimo e universalista escritor português sem outra razão aparente que não seja a de evocar o poderoso romance que tem por cenário a magnitude vegetal amazónica, ora edénica ora -- as mais das vezes -- infernal, descrita como nenhum brasileiro o fizera.
« Vincadamente de tradição portuguesa, ainda quando formalmente pareça seguir outros modelos e estruturas, é uma literatura aberta à razão cósmica, que a assume e revela, que quereria ser a voz dos próprios paradoxos e das próprias contradições, que surpreende o homem, não como conceito, não sequer como substância, mas como puro movimento, como movimento infinitamente disponível, potencialidade constantemente a actualizar-se e a formar-se sob a reacção de novos estímulos e solicitações. Este carácter é evidentemente mais visível na tradição que designadamente passa por José Lins do Rego, Gilberto Freyre, Dinah Silveira de Queiroz e Guimarães Rosa, que visionam o homem em união mais íntima com a natureza e as forças nuas do sentimento, da raça, do inconsciente, da inefável alma do universo, mas não deixa de aflorar num Aluízio de Azevedo, num Raúl Pompeia, num Machado de Assis, num Erico Veríssimo, numa Lígia Fagundes Teles, num Ferando Sabino, na medida em que as suas personagens reflectem o tumulto, a inquietação, a gratuita liberdade do urbanismo brasileiro, crescendo com o vigor cósmico de uma selva, aquela selva que Ferreira de Castro tão vigorosamente soube pintar em sua majestade irracional e misteriosa.»
in O Romance Contemporâneo, Lisboa, Sociedade Portuguesa de Escritores, 1964.
Numa excelente conferência sobre «O romance brasileiro actual», proferida no início dos anos sessenta, António Quadros, já em balanço final e referindo-se à tradição portuguesa da ficção narrativa do Brasil, associa o portuguesíssimo e universalista escritor português sem outra razão aparente que não seja a de evocar o poderoso romance que tem por cenário a magnitude vegetal amazónica, ora edénica ora -- as mais das vezes -- infernal, descrita como nenhum brasileiro o fizera.
« Vincadamente de tradição portuguesa, ainda quando formalmente pareça seguir outros modelos e estruturas, é uma literatura aberta à razão cósmica, que a assume e revela, que quereria ser a voz dos próprios paradoxos e das próprias contradições, que surpreende o homem, não como conceito, não sequer como substância, mas como puro movimento, como movimento infinitamente disponível, potencialidade constantemente a actualizar-se e a formar-se sob a reacção de novos estímulos e solicitações. Este carácter é evidentemente mais visível na tradição que designadamente passa por José Lins do Rego, Gilberto Freyre, Dinah Silveira de Queiroz e Guimarães Rosa, que visionam o homem em união mais íntima com a natureza e as forças nuas do sentimento, da raça, do inconsciente, da inefável alma do universo, mas não deixa de aflorar num Aluízio de Azevedo, num Raúl Pompeia, num Machado de Assis, num Erico Veríssimo, numa Lígia Fagundes Teles, num Ferando Sabino, na medida em que as suas personagens reflectem o tumulto, a inquietação, a gratuita liberdade do urbanismo brasileiro, crescendo com o vigor cósmico de uma selva, aquela selva que Ferreira de Castro tão vigorosamente soube pintar em sua majestade irracional e misteriosa.»
in O Romance Contemporâneo, Lisboa, Sociedade Portuguesa de Escritores, 1964.
Tuesday, June 09, 2015
Ana Margarida de Carvalho, no JL de hoje: "'A Selva' continua a chamar por nós, a insistir em querer dizer-nos coisas.»
| O lead do artigo de Ana Margarida de Carvalho (não confundir, como faz o JL, e muitos outros, o Museu Ferreira de Castro, em Sintra, com a Casa-Museu Ferreira de Castro, em Ossela) |
Thursday, May 21, 2015
Castro e Cendrars
Num livro póstumo de Louis Parrot (1906-1948), na suculenta colecção «Poètes d'Aujourd'hui» da Seghers (vol. 11) sobre Blaise Cendrars (Paris, 1948), (são também de sua autoria os volumes 1 e 7, respectivamente sobre Éluard e Lorca), leio sobre a influência que a leitura de Ferreira de Castro provocaram em poemas de temática brasileira de Feuilles de Route ou em narrativas como «En trasantlantique dans la Forêt» -- tudo a ler cum granum salis, como se voltou a dizer:
«Dans sa descritption de la forêt, Blaise Cendrars atteint à la puissance d'um Ferreira da [sic] Castro, l'un des plus grands écrivains d'aujourd'hui, le Kipling portugais, qui très pauvre, partit à douze ans pour le Brésil, y connut la vie des plus misérables émigrants, des "seringueiros", et nous donne dans son chef-d'oeuvre, A Selva, La Forêt Vierge, le témoignage d'un homme tout pénétré de souffrance et d'amour [...] Da [sic] Castro a trouvé en Cendrars un égal, un homme qui, sans avoir la même expérience de la vie brésillienne, en a su cependant comprendre tout l'essentiel.» (pp. 66-67)
É de notar que a notoriedade de Ferreira de Castro em França era então grande -- foi nesse ano feito sócio-honorário da Socité des Gens de Lettres de Paris -- fundada por Balzac, Hugo, Dumas e George Sand, sendo à época presidida por Maurice Bedel. Ainda hoje, a França é o país em que Castro está mais presente, mais ainda do que no próprio Brasil, se exceptuarmos a região amazónica e as cidades de Belém e Manus.
É de notar que a notoriedade de Ferreira de Castro em França era então grande -- foi nesse ano feito sócio-honorário da Socité des Gens de Lettres de Paris -- fundada por Balzac, Hugo, Dumas e George Sand, sendo à época presidida por Maurice Bedel. Ainda hoje, a França é o país em que Castro está mais presente, mais ainda do que no próprio Brasil, se exceptuarmos a região amazónica e as cidades de Belém e Manus.
Thursday, May 14, 2015
Ferreira de Castro nos dicionários (26) - o Pequeno Dicionário de Autores de Língua Portuguesa
Da autoria de Fernanda Frazão e Maria Helena Boavida, o PDALP é uma edição dos Amigos do Livro, Lisboa, 1983. Não sendo perfeito, não há dicionários perfeitos, é melhor e mais completo do que alguns de maior projecção. Eu próprio, aliás, desconhecia-o até há pouco.
Referindo-se à obra «fortemente inovadora e pessoal» do autor, salienta Emigrantes e A Selva, «consagra[grando-o] como intérprete dum populismo visceral que só viria a encontrar eco na geração seguinte e que nele é visão cósmica, evocação daquilo que no homem é instinto puro animal mas também identificação com o desafio às eternas forças primordiais. da natureza.» A partir de A Lã e a Neve, segundo as autoras, os seus romances «reflectem um domínio, entre nós inigualado na montagem da ficção[..]».
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